sexta-feira, 9 de julho de 2010

Entrevista com o arranjador e maestro Aécio Flávio Rêgo



Março de 2010 na varanda do Vinicius Piano Bar


Daniela Aragão: Quando e como apareceu a música em sua vida?

Aécio Flávio: O meu pai era escriturário e músico amador, tocava em banda de música no interior de Minas. Quando foi para Belo Horizonte ele começou a integrar uma banda de baile e ele vivia ensaiando dentro de casa. Ele chegava da fábrica e ficava pelos cantos da casa tocando tudo quanto é pedaçinho de música. Daí fui entender que era partitura para orquestra, ele ficava procurando uma acústica boa nos cantos das paredes. Isso me marcou bastante. Um dia fui a um aniversário em que tinha um cara tocando Baião Delicado, fiquei impressionado, achei tão bonito aquilo. Mas o marco mesmo aconteceu quando eu descia a rua para ir a escola e encontrei um mendigo chamado Raul e ele mendigava por aí tocando uma gaita de boca, fiquei fascinado olhando esse cara. Fiquei abismado como ele tirava música daquele pedaçinho de lata. Daí chegando eu casa falei com meu pai: - Não quero presente, não quero brinquedo esse ano, eu quero uma gaita. Aí ele me deu uma gaita, acredita que ele me deu uma gaita de manhã e a tarde eu já estava tocando duas músicas?

Daniela: Intuitivamente você já saiu tocando

Aécio: Sim, eu ouvia as músicas no rádio, uma das músicas se chamava Porteira Velha e a outra Adios Pampa Mia, eu ouvia muito isso na rádio e acabou ficando. Eu pegava a gaita até ficar tonto de tanto soprar, mas saía. Lá em casa acontecia o seguinte, o filho fazia dez anos de idade e tinha que trabalhar. Meu irmão mais velho trabalhava numa lapidação de rubis, ele arrumou para mim um trabalho numa colchoaria, num tal de seu Juca. Lá fui eu ficar enchendo travesseiro de pano. Um dia depois do almoço, eu estava recostando e encostei na parede quando esbarrei num violão que soou o som das cordas soltas. Eu fiquei fascinado por aquilo, pensei, o que é isso? Peguei aquele violão e comecei a mexer. Fiquei mexendo, mexendo, no dia seguinte eu já estava colocando um, dois dedos, daí fiz um sol maior. Pedi um vizinho nosso que me ensinasse a tocar, ele tinha um trio que imitava o trio Los Panchos. Ele me ensinou uma, duas posições, eu cheguei em casa e ensinei para o Rubinho, meu irmão mais novo. Daí depois descobri o cavaquinho, descobri que a afinação eram as quatro cordas mais agudas do violão, daí passei para o cavaquinho. O violão era o cavaquinho com mais dois baixos, o mi e o lá.

Daniela:Você foi transitando pelos instrumentos...

Aécio: Meu irmão mais velho gostava de cantar e tocar pandeiro, não demorou para que tivéssemos um conjuntinho dentro de casa. O mais novo, hoje engenheiro, quando tinha seis anos tocava Waldir Azevedo, Brasileirinho, Pedacinho do céu, as coisas que eu passava para ele tocar no cavaquinho. Fomos com esse conjunto tocar na rádio Guarani, o programa chamava-se Gurilândia, saíamos, pegávamos o bonde, isso nos anos cinquenta. E meu pai ficava todo orgulhoso de nos ver tocar, o conjunto era composto por gaita, violão, cavaquinho e pandeiro. E ele tinha aquele orgulho, aquela vaidade de fazer tocarmos na rádio. Meu pai insistia para que tocássemos no bonde, nós tocávamos morrendo de vergonha do bonde. Meu irmão mais velho ficava puto de ter que tocar no bonde.


Daniela: E como surgiu o piano? Ele é o seu instrumento oficial?

