<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855</id><updated>2012-01-26T11:56:23.627-08:00</updated><category term='Aventuras musicais'/><title type='text'>o canto da Daniela</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>115</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-7119772055712333825</id><published>2012-01-26T11:42:00.000-08:00</published><updated>2012-01-26T11:56:23.635-08:00</updated><title type='text'>Entrevista com o poeta Ronaldo werneck</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1DgiMdCMqWw/TyGvyf8I7iI/AAAAAAAAAdw/sM_KMEGcPLs/s1600/rony%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 138px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-1DgiMdCMqWw/TyGvyf8I7iI/AAAAAAAAAdw/sM_KMEGcPLs/s320/rony%2B1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5702031885329821218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-8HP9r9Hi_GI/TyGvo97y38I/AAAAAAAAAdk/XJlMZuRWJvU/s1600/imagesCAB0SCSP.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 201px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-8HP9r9Hi_GI/TyGvo97y38I/AAAAAAAAAdk/XJlMZuRWJvU/s320/imagesCAB0SCSP.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5702031721582747586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EwdLv_VvBfI/TyGvbWT-kSI/AAAAAAAAAdY/E4ajVtTrvek/s1600/rwerneck.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-EwdLv_VvBfI/TyGvbWT-kSI/AAAAAAAAAdY/E4ajVtTrvek/s320/rwerneck.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5702031487608459554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: É uma satisfação muito grande realizar essa entrevista com você, pois afinal de contas desenvolvemos alguns trabalhos juntos como a gravação do meu cd dedicado à parceria Sueli Costa e Cacaso e algumas apresentações lítero musicais na ocasião da divulgação do seu livro Ronaldo Werneck revisita Selvaggia. Você inaugura a face literária do meu blog, pois os demais entrevistados foram todos da área musical. Então, como começou a literatura em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ronaldo Werneck – É um prazer estar aqui falando com você, Daniela.  E, ainda mais, “inaugurando a face literária” do seu blog – que responsa! A literatura surgiu para mim desde muito cedo, devorando (antropofagicamente?) tudo que via pela frente. De início, os indefectíveis gibis, os quadrinhos de variados quilates. Depois, já em livro, histórias que já conhecia dos quadrinhos. “Tarzan dos Macacos”, de Edgard Rice Burroughs, o primeiro livro lido (e amado) do princípio ao fim. O prazer de “fantasiar”, de assimilar a história pela força das palavras, sem o apoio da ilustração. A palavra que se fazia imagem na mente. A palavra que até hoje se faz imagem, sua força, o poder que enriquece o imaginário. Um pouco depois, chegava a poesia. Perdão, os poemas. Nunca mais me libertei, nem quero, da palavra-prosa/palavra-poema. Fora da poesia, da proesia, não há salvação. Pelo menos para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você foi funcionário do Banco do Brasil durante anos e no entanto praticamente só trabalhou no setor cultural não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RW – Sim, trabalhei no Banco do Brasil por mais de 30 anos. De início, na Bahia (Salvador, 1964). Depois, e até o final, no Rio de Janeiro. Na Bahia, fui durante um ano funcionário da Agência-Centro, cuidando de títulos de desconto e redesconto, coisas que, aliás, até hoje não conheço nadica. O que não é muita novidade. Mas, como datilografava muito bem, acabei aceitando trabalhar “por tarefa”. Isto é, datilografados os títulos do dia, podia ir embora. Foi o grande acontecimento de meus tempos de Bahia. Entrava no BB ao meio-dia, datilografava furiosamente até duas, três horas da tarde todos os títulos entrados naquele dia e “picava a mula”, como se dizia na época. Raramente saía depois da quatro da tarde. Aí, sim: a Bahia se abria para mim, no vigor dos meus vinte anos, absolutamente sem outro compromisso a não ser curtir o mar de Caimmy, às vezes o de Jorge Amado, que já não lia mais, voltado para outras leituras “mais sérias” (que bobagem!): poesia concreta, práxis, poesia, poesia (a “redescoberta” de Cassiano Ricardo, que acabara de lançar o “Jeremias sem Chorar”, paixão imediata, cheguei mesmo a escrever um artigo sobre o livro, publicado na época pela Revista da Bahia) cinema, cinema, muitos filmes e livros sobre cinema, muitas amizades com críticos, atores e cineastas. Enfim, foram de formação os tempos de Bahia. Depois, transferido para o Rio, passei a trabalhar na Direção-Geral do BB, redigindo pareceres sobre Crédito Geral, imagine as delícias!. Isso durou uns oito anos. Daí fui para a Cacex, a Carteira de Comércio Exterior, já como redator de um Boletim Semanal, que logo se transformaria num revista, publicação que editei por longos 18 anos. Da Cacex, fui para o CCBB, o Centro Cultural Banco do Brasil, trabalhando lá durante meus últimos cinco anos de Banco, como Editor de Textos e Assessor de Comunicação. Quer dizer, na balança dos anos de Banco do Brasil, atuei mais como jornalista e redator do que propriamente bancário. O que foi bom para o Banco e para mim, é claro, que trabalhava escrevendo, coisa que motiva a minha vida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Entre as suas obras uma das que mais me toca é Selva Selvaggia, que muito apropriadamente você apresenta: “o poema é um produto de noites mal-dormidas, dramas pessoais, crises metafísicas e financeiras...”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RW – Selva Selvaggia, meu primeiro livro, lançado em 1976, é também o de que mais gosto. É o resultado de longos doze anos de leituras, pesquisas, vivências &amp; escrevivências. Produto disso tudo que você diz aí acima (você, ou eu?). Traz a tiracolo a sedução da rebeldia dos anos 60, como disse o crítico Fábio Lucas. Deixo os comentários para os críticos, os vários críticos que escreveram sobre Selvaggia ao longo dos anos. É um livro que repercute até hoje: ainda há pouco, quase 40 anos após sua publicação, o crítico mineiro Leonardo de Magalhaens escreveu extenso artigo sobre Selva Selvaggia em seu blog (http://leoleituraescrita.blogspot.com).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Além do profundo envolvimento com a criação poética você também incursionou pelo cinema não é? Um dos seus mais recentes livros é o dedicado ao cineasta Humberto Mauro. Este livro além de revelar um olhar analítico sobre a obra do cineasta traz ao leitor um pouco da amizade que vocês desfrutaram.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RW – Cinema sempre foi meu fascínio. Cinema &amp; poesia, duas coisas que têm tanto a ver. Vide Eisenstein construindo sua teoria da montagem a partir do haicai japonês ou de imagens extraídas de poemas de Pushkin. Vide Godard (re)citando Rimbaud. Vide Fellini fazendo poesia com a câmera. Meu livro sobre Humberto Mauro (“Kiryri Rendáua Toribóca Opé”) – não por acaso o criador de uma poética rural com seus filmes –, mais que um ensaio-biográfico sobre o cineasta mineiro, é, na verdade, uma sequência de histórias comandas pele afeto, por nossa amizade, fortalecida por nossa convivência ao longo dos últimos dez anos de sua vida. Mauro era daquelas pessoas pra gente não esquecer nunca. Um ser único.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:  Você publica com bastante assiduidade, parece que o drama da página em branco não te assola. Seus dois livros de crônica também recentemente publicados revelam sua paixão por filmes, quadros, atrizes, músicos, enfim, mergulhos culturais. Neste caso desponta certa ironia, mas sem pesar muito na acidez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RW – Coisa de poeta-jornalista. De cronista-poeta. Ou o que seja. Escrevi a vida inteira por profissão, de tudo um pouco. Jornalista, fui da geral à polícia, da economia à cultura. Claro que é na cultura que me encontrava, editor de segundos cadernos e de suplementos literários. Isso tudo vem agora de cambulhada nas crônicas absolutamente descompromissadas de meus dois mais recentes livros, Há Controvérsias 1 e 2. Ironia? Sim, um pouco. Mas acho que a coisa pega mais pelo lado do bom-humor, que procuro manter, apesar dos pesares. Ou dos pensares mais profundos, o que me leva de volta à ironia, coisa de mais profundidade que a empáfia dos pensares, apesar dos pesares. Hoje, pra mim, prosa é prazer. Poesia, profissão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quais são seus projetos atuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RW – A partir de 1995, quando me aposentei do Banco do Brasil, não parei mais. Sem controvérsias. Nunca trabalhei tanto como nos últimos anos. De volta à minha Cataguases, à “pacataguases”, publiquei vários livros, lancei um cd e escrevi inúmeros textos sobre artes plásticas &amp; outras mumunhas mais. Agora mesmo estou finalizando o livro Pomba Poema &amp; Outros Rios, a ser lançado este ano. Ainda em 2012, devo lançar “50 Poemas Escolhidos pelo Autor” e, para 2013, já está entabulada a edição de um alentado livro, devidamente ilustrado, compilando os textos que escrevi nos últimos 12 anos para a Fundação Ormeo Botelho, daqui de Cataguases, muitos deles para o Cineport-Festival de Cinema de Países da Língua Portuguesa. Pois é, cinema de novo. Cinema novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Te desejo muito sucesso, sempre. Obrigada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-7119772055712333825?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/7119772055712333825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=7119772055712333825' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/7119772055712333825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/7119772055712333825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2012/01/entrevista-com-o-poeta-ronaldo-werneck.html' title='Entrevista com o poeta Ronaldo werneck'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-1DgiMdCMqWw/TyGvyf8I7iI/AAAAAAAAAdw/sM_KMEGcPLs/s72-c/rony%2B1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-2802997820604203385</id><published>2011-12-27T13:26:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T14:28:52.296-08:00</updated><title type='text'>Entrevista com o pesquisador musical, poeta e letrista Euclides Amaral</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BiN9LcV9rzQ/TvpCqPmaY3I/AAAAAAAAAdM/sBP1_yC2mG0/s1600/euclides.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 292px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-BiN9LcV9rzQ/TvpCqPmaY3I/AAAAAAAAAdM/sBP1_yC2mG0/s320/euclides.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690934372645626738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quando começou a música em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Amaral: Comecei a escrever letras pras músicas do meu irmão e do meu cunhado quando tinha 12 anos, em 1970, nasci em 1958. Produzi vários shows dos parceiros que foram surgindo e participei de inúmeros festivais, inclusive o “Olimpop”, em 1977, da TV Tupi. Em 1978 produzi a faixa “Cidade moderna”, composta em parceria com Marko Andrade, para um compacto duplo independente com quatro artistas finalistas de um festival, sendo um deles o Marko Andrade. Musiquei peças de teatro, ganhei prêmios pelas trilhas sonoras e somente mais tarde, em 1978, comecei a escrever poesias. Portanto, o letrista veio primeiro que o poeta, pois publiquei meu primeiro livros de poemas “Sapo C/ Arroz” em 1979 (2ª ed. 1984). Nas décadas de 1970 e 1980 participei ativamente do que se acostumou chamar “poesia marginal”, publicando na maioria dos fanzines e na imprensa nanica do país. Por essa época, publiquei outros trabalhos de poesias como “Fragmentos de Carambola” (1981 – prefácio de Xico Chaves), “Balaio de Serpentes” (1984 – prefácio de Sergio Natureza), “O Cão Depenado” (1985), “Sobras Futuristas” (1986) e “Cynema Bárbaro” (1989 – prefácio de Sidney Cruz). Lancei o livro de contos “Emboscadas &amp; Labirintos”, Editora Aldeia, em 1995, vendido em bancas de jornais, com prefácio de José Maria de Souza Dantas e orelha de Ivan Wrigg.&lt;br /&gt;Com relação ao meu trabalho de produtor de discos, a partir de 1978, ano em que foi gravada a minha primeira composição, parceria com Marko Andrade, em disco coproduzido por mim, produzi a série “Conexão Carioca” (1, 2 e 3 - entre 1999 e 2002); “Aldeias Urbanas”, do Marko Andrade (Selo Guitarra Brasileira/2000), o CD da minha parceira Eliane Faria “Alma Feminina” (Selo ICCA/2003) e “Boas Novas”, do Sidney Mattos, em 2004, entre outros. Enfim... uns 20, contando com os Projetos Especiais para gravadoras, como assistente do Ricardo Cravo Albin. Como letrista tenho gravadas parcerias com Big Otaviano, Bóris Garay, Cacaso, Carlos Dafé, Claudio Latini, Cristina Latini, Ivan Wrigg, Lúcio Sherman, Marko Andrade, Milton Sívans, Moisés Costa, Olten Jorge, Paolo Vinaccia, Reizilan, Renato Piau, Rubens Cardoso, Sidney Mattos e Xico Chaves. Entre meus intérpretes constam Anna Pessoa, Banda Du Black, Ceiça, Denise Krammer, Edir Silva, Elza Maria, Jane Reis, Jorge de Souza, Luiza Dionízio, Luiz Melodia, Martha Loureiro, Paulinho Miranda e Solange Pereira, além dos meus parceiros, nas minhas mais de 30 músicas gravadas. Gravei poemas nos CDs “Conexão carioca 3” (2002), “Quem são os novos da MPB?” (2003), “Boas novas”, do Sidney Mattos/2004, “As tribos”, do Rubens Cardoso/2006, “Receita para a vida”, do Claudio Latini, em 2006, lançado na Noruega e “Desde criança sou Mangueira”, do Reizilan, em 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como posso perceber você trabalha com música principalmente na área crítica, recentemente publicou o livro “Alguns aspectos da MPB” em que elabora um panorama da música popular brasileira passando por alguns gêneros como o samba, o choro e o hip hop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Amaral:Sobre pesquisa musical publiquei “Alguns Aspectos da MPB” (ensaios, 1ª ed. 2008, 2ª ed. Esteio Editora, 2010). Entre 1999 e 2011 atuei como pesquisador musical da Biblioteca Nacional, FAPERJ, PUC-Rio, FINEP, CNPq e Instituto Cultural Cravo Albin, para o qual produzi verbetes pro site dicionariompb.com.br, também utilizados no “Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira”, lançado pela Editora Paracatu em 2006. Quando me liguei já tinha vários ensaios escritos, bastando apenas dar ajeitada na linguagem e coisa e tal. Os ensaios “O Hip-Hop” e “O Funk”, por exemplo, foram produzidos para um trabalho, em 2005, coordenado e orientado pelo Júlio Diniz, da PUC-Rio, que na época, também era nosso coordenador de pesquisa no Instituto Cultural Cravo Albin. De forma que quando percebi já tinha material para um livro de pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Um dado interessante em relação a este livro é que você&lt;br /&gt;faz questão de torná-lo acessível ao grande público, pois não se restringe&lt;br /&gt;apenas ao âmbito da distribuição e venda nas livrarias, você o deixa&lt;br /&gt;disponível gratuitamente em alguns sites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Amaral: Distribuídos em livrarias de todo o país pela Tratore e Guitarra Brasileira, a segunda edição do “Alguns Aspectos da MPB” (Esteio editora, 2010, com prefácio de Júlio Diniz e orelha de Fred Góes), manteve os ensaios “O Samba”, “O Choro”, “O Hip-hop”, “O funk” “Os Letristas e a Herança do Provençal do Século XI ao XXI”, “A MPB no Cinema Nacional de 1896 a 2010”, “A Nova Geração da MPB no Século XXI” e “A Contribuição Estrangeira na MPB, do Século XVI ao XXI”. Este livro foi disponibilizado, em PDF, para download grátis no portal baixadafacil, alcançando quase 15 mil downloads entre julho de 2010 e novembro de 2011 por pessoas que se interessam pela literatura musical brasileira, assim como alunos dos cursos de Letras, Música, História e Comunicação Social das universidades UFRJ, PUC-RIO, UERJ, USP, UNI-RIO, Universität Hildesheim, da Alemanha, com tradução de dois ensaios para o alemão por Nana Zeh, Universidade Castelo Branco (nos campus de Realengo e Itaguaí), da Escola Brito Elias (Mesquita) e Colégio Pedro II (Unidade Humaitá), todas confirmadas por amigos professores nas faculdades e instituições citadas, como por exemplo o Zé Miguel Wisnik na USP, além do Júlio Diniz e Fred Góes na URFJ. A razão de tê-lo postado se deu porque já fui universitário e sei da dificuldade de comprar todos os livros que os professores pedem, às vezes para usar apenas um capítulo. Por isso achei por bem disponibilizá-lo, tendo em vista tais indicações como trabalho de pesquisa musical, o que não atrapalhou a venda física do livro, dado ao fetiche que algumas gerações, como a minha, têm pela publicação em papel. Quem sabe mais tarde eu consiga incluí-lo no formato digital do e-book da Kindle, Nook ou mesmo da Sony Reader.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E a nova geração da mpb?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Amaral: No ensaio “A nova geração da MPB no século XXI” tracei um pequeno painel dessa geração mais recente, além das táticas de guerrilha cultural empreendidas como estratégia na luta, desigual, contra as grandes corporações que detêm esse mercado. Há uma luz no fim do túnel e não é um trem bala na contramão, como muitos queriam que fosse. O disco dependente (independente é o feito pelas gravadoras – independe do artista até a escolha do repertório que irá gravar) e toda a produção em home studio é hoje em dia responsável por quase 80% da prensagem de CD/DVD/SMD e Blu-Ray, entre outras mídias, das grandes indústrias do ramo. A internet e todos os sites de relacionamento e disponibilização de áudio e vídeo vieram pra pulverizar essa distribuição artística, dando mais chances a esses artistas de exporem seus produtos. Com relação à produção, temos hoje as plataformas colaborativas de financiamentos de discos, show e clipes, os chamados “Crowdfunding” (conhecida antigamente como ‘vaquinha’), destacando-se no Brasil os sites “catarse.me”, “movere.me”, “benfeitoria.com” e “multidão”. Esse tipo de mecenato, pós-moderno, surgiu para o artista ter a opção de mais uma porta para desenvolver seu trabalho, livre das chicotadas das grandes corporações, as mainstreans do entretenimento. Às grandes corporações só restaram rever seu nefasto comportamento de mais de 120 anos, se contarmos a partir de 1891, quando foram feitas as primeiras gravações, ainda em cilindro, no Brasil pelas mãos do theco Fred Figner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Outro trabalho recém lançado no mercado diz respeito&lt;br /&gt;ao livro dedicado ao músico argentino Victor Biglione, ele é o músico&lt;br /&gt;estrangeiro que mais gravou no Brasil não é? O que motivou a feitura deste&lt;br /&gt;livro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Amaral: Quanto ao livro “O Guitarrista Victor Biglione &amp; a MPB”, perfil artístico do meu camarada (Edições Baleia Azul, 2009) com 2ª edição pela Esteio Editora em 2011, foi a Heloísa Tapajós foi quem me indicou para este trabalho. Daí eu e Victor Biglione viramos amigos de infância e já fizemos vários lançamentos juntos, com direito à declamação do poema que fiz pra ele,  o livro, além de pequenas palestras sobre a carreira dele, muito jazz e coisa e tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Ganhei este livro do próprio Victor na ocasião em que jantavamos num restaurante no festival de Jazz de Tiradentes e formulavamos a pauta para uma entrevista. Me chamou atenção o apurado senso de humor do Victor que brincava com esse seu caráter multifacetado que o fez gravar com quase todos os músicos brasileiros de diferentes vertentes. Victor passa pelo Jazz, Blues, rock, baladas etc. Recordo-me do belo dueto que assisti dele ao lado de Wagner Tiso, inesquecível. Agora refletindo sobre a nossa música num campo que transcende a questão da execução, performance e composição, como é o caso de Biglione, com relação a crítica musical percebe-se que o seu espaço está muito direcionado para o universo acadêmico, compositores como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram estudados em várias dissertações e teses. Alguns nomes conhecidos do âmbito da crítica e produção relacionada à música brasileira também possuem um percurso&lt;br /&gt;acadêmico como Wisnik, Luiz Tatit, Fred Góes e Júlio Diniz. O que você acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Amaral: A produção de livros sobre a literatura musical no Brasil ainda é muito pequena, se comparada a outros países que não têm nem a metade da nossa produção, seja ela em quantidade e ou qualidade, exceto os Estados Unidos, que faz jus a sua produção. Em um país como o nosso, em que o aculturamento se dá basicamente pela música popular, portanto, “de ouvido”, é de se estranhar não haver tantos livros sobre o assunto, o que começou a mudar a partir da década de 1970.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Fora o trabalho da escrita, como é propriamente sua vivência digamos nos bastidores da música. Já participou da produção de algum show?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Amaral: Comecei a participar de produção de shows ainda pequeno. Lembro de ter de levar a liberação na Rua Venezuela, na Polícia Federal: fitinha cassete e relação das músicas com as letras, pra pegar a liberação do show lá pelo idos de 1975/76. Shows que eu mesmo fazia a direção artística, arrumava o espaço etc e tal. Como poeta, declamando, já fiz com muita e muita gente: Luiz Melodia, Sueli Costa, Joel Nascimento, Renato Piau, Salgado Maranhão, Sérgio Natureza, Xico Chaves, Geraldinho Carneiro, Marko Andrade, Claudio Latini, Chacal, Reppolho, Carlos Dafé, Ademilde Fonseca, Elza Maria, nas rodas de choro do Joel Nascimento (como participação especial no encontro com Zezé Motta e Zélia Duncan), Rildo Hora e Arlindo Cruz em rodas de samba do Cláudio Jorge, rodas de samba da Dorina, da Eliane Faria, Heloísa Helena, além de shows de gente pra cacete!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Recordo-me que quando nos conhecemos enviei-lhe por email as canções do meu cd, devido à impossibilidade no momento de um encontro ao vivo. Você me devolveu uma letra sua a qual gostei muito. A criação anda por aí também não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Amaral: Como sabia que você havia feito um disco com a obra do Cacaso e da Sueli Costa, enviei uma parceria minha com ele (o Cacaso), no caso, uma letra minha e dele em uma melodia do Marko Andrade. O samba fora feito em 1984, mas só o gravei em 2002, num disco que produzi chamado “Conexão Carioca 3”, no qual a Martha Loureiro interpretou a faixa. Depois a Namay Mendes também gravou e deve sair no disco dela e no meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quais são seus planos futuros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Euclides Amaral: Tô produzindo pra 2012 o meu CD “Quintal Brasil”, com oito poemas e 15 músicas com diversos parceiros e intérpretes. A ideia do disco é mostrar algumas composições nas quais falo, na letra, um pouco do Brasil: flora; faunas marítima e terrestre; culinária; danças; frutas; instrumentos e gêneros musicais; personalidades e clássicos da música e da literatura; religião; brincadeiras brasileiras; rituais; festas populares de norte a sul e a miscigenação da Raça-Brasil, fazendo uso de sambas, toadas, chótis, choros, baião, mas sem xenofobismo, pois há também valsa, balada e soul music, que são gêneros alienígenas, mas sem xenofilismo também. O disco será encartado no meu livro “Poesia Resumida”, reunião dos meus livros de poemas editados, mas, pra não ficar grande resolvi resumir pra cacete, pra não chatear muito o leitor desavisado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A faixa-título do “Quintal Brasil” foi gravada em disco na Noruega, no ano de 2006. É um baião estilizado para o qual eu fiz a letra e o poema “Compasso brasileiro”, que falo na gravação do CD. Os autores da melodia mandaram a música em uma fita cassete, eu coloquei a letra e gravei o poema em uma manhã na praia do Leblon, em fita cassete, quando estava na casa da Lozinha e Paulinho Tapajós. Saiu no disco uma gravação de estúdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quintal Brasil”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Música: Claudio Latini e Paolo Vinaccia&lt;br /&gt;Letra: Euclides Amaral)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte cantada por Claudio Latini: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quintal da minha casa&lt;br /&gt;tem goiaba, cajá-manga,&lt;br /&gt;acerola, fruta-pão.