sábado, 31 de julho de 2010

Entrevista com o pianista, compositor e arranjador Márcio Hallack


Daniela Aragão: Como apareceu a música em sua vida?

Márcio Hallack: Na verdade eu nem sei dizer como surgiu a música na minha vida, eu me lembro que um dia eu sentei no piano e comecei a tocar. Tinha um piano em minha casa, eu morava na Rua Marechal Deodoro 171, até o nome é engraçado (risos), apartamento dez. Tinha um piano lá, era muito comum ter piano em casa naquela época. Quando eu tinha cinco anos de idade uma tia minha chamada Bia, que mora em São Paulo, irmã da minha mãe, me levou para assistir ao filme Suplício de uma saudade. Acho que já cheguei a comentar isso com você uma vez. E isso é verdade, porque isso é um fato da minha infância que eu lembro mesmo. Me lembro de ter sentado e tocado o piano, mas a coisa começou no filme que tem a música “Love is many explendored thing” (cantarola). Eu pedi para ver mais um pouquinho o filme, a sessão seguinte eu queria ver. Ela perguntou: “- mas porque você quer ver de novo?” Eu disse que queria ouvir a música. Cheguei em casa com o dedinho e toquei a música, eu me lembro direitinho disso, da sala onde ficava, do piano, tudo. Daí para frente começou esse lance de estudar, estudar, não música, o colégio normal. Eu tinha uma ansiedade de tocar de qualquer maneira e ninguém me deixava estudar direito. Eu arrumava um professor aqui, ali, mas não dava certo. Aos dezoito anos resolvi assumir a música, fui atrás de professor particular para estudar música, para escrever como eram as notas, então eu comecei a estudar direto e deu um boom assim violento. Depois que nos mudamos para a rua Tiradentes eu ficava no meu quarto estudando para o vestibular e ao mesmo tempo debruçado horas no piano. Meu piano ficava dentro do meu quarto, em frente a minha cama. Eu levantava e tocava piano, antes de dormir tocava piano, parava de estudar e tocava piano. Minhas irmãs não aguentavam mais e falavam: “- Você não fica cansado sentado aí nessa cadeira com o piano..” E eu não parava.

Daniela: Então a partir dos dezoito anos você assumiu de fato a música, e partiu então para o conservatório?

Márcio: Fui para o conservatório estadual, no estadual fiz um pouco, não cheguei até o fim. Quando eu tinha dezenove ou vinte anos fui participar de um concurso de piano em Barbacena, mas era o conservatório brasileiro e eu tinha estudado no estadual França Americano.

Daniela: Você se sentiu um traidor (risos)

Márcio: Uma espécie de traidor, mas eu vi que era um concurso. Fui lá e toquei o Noturno de Chopin, Apanhei-te cavaquinho, do jeito que era mesmo, normal, rápido demais (gesticula) e toquei uma outra que foi Dança Negra, do Guarnieri. Guarnieri é um dos meus ídolos, maravilhoso. Grande Camargo Guarnieri. Ganhei primeiro lugar, não acreditei nesse negócio. Aí voltei com o troféu todo empolgado e me lembro de um fato interessantíssimo, eu estava com um amigo na rua, agora não me recordo quem era, comecei a falar de saxofonistas, cheguei a falar do Coltraine e o cara não sabia quem era Coltraine naquela época, devia ser setenta e poucos oitenta. Aí esse colega meu não sabia quem era o Coltraine, passou um cara, um transeunte na rua e ouviu a conversa e virou para trás e falou: “- Ele não vai saber quem é, você tem que começar pelo Stan Getz”. Isso me marcou muito. Que loucura isso, aqui em Juiz de Fora na Rua Halfeld. Nessa época eu me apresentava também muito no Pró-Música como pianista solo, eu era muito louco, chegava lá e tocava. Como eu não tinha estudo formal, eu era cabeça independente, então o que vinha na minha cabeça eu tocava. Acho que tem que juntar tudo na verdade, conhecimento, técnica. Hoje eu voltei muito a esse lance de sentar e deixar a inspiração solta.