Aécio: Não elegi um instrumento, meu instrumento é a partitura. Eu me especializei em fazer arranjo, sou arranjador. Por eu gostar de tudo o que é instrumento acabei descobrindo que ao fazer arranjo você pode tirar sarro de todos eles. Eu faço por exemplo partitura para piano em que eu não toco, faço partitura que não sou capaz de tocar. Sou meio autodidata no piano, passei do acordeon para o piano. Voltando a gaita, comecei a perceber que tinham certas notas que ela não tirava, os sustenidos e bemóis. Então chegavam determinadas músicas em que eu tinha que pular a nota. Aí me mostraram uma gaita de chave e comecei a tocar.

Daniela: É interessante como você falou dessa sensação de que a gaita não dava conta da sonoridade que você queria, ela era de certa maneira limitada em termos de recursos. Você passou da gaita para o acordeon e do acordeon para o piano. Esse é o percurso do João Donato também né? Essa necessidade de amplitude sonora que o piano é capaz de suprir. E você não elegeu um instrumento específico.

Aécio: Daí fiquei tocando acordeon e meu pai foi me levando para os bailes para tocar. A orquestra tocava e no intervalo em que o músico trocava de partitura ficava aquele branco, daí eu entrava e tocava de ouvido. Eles só tocavam escrito e eu tocava de ouvido, eu tinha um ouvido de tuberculoso, ouvia e saía tocando.


Daniela: Você teve alguma formação básica de música, passou por conservatório?

Aécio: Fui tocando tudo de ouvido. Eu ouvia um cara chamado Mário Genaro Filho, um paulista descendente de italiano. Montei então o meu grupo para fazer os bailes. Eu tocava acordeon até que um dia meu instrumento foi roubado. Depois comprei um vibrafone e comecei a tocar, pintou uma chance e ganhei um troféu em Belo Horizonte chamado O melhor da noite. Fiz depois um disco com a maioria das faixas em vibrafone. Depois cheguei ao piano.

Daniela: Olha só, todo um percurso para chegar ao piano, quantos anos você tinha quando iniciou com o piano?

Aécio: Eu tinha 21 anos. Eu tirava muita coisa no violão e transpunha para o piano. Até hoje faço muita harmonia que é de violão. Um dia fui fazer o exame no Conservatório Brasileiro de Música e senti que eu tinha chegado num ponto em que não tinha mais saída, eu não estava satisfeito com o que eu fazia. Aí pensei, meu pai tem razão, preciso estudar música. Tomei pau no exame, você tinha que ler oito compassos à primeira vista, escrever um ditado em primeira audição, acompanhando o que a pessoa tocava no piano. Eu levei ferro, não passei. Daí o Helvius Vilela, que faleceu faz poucos dias, me comunicou que estava tendo concurso na Universidade mineira de arte. Fiz o exame, me preparei e passei com dez. O pianista da boite em que eu tocava nos intervalos parava e me dava uma aulinha de teoria. O Helvis ficou lá três meses e eu fiquei cinco anos. Helvius tocava muito bem de ouvido, achou que não era preciso e parou. Lá aprendi teoria, solfejo e harmonia.Harmonia básica e superior. Então com seis meses de teoria lá, já tínhamos um grupo com sax alto, trompete, baixo, bateria e guitarra. Eu já tirava músicas de discos para tocar no grupo.


Daniela: Já nascendo o arranjador

Aécio: Começou assim. Eu escrevia o trompete, o saxofone e começava a dar certo. Eu aplicava esse aprendizado nos bailes já que eu tinha um conjunto na mão. Um dia no ponto dos músicos eu encontrei um nego chamado Figo Seco, foi o cara que montou uma banda chamada Alma Brasileira e que fez o maior sucesso, ficou onze anos com essa banda na Alemanha. Certa vez ele me perguntou: - “Você não usa grade para fazer arranjo” e eu perguntei o que era grade, ele me mostrou que era para escrever um compasso para cada instrumento, o que facilitaria muito na hora de copiar. Daí passei a usar a grade e procurei ler coisas a respeito, peguei com um amigo que estudava na Bercley algumas lições. Aprendi muita coisa.