&lt;br /&gt;Na frente da minha casa&lt;br /&gt;tem arruda, quebra-pedra,&lt;br /&gt;pimenteira e agrião.&lt;br /&gt;E no céu da minha casa&lt;br /&gt;asa-branca, assum-preto,&lt;br /&gt;tiê-sangue, gavião.&lt;br /&gt;No rio da minha casa&lt;br /&gt;tem peixe-boi, boto-rosa, &lt;br /&gt;a Festa-de-Jaboatão.&lt;br /&gt;Têm romeiros,&lt;br /&gt;vela e fé...&lt;br /&gt;e a procissão do Círio de Nazaré&lt;br /&gt;e o carnaval&lt;br /&gt;é kizomba e muito axé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POEMA FALADO&lt;br /&gt;“COMPASSO BRASILEIRO”&lt;br /&gt;por Euclides Amaral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No compasso brasileiro&lt;br /&gt;estão presentes&lt;br /&gt;a sanfona e o pandeiro&lt;br /&gt;a modinha, o chorinho,&lt;br /&gt;a música de barbeiro.&lt;br /&gt;Pro compasso brasileiro&lt;br /&gt;o índio trouxe o caxixi&lt;br /&gt;o português o cavaquinho&lt;br /&gt;o negro trouxe o agogô&lt;br /&gt;tudo música que cura&lt;br /&gt;feito boticário ou doutor.&lt;br /&gt;Tem na flauta de bambu&lt;br /&gt;no tambor de caxambu.&lt;br /&gt;até na caixa-de-fósforos&lt;br /&gt;tem compasso brasileiro.&lt;br /&gt;Tirado com muita manha&lt;br /&gt;tem o corte de bumbo&lt;br /&gt;tocado na lata de banha.&lt;br /&gt;Falando de tambor&lt;br /&gt;temos tudo quanto é tamanho&lt;br /&gt;o candongueiro e o batá-cotô&lt;br /&gt;vindos de Angola e do Congo&lt;br /&gt;com os ancestrais do meu avô.&lt;br /&gt;O cavaco de cinco cordas,&lt;br /&gt;e a viola de arame,&lt;br /&gt;o violão de sete cordas&lt;br /&gt;em andamento bem certeiro&lt;br /&gt;ponteia novo compasso&lt;br /&gt;alinhavado no pandeiro,&lt;br /&gt;esse é o compasso brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTINUAÇÃO DA LETRA&lt;br /&gt;Cantada por Cláudio Latini&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No norte da minha terra&lt;br /&gt;tem piquí, tem açaí&lt;br /&gt;e o Pato-no-Tucupi.&lt;br /&gt;E no sul do meu terreno&lt;br /&gt;tem churrasco, tem quadrão,&lt;br /&gt;tem bombacha e chimarão.&lt;br /&gt;No leste do meu terreiro&lt;br /&gt;tem Ganga-Zumba, afoxé,&lt;br /&gt;quilombola e candomblé.&lt;br /&gt;Do oeste donde venho&lt;br /&gt;tem graviola, pantanal&lt;br /&gt;e o rasqueado da viola.&lt;br /&gt;De onde eu venho&lt;br /&gt;tem ciranda,&lt;br /&gt;choro e samba&lt;br /&gt;e o Boi-de-Maracatu,&lt;br /&gt;e o afoxé,&lt;br /&gt;e o jongo e o caxambu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Adorei a entrevista, foi um prazer e uma honra. Te desejo muito sucesso e que possamos quem sabe ainda cruzar nossos caminhos musicais desenvolvendo algum trabalho juntos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-2802997820604203385?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/2802997820604203385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=2802997820604203385' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2802997820604203385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2802997820604203385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/12/entrevista-com-o-pesquisador-musical.html' title='Entrevista com o pesquisador musical, poeta e letrista Euclides Amaral'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BiN9LcV9rzQ/TvpCqPmaY3I/AAAAAAAAAdM/sBP1_yC2mG0/s72-c/euclides.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-158518919047544890</id><published>2011-12-27T06:42:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T06:49:11.043-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jUDxCyKWQKk/TvnarrOlS1I/AAAAAAAAAdA/TSkvL9Pl01c/s1600/dani%2Binvclinada.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-jUDxCyKWQKk/TvnarrOlS1I/AAAAAAAAAdA/TSkvL9Pl01c/s320/dani%2Binvclinada.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690820048032451410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-158518919047544890?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/158518919047544890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=158518919047544890' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/158518919047544890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/158518919047544890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/12/blog-post_27.html' title=''/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-jUDxCyKWQKk/TvnarrOlS1I/AAAAAAAAAdA/TSkvL9Pl01c/s72-c/dani%2Binvclinada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-4332103934325406050</id><published>2011-11-06T09:45:00.000-08:00</published><updated>2011-11-06T10:05:51.603-08:00</updated><title type='text'>Olho de Lince</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-byAZNdQk-hc/TrbMZ0V2VgI/AAAAAAAAAco/_TcwUTJ1fEg/s1600/olho%2Bde%2Blince.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-byAZNdQk-hc/TrbMZ0V2VgI/AAAAAAAAAco/_TcwUTJ1fEg/s320/olho%2Bde%2Blince.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5671945524638799362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Encontro dedicado à poesia brasileira dos anos oitenta aos dias atuais na Puc-Rio. Na mesa central Júlio Diniz, Antonio Cícero, Eucanaã Ferraz e Ana Cristina Chiara discutiam a existência e o destino da poesia e dos poetas no mundo atual, alternando-se entre falas que misturavam múltiplas sensações como desencanto, exaltação, humor e surpresa. Uma moça sentada ao meu lado subitamente sussurrou: “Imagina se o Waly Salomão estivesse sentado agora nesta mesa”. Ambas tivemos vontade de rir, pois a presença de Waly naquele instante certamente consistiria numa quebra absoluta dos protocolos que regem o universo acadêmico. Despudorado, verborrágico, anárquico e visceral Waly pareceu ser/estar sempre no avesso, do avesso, do avesso, do avesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci primeiramente o Waly das letras vibrantes e plenas de eros como Mel: “O abelha rainha faz de mim/um instrumento de teu prazer/sim, e de tua glória/Pois se é noite de completa escuridão/Provo do favo de teu mel/Cavo a direita claridade do céu/E agarro o sol com a mão”. Mais tarde tomei contato com sua produção poética que explicita o percurso de um criador que sempre foi consciente do poder da palavra, no espaço da folha em branco Waly mantinha um estranho equilíbrio entre a sabedoria e a experimentação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retiro da minha pilha de cds Real Grandeza, ótimo disco que reúne o repertório da dupla. Com a participação de Frejat, Luiz Melodia, Maria Bethânia e Adriana Calcanhotto o disco traz a seiva dos versos de Waly acrescida pela riqueza musical de Macal. Olho de lince, composição que inaugura o cd é no fundo o autoretrato do poeta e artista multicriativo Waly Salomão; “Quem fala que sou esquisito hermético/É porque não dou sopa estou sempre elétrico/Nada que se aproxima nada me é estranho/Fulano sicrano beltrano/Seja pedra seja planta seja bicho seja humano”.  “Olho de Lince” abre o cd com classe, cujo piano minimalista de Cristovão Bastos impõe um toque de refinamento e expande o caminho para o ecoar das vozes de Waly e Macalé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo uma homenagem póstuma a Waly, o disco tem como mérito a atmosfera de frescor que dele exala, cuja participação de músicos de uma geração mais recente como Frejat e Adriana Calcanhotto, imprime nas canções um olhar contemporâneo marcado por um novo formato conceitual.  Apesar de inserções modernas que vão além dos músicos convidados, o disco mantém a essência dos autores. “Anjo exterminado” interpretado pelas vozes e violões de Calcanhotto e Macalé é um belo registro que evidencia a inteiração sonora dos dois artistas, cuja voz da cantora impõe certa leveza e graciosidade cheia de swing aos versos de Waly: “Anjo exterminado/ Olho o relógio iluminado/ Anúncios luminosos/Luzes da cidade/Estrelas do céu/Me queimo num fogo louco de paixão”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A força interpretativa de Macalé jamais me deixa passiva e indiferente, numa crônica inteiramente dedicada a ele fiz questão de registrar o quanto havia me tocado sua interpretação de Ne me quitte pas. Em olho de Lince ele regrava Rua real grandeza com o simples auxílio de seu personalíssimo violão. Sua voz é portadora também de uma marca única que deixa a emoção extravasar sem cair no melodrama. Entre movimentos de contenção e expansão Macalé fixa seu próprio eixo de condução e equilíbrio musical. Certamente uma alma irmã de Waly que lhe presta uma homenagem digna e emocionada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-4332103934325406050?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/4332103934325406050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=4332103934325406050' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/4332103934325406050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/4332103934325406050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/11/olho-de-lince.html' title='Olho de Lince'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-byAZNdQk-hc/TrbMZ0V2VgI/AAAAAAAAAco/_TcwUTJ1fEg/s72-c/olho%2Bde%2Blince.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8860038999941930707</id><published>2011-07-30T06:24:00.000-07:00</published><updated>2011-07-30T07:10:44.680-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o compositor Márcio Itaboray</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8itORWhJhew/TjQN_hQVMMI/AAAAAAAAAcg/eEqri8C3gEg/s1600/marcionho.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 314px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-8itORWhJhew/TjQN_hQVMMI/AAAAAAAAAcg/eEqri8C3gEg/s320/marcionho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635144418657120450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como começou a música em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Eu não consigo saber isso porque a música acontecia dentro da minha casa, meu pai era músico de tocar no rádio, compositor. Nasci em Juiz de Fora e me mudei muito cedo para São João, lugar em que meu pai costumava levar os artistas. Ele levava lá a Angela Maria no auge, Gregório Barros, Jackson do Pandeiro e a Almira, todos acompanhados por ele. Eu era muito novinho, mas me lembro que a música acontecia por lá direto. Meu avô era músico e farmacêutico prático, ele montava uma banda numa cidade e uma farmácia, teve onze filhos sendo que nenhum nasceu na mesma cidade. Todas essas cidades que ele percorria ganharam uma farmácia e uma banda montados por ele, ele tocou na banda do Ari Barroso em Ubá. Então a música na minha vida é isso e as pessoas costumam falar que pelo fato de eu ser médico a música acontece na minha vida como válvula de escape, não é nada disso. Se não fosse a música eu não existiria, não é válvula de escape, é um prazer. Eu gosto muito de uma frase dita pelo Yamandú Costa, várias vezes ele chegou no lugar de fazer o concerto e na hora do show percebia que tinha esquecido o instrumento. Daí perguntavam a ele: “-  você não tem cabeça não?” E ele respondia: “- Para mim faz parte do meu corpo”. Então a música para mim é isso aí.  Meu pai por ser também representante comercial viajava muito e eu lhe fazia companhia, via ele compor no volante muitas vezes e consequentemente  comecei a compor também desde novinho. Fiz música com sete, oito anos, música de boemia que era o estilo que meu pai fazia. Ele cantava essas músicas para mim e me lembro disso, uma que se chamava Triste Boêmio: -Sou um triste boêmio, vivo nas noites de sereno esperando meu amor/ há dias que ela não vem . Essa foi a primeira letra que fiz com oito anos, então a música em minha vida é junto com absolutamente tudo, para mim ela é tudo, eu não fui músico profissional, não quis ser, músico instrumentista eu não seria, eu queria ser compositor, queria ser não, o que sou é compositor, se as músicas são boas ou ruins cabe se julgar, mas eu sou compositor. Para mim a coisa com música é compor e tem o fato de eu adorar música, não vivo sem música, Nietzche tem uma frase que diz que a vida sem música seria um erro e para mim a música é exatamente isso, um sentido para minha vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você se mostrou desde pequeno tocado pela palavra, pelos versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Sim, claro. Meu pai cantava uma música que dizia assim: “Quase que eu disse agora o nome dessa mulher”, não me lembro bem dos versos, mas o cara vem falando de uma mulher que ele na verdade não quer dizer o nome, a história de uma mulher que deu uma sacaneada no cara e que ele coloca no final da canção assim : “da magoa que me de devora quase que eu disse agora o nome dessa mulher”. Eu era pequeno e perguntei ao meu pai o que era aquilo e ele falou que só tinha uma explicação para aquilo, o fato da mulher se chamar Débora, da magoa que me devora quase que eu disse agora o nome dessa mulher. Isso vinha na cabeça dele. Daí eu provocava o meu pai com isso e eu tinha uns sete anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: A importância da palavra para você é muito explícita tanto que você não dá ênfase ao som de imediato, mas a palavra musicada, ou melhor, a palavra cantada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Ah sim, a palavra musicada, a palavra cantada, por isso que acabei te contando sobre essa música em que me chamava atenção a palavra “devora”, que poderia ser talvez uma intenção camuflada do compositor em dizer o nome da amada Débora, foneticamente devora não é Debora até porque as sílabas tônicas são outras, mas é interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Suas composições revelam uma densidade existencial, nunca ficam na superficialidade. Você também se une a parceiros que possuem essa marca da carga existencial densa, como a Sueli Costa por exemplo. Certamente o legado de seu pai resultou em influência até no substrato de suas letras,pois você não abandona de certa maneira a tradição da canção “dó de peito”, os grandes dramas que assolam pequenos recortes do cotidiano. Esse fascínio que você alimenta também por histórias de vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: É isso mesmo, me lembro que essas músicas que ouvia na infância eram com meu pai mesmo, o rádio pegava menos e como não tínhamos televisão meu pai tocava todas essas músicas daquela época e tinham músicas extremamente tristes que davam vontade de chorar e eu chorava. Ele cantava de uma forma tão forte, me lembro dele cantando uma música que o Orlando Silva cantava : Nosso senhor me perdoa. Essa música era de uma tristeza, as músicas então no geral eram muito tristes, vinham de dentro e os caras sofriam muito. Fico imaginando que como quase todos aqueles músicos eram boêmios e não tinham uma estrutura de vida muito boa, eram rapidamente trocados pelas mulheres. Então é só música de abandono, fiz a música Lupicínio que foi gravada no meu disco pela Sueli Costa exatamente por isso, na época que a compus eu era namorado de uma moça e percebi que não estava tão feliz naquela relação e o Lupicínio já falava “ah esse moços ah se soubessem o que eu sei”, tanto que a Sueli fez a introdução da canção em menor, pois com Lupicínio era em maior, ela joga no ar “Esses moços”. Vinicius de Moraes já veio com uma postura diferente em relação a Lupicínio, o poeta dizia que é melhor sofrer junto que viver sozinho. Daí falei que deveria ter ouvido muito mais Lupicínio e não Vinicius. Então é assim, como diz o Cacaso com Edu: “- Só que no amor quem perde quase sempre ganha veja só que coisa estranha saia dessa se puder”. Essa densidade acho que vem dessa formação que adquiri ouvindo as músicas com meu pai, era só porrada, não tinha meio termo não, como Roberto Carlos: - daqui pra frente tudo vai ser diferente. Não tinha nada disso não, se você não gosta de mim eu vou morrer. Meu pai cantava assim: “- Se Deus um dia olhasse a terra e visse o meu estado na certa compreenderia o meu viver desesperado, é doloroso mas infelizmente é a verdade”. Então o cara cantava a alma dele, tem uma música que o Milton Nascimento gravou, Tito Made e Agostinho dos Santos também e que dizia: - a noite está tão fria chove lá fora e a saudade sua. As coisas eram sofridas, então acho que para mim não faz sentido fazer uma música de brincadeirinha, mas eu faço muito jingle. Os jingles da prefeitura são quase todos meus, da Unimed. Agora uma música minha não tem como ser superficial. Como falo numa música: quero ter pouca saudade, quero ter muita alegria. Eu quero, mas não consigo. É difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: As vezes uma nostalgia, um desejo, mas sem ser puramente melancólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Eu acho que o que me move é uma angústia permanente, vi recentemente um filme chamado “A falta que nos move”, sensacional. Brinco que quando faço meus projetos para o ano seguinte, são todos iguais a mais de dez anos e não projetos de grana, projetos de como lidar comigo mesmo. Um é que não consigo tirar férias de mim, o álcool diário para poder tratar da angústia permanente. A medicina me fez muito bem, pois eu lido com isso, a dor do outro. Tem muita coisa que já compus inspirada nessa minha vivência como médico, todo mundo que te procura na verdade quer é salvar a alma, não o corpo. Quando você não está doente você não pensa no seu corpo, mas pensa na sua alma o tempo todo. Você só sabe que tem dente quando dói ou quando está mastigando. A doença ameaça o seu eu, estou dizendo alma mas não sei qual a melhor expressão para falar, todo mundo tem medo de morrer na verdade por causa da alma. Se a pessoa quer enfeitar o corpo, quer na verdade enfeitar a aparência dele, que a alma seja mais apresentável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E essa característica da pulsação da “ânima” em suas composições aparece como falamos nas sua canções em parceria, como fica esse compartilhar com os parceiros? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Isso começou da seguinte forma, aos quatorze anos ganhei um festival no colégio João XXIII e nessa época conheci o Chico e o Bilinho Teixeira e chamei-os para tocar comigo no Festival da Cidade, que ganhamos com uma música minha. Em 72 montamos um grupo para tocar no Festival Intercolegial, nós ganhamos e o prêmio era participar do festival da cidade que era aquele grande festival, quando o Mamão fez “Tristeza pé no chão”. Nesse festival tinha o Guarabira, Maurício Maestro e tantos outros. Decidimos fazer um show nosso em 75 e foi o primeiro show de música popular do Pró Música, estimulei os parceiros a compor comigo que foram o Guto Gomes, Márcio Hallack e o Bilinho, por incrível que pareça eu fazia letra, comecei como letrista. Depois conheci o Mamão e o pessoal do Beco, eu era guitarrista do show do Mamão. Em 76 fiz um samba com o Mamão, em 77 ganhamos o show em Boa Esperança, começamos a fazer várias coisas. Comecei a sacar que o barato da parceria é primeiro pelo fato de que você divide, se for a solidão você divide com o seu parceiro. Fiz com Serjão também algumas músicas, essa parceria surgiu no momento em que a Pá foi embora. Depois me tornei também parceiro do Rodrigo Barbosa, Pestana e Gerrrô. Eu tenho até condições de fazer um disco sozinho em uns dois anos, mas não vejo a menor graça se eu não envolver um monte de gente, quando chamo os meus amigos que gostam de música e que estão em condições de fazer parte é muito bom. No dia do lançamento do meu livro Assuntos de vento tinha muito gente mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Pois é, eu também estava lá (risos). Me  recordo do Sérgio Ricardo, Milton Nascimento, Sueli Costa, Fernando Brant, Jaime Além..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Foi tudo feito meio artesanalmente, o dia do lançamento do meu cd no Bom Pastor foi um momento que reuniu todo mundo, vários cantores e músicos de ontem e de agora. Falando então na parceria acho que é isso, essa troca, o Zé Renato vem gravar na terça feira uma música que é minha com letra do Rodrigo Barbosa, agora numa música minha feita com o Márcio Hallack a Sueli virou parceira mudando o andamento, então se tornou uma tríade. É esse que é o grande barato, caso contrário não teria sentido, eu pagava um disco, vou trabalhando e concluo em dois anos, e aí? Tenho grandes parceiros, o Rodrigo por exemplo, posso confessar também que eles estão aprendendo comigo, pois sou um compositor que adoro letras que tenham uma densidade existencial, como você disse. O Chico Buarque quando brinca de mudar as rimas que poderiam ser chamadas de fracas, quando ele rima toca com vodka, essas preocupações meticulosas. Então ele diz que gosta de música que a primeira rime com a oitava, mas que a segunda rime com a sexta pois senão vai se perder em Brama, ama refrigerante e amante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: A capacidade que você tem também de identificar a própria musicalidade inerente ao verso que te aparece de forma crua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray:O Pestana fez um samba para o Flavinho da Juventude que é de uma beleza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Mas retomando a questão dessa irmandade que você faz questão de celebrar e proclamar, jamais posso me esquecer do momento em que gravei sua canção Tempo passado no cd Olhares Cruzados. Era uma noite fria de inverno e o estúdio fervia de gente, tanto entre os que participavam efetivamente do disco como técnico de som, fotógrafo, até os simplesmente amigos. A canção que eu e Márcio Hallack tínhamos a incumbência de gravar era de muito lirismo e conduzida num clima cheio de sutilezas que aparentemente não combinava com a atmosfera meio atribulada do estúdio. Eu e Márcio Hallack atacamos juntos e repetimos mais uns dois takes, quando fui ouvir já mixada e masterizada no cd fiquei comovida com o resultado pela carga de emoção e a limpidez, possivelmente um resultado dessa sua irmandade musical. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Reafirmo que o grande barato da parceria é dividir, mas com pessoas afins. Também não chamaria pessoas que não tem compreensão da minha música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Fale desse disco novo, é uma espécie de continuidade do Olhares Cruzados? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Ele é diferente, pois pensei que o Olhares Cruzados seria o único disco que eu iria fazer resultando então num songbook. Esse é um disco só de músicas recentes, só tem um contraponto que eu fiz com o Gerrô em 78, é um disco que tem uma cara e nasceu de uma idéia que surgiu de um acontecimento que vivi, eu estava com os meus filhos no carro e um amigo me convidou para visitar uma exposição de carros antigos e isso gerou uma conversa e tal e um de meus filhos de repente fala: “- Pô pai você coleciona o que ?”, fiquei pensando, pensando e na verdade coleciono coisas que são artigos impalpáveis, o disco se chama Artigos impalpáveis e iria se chamar Colecionador de artigos impalpáveis. Como é que eu vou colecionar a dor, o arrepio, a febre, a saudade, tudo impalpável. Colecionar coisas materiais é interessante, mas uma boa prova do valor das coleções imateriais é que você se liga muito mais as emoções imateriais, quando por exemplo se destrói uma casa que você morava vai ficar muito mais uma lembrança do lar que você morava do que da casa que foi destruída. O artigo impalpável é o que habita a minha vida, sobrevivo de artigos palpáveis mas eu vivo de artigos impalpáveis que são a matéria viva da minha existência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:Em Olhares Cruzados é muito nítida a riqueza de suas músicas que se dá por meio desses vários olhares que se entrecruzam. A Rosana Brito por exemplo tem uma leitura única. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Neste novo disco terão outros convidados como o Zé Renato, Edinho Leão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Muito interessante a entrada do Edinho que é um cara do rock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: O Edinho me convidou para participar daquele evento que ele faz, a noite dos compositores e eu nunca fui e ele no entanto me mandou uma carta sobre o Olhares Cruzados que me emocionou, e ele é um cara do rock. Me recordo de um acontecimento em que eu e o Fernando Brant fizemos no museu ferroviário, consistiu num debate sobre a ditadura em setembro de 2009 e o Edinho foi lá. Tinha muita molecada nova e tal, daí o Fernando fala para tocar uma música e chamei o Edinho para cantar Feira Moderna comigo e ele ficou louco. Eu gostaria também que o Mamão participasse do meu disco, se ele tiver condições. Estamos no começo da gravação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:Uma curiosidade, os interpretes estão escolhendo as músicas ou você distribui? A Sueli por exemplo escolheu a música?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: A Sueli não escolhe nada (risos), o Chico Buarque falou que o Bituca manda nele e a Sueli falou que nesse ponto eu mando nela. Ela gravou uma música do meu pai com apenas quatro versos, gravou o Lupicínio que também era a cara dela. Essa atual também é a cara dela, ela fala: vou amar, vou sofrer, vou cantar, vou voltar e a cada vez que ela fala eu vou amar é de um jeito, vou sofrer de um jeito, vou sorrir e ela sorri e o sorriso da Sueli é um sorriso que não me lembro bem exatamente o verso da canção que traduz, mas um verso da própria música dela com o Abel Silva, Canção Brasileira deixa claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Daniela Aragão: E essa nova canção ela já conhecia? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Eu mandei para ela e falei que tinha dez dias para poder decorar e gravar. Lupicínio já foi diferente, ela chegou e eu mostrei a música no violão, seguimos para o estúdio e não teve ensaio.  Eu e Sueli somos carne e unha, pois ela me conheceu muito novo, quando nos conhecemos ela já estava no Rio e a Bethãnia e a Nara já tinham gravado suas músicas. Ela me pegou lá no Beco e falou; ‘-Esse cara é doido”, eu estava tocando Milagre dos peixes que tinha acabado de sair, ela me pediu para tocar umas duas, três vezes e daí ficamos amigos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Mas voltando ao livro Assuntos de vento, você acha que ele mereceria uma continuidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Dá vontade de contar tudo o que aconteceu por causa do Assuntos de vento porque aconteceram tantas coisas depois do evento, seria um Assuntos do evento. Depois do livro gravei um disco inteiro com músicas do meu pai, fiz um show com Fernando Brant no Faisão Dourado no dia que o Brizola morreu, voltei a fazer samba enredo que eu não fazia. Então valeria registrar o que me proporcionou esse livro. Mas no fundo aquilo foi uma brincadeira que acabou virando coisa séria. O disco atual está me deixando muito animado, estou muito feliz por estar fazendo de novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E o Gustavo Barbosa continua como produtor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Itaboray: Sim, sem ele não tenho a menor chance de fazer esse disco. Eu acho que essa sua idéia de reunir depoimentos de músicos da cidade é brilhante, pois não se faz isso mais. Murilo Mendes falou que Juiz de Fora era um vale cercado de pianos por todos os lados e isso tem tudo a ver com esse potencial enorme que a cidade revela para a música. Acho que Juiz de Fora está vivendo um momento musical muito legal, tem muita gente fazendo muito mais coisa do que se fazia naquela época. A época que estou falando não é a época dos festivais, mas na minha geração eram poucas pessoas que faziam. Hoje você abre o jornal e encontra na agenda cultural uma diversidade de opções. Não conheço todo mundo, mas tem o Salim que desenvolve um trabalho muito legal no seu bar, o Thiago Miranda, Dudu Costa, enfim, eles estão fazendo. Mamão durante seis anos ficou fazendo shows permanentemente todas as quintas feiras, é coisa rara um compositor local vivendo de música. Atualmente tem vários instrumentistas na cidade com uma qualidade musical muito maior do que tínhamos. Existe um movimento mais intenso do que havia naquela época. Então a nossa música está bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8860038999941930707?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8860038999941930707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8860038999941930707' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8860038999941930707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8860038999941930707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/07/entrevista-com-o-compositor-marcio.html' title='Entrevista com o compositor Márcio Itaboray'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-8itORWhJhew/TjQN_hQVMMI/AAAAAAAAAcg/eEqri8C3gEg/s72-c/marcionho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-5180210829370739543</id><published>2011-07-17T18:40:00.000-07:00</published><updated>2011-07-17T19:04:23.976-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o pianista, compositor e arranjador Cristovão Bastos II Parte</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-nPeJZMFXZV8/TiOSSP1004I/AAAAAAAAAcY/ae4p80txMTg/s1600/cristovao%2Bok.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-nPeJZMFXZV8/TiOSSP1004I/AAAAAAAAAcY/ae4p80txMTg/s320/cristovao%2Bok.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5630504801330844546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você é um compositor repleto de premiações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Ganhei muito prêmio como arranjador de várias categorias, samba, música popular, MPB, disco instrumental. Ganhei um prêmio de melhor canção com Resposta ao tempo, esses prêmios começaram com o Prêmio Sharp. Como arranjador ganhei oito prêmios, como compositor ganhei um com a música Resposta ao tempo, ganhei também um prêmio de melhor disco instrumental com o trabalho que fiz com o violonista Marco Pereira em que fizemos nossa leitura da obra de Noel Rosa e Ari Barroso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Ali é uma grande releitura porque são standards, uma leitura muito particular e minuciosa de dois grades compositores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Com certeza. Grande parte daquelas músicas que tocamos no disco na verdade eram melodias daquele outro parceiro, o pianista que acompanhava o Noel. Um grande pianista e compositor, autor das antológicas  Conversa de Botequim, Pra que mentir e Feitio de oração. Acontece muito hoje a anulação de um parceiro numa música,  dia desses vi no youtube a postagem da canção Todo sentimento e escreveram: “- Bela canção de Chico Buarque”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: A velha questão de colocar o intérprete como compositor, mas nesse caso o Chico é o seu parceiro na feitura da letra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Na verdade a canção apareceu primeiro e ele colocou uma letra. Temos que ficar atentos de vez em quando por causa disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Interessante também o seu trabalho de elaboração de trilhas para cinema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: É um outro campo, comecei fazendo orquestrações para uma trilha do Edu Lobo, fiz para uma refilmagem do Boca de Ouro, que foi feita pelo Avancini. Depois fiz outra com Edu para o filme Canudos, do Sergio Rezende. Fiz com Sergio Rezende dois filmes, música minha e orquestração do Edu em Mauá o Imperador e o Rei e Zuzu Angel. Nesse meio tempo colaborei com Edu para a trilha do Xangô de Baker Street. Ultimamente fiz a trilha do Suprema felicidade do Jabor. Novamente trabalho com Edu fazendo orquestrações para o filme ainda inédito do Hugo Carvana chamado: Não se preocupe nada vai dar certo. O Carvana é ótimo, fiquei muito contente ao trabalhar com ele, senti que ele é uma pessoa sensível pracaramba, ligado na coisa da música e na precisão do que queria, ele sabia dizer o que queria. Estou me preparando pra fazer uma trilha agora para o filme Pixinguinha, um homem carinhoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Tenho uma certa curiosidade com relação ao processo de feitura de música para cinema. Você assiste ao filme, discute com o diretor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Assisto ao filme, discuto com o diretor. O que é bom é quando se tem um tema específico e se desenvolve. O que você vai fazer é sublinhar, fazer com que a cena cresça ou reduza. Você pode diminuir o impacto de uma cena, você pode criar um impacto num lugar que ainda não tem, pode preparar, pode avisar o espectador com a música, pode enganar o espectador com a música. Você pode colocar uma música numa hora em que vai acontecer um negócio terrível sem avisar nada. A música pode ter um clima de suspense e o espectador às vezes começa a arrepiar o cabelo da nuca por causa da música. Isso depende do que o diretor quer, do que ele quer salientar, o que é importante. É um trabalho fascinante. Fora isso você é capaz de transformar em som a atenção, a alegria, o amor, o êxtase, o medo. Transformar isso em música é um negócio muito legal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Vi o filme Uma noite em 67 que reúne imagens históricas do festival de 67 que agregou Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Edu Lobo, Sergio Ricardo entre outros. Era um acontecimento popular veiculado pela televisão, mas que primava por uma qualidade enorme que contrasta com o que vemos e ouvimos hoje ser divulgado pela mídia. É nítido esse deslocamento da produção de qualidade, a qualidade parece se situar na margem enquanto o centro fica com o “lixo musical”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Acho que as pessoas estão acreditando piamente na mídia, elas perderam a capacidade de escolha e de assumir um gosto pessoal. Acho que a coisa da mídia e da moda envolve muito as pessoas, acredito que muita gente se veste de acordo com o que está sendo ditado por aquele momento. Então a música tem uma mídia toda voltada para uma coisa que é fácil de retorno, acho que as pessoas estão muito preguiçosas. Não é uma coisa da pessoa chegar num lugar e escolher o que quer, ela pode até escolher uma coisa que está na mídia, mas não só isso. As pessoas estão muito entregues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você está falando da questão da não capacidade ou autonomia de escolha, mas me chama a atenção o fato de que durante certo período a música popular brasileira de qualidade estava sendo mostrada e assimilada pelo grande público como se verifica no filme Uma noite em 67. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: As grandes gravadoras passaram a querer artistas que vendem dois milhões de discos. Talvez no passado,  quarenta,  cinquenta anos atrás era normal ter numa gravadora um artista que vendia vinte mil discos. Agora as gravadoras só querem os que vendem milhões. Se você tivesse uma pequena gravadora em que cada um vendesse entre dez e trinta mil discos o faturamento seria bom. A sua gravadora vende no total duzentos mil discos, é uma coisa a se pensar, é um lucro legal e dá para você fazer um investimento interessante. Acho que as mega produções não estão preocupadas com isso, é um discussão complicada. Eu não posso de repente descartar uma mega produção, pois a mega produção é muito boa, ela tem tudo de bom, pode não ter um conteúdo maravilhoso. O que estou achando difícil é encontrar uma mega produção com um tremendo de um conteúdo. Acho que as pessoas estão preguiçosas. Tinha um amigo meu em Marechal Hermes, na época com uns dezessete anos, e que tinha uma coleção de jazz. Não existia a massificação da mídia, existiam coisas ruins também, mas era diferente. Algumas coisas muito estranhas, uma música do Teixeirinha que fez um sucesso absurdo apelidada de Churrasco de mãe. Escutava-se isso, mas ao mesmo tempo um Tom Jobim, escutava-se numa rádio por exemplo o Henry Mancini. Tem uma expressão fantástica para se fazer uma coisa sem escrúpulos que é “otimização dos custos”, uma expressão que foi cunhada para isso. Acho que temos uma otimização dos custos em tudo, o que é mais rápido de desenvolver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Eu me recordo de um depoimento dado pelo Chico Buarque que causou um certo frisson, ele dizia que o gênero canção constituído por uma letra bem elaborada e uma música bem feita se tornaria extinto. Nós caminharíamos para uma outra coisa, talvez mais próxima da fala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Há uma ilusão de que o tempo ficou escasso para todo mundo, isso é uma ilusão. Como eu sou um cara que trabalho com a intuição, a música que eu faço é resultante do meu envolvimento com isso. As vezes tenho dificuldade de verbalizar certas coisas e nem acho ruim isso. Então as vezes eu traço as minhas teorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Puxei esse assunto justamente pelo caminho que você trilha, pela qualidade do seu trabalho, pelo preciosismo das suas composições. Um preciosismo que prima cada vez mais por uma clareza e limpidez. Tem também a qualidade dos parceiros envolvidos que são o Chico Buarque, Edu Lobo, Paulinho da Viola . E falei justamente de uma questão suscitada por um de seus parceiros que é o Chico Buarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: A música ficou muito veiculada ao mercado e ela é muito mais que isso, o mercado se aproveita, mas ele não é dono da música, a música é uma coisa muito grande, imensa. Acho impossível o mercado acabar com a obra do Ravel, vai ter sempre alguém que vai colocar aquele disquinho e ouvir o Ravel em casa e ficar inebriado. Então não é propriedade da mídia. Isso não acaba com a arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: É muita gente fazendo coisa boa e que não está sendo divulgada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: É, mas antigamente não se tinha essa preocupação tão grande em ser divulgado, as pessoas faziam música. A mídia se apossou de tudo, você não vai negar o tempo moderno e a possibilidade que a mídia tem de mostrar uma obra sua, mas ao mesmo tempo isso gera um outro poder, um poder novo. Eu vou mostrar o que eu quiser, o cara que é dono da mídia não vai mostrar tudo democraticamente, pode-se dizer que tem coisas ultrapassadas, coisas que não interessam. Faz um longo tempo, talvez um trinta anos, vi um diretor de gravadora que estava execrando um trabalho do Bill Evans, o que me interessa isso? A visão dele não tinha nada a ver com a música. Acho que isso é um negócio terrível, mas é temporário, acho que você não consegue matar  uma coisa que é muito boa. A música não tem nada a ver com isso, pode chegar no nordeste e ouvir  o Bumba meu Boi e um diretor de gravadora dizer: - isso não presta, não vende. As pessoas precisam começar a olhar as coisas de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você é um músico que viaja muito não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Viajo pracaramba, agora está acontecendo algo interessante  comigo, em vários lugares que vou tem sempre um monte de gente que vem conversar comigo, que quer tirar fotografia, que quer saber o que estou fazendo. E não movo nada em relação a isso, tem gente até querendo fazer isso por mim. Não faço isso. Cada dia são mais pessoas que se aproximam, às vezes estou tocando num show   e quando anunciam meu nome aplaudem. Eu não fiz nada por isso, então acho que é uma prova. Quer dizer, fiz coisa pracaramba, mas não me movi em direção a mídia. Não posso dizer que a mídia é uma ilusão, digamos que seja uma apropriação indébita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Me recordo de uma vez em que conversávamos por telefone e você estava no nordeste e entusiasmado comentava sobre as influências daquele local. Seu trabalho capta essa diversidade, essas nuances de um país tão rico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Vai lá em Madureira ver a velha guarda da Portela tocando e você vai ter um monte de informação, um monte de música maravilhosa. Vai ouvir o Jongo da Serrinha, Minas Gerais, vai ver as folias, vai ver o Maracatu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E tudo isso influencia a sua música?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Sim , Maracatu por exemplo é uma criação fantástica, as vezes estou fazendo uma música e sem querer coloco um acento lá.   Fiz um arranjo para o Edu  para Ciranda da Bailarina e tem uma levadinha que é uma coisa do Maracatu. Se você escutar agora no disco Tantas Marés, você vai ver que tem sutis influências do Maracatu. Eu fiz sem pensar no Maracatu; mas era coisa que já tinha me atingido. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Daniela Aragão: E ao mesmo tempo tem esse carioquismo, a Bossa Nova também muito impregnada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Engraçado,  o pessoal fala tanto da Bossa Nova mas a batida do João Gilberto é samba, ele sofisticou mas aquilo é samba, aquilo é tamborim se você escutar “tem tem quim quim”. É o tamborim né?   Roberto Menescal por exemplo falou uma coisa interessante, que não estava sintonizado com o pessoal que estava fazendo só música de dor, sofrida e ele gostou da alegria da Bossa Nova: Dia de luz, festa de sol. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Não tem músico que não se diga impactado pelo surgimento do João Gilberto e você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: João é um grande criador , mas a coisa que mais admiro no João é a tenacidade, tem uma coisa dele que é a obsessão, fica dias numa música para descobrir o formato, uma nota, vai trabalhando com essa tenacidade para chegar no resultado do jeito que ele quer. Isso aí é uma qualidade que o faz chegar nas coisas que ele chega. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: João é extremamente moderno, atemporal. E o seus trabalhos atuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Estou pensando em fazer um disco solo, tem filme para fazer e acho que estou começando a retomar as composições que andavam meio paradas.Tem com a Ana Terra, Dudu Falcão, estou para colocar uma música para o Abel faz alguns meses. Basicamente é isso e estou estudando muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:Muito obrigada Cristovão, com certeza nosso papo ainda vai render...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão: Ah sim Daniela, temos muita música no ar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-5180210829370739543?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/5180210829370739543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=5180210829370739543' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/5180210829370739543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/5180210829370739543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/07/entrevista-com-o-pianista-compositor-e.html' title='Entrevista com o pianista, compositor e arranjador Cristovão Bastos II Parte'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-nPeJZMFXZV8/TiOSSP1004I/AAAAAAAAAcY/ae4p80txMTg/s72-c/cristovao%2Bok.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-6896739572913240949</id><published>2011-07-13T08:51:00.000-07:00</published><updated>2011-07-13T08:54:48.827-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-clnnRcMyf3M/Th2_EdnlUEI/AAAAAAAAAcQ/BKTG1U95wNU/s1600/dani%2Blavras%2Bnovas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 248px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-clnnRcMyf3M/Th2_EdnlUEI/AAAAAAAAAcQ/BKTG1U95wNU/s320/dani%2Blavras%2Bnovas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628865192674021442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-6896739572913240949?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/6896739572913240949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=6896739572913240949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6896739572913240949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6896739572913240949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/07/blog-post.html' title=''/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-clnnRcMyf3M/Th2_EdnlUEI/AAAAAAAAAcQ/BKTG1U95wNU/s72-c/dani%2Blavras%2Bnovas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-1198330176462118849</id><published>2011-07-07T11:16:00.000-07:00</published><updated>2011-07-07T11:20:34.821-07:00</updated><title type='text'>Programação de shows no Festival de Inverno</title><content type='html'>10/7 Sotão - Rua Direita, 124 – Centro – Tel. (31) 3551-0491&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;12/7 Spaghetti - Rua Direita, 138 - Centro - Tel. (31) 3552-5090&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;17/7 Sotão - Rua Direita, 124 – Centro – Tel. (31) 3551-0491&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;18/7 Sotão - Rua Direita, 124 – Centro – Tel. (31) 3551-0491&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-1198330176462118849?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/1198330176462118849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=1198330176462118849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/1198330176462118849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/1198330176462118849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/07/programacao-de-shows-no-festival-de.html' title='Programação de shows no Festival de Inverno'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-6733608305917502259</id><published>2011-06-10T08:45:00.001-07:00</published><updated>2011-06-12T11:30:29.555-07:00</updated><title type='text'>Ouro Preto sob o olhar de Mauro Rocha</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-FmegOJHgqls/TfI8mK_x0eI/AAAAAAAAAcI/8c2zL7hs-BQ/s1600/mauro%2Bja.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-FmegOJHgqls/TfI8mK_x0eI/AAAAAAAAAcI/8c2zL7hs-BQ/s320/mauro%2Bja.