Daniela: E nessa época já começou a florescer o lado compositor?

Márcio: Demais, era o que mais tinha pois eu sentava e tocava qualquer coisa que vinha na minha cabeça. Então para mim aquilo era música que eu inventava, mas isso me deu um up grade muito grande. Quando as pessoas falavam, vamos tocar free, eu já sabia. Eu faço isso há mais de quarenta anos, já sei direitinho o que é essa história. Tivemos um grupo aqui também chamado A Pá, depois chegou o Milton Nascimento, o Milton vinha na cidade, andava com a gente para cima e para baixo de carro. Ainda nem estava no Clube da Esquina. Ele andava no meu carro, eu tinha um Fusca. Ele gostava de ficar vendo paisagens no morro, tínhamos o grupo A Pá que era formado pelo Guto, Bilinho, Xico. A Pá começou na minha casa. O Bilinho acabou até vindo depois, o Xico Teixeira era um dos primeiros integrantes.

Daniela: E o Milton tinha um envolvimento com o grupo de vocês?

Márcio: Tinha demais, vinha para cá e saía direto conosco. O Marcinho Itaboray depois chegou, depois também o Ronaldinho irmão dele. Tinha o Genival que tocava flauta, o Helinho que tocava contrabaixo. Tínhamos outros grupos junto com A Pá, fazíamos som aberto na Academia, na Universidade. Todo mundo barbudo, com calça boca de sino, hippie. Hipão mesmo, com todos os credenciais dos hippies da época. Todo mundo louco demais naquela época, todos estudando, uns estudavam engenharia, outros administração, outros medicina, mas a música não acabava nunca. Eu tocava muito sozinho, mas o grupo A Pá participou de muitos festivais. Depois veio um outro chamado Lando Magog, esse grupo foi muito importante, um grupo de música experimental mesmo.

Daniela: Nesses dois grupos vocês tocavam mais composições autorais ou releituras?

Márcio: Tinham autorais, a maioria era autoral, releitura era uma ou outra. Eu tinha muita música. Na Pá tinha música de todos, no Lando Magog tinham mais músicas do Kim, o Kim aliás que criou essa idéia da música experimental. Era eu, Kim, Big Charles, Bilinho, não lembro mais quem estava de contrabaixo.

Daniela: E vocês têm algum registro?

Márcio: Alguma coisa em fita cassete, mas era fantástico. O Lando Magog rompeu fronteiras, fomos fazer show em Florianópolis no teatro mais importante, fizemos um show lindo lá.

Daniela: Você mencionou o Milton, sei que tem envolvimento musical com outros mineiros também como Nelson Ângelo, Toninho Horta...