Daniela: Esse início se deu em Belo Horizonte, mas você tem uma carreira construída longa no Rio de Janeiro. Como foi a mudança para o Rio?

Aécio: Em BH eu consegui ter meu grupo, fazer um disco pela Philips. Era um disco em que trabalhei como arranjador. Daí os caras começaram a vir para o Rio, apareceu o rock, então os caras com três quatro elementos faziam uma festa enquanto na minha banda tinham doze.

Daniela: Você é de Belo Horizonte e contemporâneo do pessoal do Clube da Esquina

Aécio: A turma do Clube na verdade ensaiava em minha casa. Como ninguém tinha piano eles iam ensaiar lá em casa, o Helvius, o Wagner, o Nivaldo, Paulinho Braga. Mas eu nunca fui de panela, sempre fui traçando meu caminho. Um dia o Chiquito Braga, que era o guitarrista que tocava comigo, foi para o Rio e eu ainda em Belo Horizonte. Eu conheci o Toninho Horta desde quando ele tinha quatorze anos, ele ficava na sala corujando o ensaios meus com Chiquito. Um cara chamado André Carvalho que inaugurou uma gravadora chamada Bemol, me chamou para fazer uma coleção de discos infantis. Falou: - “Estou com uma história de bicho e gente, você quer trabalhar comigo?”. E ele me cobrava direto isso, até que fiz quinze músicas de uma só, num fim de semana. Pra essa gravação chamei o Toninho, foi a primeira vez que ele entrou em estúdio e gravou. Isso foi na década de sessenta. Vim para o Rio em setenta e um. E no Rio trabalhei na Globo e com várias pessoas.

Daniela: De repente entra um quarteto de pagodeiros e nossa entrevista fica impossível. Uma pena, pois Aécio ainda contou grandes historias de sua trajetória musical. O gravador não teve alcance.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Todo amor que houver nessa vida


“ O tempo dá voltas e curvas/O tempo tem revoltas absurdas/ Ele é e não é ao mesmo tempo”, quando ouvi esta bela canção do Zé Miguel Wisnik passei um longo tempo pensando na delicadeza e profundidade contida nos versos preenchidos por uma melodia também suave e pontuada por sutis cortes, como o próprio movimento da vida. Ontem me deparei com um exemplar da revista Bravo inteiramente dedicado a Cazuza, vinte anos de sua partida. Não resisti e trouxe-o para casa. Com a capa em preto e branco e os escritos numa tonalidade de rosa, contemplei a imagem de um Cazuza ainda muito belo e vigoroso. Fui folheando vagarosamente a revista que traz imagens e textos diversos sobre a carreira do artista e também percorre uma diversidade de pessoas e acontecimentos que marcaram substancialmente os anos oitenta, período que envolveu a criação intensa e veloz de Cazuza.

Recordo-me que era uma tarde fria de julho quando recebi por um amigo a notícia de que Cazuza havia morrido. Embora já fosse esperada a sua partida num trem para as estrelas, engoli em seco a dor. Não fiz parte propriamente da geração do Cazuza, pois no início dos anos oitenta eu começava a ensaiar meus primeiros passos no mundo. Conheci o exagerado em Bete Balanço, filme de Lael Rodrigues responsável pela projeção nacional da canção homônima. Tudo me encantou em Bete Balanço, a voz meio rascante do intérprete, a letra e a levada repletas de sensualidade, e uma certa dose de humor escrachado que correspondia a personalidade desbundada de Cazuza: “Quem tem um sonho não dança/ Bete Balanço/Por favor/Me avise quando for embora”.