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616618311768986082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Minha vivência em Ouro Preto tem me trazido uma proximidade maior com as artes plásticas que vislumbro nas belas obras de Carlos Bracher, Guignard, Mauro Rocha e Ivan Marquetti. Mauro Rocha, o mais jovem dentre essa tríade valorosa é um artista que figura praticamente desconhecido, mas que  desponta por sua tocante e singular pintura com traçados fortes que ilustram um percurso repleto de meandros, em que uma estética predominantemente realista evidente em suas produções iniciais da lugar a uma manifestação de caráter fortemente expressionista. Ouro Preto e suas casas, igrejas, ruazinhas e personagens anônimos figuram nas pinceladas densas de Mauro Rocha que percorre um universo telúrico e barroco transcendente. Delicadeza e aspereza, lirismo e espanto, um conjunto de aparentes antíteses permeiam as telas desse pintor que vislumbra seu  micro-macrocosmo –Ouro Preto com um olhar de homem-menino. Em tons de azul surge um acordeonista que emana ecos pictórico-sonoros, amarelo, dourado e ocre ressaltam de um violoncelista compenetrado em seu ofício. Um menino de faces rosadas toca outro acordeon multicromático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rótulos não cabem à magnitude da criação de Mauro Rocha, evidentemente ele é um artista que dialoga com a pintura ocidental e com a linhagem expressionista que inclui sobretudo Van Gogh. Já dizia T. S Elliot que o verdadeiro artista imprescindivelmente carrega em sua criação a memória dos “seus mortos”. “Eu sempre quis criar um elo entre o presente e o passado” afirma o pintor. Artista de alma meio cigana, Mauro Rocha viveu quase uma década na Europa conciliando o ofício da pintura com atividades mais burocráticas que lhe asseguravam a sobrevivência. Flanando por terras estrangeiras, viveu as dores e delícias de um artista jovem em momento ainda de auto- descoberta. De volta ao Brasil a pintura de Mauro desponta mais amadurecida, autoral, concentrada em suas cores e formas. A imersão em outras culturas favoreceu a aceleração do processo de intenso autoquestionamento que resultou em transfiguração. Emociona-me o quadro de feição realista de sua fase inicial que expõe um cenário bucólico em que um sol radiante ilumina a racionalidade do traçado do desenho das galinhas, mas arrebatam-me os quadros em que Ouro Preto e suas casas, ruazinhas e igrejas deflagram um lirismo quase melancólico : “Vi muitos cenários e belas paisagens por onde passei e vivi, mas nada me instiga mais e me inspira e conduz mais a pintar do que Ouro Preto”. Plenamente integrado/concentrado em sua Ouro Preto,  Mauro Rocha recria e universaliza a matéria local em que a histórica Vila Rica marcada por sua força de contrastes luminosos e opressivos é caminho para o mundo. Um mundo de vermelhos, azuis, lilases, pretos, verdes, marrons, violetas invadem as telas com suas casas, personagens, igrejas, pedras e estradas labirínticas. Quando passeio com Mauro pelas ruas da cidade me preparo para compartilhar uma visão contemplativa que ele aparenta fazer questão de deixar quase incólume: “Olha só aquele detalhe daquela casinha no meio das árvores,  talvez o ângulo da direita retrate melhor. Preste atenção na Casa dos Contos bem ao centro, agora veja aquele conjunto de casas na extremidade, na Rua Direita tem uma casa...”. Vou seguindo seu olhar por vezes cambaleante, por vezes preciso, por vezes angustiado, por vezes feliz por simplesmente estar diante de seu pequeno vasto mundo. Pura de imensidão e beleza é a criação de Mauro Rocha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-6733608305917502259?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/6733608305917502259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=6733608305917502259' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6733608305917502259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6733608305917502259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/06/ouro-preto-sob-o-olhar-de-mauro-rocha.html' title='Ouro Preto sob o olhar de Mauro Rocha'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-FmegOJHgqls/TfI8mK_x0eI/AAAAAAAAAcI/8c2zL7hs-BQ/s72-c/mauro%2Bja.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-7856162371056424434</id><published>2011-06-04T12:51:00.000-07:00</published><updated>2011-06-04T12:55:38.272-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Q2aPeJQlHak/TeqNmku712I/AAAAAAAAAbg/U0oaryIqM4E/s1600/para%2Bfolder.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Q2aPeJQlHak/TeqNmku712I/AAAAAAAAAbg/U0oaryIqM4E/s320/para%2Bfolder.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614455579305826146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-7856162371056424434?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/7856162371056424434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=7856162371056424434' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/7856162371056424434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/7856162371056424434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/06/blog-post.html' title=''/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Q2aPeJQlHak/TeqNmku712I/AAAAAAAAAbg/U0oaryIqM4E/s72-c/para%2Bfolder.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-5350373516156722434</id><published>2011-05-11T13:01:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T13:42:43.333-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com a cantora Kika Tristão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0IEDuP4ts4U/Tcrv643eIaI/AAAAAAAAAbU/20AS34SoZZc/s1600/kika%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-0IEDuP4ts4U/Tcrv643eIaI/AAAAAAAAAbU/20AS34SoZZc/s320/kika%2B1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5605556481192501666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como começou a música em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Sei lá, acho que desde que eu abri os olhinhos. Meu pai falava que eu estava no jardim da infância e cantava a música : “Eu gosto da árvore forida, você gosta também.Foi Deus que lhe deu a vida nasceu para o nosso bem”. Eu dizia Forida, devia ter uns quatro ou cinco anos. Música nunca me passou despercebido, eu me lembro que ela sempre me chamou atenção, me tocava, me sensibilizava. Quando ela entrou mesmo foi com uns nove, dez anos quando eu comecei a tocar violão. Eu pedi aos meus avós um violão e eles me deram,  então comecei a tocar com uns nove anos de idade. Nessa fase eu morava em barra do Piraí, meu pai trabalhava na rede ferroviária e depois quando  nós voltamos para Juiz de Fora continuei meu curso aqui com o Ronaldo Itaboray. Daí ele me falou que eu deveria levar a sério, pois achou que eu tinha uma voz bonita. Participamos de festivais da Pró-Música, depois disso conheci a Sueli Costa. A Sueli foi uma pessoa super importante, pois ela foi me dando caminhos para que eu me tornasse uma cantora profissional, para que eu vislumbrasse um profissionalismo e não ficasse só no amadorismo e tal. Ela me apontou esse caminho e aproveitei, fui para o Rio quando eu tinha uns dezessete anos para fazer aula com o Pepe Castro Neves que era muito amigo da Sueli.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E nessa época a Sueli estava estourando no Brasil né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: A Sueli estava estouradérrima com as músicas, (cantarola) “ A minha alma tem um corpo moreno”, era o auge da Sueli e eu curti muito. Foi muito bacana conviver com a Sueli nesse período e ela é uma grande compositora, a simplicidade dela, nunca se deslumbrou, sempre foi muito próxima de nós simples mortais. De qualquer maneira ela me apresentou muita coisa lá no Rio, me abriu portas no Rio e me fez ver a seriedade, essa coisa de você ter sempre que estar buscando, estudando e se informando para não parar. Ela sempre me deu muito apoio no Rio, ela foi meu porto seguro no Rio, pois você sai de Juiz de Fora que é uma cidade pequena de hábitos interioranos e encara uma metrópole.  E eu fui para o Rio trabalhando, o Pepe castro Neves me indicou para o produtor Ari Sperlling e eu fui trabalhar com o Wagner Tiso e fiquei fazendo parte do quinteto vocal que era o Viva Voz. Os vocais ficaram muito na minha vida artística no Rio de Janeiro e fui muito operária de música no Rio, aprendi muito, aprendi a ser profissional com a convicção de que eu nunca posso parar de estudar, que tenho sempre que me aprimorar. Aprendi o que é o sucesso, independente de ter ou não ter sucesso você é uma profissional e tem sempre que estar buscando estar com os melhores, isso eu sempre busquei, que é estar com os melhores da música popular brasileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Eu conheci você no Mistura Fina fazendo um show com o Be Happy. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Pois é, o Be Happy foi uma coisa muito doida,  pois eu saí do Viva Voz depois de uns quatro anos, eu trabalhava com o Djavan e já tinha feito toda a temporada do disco Lilás e trabalhei muito. O próprio quarteto foi se desgastando e consequentemente saí, nessa fase eu conheci o Luiz Avellar que foi o meu marido, trabalhamos muito juntos, na época trabalhei muito com jingle, gravação. Nessa fase nós pegamos para fazer a campanha da Coca Cola e o Luiz era o cabeça disso tudo. Era o lançamento da Big coke e da Diet coke, a troca da campanha que era “Coca Cola é isso aí” para “Emoção pra valer”, e nós trabalhamos muito nessa campanha. Era eu, Ana Zinger, Chico Pupo, Márcio Lott, gravávamos todo dia e depois de um certo tempo a coisa começou a soar rápido. O Luiz sugeriu que montássemos um quarteto vocal, desse trabalho da Coca Cola que surgiu o Be Happy. Eu sou muito amiga do João Caetano que é um grande compositor, mas ele trabalhava com moda também e um dia me deu uma camisa com guache com o Smile em que estava escrito Be Happy. Cheguei com essa camisa no estúdio e todo mundo adorou, cheguei no João e pedi mais camisas para distribuir para o pessoal. Naquele dia gravamos todos com a camisa escrita Be Happy e todo mundo começou a falar : _ Ah o Be Happy... Daí surgiu esse nome para o quarteto vocal. As pessoas achavam que era em função da música : - “Don’t Worry be happy” e não era, foi por causa da camisa. Daí surgiu o Be Happy, que foi muito bacana porque o Luiz era mentor dos arranjos, fazia todos os arranjos e foi um sucesso. Fizemos shows no Rio, São Paulo, algumas capitais, fizemos show em Curitiba. Foi intenso, daí fui para Nova York gravar vocal com a Simone, foi uma fase muito produtiva com o Be Happy, muito rica musicalmente. Aprendi muito. A música está sempre mudando de estilo, sempre te impondo e no meio do caminho fui chamada para trabalhar na dublagem de canções dos filmes do Walt Disney. As músicas da Disney te exigem muito que é o tal do canto belting, o canto Broadway.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E essa sua experiência em conjunto é muito salutar, pois você tem essa vivência individual do seu canto,  mas você adquire também essa experiência com o outro, aprende a lidar com a harmonização de vozes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: O Domingos Rafaele que é um grande crítico dizia que eram quatro solistas cantando vocal, na verdade nós não éramos vocalistas, nós éramos solistas. Os quatro tinham um histórico solo, eu o Chico Pupo a Ana que depois saiu e entrou no lugar, a Aline Cabral que também tem um histórico de solista. Então éramos quatro cantores solistas que fazíamos vocal. Isso diferenciava todo o panorama de vocais, as histórias dos vocais se dividem antes do Be Happy e depois do Be Happy, como disse o Domingos. Nós gravamos o jingle da Brahma: “- a número um” com João Gilberto. Tive o privilégio de gravar com João Gilberto, foi muito emocionante. Tive momentos muito marcantes na minha vida, pois são mais de vinte e cinco anos nessa profissão. Muitos episódios me marcaram muito como gravar com o Milton, Djavan, ele foi musicalmente enriquecedor, trabalhei nuns três discos dele. Trabalhar com o Walt Disney foi fantástico, pois me deu uma visibilidade, criei um  público meu que prossegue em comunidades do Orkut e facebook e que conhecem o meu trabalho. Uma das experiências mais fantásticas foi ter gravado com o João Gilberto pois ele é uma pessoa a princípio muito serena, tive uma experiência ótima. Trabalhei com o Tim Maia seis meses fazendo shows pelo Brasil e tive experiências ótimas , nada assim como todo mundo fala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: João Gilberto e Tim Maia são meio antíteses, um é a explosão e o outro a contenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Kika Tristão: Com o João Gilberto o arranjador e produtor era o Eduardo Sotto Neto, ele é um grande arranjador, fez até aquela música famosa do Ayrton Senna. Gravei com eles o jingle do Rock in Rio. Nós entramos no estúdio e chegando lá gravamos o jingle e tal. Quando acabamos tudo João Gilberto abriu a porta do estúdio e disse: “- Essas vozes parecem sinos”. Nós ficamos super emocionados, foi aquela festa dentro do estúdio. Em certo momento rimos, pois ele ficava sempre muito quietinho, mas em certo momento levantou e disse: “- Não estou gostando muito dessa mixagem porque está tudo assim linear, as montanhas não são lineares porque a música teria que ser linear? É uma viagem né? Muito emocionante também foi gravar com Roberto Carlos, fui fazer vocal para um disco dele. Fica tudo na mão do produtor. Antigamente as gravações eram à noite,  raramente pela manhã, enfim, músicos, técnicos de som não funcionam bem de manhã. Eu me lembro que era de madrugada e o bar da Som Livre já tinha fechado e o bebedouro ficava no andar debaixo. Na hora que deu um intervalinho saí do estúdio para ver se conseguia água, esse estúdio tem um anexo que é uma sala de televisão. Acabaram os estúdios todos e nem sei esse da Som Livre ainda existe. Aí  falei alto: - não tem água vou ter que pegar lá embaixo. Só ouvi uma voz me dizer assim: “-Pode pegar no meu bar”. A primeira coisa que me veio na cabeça foi assim: é o rei. Porque eu já tinha gravado alguns discos dele como vocalista e ele nunca tinha aparecido no estúdio. O universo do Roberto Carlos é muito interessante, por exemplo a questão do figurino,  todos da equipe que incluem músicos, técnicos e tal devem ir de branco, azul, não podem ir de marrom, preto. Isso é da superstição dele e é sério. Então escondíamos nossas bolsas que não eram brancas ou azul turquesa. E o Rei foi muito simpático, ele tem uma luz, um negócio diferente. Me recordo que a Sueli Costa falava também da luz de Dorival Caymmi, eu não o conheci. Ele era uma entidade, acho que tem pessoas que são assim mesmo. O Milton Nascimento também me provocava timidez, eu sempre ficava nervosa. Eu me encontrava muito com o Milton, principalmente na época em que era casada com o Luiz Avellar. Foi uma fase muito produtiva que guardo com muito carinho.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Um período muito rico em que a música popular brasileira vivia sob esse predomínio do bom gosto e da qualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Tinha muito trabalho e muita qualidade, eu cheguei no Rio e não sabia gravar, nem sequer sabia como colocar um fone. Eu tinha dezenove aninhos né Dani? Essas coisas de saber a distância do microfone e tal, essas coisas, esses conhecimentos hoje você adquire em Juiz de Fora, na época não era possível. A primeira vez que eu entrei num estúdio foi no disco da Funalfa, o primeiro disco da Funalfa em que gravei Beco do Baltazar. Fomos gravar lá no estúdio Hawaí, no Rio, e depois fiquei sabendo que é um dos piores estúdios no Rio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Essa música é do João Medeiros né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Sim, música do João. O João Medeiros foi uma entidade que em Juiz de Fora não tem mais, e é uma coisa que eu já falei em público. O João Medeiros teve um papel importantíssimo na minha vida e acho que na vida artística de muitos outros de juiz de Fora,  pois o João era um crítico, o João Medeiros em Juiz de Fora era o verdadeiro crítico de música. O crítico é muito importante,  pois ele vai te dando uma referência, o João tinha uma coisa assim de que eu tinha que crescer. Foi ele até que me apresentou a Sueli Costa, pois ele viu a minha vontade de ser profissional, ele estava lá quando  ganhei o festival em Cataguases, ganhei como melhor intérprete. Eu era novinha, tinha dezessete, dezoito  anos e cantava. O João me incentivava, ia aos shows, enfim, era importante para mim que desejava me profissionalizar, me tornar de fato uma artista, ouvir dele os julgamentos. Ele estabelecia os parâmetros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:  Você disse que o João foi importante para você, para mim também foi fundamental no despontar da minha carreira de cantora. Minha primeira gravação foi a faixa Sol da Tarde, parceria dele com Damásio. João dirigiu um show meu no Musik dedicado as composições de Sueli Costa e Cacaso e mais tarde elaboramos juntos um projeto de um cd inteiramente dedicado as canções da parceria. Infelizmente João partiu antes da aprovação do projeto e não pode participar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Ele  que nos apresentou inclusive na ocasião da condecoração do Fernando Brant, lá no Faisão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Pois é, que interessante. Vale lembrar que ele foi o primeiro parceiro da Sueli. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Eles eram grandes amigos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: O João tinha um radar para a coisa boa, ouvido apuradíssimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Sinto hoje a falta desse tipo de crítico como o João.  Ficou um vácuo, não teve ninguém que assumisse, que preenchesse esse vazio do João Medeiros. Juiz de Fora precisa, pois a cidade necessita de uma referência, o João conhecia por exemplo o Abel Silva, outros grandes compositores, sabia o que estava acontecendo entre os grandes músicos. Sabia quem tocava pracaramba. Ele uma vez me falou: “- Kika, acho melhor você parar de ouvir Elis Regina”. Eu fui como toda a minha geração da escola Elisiana, como costumamos brincar. Isso que o João falou foi muito importante para mim, ficou na minha cabeça. É sinal de que a partir daquele momento eu tinha que buscar a minha identidade. E o João agregava, ele queria saber sempre o que estávamos fazendo. Além de tudo ele escrevia no jornal, tenho notinhas do João. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Ele era o cara que dava o respaldo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Como eu me deparei com vários críticos no Rio, Mauro Ferreira, Domingos Rafaelli. O Mauro Ferreira é mais ligado no lado da MPB pop e o Mauro Ferreira já é do jazz, o Tárik de Souza que conheci também. A arte precisa disso e Juiz de Fora é uma cidade em que proliferam músicos. Eu acho que sem o crítico a coisa fica no amadorismo, na tentativa do profissionalismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Eu convivi com o João nos seus últimos anos de vida muito assiduamente e ele se mostrava muito desencantado com o panorama da música brasileira. Mesmo estando em Juiz de Fora ele parecia sentir-se sem lugar. Não havia para ele mais espaço no jornal para o tipo de crítica que ele produzia. De certa maneira a cidade já começava a viver certa orfandade com ele vivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão:A música passou por um processo que o João pegou já no final da vida dele. A música passou por essa crise fonográfica que a muito tempo já vinha. Vale lembrar também a banalização que a internet trouxe para a música. São dois lados, de um lado a facilidade de acesso proporcionada pela internet e por outro a banalização. Antes ficávamos um ano esperando a chegada de um disco do Chico Buarque, do Milton, dos Borges, às vezes dois anos para um disco do Tom Jobim. Era um acontecimento. Eu me lembro quando foi lançado o Saudades do Brasil da Elis Regina que vinha numa caixa e era caríssimo, um negócio inacessível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: A questão é da mudança dos valores da mídia, o que a internet vende hoje. O Chico Buarque deu uma declaração dizendo que achava que o gênero música popular brasileira seria extinto. Essa forma clássica que conhecemos de uma letra bem construída, uma música e uma voz, isso seria uma manifestação do século XX. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Eu concordo e obviamente isso vai influenciar as outras músicas. Estou nessa fase do meu novo cd e hoje em dia tem a World Music que aproveita muito a MPB clássica, criou outra roupagem, uma nova forma de interpretação a qual eu me identifiquei pracaramba. Acho que essa coisa passou, como passou o erudito. Se via ópera nos teatros normalmente, era para o povão. Essas coisas vão mudando mesmo, acho que a música está ficando world mesmo, mundo. Não está tão segmentada. Estou até em contato com a Sarah Tavares que é uma grande compositora portuguesa, ela é uma excelente compositora, grande cantora. Ela é premiada nesse segmento que é a World Music que consiste numa MPB com uma roupagem mais moderna. Acho que é um reflexo desse mundo em que estamos vivendo, que é uma coisa mais globalizada. Quer colocar Cítara no meu cd, utilizar uns instrumentos diferentes. O eletrônico está aí e chegou para ficar, os lounges que são muito bacanas. O mundo vivia antes uma coisa muito fechada, as políticas eram muito cruéis e isso de certa forma influenciou a música. Até uma vez eu vi o Roberto Menescal comentar sobre o impacto da entrada da Bossa Nova. É um ciclo, vou fazer regravação de João Donato, Marcos Valle, só que com outra roupagem. Acho que é uma evolução da música e seria importante a presença de um crítico para avaliar isso. Às vezes eu sinto que Juiz de Fora ainda está muito no Trem Azul, é importante você ver o que os grandes músicos estão fazendo, os arranjadores, os produtores. Eu peguei dois grandes produtores que são o Donatinho, filho do João Donato, um garoto com no máximo trinta anos e que já trabalhou com a Fernanda Abreu,Vanessa da Mata e o Alex da Bossacucanova que não perdeu esse caminho que a música tá tomando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Eu vou puxar um pouquinho para trás aproveitando sua deixa da Bossa nova mencionada um pouco antes. Você gravou um belo disco pela Lei Murilo Mendes com canções de Tom, Vinicius, um repertório primoroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Esse cd foi um cd projeto, foi na fase em que se estava homenageando os cinquenta anos da Bossa Nova e a MPB também. Escolhi músicas bem clássicas da Bossa Nova como Chega de Saudade, que marcou a Bossa Nova. Gravei Carlinhos Lyra, peguei arranjos de Dudu Lima, Hermannes de Abreu.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: São clássicos, mas que constituem em desafios pois o trabalho é para não se deixar cair no lugar comum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Voltamos a João Medeiros novamente, quando eu estava participando de um dos primeiros festivais na minha vida o João se aproximou de mim e disse: “-Kika, aprende a cantar Bossa Nova,  pois quem sabe cantar Bossa Nova canta tudo”. É verdade, pois Bossa Nova não é simples de cantar. A Lei Murilo Mendes é fantástica, pois daqui a uns trinta anos a cidade vai possuir um acervo musical inigualável. Na produção do meu disco eu fiz uma fusão entre amigos do Rio e juiz de Fora, o Marcos Suzano tocou no meu cd, o Emerson Dias fez a mixagem do cd. Foi um projeto árduo e gosto muito dele, acho que foi um cd muito honesto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Ele tem um enquadramento muito bom,  pois as vezes aparecem discos muito irregulares. O seu apresenta uma proposta uniforme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: É verdade, eu fiz um pouco de Bossa Nova como Chega de Saudade e Coisa mais linda e gravei Vieste do Ivan Lins. Gravei Sol de Primavera. As canções do Ivan são glamourosas. Achei um disco projeto e esse que irei fazer agora pela Lei considero o meu disco de carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Te desejo muito sucesso pois talento não te falta. Obrigada pela entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika Tristão: Eu agradeço Dani, sucesso pra você também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-5350373516156722434?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/5350373516156722434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=5350373516156722434' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/5350373516156722434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/5350373516156722434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/05/entrevista-com-cantora-kika-tristao.html' title='Entrevista com a cantora Kika Tristão'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-0IEDuP4ts4U/Tcrv643eIaI/AAAAAAAAAbU/20AS34SoZZc/s72-c/kika%2B1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8371408078931752267</id><published>2011-04-28T12:33:00.000-07:00</published><updated>2011-05-07T05:11:55.953-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o pintor Dnar Rocha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-cg_6Oa7wwdw/TbnPHA_6U-I/AAAAAAAAAbM/00D8x6eSe6c/s1600/dnar.