Márcio: Sim. Daí foi surgindo. O Bilinho foi embora para o Rio e se profissionalizou como violonista, o Guto se voltou mais para a medicina, assim eu segui paralelamente tentando conciliar a medicina e a música. Consegui até gravar o meu primeiro LP com direção do Nelson Ângelo, que foi o Talismã. Foi importantíssima a participação do Nelsinho, fizemos shows juntos. Ficamos amigos mesmo, combinamos de nos encontrar no Rio, no extinto Luna e ele falou: - “Doutor Hallack vamos fazer o seu disco”. E acabamos fazendo o meu primeiro LP, ficou bonito, com a participação da Telma Costa. Acho que vou colocar essa música no meu cd novo que está para sair, não posso deixar de fora, ela se chama Música. Telma, Nelsinho, Fernando Leporace, Novelli, Nelson Ângelo, Robertinho, Mauro Senise. É um disco que não consegui lançar como deveria e nem transformar em cd. Fiz um remix por minha conta, tenho ele em casa em cd, mas quero ainda pegar o LP e passar para cd pois vale a pena, tem arranjos lindos do Nelson Ângelo, participação do Jacques Morelenbaum. Depois disso, estudando medicina e tendo um disco gravado com essas grandes feras, você fica meio maluco, será que eu faço isso, faço aquilo, fiquei meio maluco. As pessoas costumam me perguntar, de que você gosta mais, quem nasceu primeiro, acho uma besteira isso, uma pobreza muito grande. Se você não gosta de uma coisa você larga, você continua fazendo os dois ou porque gosta ou porque precisa. De alguma forma todos os dois me dão subsídios para alguma coisa. Ou para o sustento, ou relacionamento, ou ambos. Então eu nunca desgostei e sempre brinquei, são as duas, a música e a medicina, as duas são femininas. E nem uma das duas tem ciúmes uma da outra. Isso responde uma porção de coisas, daí eu comecei a me especializar, convivi com muita gente no Rio, com Luizinho Eça, tocava lá na noite, fugia sempre de Juiz de Fora para estar em contato com novidades. Fiz grandes amizades com todo mundo que você pode relembrar da música instrumental. Depois veio a época do Hermeto, quando o instrumental já estava pegando fogo e o Hermeto veio com aquele som novo dele. O Hermeto e o seu grupo formado pelo kakau, Jovino, ficaram uns dez dias lá em casa. Itiberê, Márcio Bahia, o Pernambuco tocando percussão. Convivemos muito, depois estendemos essa convivência para fora daqui e isso foi uma coisa maravilhosa pois começou a juntar a parte mineira, com a parte instrumental, com a parte erudita. Eu estudava clássico, enfim, tive milhões de informações que me ajudaram muito. Isso contribuiu para que eu me transformasse num arranjador hoje. São vários segmentos da música que pude ter contato profundo, música erudita me trazia uma série de informações, o jazz outras, o Bill Evans que até hoje é um dos maiores fenômenos em termos de harmonia, da maneira de tocar piano, todo o pianista que se presa adora o Bill Evans. Depois com isso aliado a chegada também do Egberto na música instrumental, e aí falo em Pixinguinha, Ernesto Nazareth e tudo isso misturado com os mineiros. Tudo isso foi fundamental para a minha formação.

Daniela: O erudito, o jazz e a Bossa Nova que influenciaram uma geração inteira né? Tom Jobim e João Gilberto.

Márcio: Você citou uma coisa que estava passando batida aqui, uma das coisas mais marcantes. É impossível não deixar de falar do Tom, Tom sintetizou tudo, tanto do instrumental, quanto do erudito, até de Minas vamos dizer um pouco. Ele conseguiu traduzir isso tudo nas harmonias com a Bossa Nova, aí fecha o ciclo todo.

Daniela: Não dá para conversar sobre tudo isso sem passar por Tom e João

Márcio: De maneira nenhuma (cantarola a canção Boto de Tom Jobim)

Daniela: Eu acho visível essa influência jobiniana em sua obra, no De manhã, certo caráter minimalista seu, a evidência de notinhas.

Márcio: Aquela música: A praia de dentro tem areia... Como chama?

Daniela: Boto, é linda né?

Márcio: Você vê que a melodia é lindíssima e notas uma do lado da outra, coisas simples. O Tom conseguiu isso tudo. Considero Nelson Ângelo um dos maiores compositores dessa fase dos mineiros, de uma linha mais purista talvez, mais orquestral talvez.

Daniela: Sim, ele gosta muito de cordas. Me recordo de um arranjo de cordas lindo que ele fez naquele cd que reúne parcerias com o Cacaso, o Mar de Mineiro, acho que era a canção Quando eu vi o mar. Já fizemos ela juntos.

Márcio: Sim. Esse disco de canções que eu vou fazer agora estou animado. Gravei uma série de canções minhas apenas piano e voz, eu mesmo cantando.