Bete Balanço foi um cartão de visitas que Cazuza abriu para mim. Desse momento em diante fiquei atenta as canções compostas por esse carioca que trazia no fundo de sua postura rebelde e inconformada um lirismo ora comovente, ora arrebatador. Sua alma de poeta bebeu na fonte de outros poetas transgressores como Kerouac e Guinsberg. Sua alma romântica mergulhou fundo na tradição da canção “dó de peito” de Dolores Duran e Cartola: “Um dia ainda chamo o Nelson Gonçalves para cantar uma música com o Barão. Se isso chocar algum roqueiro, é sinal que ele precisa se libertar desse trauma”. Dialogando com o legado bossanovista Cazuza compôs Faz parte do meu show: impactante, estranhamente bela sua imagem na TV, despido da postura de roqueiro, sentado num banquinho, rosto sereno, cabelos ralos e voz afinada e sem excessos. Faz parte do meu show foi uma das primeiras músicas que aprendi a tocar no violão, simples e bonita em sua concepção harmônica e na carga poética registrada nos versos. Me emociona cantar especialmente este trecho: “Vago na lua deserta das pedras do Arpoador/ Digo alô ao inimigo/Encontro um abrigo no peito do meu traidor”.

Outras canções de Cazuza foram se incorporando ao meu repertório, é sempre com renovada emoção que canto o compositor romântico de Preciso dizer que te amo, Mais feliz e Todo amor que houver nessa vida . Mais de vinte anos se passaram desde a primeira execução pública dessas músicas e elas ainda conservam certo frescor, não se desgastaram com o tempo. Guardei entre meus derradeiros vinis um exemplar de Burguesia, o último trabalho de Cazuza. Confesso que na época não lhe dei a atenção devida, achei-o muito baixo astral, quase inaudível. Ouvi umas três faixas e abandonei-o. Com o passar dos anos fui conhecendo o repertório de Burguesia por meio de outros intérpretes, a “poetriz” Elisa Lucinda numa performance pra lá de bem humorada cantou Manhatã: “Eu andando pela neve/ Em pleno Central Park/ Com as estrelas do cinema/ Faço cenas no metrô/ Com meu tênis All Star/ Deixando as louras loucas/ Com meu latin style/ Não sou mais Paraíba, Sou south American/ Aqui em Manhatã”. Adriana Calcanhotto estourou nas rádios com sua versão de Mulher sem razão, canção que traz estampada a assinatura Cazuza: “Caia na realidade, fada/Olha bem na minha cara/Me confessa que gostou/Do meu papo bom/ Do meu jeito são/ Do meu sarro, do meu som...”. Hoje entendo porque não fui capaz de receber e assimilar Burguesia aos quinze anos de idade – é explícita a dor que perpassa o álbum do começo ao fim. Acometido pela doença, muito frágil, pesando pouco mais de quarenta quilos, Cazuza tentava dar seu último grito abafado pelo sofrimento. Devido à extrema fragilidade gravou quase todas as faixas deitado numa cama, um fio de voz conduzia ainda com garra Quando eu estiver cantando, uma emocionante canção de despedida: “Porque eu só canto só/E o meu canto é a minha solidão/É a minha salvação//Porque o meu canto é o que me mantém vivo”.

O filme de Sandra Wernek em homenagem a Cazuza me tocou profundamente, a excelente atuação de Daniel Oliveira emociona. Ainda tenho bem nítidas na memória as cenas que mais me comoveram, ainda me inundo da água salgada do mar que embalou o último mergulho do menino, que no fundo era doce: “amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói”.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Voz e violão


Ah, essas cordas de aço
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ah, este bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O olhar indiscreto de Humberto Nicoline




“Mas há milhões desses seres/Que se disfarçam tão bem/Que ninguém pergunta/De onde essa gente vem/ São jardineiros/Guardas-noturnos, casais.../Tem uns que viram Jesus/Muito sanfoneiro/Cego tocando blues/Uns têm saudade/E dançam maracatus/Uns atiram pedra/Outros passeiam nus...”. Vou folheando o belo livro de fotografias de Humberto Nicoline Juiz de Fora anos 80, que registra com despudorada força expressiva momentos impactantes, singelos, alegres, comoventes, reveladores e dolorosos da história de nossa Manchester mineira. O Brejo da cruz de Chico Buarque me conduz como trilha sonora, enquanto vou me deparando no decorrer das páginas com uma série de rostos anônimos, que me inspiram mais do que a presença das faces embrutecidas dos políticos atuantes nessa década que comportava os derradeiros resquícios do regime opressivo.