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-cg_6Oa7wwdw/TbnPHA_6U-I/AAAAAAAAAbM/00D8x6eSe6c/s320/dnar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5600735331046020066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dando uma revirada na minha caixa de guardados acabei encontrando uma antiga entrevista que realizei com o meu amigo Dnar Rocha, talentosíssimo pintor que partiu deixando um enorme vácuo. Esta entrevista aconteceu numa tarde agradável e fria do mês de julho de 1999. Entre goladas de café, pinceladas e alguns acordes falamos sobre arte, música, vida, sonhos. Infelizmente deixei registrado apenas o conteúdo mais formal em que Dnar fala sobre um de seus quadros expostos no Museu Mariano Procópio. A princípio pretendia aproveitar os esclarecimentos de Dnar para escrever uma monografia sobre o quadro, contudo esta conversa acabou guardada num papel que agora já traz certo cheiro de guardado e um amarelo que me transporta para um certo lirismo. Procurei preservar na íntegra a fala de Dnar, mantendo consequentemente o tom de coloquialidade. Infelizmente não consegui uma fotografia do quadro, o que acarreta de certa maneira uma dificuldade para o leitor, pois Dnar comenta detalhes explicitados na obra como cor, forma, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: Na ocasião em que eu pintei esse quadro na sociedade Antônio Parreiras armei esse motivo. Só que primeiro eu armei esse motivo com esse tacho num caldeirão, depois botei a garrafa, o caneco, a garrafa deitada e pintei. O objetivo era o tacho como estudo, e o que tem de novo aí na minha pintura é que a outra é mais acadêmica e essa é mais libertária, o excesso dessa sombra escura que tem no caneco mostra que ela está bem vincada, normalmente no academicismo essa sombra não fica assim, parece que o caneco está furado aqui, quer dizer, a violência dessa sombra é uma das coisas boas que tem o quadro. E em segundo lugar a composição, minha natureza morta a partir daí comecou a se agrupar em três elementos básicos, aí tem quatro que se completa com a garrafa, mas a garrafa está tão integrada ao conjunto todo que a composição são três elementos. Tem uma placa no fundo de cinza que serve de anteparo aos objetos, corta as linhas curvas do tacho e corta a mesa, quer dizer, cortar no sentido assim, você tem uma linha horizontal, coloca uma vertical, você corta, cruza, elimina a horizontalidade de uma linha com uma linha vertical. Então tem aí essa garrafa, a garrafa foi tambem uma coisa nova, pela facilidade de motivo começaram a aparecer na minha pintura essas garrafas, pela facilidade de encontrar de fato um motivo. O tacho é feito de uma forma bem moderna, eu acho um tacho bem moderno esse, a maneira de pintar o tacho, com as cores que pintei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:   E essa mesa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha:  Aqui é uma mesa, esse cinza serve de anteparo com o laranja, o vermelho do tacho, o cobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E o branco que é uma cor tão predominante na sua pintura aparece aqui nao é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: Ele aparece pela primeira vez aqui, é a primeira vez que aparece completamente branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: A presença constante do branco considero uma das características mais acentuáveis na sua pintura. Ele vai crescendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha:  Vai, vai crescendo, ampliando, eu vou estudando mais a coisa, mais cor, depois coloco mais outros objetos brancos, mas o achado nesse quadro aqui foi esse contraste, essa peça branca, essa composição é bonita, é boa. Essa coisa já pretendia ser uma peça branca, pois ele é até uma louça meio marfim, mas eu de certa maneira já pretendia o branco, tanto que a asa é completamente branca. Nesse quadro não tive muita preocupação com o contorno, fiz alguns contornos mas não muita coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragao: A natureza morta é muito frequente em seus trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: Eu sempre estudei muito natureza morta por ser uma coisa assim fácil de achar, é fácil você pintar natureza morta porque o motivo está sempre a sua disposição em casa, uma caneca por exemplo. Já a paisagem solicita a saída para a rua e a natureza morta é fácil, sempre foi a natureza morta motivo de estudo para todos os pintores, todo  pintor sempre gostou de pintar natureza morta. Cezanne ficava pintando aquelas naturezas mortas anos a fio, um mesmo quadro as vezes. Ele até usava muita fruta artificial, flores artificiais até, ele chegava a demorar tanto num quadro desses que as flores murchavam, as frutas apodreciam. O que o pessoal lá da Antônio Parreiras pintava era isso, então eu entrei pintando esse negócio, natureza morta. Pintei retrato, figura, mas me concentrei mais na natureza morta, tanto que esse quadro que se encontra no museu foi estruturado a partir da natureza morta. O Rui Merheb gostava muito do detalhe dessa garrafa, ele sempre falava assim: " Vi uma natureza morta sua no museu, tem uma garrafa deitada assim bonita".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:  Voce escolheu essa obra para figurar no museu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha:  Não, naquele tempo o Salão Antônio Parreiras tinha um prêmio, na verdade eram tres prêmios aquisitivos e parece-me que esse meu quadro conseguiu o terceiro. Os três primeiros prêmios iam para o museu, chamavam-se Prêmio aquisitivo do museu. Eu não sei o tamanho desse quadro, sei que foi pintado em cima de madeira, compensado. Está dando bicho e nao vai durar muito não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Van Gogh é uma influencia grande em sua pintura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha:  Hoje estou mais para Van Gogh que para Morandi, mas nessa época eu estava muito para Morandi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: As combinações de cores costumam se repetir em certas fazes de sua criação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: Esse quadro tenta reproduzir com fidelidade as cores que estavam lá no natural, a mesa tinha essa cor, a mesa é cinza, existe essa cor. Essa é uma placa, uma prancheta que a gente usa para pregar papel e desenhar, para fazer fundo. Eu tentei dar um caráter realista, a garrafa é verde, a parede da cor da parede, o tacho da cor do tacho. Só que acabei fazendo esse tacho um pouco mais moderno, as sombras são mais modernas, tanto a do tacho quanto a da garrafa de cima que está em pé, quanto a garrafa que está deitada e o caneco. As sombras é que dão o toque moderno nesse tom. Nessa época eu estava pesquisando para fazer de acordo com o natural, quando eu comecei a abandonar isso, comecei tambem a inventar, por exemplo, se a garrafa estava verde eu colocava ela azul ou vermelho, eu já não obedecia mais a cor que estava servindo de modelo para mim. O objeto que estava servindo de modelo para mim as vezes era revestido com uma outra cor, eu comecei a me permitir fazer isso. Depois cheguei a fazer bem parecido com o natural, dali comecei a mudar as coisas, as cores, a cor da mesa. Entao hoje faço uma natureza morta de imaginação e vou criando, faço uma pintura de criação, vou criando uma natureza morta inventada por mim mesmo, uma coisa que não tem nada a ver com nenhum lugar, não tem nenhum lugar específico que representa, ela existe só no quadro. A minha natureza morta desponta dessa reflexão que faço, essa pintura natural que parte de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: O caráter auto reflexivo que é uma questão inerente também a outras categorias artísticas como a literatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o fazer artístico, eu fui questionando essa coisa do que fazer, que os espanhóis falam “Qui a ser”, o que fazer? Vou pintar natureza morta? Vou pintar cavalo? Vou pintar paisagem? Se eu vou pintar natureza morta vou mudar em quê? Vou pintar do natural, vou armar aqueles cachos de uva igual alguns? Não era a minha visão, não era a visão do meu grupo pintar coisas assim muito sedutoras, motivos sedutores. Um cacho de uva caindo assim, o frango, um faisão dourado caindo assim em cima da mesa né? Não era da nossa visão, o meu grupo não tinha essa visão de pintura, o meu grupo rejeitava essa visão. O meu grupo abrange eu, Carlinhos Bracher, Rui, Stelling e Nívea Bracher. O nosso grupo rejeitava a sedução na arte, a palavra certa, essa foi até uma palavra usada pelo Brandão que utilizou essa expressão sedutora. A gente não tinha essa coisa da sedução, a gente não tinha amor a sedução, a gente não tinha vergonha de pintar por exemplo só uma garrafa, ainda que quebrada, ainda que não fosse . ninguém vender aquilo. Eu me lembro de um pintor lá do meu grupo, Waldir ramos, ele fez por exemplo uma vassoura e uma pedra num canto de mesa no chão, quer dizer, aquilo ali jamais ia ser vendido, a não ser para uma pessoa muito especializada, um especialista. Então a nossa pintura tinha uma certa rejeição ao sedutor, a coisa sedutora, a sedução como motivo. A sedução do motivo como forma de vender, facilitar a vida, tanto que nós todos fomos rejeitados, o Rui foi ser bancário, o Stelling foi pintar livro. Tinha o Frederico Bracher, ele fazia aquelas naturezas mortas com aquelas maças que parecia que estava bem no Éden, bem com toda a matéria, toda a propriedade da maça né? As uvas, parecia que você podia chupar a uva. E a pintura não tem essa finalidade, o nosso grupo achava...E essa coisa que eu tô te falando é novidade, eu nunca falei isso. O nosso grupo não tinha essa intenção de fazer um quadro sedutor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: isso é uma inovação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: era uma inovação, nós eramos pintores que não tínhamos direito ao mercado, o mercado rejeitava porque a gente rejeitava a sedução, o mercado pede sedução. O mercado de música por exemplo quer, muito embora eu goste de muita coisa do Roberto Carlos, mas eles querem Roberto Carlos, esse negócio de Tchan, querem o que é apelativo. O que a Globo mostra no Faustão o povão quer. Então, conclusão, quem é que fica fora do mercado? Egberto Gismonti nem aparece no mercado por rejeição do próprio mercado. O mercado rejeita determinados artistas, então o mercado rejeitou Rui Merheb, rejeitou a mim, rejeitou Stelling, rejeitou esses pintores todos. Por isso que a gente sofreu com a pintura, a gente não fazia quadros sedutores. Até que tentei fazer alguma coisa para sobreviver, mas larguei pra lá e não quis saber disso. Eu corri da pintura ruim, quando fiquei em condições de fazer uma pintura melhor, agora dá pra viver de pintura fazendo pintura boa. Esperei que a minha vida se organizasse, porque eu não queria repetir a experiência do Van Gogh e eu pude fazer uma pintura boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caráter reflexivo da sua produção foi se acentuando com a passagem do tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: Foi, eu podia ter pintado isso aqui a vida toda tentando pesquisar a matéria que estava lá e que estava bom, esse quadro eu podia ter pintao ele hoje tal o grau de seriedade que ele tem, é um quadro muito sério, as coisas que estão aqui não estão de brincadeira, a pessoa sabe que um pintor desse que fez isso aqui não é um pintor que tá brincando com pintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: sua pintura mostra constantemente os diálogos que você está traçando, você está dialogando com a pintura ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: É, com a pintura ocidental, com a nossa visão, porque a nossa visão é ocidental, lógico. Tudo o que fazemos a princípio é resultante de uma visão ocidental do mundo, os Árabes, Muçulmanos nem têm pintura, nem tem museu, não tem nada. O problema da religião lá, não se pode cultuar imagens “não farás para ti imagens”, essas coisas todas, que na bíblia também tem um pouco, mas eles lá são mais radicais. Então voc~e pode-se até conhecer um grande escritor árabe mas pintor você não conhece. Então a nossa visão é uma visão do ocidente, a pintura é um produto do ocidente, uma criação do ocidente. Lógico, os pintores lá da Rússia, mas da Rússia europeia, kandinsk, Chagall, esse pessoal todo ali da Rússia pertence a Russia europeia, Moscou pertence a Rússia europeia. Quer dizer, esses pintores todos do ocidente é que são criadores dessa pintura, então pensei em uma ocasião em editar um livro, um livro só das minhas naturezas mortas, ficaria um estudo muito bom. Está na sua mão fazer um livro sobre as minhas naturezas mortas. Você pega isso e depois vai costurando, depois pega as outras. E aí eu fui pintando natureza morta, paisagem, figura, retrato, interiores e tal, fui fazendo um apanhado de tudo, quando você diz “o que fazer de um artista?”, fui aprofundando em todas essas atividades, do que fazer de um pintor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E o abstracioniasmo, ele não te pegou, não é? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: O abstracionismo não me pegou, eu sou um pintor figurativo, muito embora determinados quadros quase caminhem para o abstracionismo, mas ainda permaneço no figurativo. Eu sou um pintor figurativo. Tem muita coisa para estudar na pintura, a cor, a composição, o desenho do quadro.  Tem muita coisa para se estudar numa pintura, se você quiser estudar só composição tira essa garrafa, pinta os três elementos e já muda o enfoque. Há muito o que estudar numa natureza morta, o Cezanne ficou pintando uma maçã durante tempos e tempos seguidos. Esse quadro eu acho muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Uma coisa que você já me disse faz bastante tempo e que nunca mais me esqueci, você falou assim: “ as vezes eu pinto a natureza, os frutos, as coisas, um momento que me toca muito de fragilidade humana é quando eu vejo as pessoas comendo. É uma motivação para você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: Essas coisas de mesa, comida, falam muito para mim, tem muito a ver comigo e eu sou pintor de natureza morta não é por acaso, gosto muito disso. O Luis Affonso falou por exemplo que o momento que mais o comove  do ser humano é quando ele está dormindo. Eu por exemplo me toco muito quando a pessoa está comendo, nos restaurantes, daí que vejo que o ser humano é terra a terra, vira um ser terra a terra quando está comendo. Então tenho uma ligação com todos os objetos da cozinha, panela, eu sempre pintei isso: panela, panela, panela,panela.E na minha retrospectiva que irá sair aí proximamente vai ter muita natureza morta, vou fazer questão de enfocar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: É mais que urgente fazermos uma antologia da sua pintura para mostra-la a todos. Você é um pintor muito presente aqui em Juiz de Fora, em todos os lugares vemos você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: Sou bem divulgado aqui, o santo da casa aqui comigo faz milagre, sou muito procurado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: A sua pintura é muito marcante, seu traço é facilmente identificável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: É uma pintura de um grupo, é uma visão que não é só minha, é a visão de um grupo que pensava assim. Essa coisa que eu falei do sedutor, tanto que o Frederico Bracher frequentava a Antônio Parreiras e ficava por lá dando palpite sobre perspectiva de garrafa, a garrafa estava fora de perspectiva, umas coisas assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você se preocupava com perspectiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: Primeiro estudei bastante perspectiva, então aprendi as leis da perspectiva, primeiro tive uma formação acadêmica para depois romper com isso tudo. Estudei desenho academicamente, fiz retratos acadêmicos, naturezas mortas, estudei desenho. A única coisa que estudei com professor foi desenho, com a katarina Zanéti, pintura não, eu quis ser autodidata. Fiquei no grupo livre de pintores da Antônio Parreiras, não tive espaço por exemplo para fazer coisas sedutoras, esse espaço não se deu porque o meu grupo era muito bom, pensava muito bem a arte, principalmente o Rui, o Rui foi o mais radical de todos. Sempre quando ele ía no museu manifestava o gosto pelas naturezas mortas, falava sempre : “uma bela natureza morta”, dava informações sobre o quadro, uma garrafa tombada por exemplo, o meu grupo rompeu desde o princípio com a pintura sedutora. Nós tivemos que fazer um aprendizado, aprender teoria da perspectiva, teoria de luz e sombra, contraste, tem a sombra própria do objeto, a sombra projetada, tem todo o desenvolvimento do contraste. A perspectiva se divide entre a linear e a aérea, temos todas essas implicações, estudamos tudo isso para o exercício da paisagem e também das naturezas mortas e dos interiores. Depois comecei a usar as leis da perspectiva para a minha pintura, para a feitura do meu trabalho e não me preocupando muito com ela, não me preocupando em seguir leis. Nesse quadro mesmo tem coisas, por exemplo, se você observar a linha dessa mesa ela não coincide com a linha da mesa de lá, já há um certo desprezo com esse esmero pela perspectiva, já não me interessava. Aqui por exemplo a perspectiva está correta, o tacho, esse caneco, essa garrafa, uma perspectiva difícil. Esse canto era um elemento do quadro, botei esse cinza, não tive preocupação em ver se ele estava na altura. Aqui eu já comecei a usar a perspectiva a meu serviço, é menos radical do que isso. Tem um caldeirão que tem um perspectiva assim naquela asa dele, e esse eu já comecei a despreocupar, por exemplo, o outro tacho, uma cozinheira passa uma bucha e fica aparecendo uma sombra assim do cobre. Aqui eu aboli essa parte do academicismo da pintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Picasso teve suas fases rosa e azul, seria possível alguma classificação em sua obra? Temporal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dnar Rocha: Eu tive pinturas brancas e pinturas mais com cor e sem cor, tem uns que eu radicalizei geral, muita massa de tinta. Em pintura o resultado é o que interessa, se tem massa ou se é aguado isso não importa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8371408078931752267?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8371408078931752267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8371408078931752267' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8371408078931752267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8371408078931752267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/04/entrevista-com-o-pintor-dnar-rocha.html' title='Entrevista com o pintor Dnar Rocha'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-cg_6Oa7wwdw/TbnPHA_6U-I/AAAAAAAAAbM/00D8x6eSe6c/s72-c/dnar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-2510427366501414626</id><published>2011-01-04T17:03:00.000-08:00</published><updated>2011-01-04T17:40:46.817-08:00</updated><title type='text'>Entrevista com o arranjador, pianista e compositor Cristovão Bastos. Part I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TSPMEFIAvKI/AAAAAAAAAaw/G9AGh92eZew/s1600/imagesCA9W9G49.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 194px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TSPMEFIAvKI/AAAAAAAAAaw/G9AGh92eZew/s320/imagesCA9W9G49.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558510735572647074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TSPL8MLkcuI/AAAAAAAAAao/xFfSaN5RIak/s1600/imagesCA88FL6J.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 196px; height: 257px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TSPL8MLkcuI/AAAAAAAAAao/xFfSaN5RIak/s320/imagesCA88FL6J.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558510600027665122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quando a música apareceu em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Aos sete anos de idade numa apresentação de acordeonistas no bairro Marechal Hermes, em que nasci e morava. Falei com meu pai que queria estudar acordeon e no mês seguinte eu já estava numa academia começando a estudar.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E o piano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: O piano eu conheci na escola de acordeon, entrei numa escola para aprender acordeon aos sete anos, tinha nessa escola um piano que me chamou atenção e comecei a experimentar por pura curiosidade com uns dez para onze anos, e um pouco mais depois que eu me formei aos treze anos. Me formei em acordeon nessa escola que era de música, mas não consistia num conservatório, era como se fosse. A prova final acontecia no centro da cidade, não na escola em que eu estudava, em seguida vinha  um diploma conferido pelo professor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Interessante observar o seu percurso que bate com a história da formação musical de outros pianistas como João Donato. Você fez a transição do acordeon para o piano, acordeon era um instrumento mais usual na época. O Sylvio Gomes passou por esse processo também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Teve uma época em que o acordeon foi uma febre, tinham na escola em que estudei três ou quatro cabines destinadas ao estudo de acordeon. Tinha uma sala para teoria e solfejo. Aconteciam aulas de hora em hora e todos os horários eram preenchidos, imagine quatro professores dando aula, ao menos oito por dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como apareceu sua faceta de compositor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: A composição apareceu cedo,  a primeira de que me lembro aconteceu quando eu tinha uns dez anos e fiz uma música com um parceiro do  meu professor de acordeon, ele se chamava Adilson. Ele fez uma letra e nós tocamos para a namorada dele que ficou fascinada pela música, e me lembro de um fato engraçado, estávamos justamente na casa dela compondo essa canção quando pedi uma água e ela falou: “-Essa água é abençoada”.  Eu era uma criança e não consigo me lembrar da música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você fez cedo a opção pelo piano, tinha já a convicção de que seria músico profissional ou foi um processo espontâneo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Foi completamente espontâneo, eu não coloquei na minha cabeça que seria um músico de qualquer maneira. Acontece contudo que sempre fui absolutamente apaixonado por música, com dois meses de escola de música já tirava músicas da rádio e tocava, eu tinha uma curiosidade musical muito grande.  Na escola pública tinha sempre a quadrilha do meio do ano, eu devia estar com uns dez anos de idade e me lembro de coisas assim, eu ia tocando e inventando a quadrilha, tocando coisas que não existiam. Eu nunca voltava para o mesmo tema, ia inventando, inventando.  Acho que foi a primeira manifestação de que me recordo de improviso e de composição, pois eu ia  criando temas, passagens, modulações e o interessante é que as pessoas não notavam, achavam que eu estava tocando música que já  existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Já tem todo um lado do arranjador florescendo aí não é? Esse arranjador ainda menino que vinha introduzindo modulações, nuances muito próprias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos : Acho que sempre tive cabeça de arranjador, posso falar do primeiro grupo em que trabalhei que era o do Crésio Augusto, que foi meu professor de acordeon. Essa minha primeira relação com o piano se deu através dele, porque ele tocava piano no grupo Crésio Augusto e seu conjuto, eu tocava acordeon, tinha um guitarrista, um baterista, um saxofonista. Tem coisas que considero de muita importância para mim, por exemplo esse  primeiro grupo em que fui tocar onde o  Crésio me apresentou a um cara chamado Pitanga, que tocava guitarra, mas sem nunca ter estudado teoria musical.  Quando vi esse cara tocar fiquei fascinado e pensei: - pô, nunca vou tocar como esse cara!  