Daniela: Lançaram pela Biscoito Fino um espetáculo que o Tom Jobim fez em Belo Horizonte somente Piano e Voz.

Márcio: Eu acho que independente de cantar bem ou não o importante é o registro do autor. Eu vou fazer isso ainda. Agora chegando aos tempos atuais, comecei a fazer festivais de jazz com formação de trio: piano, baixo e bateria. Acabei ganhando alguns prêmios, ganhei como compositor e instrumentista o BDMG por duas vezes, ganhei 2002 e 2007. Antes disso eu ganhei o terceiro lugar na Rodada Brahma de Música Popular Brasileira, com arranjos do maestro Gaia, tocando um choro meu chamado Presente para o titio, o Mamão na época tocava bateria na orquestra. Um arranjo lindo com orquestra completa. Violinos, sessão de cordas e de sopros, mais o trio composto por piano, baixo e bateria, isso aconteceu no Hotel Nacional. Ganhei o prêmio também de Jovem Pianista em Barbacena. Participei de duas sessões do Free Jazz também e tudo isso morando aqui em Juiz de Fora e sendo médico, já estava casado, com filhos e tal. Uma confusão. Minha vida sempre foi essa coisa tipo assim: vamos lá.

Daniela: Frenética

Márcio: Pois é, acho interessante que você sempre consegue traduzir as minhas coisas (risos). Frenesi, meio Hitchcock, e meio Woody Allen, dá certo, não dá certo, de repente dá no final. Comecei a fazer alguns arranjos e fiz o nosso também, que achei maravilhoso poder fazer esse trabalho com você e contar com a participação de grandes nomes como o Paulo Russo e o Affonsinho, que tocou com o Gato Barbieri na trilha do Último Tango. Depois fui arranjador de um outro compositor chamado Avelino Atála, em que você também fez uma participação, achei que os disco dele ficou lindo, os arranjos, as introduções. Digo a ele que quero roubar para mim todas as introduções que eu fiz. Ele me deu aquilo cru, simploriamente, apenas com o violão. Isso é que eu acho um trabalho de arranjo.

Daniela: Esse trabalho de concepção de arranjo foi o que pudemos desenvolver em nosso disco sobre a obra de Sueli Costa e Cacaso, por exemplo a música mais evidenciada é Amor Amor e a que tínhamos a maior responsabilidade, pois tinha sido gravada por Maria Bethânia. E essa foi a que levou uma releitura mais original, mais nossa, mais clean, mais minimalista. Sempre recordo de você ter dito que sonhou com suas mãos sobre as águas.

Márcio: Eu tive realmente essa visão.

Daniela: Você demonstrou essa sensibilidade no movimento, o ir e vir da água, meio flutuante.

Márcio: Eu acho assim e eu brinco muito com isso, tenho meu quartinho de estudo com meu piano em casa que você conhece muito bem, as pessoas me perguntam com quem estudei e tal. Eu sempre procurei estudar com várias pessoas, fiz algumas aulas, a pouco tempo com o Vitor Santos, trombonista. Nunca tive muito tempo para continuar as coisas até o fim. Estudei com o André Pires aqui em Juiz de Fora, então sempre fui muito elétrico até pela situação de ter que fazer outras coisas para sobreviver. Compromisso com família, compromisso pessoal, compromisso com a música. Então não consegui parar e dedicar a uma só coisa até o fim. Eu gostaria de ter feito um estudo mais acadêmico, mais sistematizado. Mas não sei se esse academicismo total poderia me prejudicar, quando faço algum arranjo mesmo escrevendo para uma sessão de cordas como fiz, sem conhecer tecnicamente as coisas sou capaz de fazer lindos arranjos. Fiz uma arranjo para Linda, um quinteto de flautas com piano e tal, mostrei para o Nivaldo e ele adorou. Eu não sei de onde vêm essas idéias, acho que elas vêm de dentro e de muita experimentação que fiz desde aquela época quando eu não tinha estudo nem nada e sai experimentando. Eu descobri atualmente um pianista americano que faz worshop justamente do que eu poderia dizer música espontânea. Aquilo de você sentar e tocar, vi ele tocando e parece que ele fixa o olhar em um lugar e a mão vai indo espontaneamente num lance até meio espiritual. E se realmente você pensa numa música, isso é um exercício e surgem coisas maravilhosas. Eu acho que a música realmente vem da alma, vem de dentro. Você tem que ter os conhecimentos técnicos mas se você deixar fluir aquilo que tem dentro de você, rápido ou não, acho que vai ter uma beleza profunda.