O acervo de fotos reunido por Nicoline em Juiz de Fora anos 80 compõe o trabalho realizado por ele no ofício de fotógrafo para o jornal Tribuna de Minas. Inteiramente em preto e branco, o álbum explicita o olhar aguçado e perspicaz de Nicoline, voyeur-participante que esteve sempre “de olho na fresta,” como intitulou com maestria o sociólogo Gilberto Vasconcellos na ótima análise que elaborou sobre o contexto político-musical dos anos de chumbo.

Trezentas páginas percorrem espaços, acontecimentos e personagens anônimos e célebres que demonstraram coragem e ousadia para botar a cara na rua em prol de crenças pessoais e ideais coletivos. Sem medo de ir à luta estudantes, donas de casa, intelectuais, boêmios, loucos – figuras amadas, odiadas, ou simplesmente desconhecidas alimentaram sonhos de liberdade numa década que trazia como marca a transformação.

Reivindicar é o lema que comanda uma diversidade de imagens. Muita gente foi às ruas brigar pelo direito a educação de qualidade, a manutenção de monumentos históricos, o estabelecimento de preços justos e a aplicação da democracia. Close nos artistas protestando na porta da galeria de arte do colégio Stella Mattutina em 1986, luta perdida. No Parque Halfeld uma senhora com a face desgastada e os óculos de aros grossos ergue um cartaz em protesto ao consumo de carne. Em frente ao Teatro Central jovens fazem uma performance em defesa de sua preservação, platéia cheia, luta vencida.

Rostos e mais rostos que fizeram a história de Juiz de Fora nas artes plásticas, música, cinema, jornalismo, literatura e teatro. Renato Stheling com a longa barba grisalha dá um trago no cigarro, Rui Merheb com o sorriso límpido mira o horizonte, Arlindo Daibert incisivo, Carlos Bracher em momento de argumentação, Dnar Rocha meio gauche sentado num banco. Punks fazem poses caricaturais enquanto desponta suave uma menina de rosto angelical e gestos suaves, Cristiane Visentin é a única cantora que ilustra o livro. Com sua voz e violão ela já punha a cara nas provas de fogo dos festivais, resultado: melhor intérprete. Antológico registro do pianista e arranjador Márcio Hallack ao lado do multisonoro Hermeto Paschoal, como dois garotos travessos eles são flagrados pulando as cercas de aço da Avenida Rio Branco. Serjão Evangelista e Márcio Itaboray erguem o troféu em comemoração ao segundo lugar no Festival de Música Funalfa Som 82, pura emoção.

“Dizem que sou louco por pensar assim”, sob olhares curiosos o artista plástico Markus Kamil desfila pela Avenida Rio Branco em 1983 trajando apenas um micro short, que por pouco poderia ser confundido com a tanga de crochê do Gabeira. Crucifixo no pescoço e o braço esquerdo semi erguido em gesto de luta, Kamil seguiu seu caminho por linhas e tintas tortuosas. Inteiramente nu Toninho Buda movimenta o palco do Pró-Música, enquanto o folclórico Ângela Maria se esbalda fantasiado de baiana no carnaval de 1986.

O olhar delicado de Nicoline revela a poesia extraída do cotidiano dos marginalizados: um pequeno jornaleiro contempla a imagem do desenho animado exibida na televisão da loja de eletrodomésticos, um morador de rua dorme encolhido em meio a um amontoado de papéis na porta do cinema São Luiz, em frente à igreja São Mateus outro morador contempla o vazio. Sob o foco de Nicoline Juiz de Fora resplandece enriquecida em sua faceta multicultural. A grande história não passa no fundo de uma profusão de utopias que verdadeiramente se solidificam com a contribuição daqueles seres corajosos, alucinados, e destemidos. Nicoline sabe das coisas...

domingo, 21 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Trio: Daniela Aragão, Paulinho da Matta e Lula Ricardo



Foi um sucesso nossa estréia no Restaurante Maria Maria