Eu observava esse cara que considero meu primeiro grande mestre. Um cara na qual aprendi muita coisa observando, eu chegava, via ele tocar, pedia para repetir o acorde e ele tocava mas não sabia explicar. O lance de tocar piano e acordeon são coisas diferentes pois o sistema cromático indica a diferença. O acordeon você encosta na tecla, o meu primeiro contato com o piano foi assim, eu ficava tentando tocar mas apanhava muito da mão esquerda. Comecei a tocar numa boate aos dezessete anos e nem poderia na verdade por não ter ainda dezoito. Eu não sabia o que faziam as moças que trabalhavam na noite, tamanha a minha ingenuidade. Um dia o dono da boate falou que o pianista iria embora e perguntou se eu sabia tocar, daí me introduzi na carreira de pianista. Eu sabia colocar a mão no piano, mas tocar era outra história e resolvi no peito, trabalhei um tempo nessa boate e depois comecei a tocar num conjunto. Começou assim em Cascadura, num gesto bem juvenil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Corajoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Por outro lado eu me lembro que eu tocava acordeon&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você é um pianista que construiu sua formação de maneira autodidata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Completamente, embora sempre tenha o diálogo com outros músicos, informações compartilhadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você tem composições com vários parceiros como Aldir Blanc, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Ana Terra e Abel Silva..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Tenho uma parceria somente de choros com Paulinho da Viola, nesse tempo nosso de parceria temos quatro músicas juntos. Ele é meu compadre, padrinho do meu filho mais velho, o Allan. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Com cada parceiro implica uma construção musical  diferente? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Eu acho que não. Quando mostro uma música para um parceiro e ele gosta, a minha responsabilidade acabou. Então quando um parceiro me dá uma letra para eu musicar, a responsabilidade dele também acabou. É assim com Ana Terra, Sérgio Natureza, Paulo César Pinheiro. Do jeito que você faz a pergunta imagino que você queira dizer quando a parceria acontece junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Pois é, Aldir é um, Ana Terra é outra, Paulo César, Chico Buarque, cada um com sua singularidade. Esses encontros são com pessoas diferentes que trazem suas próprias marcas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Uma mesma música que eu desse para Aldir, Ana Terra ou Paulinho a diferença estaria por conta do parceiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Se por exemplo você está num processo mútuo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Isso vai se dar na empatia. Você pode inverter o processo assim:  se uma pessoa dá uma letra para mim e a mesma letra para Paulinho da Viola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Aproveito para te perguntar sobre suas duas belíssimas composições que já se tornaram de certa maneira antologizadas: Resposta ao Tempo, com Aldir Blanc  e Todo o sentimento, com Chico Buarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: As duas músicas eu mostrei para os parceiros quando já estavam prontas e havia passado um certo tempo. Todo sentimento, quando mostrei para o Chico, talvez já tivesse passado uns dois meses. Mostrei primeiro para a Miúcha que gostou muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: A gravação de Nana de Resposta ao Tempo é única, sublime, fica difícil imaginar outras depois dessa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Um arranjo feito pelo próprio compositor que trabalhava com Nana, eu já devia fazer coisas com Nana há uns dez anos quando essa música foi feita. Nós temos uma afinidade musical muito grande, não tem explicação para o que eu senti quando fiz esse arranjo, é uma coisa de momento, essa eu cheguei no estúdio e cinco minutos depois fiz a introdução. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Interessante você ter me dito ontem que a introdução tem uma marca tão densa e impactante que quando você toca as primeiras notas o grande público de imediato reconhece e corresponde efusivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Dá um frisson na platéia, tem aquelas meninas que gostam. Não foi uma música pensada pracaramba e nem feita para a minissérie. Eu acho que essa música tem a força dela embora a televisão seja um veículo legal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Interessante é que tanto Todo Sentimento quanto Resposta ao tempo trazem a marca do tempo e vista por dois grandes compositores que são Chico Buarque e Aldir Blanc. Em Todo Sentimento se tem a marca da vivência do tempo de uma relação amorosa, a história de um casal, enquanto em Resposta ao tempo se tem o tempo em sua dimensão ampla, existencial, metafísica. Você parece trazer essa sugestão da temporalidade em sua música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Eu compus raio de luz com Abel Silva, canção que foi até tema de uma novela, é absolutamente leve: “Você chegou, iluminou o meu olhar”. Foi gravada pela Barbra Streisend, ela gravou com um arranjo lindo. Eu coloco muita música no facebook, certa vez  um cara disse por lá que o arranjo era pasteurizado. Que coisa bonita que a Barbra fez e a madrinha da música foi Itamara Koorax, que levou para o Abel. Suave veneno foi encomenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E Cinquenta anos, sua parceria com Aldir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos: Ele estava fazendo o disco 50 anos e me pediu uma canção, aí eu mandei essa canção para ele, que se tornou a canção do disco. Ele me ligou as duas ou três da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Eu acho que essa canção tem um eu muito marcadamente masculino por isso considero antológica a gravação do Paulinho da Viola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-2510427366501414626?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/2510427366501414626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=2510427366501414626' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2510427366501414626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2510427366501414626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2011/01/entrevista-com-o-arranjador-pianista-e.html' title='Entrevista com o arranjador, pianista e compositor Cristovão Bastos. Part I'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TSPMEFIAvKI/AAAAAAAAAaw/G9AGh92eZew/s72-c/imagesCA9W9G49.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8331281846652295282</id><published>2010-11-06T17:30:00.000-07:00</published><updated>2010-11-06T17:33:13.988-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNXzqNRyODI/AAAAAAAAAac/uPe23g5oC1k/s1600/Dani+Arag%C3%A3o.BMP"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 241px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNXzqNRyODI/AAAAAAAAAac/uPe23g5oC1k/s320/Dani+Arag%C3%A3o.BMP" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536599223366203442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8331281846652295282?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8331281846652295282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8331281846652295282' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8331281846652295282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8331281846652295282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/11/blog-post_06.html' title=''/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNXzqNRyODI/AAAAAAAAAac/uPe23g5oC1k/s72-c/Dani+Arag%C3%A3o.BMP' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-3984644401688080</id><published>2010-11-05T20:39:00.000-07:00</published><updated>2010-11-06T18:15:44.163-07:00</updated><title type='text'>Imagina</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNTPiiQ2NnI/AAAAAAAAAaU/O6W128tBUIs/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 250px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNTPiiQ2NnI/AAAAAAAAAaU/O6W128tBUIs/s320/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536278034165151346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNTOvjq7j7I/AAAAAAAAAaM/zyDxfru6BAE/s1600/fernanda%2520cunha%2520-%2520zingaro.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 318px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNTOvjq7j7I/AAAAAAAAAaM/zyDxfru6BAE/s320/fernanda%2520cunha%2520-%2520zingaro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536277158369660850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Talento musical é coisa que se herda por um legado consanguíneo, basta percorrermos as criações da família Jobim, Caymmi e Costa. Esta última tive o privilégio de conhecer de perto visto que são de minha cidade de origem: Juiz de Fora.  Dona Maria Aparecida Costa, Sueli Costa, Telma Costa Lisieux Costa, Afrânio Costa, Élcio Costa, Branca Lima e Fernanda Cunha, a família Costa é talento musical jorrando por todos os poros. Cada integrante traz seu talento singular seja no ofício de tocar, cantar ou compor. Se fosse falar sobre cada membro dos Costa gastaria laudas e mais laudas, escolho então a cantora Fernanda Cunha, filha de Telma Costa, uma das cantoras mais promissoras que ouvi nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o bom cantor se avalia pela qualidade do seu repertório, Fernanda Cunha se lança no cenário musical com um repertório digno de quem sabe a que veio, no seu primeiro cd gravou Toninho Horta, Ivan Lins, Djavan e Sueli Costa, sob a direção do pianista e arranjador Márcio Hallack. Neste álbum de estréia Fernanda deixa evidente a beleza de seu timbre e o domínio técnico que a faz transitar com leveza e desenvoltura pelas canções que ora primam por certa levada swingada como quer Muito Obrigado  e O preferido, ora por canções que exigem densidade interpretativa como Vida de artista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu segundo trabalho inteiramente dedicado a obra de Sueli Costa e Johhny Alf, duas almas musicais que proclamam uma espécie de irmandade, traz arranjos primorosos de Cristovão Bastos, João Carlos Coutinho, Camila Dias e Jorjão Carvalho. As composições são envolvidas por toques de delicadeza e profunda sensibilidade cujo lirismo das construções melódicas de Sueli e Johhny dão suporte ao desabrochar da voz de Fernanda Cunha que desponta límpida e amadurecida: “É só olhar/depois sorrir/depois gostar”. Momento emocionante acontece quando tia e sobrinha interpretam Bóias de Luz, com letra impactante de Abel Silva: “Ah...essas palavras banais/dos boleros sensuais/são verdades diárias/são dores tão normais/ah...esses rostos comuns de tanta gente/ são como bóias de luz apagadas temporariamente”. O arranjo de Cristovão Bastos traz sua costumeira elegância econômica cuja malemolência suave e envolvente me permite uma sutil alusão ao desenho melódico de Resposta ao Tempo, o maestro impõe mais uma vez com propriedade sua assinatura. Olhos Negros recebe uma versão impecável do baixista Jorjão Carvalho que valoriza cada nuance da composição de Johhny Alf e constrói uma base que dá sustentação lírica ao canto de Fernanda Cunha que evolui denso e preciso: “Olhos negros/negros são os breus se não são meus ao meu olhar/olhos negros/por não serem meus serão do mar/mares negros”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Zíngaro, álbum inteiramente voltado para a parceria entre Tom Jobim e Chico Buarque, Fernanda Cunha brilha acompanhada somente pelo violão de Zé Carlos. Zíngaro é poesia da primeira a última faixa em que canções antologizadas como Pois é, Olha Maria, Eu te amo, Retrato em Branco e Preto, Anos Dourados e Imagina ganham versões repletas de frescor e verdade que resultam num sabor de fruto inaugural. Imagina resplandece como um dos registros mais belos de Zíngaro em que a voz de Fernanda passeia entre os graves e agudos com suavidade e afinação absoluta. Como ouvi repetidas vezes o instante em que ela parece tocar o céu com seu agudo cristalino: “Olha a chuva, olha o sol/olha o dia a lançar serpentinas,/serpentinas pelo céu/sete fitas coloridas/sete vias/sete vidas/avenidas/pra qualquer lugar/imagina, imagina”. Olha Maria, outra pérola da parceria Tom e Chico se realiza com o arranjo vigoroso de Zé Carlos cujo violão limpo e destituído de excessos virtuosísticos dá colorido a composição e ao mesmo tempo imprime uma marca única. Fernanda valoriza cada palavra com seu canto denso e plenamente integrado aos meandros da canção, por meio da voz da cantora e do violão de Zé Carlos os versos me invadem com intensidade e exasperação lírica: “Parte , Maria/que estás toda nua/que a lua, te chama,/que estás tão mulher/arde, Maria/na chama da lua,/Maria cigana,/Maria maré”. O disco se eleva sobretudo pela inteiração irrestrita entre Fernanda Cunha e Zé Carlos em que a voz e o violão se fundem em viagens repletas de sonoridades e deslumbramentos líricos. Vou ouvindo cada nuance, atentando para a beleza do timbre de Fernanda Cunha e a emoção compactada nas cordas de Zé Carlos: “Imagina, imagina, imagina/Imagina, imagina/hoje à noite/a gente se perder”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-3984644401688080?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/3984644401688080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=3984644401688080' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3984644401688080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3984644401688080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/11/imagina.html' title='Imagina'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNTPiiQ2NnI/AAAAAAAAAaU/O6W128tBUIs/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8305048514063807950</id><published>2010-11-03T19:45:00.000-07:00</published><updated>2010-11-03T19:49:01.848-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNIe4rJ6F5I/AAAAAAAAAaE/9DJ9gVlLOvs/s1600/Dani+Dani+Aragao.BMP"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 239px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNIe4rJ6F5I/AAAAAAAAAaE/9DJ9gVlLOvs/s320/Dani+Dani+Aragao.BMP" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535520850997548946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8305048514063807950?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8305048514063807950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8305048514063807950' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8305048514063807950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8305048514063807950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/11/blog-post.html' title=''/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TNIe4rJ6F5I/AAAAAAAAAaE/9DJ9gVlLOvs/s72-c/Dani+Dani+Aragao.BMP' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-6758377473291716007</id><published>2010-10-29T17:31:00.000-07:00</published><updated>2010-10-29T18:33:47.973-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o pianista, compositor e arranjador Dudu Viana</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TMtzi1cU64I/AAAAAAAAAZ8/MvNyieESCUw/s1600/dani+entrevista+dudu.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TMtzi1cU64I/AAAAAAAAAZ8/MvNyieESCUw/s320/dani+entrevista+dudu.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533643609453423490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TMtxppb94lI/AAAAAAAAAZ0/iPVWH4-vglI/s1600/dani+e+dudu.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TMtxppb94lI/AAAAAAAAAZ0/iPVWH4-vglI/s320/dani+e+dudu.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533641527466517074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: É uma satisfação estar aqui agora ao seu lado depois de tanto tempo. Emocionou-me te ver acompanhando Wanda Sá no Café Pequeno. Vamos falar sobre sua carreira, composições, novo cd. Tenho sempre feito a mesma pergunta a todos os entrevistados, como começou a música em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: A música começou em minha vida da seguinte maneira, meu pai era músico, meu avô é músico, meus tios são músicos, minha mãe não é musicista mas poetisa, sempre escreveu. Todos os irmãos por parte do pai dela são músicos, meu tio que era coronel da polícia militar da banda de música de Belo Horizonte, Marcos Viana é meu primo. Aos dez anos vendo o meu pai tocar num baile  comecei a estudar piano. O piano erudito estudei durante um tempo, depois fiz muito baile, comecei a estudar com a Ana Maria Vieira Ramos, comecei a tocar música instrumental e ao lado do contrabaixista Dudu Lima trabalhei durante cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você tem formação em conservatório?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Sim, mas não cheguei a concluir o curso técnico. Resolvi ir para o Rio para fazer faculdade de música com habilitação em composição. Lá comecei a diversificar, fiz o meu primeiro disco, fui catando um informação adquirida em vários lugares, muitos trabalhos em shows. A composição em minha vida é mais recente mas o lance de tocar é anterior, comecei a fazer shows com doze para treze anos e comecei a estudar piano com nove. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você já estava vocacionado, sabia que seria um músico profissional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Sim. Eu tinha outros talentos também, desde os sete anos que mexo com computador, informática. Só vim a entender mais tarde o que é a vida do músico profissional,  que não é aquela coisa mágica, inalcançável, hoje é uma coisa mais disciplinada pois estudamos, pesquisamos. Temos que vivenciar essa  polivalência onde o músico tem que ter noções técnicas de composição, arranjo, saber a utilização do instrumento dele também de maneira didática no momento em que for dar aula. Eu não sou apenas um concertista de piano nem arranjador, faço um pouco de cada coisa, mas hoje em dia direciono mais. Mas até eu entender isso que diz respeito a minhas possibilidades enquanto músico demorou um pouco. Eu fui estudando no segundo grau, levando a música como hobby até que chegou o momento em que me decidi definitivamente por ela, larguei a engenharia elétrica e fui fazer música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Seu primeiro cd foi financiado pela Lei Murilo Mendes não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Sim, foi aprovado em 2005 e lancei em 2008. Morei um tempo em Milão e pedi a prefeitura um prazo maior. Esse disco é composto de dez faixas em que oito composições são minhas, uma releitura do noturno de Chopin, opus 9 n2 em mi bemol cujo   arranjo numa levada  jazzistica é muito legal. Tem uma música minha chamada Eduarda, fiz com músicos aqui de Juiz de Fora que são Dudu Lima, Berval Moraes, Alexandre Schio, Glaucus Linx, Jonathan  que é um super contrabaixista, tem meu primo Daniel. Foi um disco que não tem muito o conceito de uma obra fechada, como se fosse a transposição de um momento de transição em que eu vivia na época, da música popular para a música erudita que estava vindo muito sobretudo na questão dos arranjos, a dúvida entre o elétrico e o acústico então tem faixa de piano, faixa de sintetizador. Tem coisa muito moderna, tem chorinho, é uma salada esse primeiro disco. Agora  estou fazendo um disco que é uma obra mais fechada, com uma concepção mais fechada mas que mantem a mesma formação do outro cd, ainda tem a questão do conceito quanto a formação das melodias e harmonias e chama-se Nublado. Inédito ainda, uma parceria minha com Walmer Carvalho, participam ele Wagner de Souza trompetista, Gladston na bateria. Foi tudo gravado no Nave ao vivo e numa tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: O estúdio Nave é um espetáculo e você com todo esse vigor criando no calor da hora, muito boa essa pulsação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Quisemos preservar esse vigor e frescor. Estava engavetado desde 2008. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Poderíamos dizer que você estava no entremear entre o jazz e o erudito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Não, na verdade eu estudei a música erudita quando criança mas sem entender muito porque eu estava fazendo isso. O meu trabalho sempre foi focado em música popular e quando entrei na faculdade começou aquela avalanche abrindo outros olhares para outras questões musicais. Então eu fiquei um pouco dividido entre sonoridades diferentes como registra o meu primeiro cd. Esse atual já está gravado, nó vamos mixar com muito cuidado e deve sair no começo de 2011. Oito faixas com seis composições minhas, duas em parceria com Walmer Carvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Vim recentemente a descobrir sua faceta de arranjador que me agradou muito através do ótimo Borandá meu Camará, do Roger Rezende em que você foi o responsável pela concepção dos arranjos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Posso falar que de uns três anos para cá estou centrando minha carreira mais no lance da produção, arranjo. Faço a direção musical dos artistas, preferi ficar no background e lidar com tudo desde a concepção. Sigo paralelamente a minha carreira solo, mas gosto muito de fazer arranjos para sopros, arranjos para cordas. Tem a composições eruditas da faculdade que tenho que fazer, peças para orquestra, peças para flauta, quarteto de cordas, mas esse lance do trabalho como arranjador me agrada muito. O trabalho com o Roger foi demorado pois nos apegamos as minúcias, selecionamos as canções, mexemos nos andamentos, na sonoridade. Tem a questão da tonalidade, experimentamos as tonalidades durante todo o disco procurando dar cores diferentes, texturas. Tem música que tem bateria, percussão, sopro violão e baixo, tem música que é só voz e violão, quer dizer, trabalhar o disco como obra mesmo, não só faixa a faixa mas as letras, como o arranjo pode facilitar a compreensão daquela letra, daquela mensagem. Isso é o que tenho trabalho mais e felizmente tenho obtido resultados bacanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Na entrevista que fiz com Roger Rezende ele se mostrou muito satisfeito com seus arranjos e comentou sobre sua sabedoria e sensibilidade para manter a essência musical dele, a marca do Roger Rezende digamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Cada artista tem uma maneira de trabalhar, o Roger é muito dado, uma pessoa muito generosa pois ele te dá todo o espaço para você apresentar a idéia, ele te oferece alternativas e tempo até que você se acostume a uma idéia nova. Isso é uma questão que nem todo o artista quer, pudemos testar arranjos. Tem músicos também que te entregam uma batata quente e querem que você resolva. Outros artistas que querem interferir até num bemol, numa introdução porque: "- ah eu acho que esse si bemol vai mudar toda a história". Tem artista que vai até o âmago, quer interferir em tudo. Outros te dão mais espaço, cada um tem seu jeito de trabalhar. Procuro sempre tentar manter a intensidade do artista procurando perceber as nuances de cada um e pretendo sempre ser coerente com a mensagem, com a concepção do disco todo, com a idéia original. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Mais transpiração que inspiração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Tenho um professor que diz que é dez por centro de inspiração e noventa de transpiração. Ontem estava conversando com um amigo o qual fiz o arranjo ontem, quando vem a idéia é muito bonito, mas até você fazer aquilo soar bem feito tecnicamente, pois você está fazendo os arranjos para outros tocarem. É preciso um conhecimento sobre harmonia, arranjos e também do desempenho dos instrumentos e do instrumentista. Uma coisa é você escrever uma peça para o Paulo Sérgio Santos tocar e outra você escrever para um iniciante, então você tem que saber para quem está escrevendo.   