Daniela: E você tem uma entrada no cinema

Márcio: Exatamente. Eu fiz o Rei do Samba, depois fiz uma outra participação com o Zé Sette também no Janela do Caos, inspirado na vida do poeta Murilo Mendes. E recentemente participei de um curta chamado Rochedo de Minas, esse eu participei tocando e como arranjador. Esses filmes rodam por aí. Lembro que certa vez você comentou comigo que tinha conversado com o Sarraceni que fez o Crônica da casa assassinada do Lúcio Cardoso, então, fiquei satisfeito pelo comentário dele. E venho tocando, aprovei um projeto na Lei Estadual, Piano solo: choros e canções com releituras do Ernesto Nazareth, Pixinguinha, João Pernambuco e composições minhas também. Gravei junto com isso uma canção chamada Lua inquieta, com letra do Murilo Antunes. A Carla Vilar gravou, o primeiros disco dela foi só Toninho Horta. E o Toninho gravou também duas sessões comigo, Iuri Popov, foi muito legal.

Daniela: E os trabalhos atuais então?

Márcio: Tem o meu disco de canções que mistura a coisa brasileira do choro mas que vem para uma linguagem bastante moderna, romântica, erudita, misturada, nem eu sei te explicar. Mas digo que mexeu comigo em termos de sentimento. Um cara que tem me incentivado muito atualmente é o Nivaldo Ornellas, um grande saxofonista que tem um sopro próprio, o Wayne Shorter é lá e o Nivaldo Ornellas aqui. Eu estive em Belo Horizonte fazendo o festival de Jazz da Savassi e tive a honra de ter a participação do Nivaldo comigo, ele tocou Canto de Recordação que é um choro canção lento, o Nivaldo tocando aquilo, soprando, mudou completamente a acentuação da música, eu arrepiava e chorava no meio da música. Um troço impressionante. Eu mostrei para ele as canções do disco que pretendo fazer agora e quero trabalhar junto com ele nesse cd. Se uma pessoa dessa admira o meu trabalho, eu que vim de tanta conturbação, ele reconheceu seriedade no meu trabalho, profissionalismo, então penso que estou no caminho certo.

Daniela: Tem trabalhado com cantoras? Você trabalhou comigo, Fernanda Cunha, Telma Costa, Lívia Lucas

Márcio: Sim o disco da Fernanda que também fiz os arranjos lá em Cleveland e depois a Lívia, Telma, você, a Carla Vilar. Agora quero deixar registrado aí, já convidei mas perdi o telefone dele. Ele é um dos caras que eu considero que tem uma das maiores vozes do Brasil, ele sozinho com o violão e não precisa mais nada. Se ele cantar uma ou duas músicas minhas eu vou me sentir realizado plenamente. Deixo o convite para o meu grande amigo Tadeu Franco. Fecho aqui.

Daniela: Marcinho muito obrigada, adorei.

Um comentário:

cbmtijuca disse...

Márcio, o Lando Magog era você, eu, Big Charles, Bilinho, Xico Teixeira, o Estêvão era um moleque ainda, começando na flauta e o baixista chamava-se Helinho, mas não era o memorável Quirino: acho que era professor na UFJF, amador em música mas dava no couro.
Abraço,
Kim