Então nesses noventa por cento de transpiração passa muita coisa dentro da cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você trabalhou com muita gente: Mieli, Oswaldo Montenegro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Quando fui para o Rio trabalhei com Mieli, Maria Gadu, faço parte da Rio Jazz Orquestra, Luiza Possi, fiz arranjo gravado pelo João Donato, agora com a Wanda Sá. Muita gente da música pop e sobretudo da bossa nova, tenho uma coisa muito ligada a bossa nova. Depois do falecimento do Durval Ferreira comecei a trabalhar com a filha dele, a Amanda Braga.Fiz trabalho com um cantor da época do Ed Lincon, um trabalho muito legal que agora o João Donato participou e o Marcos Vale. Essa galera do Sambalanço da bossa nova, tem a Karla Sabath que é uma cantora que  que fez uma espécie de drumming bossa que mistura coisas eletrônicas. Trabalho com o Roger, tenho um trabalho de gafieira em que tocamos todo sábado no bar Cariocando no Catete. Então é muita gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E uma diversidade que te dá um arsenal muito grande enquanto criador. Você está experimentando, conhecendo várias possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: E esse lance de fazer arranjo é muito bacana pois você ao tocar cria um certo entrosamento em que você acaba tendo que circular em tourné, o que prende um pouco. Trabalho muitas vezes dentro da minha própria casa fazendo os arranjos. É muito bom poder misturar esse monte de coisa e abrir a possibilidade de conhecer pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E os projetos atuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Estou fazendo o disco da minha esposa Roberta pela Lei de incentivo de Cataguases, estou produzindo dois cantores, um de música brasileira, outro de samba. Outro de música brasileira que consiste  numa coisa mais refinada, mais lenta, vamos gravar Sueli Costa que sei que você tanto gosta. Vamos gravar uma música belíssima de Túlio Mourão e Fernando Brant, gravada pelo Milton que se chama Interior, canção belíssima. Esse trabalho vai ser de trio: piano, baixo, bateria. E vou lançar o meu, pretendo rodar para divulgar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você foi para o Rio,  mas ainda mantém esse contato forte com Juiz de Fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Sempre venho aqui, estava fazendo show com Silvério Pontes, o Zé da Velha. Sempre estou vindo aqui para uma coisa ou outra, fiz lançamento da Milena, Lúdica Música. Tenho muitos amigos aqui, uma ligação forte com o Dudu Lima, pois foram cinco anos de convivência diária. Foram dois discos e dois DVDs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Aqui é um celeiro de grandes músicos, gente muito talentosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Aqui é um celeiro muito efervescente com músicos de padrão internacional. O próprio Dudu Lima, Glaucus que morou anos na França. Vários outros, o próprio Miltinho que trabalha muito tempo com Jô Soares, Joãozinho. Então tenho uma gratidão enorme, pois cheguei em Juiz de Fora e fui acolhido muito rápido, em três meses já estava tocando com os músicos da cidade, fazendo música instrumental. A Lei Murilo Mendes patrocinou meu disco, sou muito grato a Juiz de Fora e tenho um carinho enorme pela cidade. Penso em criar meus filhos aqui, quem sabe. Hoje em dia com as facilidades de transporte, tudo muito rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Tem agenda para Juiz de Fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Por enquanto não, neste final de ano estou envolvido com quatro discos. Estou fazendo poucos shows e me limitando a fazer shows eventuais quando me convidam, como por exemplo esse com a Wanda Sá. Não estou iniciando trabalhos novos de shows no momento, mas assim que finalizar este ano pretendo prosseguir.  Ano que vem no lançamento do cd novo provavelmente farei aqui no MAM, Pró-Música, Belo Horizonte, Rio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Maravilha, então pé na estrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Viana: Muito bom, foi muito bacana te encontrar no show da Wanda, na Bossa do Leblon (risos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: O prazer foi todo meu, sucesso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-6758377473291716007?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/6758377473291716007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=6758377473291716007' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6758377473291716007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6758377473291716007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/10/entrevista-com-o-pianista-compositor-e.html' title='Entrevista com o pianista, compositor e arranjador Dudu Viana'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TMtzi1cU64I/AAAAAAAAAZ8/MvNyieESCUw/s72-c/dani+entrevista+dudu.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-6563944527979448866</id><published>2010-10-26T10:45:00.000-07:00</published><updated>2010-10-26T12:36:05.379-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o cantor e compositor Roger Rezende</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TMcUFHIg9BI/AAAAAAAAAZo/ioFBP1yEWCk/s1600/10868_280x230.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 230px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TMcUFHIg9BI/AAAAAAAAAZo/ioFBP1yEWCk/s320/10868_280x230.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5532412745294607378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TMcT1CkV3JI/AAAAAAAAAZg/1p2Zjz6Vxjc/s1600/_+roger+resende.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 170px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TMcT1CkV3JI/AAAAAAAAAZg/1p2Zjz6Vxjc/s320/_+roger+resende.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5532412469191236754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Roger é um prazer e uma honra estar aqui com você. Vamos falar da sua carreira e de seu disco novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: O prazer é todo meu. Pois é, o Borandá meu camará é um disco que a gente fez com muito cuidado pela lei Murilo Mendes, procuramos trabalhar esse disco com muito carinho desde o momento da seleção das músicas até o processo final que foi a masterização. Foi um disco que demorou um pouco além do que prevíamos, mas o importante é que o resultado final foi muito satisfatório. Temos percebido a recepção boa através das pessoas que estão ouvindo. Tem uma base instrumental formada pelo grupo Tio Sam na frigideira, formado pelo Ângelo Goulart, Lula Ricardo e Dudu Viana que assina a produção do disco e é também o arranjador, além do Walber Carvalho no sax, Wagner Sousa trompete, enfim, galera da pesada. Tem também as participações especiais de Nanda Cavalcanti, Ricardo Itaboray e Dudu Lima. Então estou muito satisfeito com esse disco, pois conseguimos atingir o objetivo que estávamos idealizando desde o início, apesar da demora, mas para nós o mais importante é o resultado.Foi um disco que demorou um pouco mais em virtude de imprevistos relacionados a motivos pessoais de alguns que participaram, a questão de trabalho, tentar  viabilizar o trabalho com a equipe da forma como pretendíamos e com as pessoas certas. Mas o importante é isso, o resultado, seis meses, nove meses a mais ou a menos não vai mudar nada. O importante é que o disco está pronto e vamos procurar trabalhar bastante a divulgação desse disco para que no ano que vem possamos percorrer um circuito nacional, tanto em Minas como Rio e São Paulo. Pesquisar os Sescs que tem por aí, os festivais onde o trabalho se enquadrar melhor, pretendemos divulgar o trabalho fora daqui, queremos expandir. É um disco produzido aqui em Juiz de Fora pela Lei Murilo Mendes, mas que pretendemos mostrar fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: É um disco feito aqui, mas de altíssima qualidade que certamente alcançará uma amplitude que permite o acesso em qualquer lugar. É um disco que privilegia o repertório de samba, mas não é um disco chapado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: É um disco de MPB e o samba é uma faceta. O meu contato com o samba vem de muito cedo, então é impossível você falar do Roger Rezende sem associar ao samba, o samba é um ponto marcante da minha carreira e das minhas composições, mas não somente o samba, tem outras coisas, no disco tem valsa, bossa, baião, tem Algaravia que é um xote blues, essa é a música mais diferente do meu disco, é uma composição junto com  Kadu Mauad e Edson Leão. Eu acho que é um disco bem eclético até, mas tem essa coisa do samba. Os sambas que estão no disco são diferentes entre si, tem o samba jazz, o samba tradicional que é Agradecimento, tem um partido alto, você ouve o Zarolho que é um samba diferente com relação ao padrão do samba clássico, samba raiz. Sogra Coral já é um partido alto. Samba pra dois é um samba bossa, então o que priorizamos nesse disco é a música brasileira, os gêneros da música brasileira como o choro, o samba, a bossa, o baião. Então acho que esse disco se resume numa coisa que se chama  Música Popular Brasileira, que é a grande paixão da minha vida em termos de trabalho, eu gosto de vários estilos musicais mas o que considero que faço melhor é a música popular brasileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Que maravilha  a canção Agradecimento em que você faz homenagem a grandes personalidades do samba local e nacional, Dona Ivone Lara ao lado de Mamão e Carioca. Temporã também é uma música belíssima que traz a marcação do baixo do Dudu Lima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Temporã é meio uma valsa jazz, uma faixa muito elogiada em parceria com o Kadu Mauad. Eu sou apaixonado por essa música, eu e Kadu temos uma sintonia muito boa. Destaco a participação super especial do Dudu Lima no baixo acústico, o Leandro Schio na vassourinha e o Dudu Viana.  A letra é do Kadu Mauad, que é um dos parceiros mais presentes no disco. Não é uma música fácil de cantar, mas nos concentramos tanto na atmosfera da canção, é meio uma valsa jazz. Eu e Kadu temos uma sintonia muito boa de composição, ele me manda letras, às vezes faço melodia e mando para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você tem dois traços que me chamam a atenção que é o lirismo e o humor, um lirismo meio buarqueano. Humor que vai despontar na Sogra Coral, uma canção que poderia plenamente ser gravada por Zeca Pagodinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: A Sogra Coral é bem interessante, talvez seja a música mais pop do disco em função dessa abrangência em falar com uma linguagem popular, da brincadeira, de uma certa ironia e ao mesmo tempo tirando onda com a cara da  Sogra Coral (risos). Mas é leve, não querendo deturpar a imagem de ninguém, mas as cobras corais existem (risos). Eu acho que um pouco desse lirismo tem muito do Kadu, ele é um músico, cantor e compositor, mas que como letrista traz algo voltado para dentro, você consegue visualizar algumas coisas nas letras dele, mas é mais o pensar do que o ver. Diferente de outros compositores que às vezes contam a história e você visualiza a cena.  Você pode ver o Zarolho por exemplo: “ Dou de cara com outro cara,/ sem saber que ele sou eu/ Dá no mesmo olhar-se a cara/E dizer que em nada leu”. Eu gosto muito dos meus parceiros, nos damos muito bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Tem uma simbiose né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Tem, e ao mesmo tempo que tem a coisa espontânea tem a coisa pensada. Tom Jobim dizia isso, que era cinco por cento de inspiração e noventa e cinco de transpiração. Tem músicas que às vezes já vem prontas, tem músicas que vem noventa e nove por cento de inspiração.  Eu vi até uma vez o Arlindo Cruz falando sobre isso com relação a Tom Jobim, com universos musicais totalmente diferentes mas tudo dentro de uma cidade chamada Rio de Janeiro.  Tem essa coisa da elaboração harmônica e tudo mais. Tem sambas que você vai ter mais dificuldade para chegar num determinado resultado, mas  já tem aquela fórmula. Inclusive o Zarolho que tem uma forma muito bem elaborada, na verdade é o resultado rápido de um diálogo com o Kadu. Eu passei a melodia para o Kadu e em meia hora ele me ligou dizendo que estava pronto. Isso tem muito a ver com a sintonia entre os parceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Até retomo a mesma pergunta que fiz ao Cristovão Bastos, que é a questão de que com cada parceiro implica uma construção diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Pois é, tem características diferentes. Tem músicas que vão demorar um ano, vamos deixando acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: O Caymmi ficava anos, às vezes décadas refletindo sobre dois versos, principalmente em suas canções praieiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Isso é interessante. Nesse processo do disco acabei tendo que me dedicar bastante também à questão executiva, de empreendimento. A Lívia Andrade é a produtora de tudo, mas de certa maneira tive que me manter por perto durante todo o processo.   Isso me travou um pouco para compor até o início deste ano. Passou o lançamento e em julho já comecei a compor novamente. Kadu já deve estar com umas três melodias minhas para letrar. Ele me manda muitas letras por email, então é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Esse seu trabalho sucede o do Ciulfo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: O Ciulfo foi em 2004, um trabalho de resgate de um compositor daqui de Juiz de Fora que teve a maior parte de suas músicas compostas na década de cinquenta e que deixou uma obra muito bonita. Através da proposta do Márcio Gomes topei entrar nesse projeto, esse trabalho foi na verdade um presente do Márcio Gomes.   Ele como produtor executivo e musical é muito eficiente, ele conhece todo o trajeto para se chegar num resultado legal.  É louvável essa iniciativa dele. Estou procurando colaborar para que esse resgate seja feito. Quando está na mão do Márcio fico tranquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Na feitura você procurou manter a essência do Ciulfo ou fazer uma leitura sua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: A gente procurou manter a atmosfera dos anos cinquenta, mais acústica com pandeiro, cavaquinho, deixar mais na onda do Ciulfo. O Ciulfo já tinha essa malandragem de divisões meio diferentes, é um trabalho muito bacana. Foi mais nessa roupagem do autoral.  Esse disco autoral que é o Borandá já vem com uma outra concepção autoral, contemporânea. Mais uma vez falo do nome de Dudu Viana que foi uma pessoa fundamental para o resultado do disco como um todo, é muito bom trabalhar com um produtor que gosta das suas músicas e tem um material legal para produzir e fazer os arranjos. Por exemplo uma introdução minha , uma frase de violão, ele manteve isso, eu tenho que priorizar a minha identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Interessante que eu conhecia mais o Dudu enquanto músico de jazz e ele soube manter a sua integridade musical. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Por causa do Tio Sam, nós tocávamos esse repertório nos bares aqui. Quando fomos tocar todos os integrantes já tinham incorporado umas cinco músicas do disco. Tocamos em gafieiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você falando em gafieira e eu acabei de escrever uma crônica sobre gafieira inspirada no belo cd do Cristovão Bastos chamado Curtindo a gafieira. Interessante a atamosfera sonora das gafieiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Bacana, ele faz arranjos maravilhosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Hoje em dia não é fácil vender cd, temos tentando por diversas formas divulgar esse trabalho do Borandá meu Camará até porque ninguém hoje entra numa loja para comprar um cd. Eu disponibilizo as minhas músicas, você pode entrar no site Um que tenha e irá encontrar o meu disco. Não tem porque ficar segurando, temos que mostrar a cara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Estamos fazendo meio ao contrário a nossa conversa, então entro com a pergunta usual, quando a música começou em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Vem de família, meu avô tocava violão e era multiinstrumentista. Dentro de casa no quarto de som era meu pai ouvindo bossa nova e minha mãe ouvindo Toquinho e Vinicius, meu pai gostava muito de jazz também. Ouvia Stan Getz com João Gilberto e tudo mais. Quando você ia para o lado de fora onde está o pessoal fazendo a comida ouvia Roberto Ribeiro, Clara Nunes no rádio. Me vinham então informações de vários estilos. Clara Nunes foi uma figura que sempre me encantou  quando a via na televisão. Então essas informações se cruzam, a coisa mais sofisticada da bossa nova quando fui aprendendo a fazer os primeiros acordes. Depois fazendo aulas com meu avô de cavaquinho, na verdade meu primeiro instrumento foi o cavaquinho talvez em virtude da idade pois eu era pequeno. Depois aos doze, treze anos comecei a tocar um pouco de violão e conhecer Gil, Caetano, a MPB que me deixou alucinado. Teve uma época em que fiquei louco pelo Caetano, quando aprendia a tocar uma música ao violão ficava todo bobo. Com quinze anos comecei a me apresentar na minha cidade em São João Nepomuceno nos barzinhos e tal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Autodidata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Um pouco, pois depois quando me decidi pela música comecei a fazer umas aulas de canto. Pois o grande sonho aos meus treze anos era me tornar jogador futebol. Então eu tinha aquela esperança que iria jogar no Rio, mas tinha muita gente que ia para o América. Nesse meio tempo comecei a tocar em times da região. Começou a entrar um pouco da boemia que foi atrapalhando, essa vivência da juventude com a música e tal. São João era uma cidade muito festeira, hoje não sei como está. Era ir para o barzinho e sair só cinco da manhã. Amigos que me mostraram Geraldo Azevedo, essa turma do Xangai, Elomar, me aplicaram Lô Borges, enfim fui tendo essas influências através da boemia e dos amigos. Mas meu caminho não era o futebol, ele me ajudou no sentido na noção de que se pode ganhar e perder, mas respeitando a virtude dos outros, saber aceitar a própria virtude e a do outro. Então fui para o lado da música e fiz uma boa escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E quanto aos projetos atuais que transcendem a questão do disco? Estávamos falando do seu empenho junto com outros músicos de resgatar a história da música popular de Juiz de Fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Sobre isso é importante falar sobre as articulações que um grupo de Juiz de Fora está fazendo, através do Fred Fonseca que é conselheiro municipal, ele está conseguindo articular e estou junto com ele nesse processo de buscarmos condições melhores para o músico para que possamos viver do trabalho autoral. Será tão complicado assim vivermos do nosso trabalho? Hoje não existe mais aquilo da pessoa bater na porta da sua casa e dizer: “- Seu trabalho é maravilhoso, vou te levar para São Paulo, vou te levar para Paris”. Então acho isso difícil de acontecer hoje. É criar mecanismos para que possamos ser reconhecidos como trabalhadores, enfim, o músico que trabalha: compõe, toca e canta. O músico tem que sair dessa de ir ao barzinho para não ganhar nada e ainda ser lesado. Estamos tendo um apoio do pessoal de BH.  Precisamos mostrar o que Minas Gerais está produzindo hoje, aqui é o lugar em que se faz a melhor música do país hoje, mineiro não está para brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Onde está o foco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: O foco permanece no eixo Rio São Paulo. E não queremos virar Michael Jackson, Ivete Sangalo, não é showbusiness. Dentro da concepção independente onde há o esclarecimento do que é cada um temos o objetivo de alcançar nossos objetivos com o pé no chão. Para muita gente não existimos, pois nunca fomos ao programa do Faustão. É uma ignorância muito grande, a idéia é termos um reconhecimento dentro do que fazemos para que possamos viver, não sobreviver. Acredito que por meio dessas iniciativas do Fórum dos músicos vamos conseguir alcançar uma representatividade significativa, temos que chegar organizados, fica mais fácil para conseguirmos parcerias com empresas, governo federal etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Pois é, não foi ao Faustão não existe. Você tocou num dado fundamental que é a questão do músico sobreviver através de sua música, pois o que mais se vê é cover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: É bacana fazer cover como faço nas rodas de samba com o repertório dos meus compositores preferidos, mas o negócio é que faço cem shows de samba e um do meu disco. Então que eu possa fazer cinquenta shows de samba e cinquenta do meu disco, pois também não quero largar as rodas de samba que considero um trabalho importante de resgate. Acho que é só equilibrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Então não tenho mais o que dizer, muito obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger Rezende: Eu é que agradeço essa oportunidade e como diz o meu disco: Borandá meu Camará.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-6563944527979448866?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/6563944527979448866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=6563944527979448866' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6563944527979448866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6563944527979448866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/10/entrevista-com-o-cantor-e-compositor_26.html' title='Entrevista com o cantor e compositor Roger Rezende'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TMcUFHIg9BI/AAAAAAAAAZo/ioFBP1yEWCk/s72-c/10868_280x230.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-2235616348232480113</id><published>2010-10-16T17:17:00.000-07:00</published><updated>2010-10-16T19:10:09.008-07:00</updated><title type='text'>Curtindo a gafieira de Cristovão Bastos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLpBkXHUbTI/AAAAAAAAAZQ/_xK1eZGVgUQ/s1600/CRISTO~1.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 297px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLpBkXHUbTI/AAAAAAAAAZQ/_xK1eZGVgUQ/s320/CRISTO~1.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5528803585486515506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLpBb8M8qKI/AAAAAAAAAZI/zR1bT3-kPtU/s1600/4732079888_5c31e6164b_m.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 186px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLpBb8M8qKI/AAAAAAAAAZI/zR1bT3-kPtU/s320/4732079888_5c31e6164b_m.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5528803440823412898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fim de tarde no estúdio em Copacabana, o violonista João Lyra risonho e todo despojado chama: “- Vai maestro, passa a canção do Vinícius pra gravar”. Denso e compenetrado Cristovão Bastos se dirige ao piano enquanto aproveito para me sentar no sofá de frente para o vidro que nos separa, momento de sublime apreensão. Uma emoção indescritível me toma no instante em que o vejo-ouço tocar as primeiras notas, seus dedos deslizam delicados e precisos pelo piano extraindo o belo em sua essência mais pura. Um momento de delicadeza ímpar que me remete ao instante em que ouvi pela primeira vez Resposta ao Tempo na voz de Nana Caymmi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Bastos é música pura que ressoa por todos os poros, no toque minimalista e jobiniano de seu piano, na feitura dos arranjos elegantes, na sua fala repleta de nuances de sóis, bemóis e sustenidos. Qualquer frase que joga assim descompromissadamente traz no fundo um arranjo repleto de notas coloridas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei contato com a obra de Cristovão Bastos por meio da audição de suas composições em parceria com Paulinho da Viola, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro e Chico Buarque. Sua música transcende gêneros e rótulos e traz uma marca de intensa brasilidade como explicita a belíssima Mandacarú Sertão do Caicó, que extrai o lirismo árido e quente de um Brasil de Glauber e Graciliano. A riqueza dos arranjos jamais suplanta a essência genuína de um artista que se apega aos pequenos detalhes, miudezas da vida que aos seus olhos e ouvidos se transformam em poesia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aprendizado construído de forma quase autodidata incorpora o percurso pelos bares e teatros da vida acompanhando conjuntos, orquestras e cantores. Vencedor de inúmeros prêmios entre eles oito prêmios Sharp, compôs trilhas inesquecíveis para o cinema como as dos filmes Mauá, Zuzu Angel e O imperador e o rei. As composições de Cristovão trazem sempre sua assinatura elegante em que o piano desponta econômico, preciso e sutilmente delicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou-me ontem enviado pelo maestro o excelente Curtindo a gafieira que reúne o repertório que Cristovão desfilou pelas gafieiras do Rio de Janeiro. Cheio de swing e certa sensualidade envolvente que nos convida a dançar, ou ficar quietinho num canto recolhido ao lado de um par. Sérgio Cabral enaltece: “Cristovão Bastos, um grande compositor e um dos nossos melhores arranjadores musicais, evitou, neste trabalho, ceder à vaidade nada rara em músicos do primeiro time de pretender um brilho maior do que aquele que o próprio gênero sugere. Em outras palavras, ele não quis “renovar” a música de gafieira. Foi assim que, em vez de competir com o gênero, contemplou-o como a melhor gravação já feita, em todos os tempos, da música de gafieira.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curtindo a gafieira é música em estado de enamoramento, “Vamos dançar/ou ficar abraçados/sei lá”, como me aquece a memória os versos do meu saudoso amigo João Medeiros, que neste momento ouviria esse som em plena ebulição lírica. Ouço Partido da canja, e por essas associações inexplicáveis despontam os ecos da tocante  trilha de Gato Barbieri para O último tango em Paris, de Bertolluci. A música tem essa propriedade sensorial,  e bom mesmo é nos deixar levar por seus meandros e recônditos. Curtindo a gafieira é sobretudo um som que se faz com a alegria e o prazer de tocar, cujo desempenho de músicos do porte de Jorge Helder, João Lyra e Dirceu Leite dão grandiosidade e estilo. Nas gafieiras sobrevive um pacto em que ninguém pode recusar se for chamado para dançar, nesse caso as composições de Cristovão são mais do que convidativas - envolventes, instigantes e acolhedoras.  O piano jobiniano dialoga com o sax, que dialoga com a bateria, que dialoga com a guitarra, que dialoga com o contrabaixo, que dialoga com o bongô e que resulta num verdadeiro casamento musical. Som que transforma qualquer um num bom pé de valsa, vamos dançar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-2235616348232480113?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/2235616348232480113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=2235616348232480113' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2235616348232480113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2235616348232480113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/10/curtindo-gafieira-de-cristovao-bastos_16.html' title='Curtindo a gafieira de Cristovão Bastos'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLpBkXHUbTI/AAAAAAAAAZQ/_xK1eZGVgUQ/s72-c/CRISTO~1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-2979276918656168207</id><published>2010-10-15T19:19:00.000-07:00</published><updated>2010-10-15T20:48:47.397-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com a cantora Aretha Marcos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLkRqrR5FOI/AAAAAAAAAY4/Zd5qKtibFCo/s1600/areta.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 317px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLkRqrR5FOI/AAAAAAAAAY4/Zd5qKtibFCo/s320/areta.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5528469442443941090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: É um prazer, uma honra e um misto de emoção conversar com você. De certa forma você fez parte do meu imaginário e o de muitas outras crianças que na época estavam começando a cantar, enfim, tomar um contato com a nossa música. Os programas infantis da Globo em que você participou são antológicos. A música começou cedo em sua vida não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Sim, e acredito que realmente é um privilégio quando a vida já acena um caminho. Sou muito grata pela família que nasci e por minha mãe ter deixado eu participar destes especiais musicais. Foi muito impactante conviver com tantos artistas e ver como a música de cada um me influenciou ao longo do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Era uma época em que se tinha muita qualidade musical, recordo-me de programas dedicados a Vinícius de Moraes por exemplo. O tempo passou e você aproveitou esse legado familiar. Fale-me então sobre o seu novo CD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Foi um processo longo até a decisão de fazer o disco, mas quando surgiu, foi bem rápido. Eu já tocava há bastante tempo com Estevan Sinkovitz, Léo Freitas e o Caio Lopes. Quando falei pela primeira vez sobre o disco com eles já sabia que queria acrescentar teclado. A escolha do Ricardo Prado foi perfeita, somou e completou o time. Me senti segura e marquei estúdio para levantarmos os arranjos juntos. Sabia apenas que queria regravar duas canções : Non je ne regrette rien e Resposta ao tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Dois clássicos, duas belíssimas canções. Estas duas resolvi ouvir de primeira, de certa maneira você demonstrou ousadia na concepção do arranjo de ambas. Como isso foi pensado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Quando eu estava pensando no repertório buscava uma temperatura para o palco. O disco nasceu da necessidade de ter o meu trabalho para dar seguimento aos shows. Eu amo o palco. Então eu já sabia que queria as duas profundidades das duas canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Em Resposta ao Tempo você parece dar ênfase a certa dramaticidade que é sugerida pelo pontuar da voz em consonância com as batidas incisivas da bateria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Sim, eu primeiro cantava ela com muita voz e peso, mas no dia da gravação a voz ficou pequena, quase falada, e assim está até hoje, é assim que canto no show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Sim, é um canto falado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Resposta ao Tempo me sugere transformações, crescimento, cura, entrega, paixão, força de alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: É muito bonita a forma como se fala do tempo, sua circularidade que é sugerida tanto na letra de Aldir Blanc como na bela música e arranjo de Cristóvão Bastos. O tempo numa dimensão meio metafísica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos:  Embora a pessoa esteja no escuro, quer dizer, não é bem escuro, é no nada, refletindo...Olhando de fora para dentro, na música de Piaf é um acerto de contas também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você é tão jovem mas já ilustra um percurso que lhe permite dizer que não se arrepende de nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos:É a certeza de ter escolhido o caminho certo, eu saí de casa aos 14 anos.. Posso dizer que conheço a luta pela vida digna através da música, só sei cantar profissionalmente. Mais da metade do que tenho hoje consegui através da música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Guerreira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Não me arrependo de ter sido criança prodígio, não me arrependo de não ter sido nada durante longos anos para quem me admirou como artista quando criança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Percebi em seu trabalho uma forte inclinação performática que se justifica até por sua relação de paixão pelo palco. Tem uma faixa intitulada Escada abaixo em que você brinca estabelecendo um diálogo consigo mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Essa música é ótima, eu quis me mostrar sem medo de julgamentos. A música diz que um dia vai jogar alguém escada abaixo... normalmente a gente quer esconder nossos desejos escuros. Eu queria era por para fora. Meus amigo Eduardo Pitta me entregou a música e eu disse na hora que iria gravar, foi o primeiro arranjo a ser feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Me chamou atenção a concepção gráfica do cd, bela diagramação com desenhos e sugestões, o cd demonstra um trabalho muito cuidadoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Você não pode imaginar como eu sofri comigo mesma, a verdade é que estou em fase de construção eterna (risos). As coisas precisam demais acompanhar o meu ritmo, como o disco foi feito e a capa foi feita muito depois, mudei o artista gráfico três vezes, não por culpa deles, mas minha. A Aretha da capa, contracapa e encarte ainda estava chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: É muito bonito e delicado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: você acredita que quem acabou fazendo foi o primo do meu marido? Paulo Cumino, um super profissional que realizou em tempo mínimo, eu sou apaixonada pelo disco Dani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Certos improvisos que acabam resultando em maravilhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Sou muito grata aos músicos de uma forma inexplicável, o disco pronto me curou de muitos bloqueios, eu não mostrava para eles minhas músicas, só a dos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Fazê-lo serviu como uma sessão intensa de psicanálise?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: É um disco de catarse total, compus músicas sem instrumento, cantei para os músicos e eles fizeram o arranjo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: O disco tem um caráter hibrido que entendo até como resultante da sua faceta performática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: É “A mulher do sacana” fiz ao violão que toco mal e porcamente. Mas depois do disco já fiz outras músicas como Declaração e Café da manhã ( apresento esta no show de lançamento). “Na telha” por exemplo, eu já conhecia o trabalho do Kleber Albuquerque faz algum tempo e gostava demais, quando o convidei para gravar ele topou. Eu queria algo diferente para a música, estava no carro na Vila Madalena quando ouvi um som de uma banda e fiquei maluca, desci e fui atrás. Sentei no bar e comecei a ouvir, acabei convidando eles para tocar na música Telha. São os River Boat’s do jazz, fazem um jazz tradicional de New Orleans. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: O cd passa para o ouvinte essa noção de integração, é bastante visível a inteiração entre vocês, um trabalho que resulta de um pensar em equipe. Isso é uma grande qualidade visto que o que tem marcado as gravações hoje em dia é a impessoalidade, um músico coloca seu instrumento na mesma faixa que o outro mas não se encontram para tocar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Olha, para mim seria difícil assim, eu preciso da vibe, da reunião das pessoas, isso para mim é fundamental, principalmente a liberdade de expressão. As vezes um discorda, mas tudo bem, cada um mostra as suas idéias. Nós só crescemos com isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você é uma cantora que possui esse talento para transitar entre os gêneros. Do jazz a uma balada pop, passa para uma canção mais dramática e percorre tudo com muita personalidade. Você já cogitou gravar um disco com as canções de seu pai fazendo uma releitura sua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Então, eu fiz e saiu em DVD pela Europa Filmes. Não teve repercussão, pois era a primeira vez que eu estava a frente com parceiros de uma coisa que começou pequena e tomou um vulto que eu não podia imaginar. Nós fizemos tudo lindo e na hora da divulgação acabou o dinheiro, mas foi a coisa mais linda e incrível, trabalhar com aqueles músicos e com o Bocato, eu cresci muito. Todos me ensinaram demais e pude contar com a presença de grandes amigos do meu pai, Fagner e Peninha, além do Caçulinha. Eu acredito que um dia as pessoas ainda possam descobrir esse trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Infelizmente esbarramos cada vez mais com essa questão da mídia, da não valorização da qualidade. Este seu cd está saindo por alguma gravadora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Sim, Selo Discobertas e o produtor é o Marcelo Fróes, do Rio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: A internet é um ótimo veículo também não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Nossa, sem internet sei lá o que seria de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela aragão: Mas esqueci de falar cobre um canção que considero ponto alto no cd, chama-se Malabarista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Ela foi ganhadora do prêmio de melhor composição na faculdade ULM e quando chegou nas minhas mãos era um samba pois eu cantava muito samba nos shows. Entretanto não sei o que houve, não consegui fazer nada voltado para o samba no estúdio, então transformamos ela completamente (risos). A Marília disse que gostou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Então você mudou a levada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Sim, totalmente. A canção Tempero por exemplo, o disco já estava fechado, mas eu fui num bar com um amigo e ele me saca da mochila a música e eu fiquei tão maluca que gravei ele cantando no celular. E no dia seguinte levei para o Ricardo e o Estevan ver e em dois dias ela estava pronta, acho que o disco é uma Aretha que as pessoas terão de conhecer, não é a Arethinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E os projetos atuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos:Trabalhar muito o disco, fazer muitos shows, além de tudo o inesperado e bom que a vida há de trazer para mim (risos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Super obrigada Aretha, foi um prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aretha Marcos: Também adorei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-2979276918656168207?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/2979276918656168207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=2979276918656168207' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2979276918656168207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2979276918656168207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/10/entrevista-com-cantora-aretha-marcos.html' title='Entrevista com a cantora Aretha Marcos'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLkRqrR5FOI/AAAAAAAAAY4/Zd5qKtibFCo/s72-c/areta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-2701344461581534067</id><published>2010-10-14T12:58:00.000-07:00</published><updated>2010-10-14T13:07:08.256-07:00</updated><title type='text'>Fragmentos amorosos de Rosa Emília</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLdig88VZdI/AAAAAAAAAYw/SRNd2o6bfbU/s1600/rosa_emilia.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLdig88VZdI/AAAAAAAAAYw/SRNd2o6bfbU/s320/rosa_emilia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5527995385875097042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLdiUs4P8EI/AAAAAAAAAYo/el27iF2MoFI/s1600/rosa_emilia_album.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLdiUs4P8EI/AAAAAAAAAYo/el27iF2MoFI/s320/rosa_emilia_album.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5527995175404564546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o meu amor &lt;br /&gt;com gosto de sol sustenido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As relações de amor têm suas diversas facetas e desdobramentos, me pego aqui neste momento pensando por meio das reflexões amorosas reunidas em Fragmentos de um discurso amoroso, de Roland Barthes. Do encantamento idílico, passando pela euforia, exuberância e exasperação, Barthes fala de amores próximos e distantes, milenares e atuais, vivências que certamente cabem no meu arquivo confidencial. O escritor francês configura o quadro da solidão amorosa enaltecida de um brilho fosco: “saber que não escrevemos para o outro, saber que essas coisas jamais me farão amado de quem amo, saber que a escrita não compensa nada, não sublima nada, que ela está precisamente ali onde você não está – é o começo da escrita”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em arquivo, acabei de retirar dos meus guardados o tão belo CD “Álbum de Retratos” de Rosa Emília, que recebi da própria em meados de março do ano passado. Falar sobre Rosa Emília e Cacaso é transportar-me para um universo de profundo lirismo, musicalidade e delicadeza. Tomei contato primeiro com as letras de Cacaso, em seguida mergulhei em seus poemas repletos de poesia e de certo tom de coloquialidade : “Meu verso é profundamente romântico/Choram cavaquinhos luares se derramam e vai/ Por aí longa sombra de rumores ciganos/Ai que saudade que tenho de meus verdes anos!”. Tanto vivenciei Cacaso que acabei transformando minha paixão em dissertação de mestrado em 2004, e num cd inteiramente dedicado a suas letras em parceria com a compositora Sueli Costa. Respirei, li, cantei e absorvi Cacaso por uns bons anos dessa minha pequena-longa estrada da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álbum de Retratos é um trabalho que exala emoção da primeira a última faixa, Rosa Emília selecionou composições pouco difundidas pelo grande público, mas que saltam aos ouvidos e demais sentidos por sua profunda beleza. Parcerias com Novelli, Sueli Costa, Nelson Angelo, Joyce, Sérgio Santos e Olivia Bygton ganham nova estatura com a voz suave e simultaneamente personalíssima de Rosa, acompanhada por alguns dos respectivos parceiros de Cacaso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álbum de retratos é uma ode aos encontros, estes que trazem legados de sonhos e deslumbramentos. Desponta suave e com gosto docesalgado a poética das águas de um mineiro que se emaranhou pelas ondas densas e perturbadoras do amor inundado de entrega, toca fundo a canção título que traz a voz de Rosa acompanhada pelo piano jobiniano de Sueli Costa: “Lá vou eu perseguir os seus passos/Lá vou eu/Insistir em seus fracassos/Lá vou eu/Machucado e iludido/Ser de novo envolvido/Pela mesma solidão”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perfume de cebola, composição em parceria com Filó Machado traz toda a leveza bem humorada de Cacaso cujo frescor dos versos emana a atmosfera de um eu poético ligado as coisas simples da vida, como inscrevem as palavras: “Quando o beijo é sincero/Tem perfume de cebola/Escutei da pomba gira/O que ouvi da pomba rola/Meu amor foi me deixar/Pela questão mais tola”. O violão sincopado e cheio se swing de Filó Machado se emaranha com a voz plena de eros de Rosa Emília, “Feito flecha, feito fogo, feito raio,/sabor de fruta madura/Amor de mulher madura”. Cacaso entendia as miudezas da vida, sobretudo as mulheres.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendeiro do mar, poema que dialoga com o antológico Fazendeiro do ar de Drummond consiste no momento sublime do disco onde a mineiridade de Cacaso se funde ao deslumbramento pela poética das águas. Mar instável e perturbador como quer também a belíssima “Amor Amor”: “Quando o amor tem mais perigo /É quando ele é sincero”. Ouvi “Fazendeiro do mar” inúmeras vezes e sem conter as lágrimas,  apreciando cada nuance do violão expressivo de Sérgio Santos que reproduz a sugestão do ondular das ondas entrevistas pelo olhar de Cacaso. Rosa Emília canta viceralmente, não perde uma nota - densa, emocionada e precisa essa mulher mergulha tão fundo que faz doer:  “Mineiro tem mar de cio/Mineiro tem mar de fonte/Mineiro tem mar de rio/Mineiro tem mar de monte/Mar de mineiro é horizonte”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O humor que retoma o ideário poético da geração mimeógrafo se realiza com maestria na parceria com Nelson Angelo em Deixa o barraco rolar. Nelson foi um dos parceiros mais assíduos de Cacaso, seus arranjos permeados de lirismo e sofisticação estabeleceram um equilíbrio perfeito com a poesia de Cacaso. Em Mar de mineiro, cd de Nelson Ângelo exclusivamente dedicado a parceria com Cacaso salta aos olhos o doce bilhetinho do poeta: “Nérsim/Você é uma referência pra mim/Como é Vila Lobos, como é Tom Jobim:/se eu fosse músico gostaria de compor como você:/por agora e pelo sempre”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas demais canções como Eu te amo, Lua de Vintém, Dona Doninha, Dito e feito e Eu te amo também subsiste a atmosfera romântica e envolvente em que os versos sugerem outras modalidades de encontros amorosos. O resgate delicado do legado da infância retoma novamente o diálogo com a poética drummoniana nos versos sensíveis de Dona Doninha: “Meu avô chamava Juca/Minha avó D. Doninha/Ele dava pra sinuca/Ela dava pra santinha”. Poesia pura em cada entoar de uma nota, em cada soar de uma sílaba. Minha vontade é ir cantando junto perseguindo cada meandro da poesia sutil e grandiosa de Cacaso. Vou pensando nos amores, no meu amor com gosto de sol sustenido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-2701344461581534067?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/2701344461581534067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=2701344461581534067' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2701344461581534067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2701344461581534067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/10/fragmentos-amorosos-de-rosa-emilia.html' title='Fragmentos amorosos de Rosa Emília'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TLdig88VZdI/AAAAAAAAAYw/SRNd2o6bfbU/s72-c/rosa_emilia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-3648749623870006257</id><published>2010-10-07T05:01:00.001-07:00</published><updated>2010-10-07T05:12:13.861-07:00</updated><title type='text'>Ensaio</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TK24fZtcDII/AAAAAAAAAYg/ApYMpisp5pg/s1600/DSC01656.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TK24fZtcDII/AAAAAAAAAYg/ApYMpisp5pg/s320/DSC01656.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525275167470390402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-3648749623870006257?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/3648749623870006257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=3648749623870006257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3648749623870006257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3648749623870006257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/10/ensaio.html' title='Ensaio'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TK24fZtcDII/AAAAAAAAAYg/ApYMpisp5pg/s72-c/DSC01656.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-401973367129753588</id><published>2010-10-03T11:33:00.000-07:00</published><updated>2010-10-05T20:12:34.655-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o pesquisador de música popular e historiador Alberto Moby</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TKjdA3FkCiI/AAAAAAAAAYY/G9fhm1oGLF4/s1600/CAPA+do+Sinal+Fechado.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 178px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TKjdA3FkCiI/AAAAAAAAAYY/G9fhm1oGLF4/s320/CAPA+do+Sinal+Fechado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523907949826935330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TKjav3HP9kI/AAAAAAAAAYI/xTaP0cMTwWc/s1600/Image.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TKjav3HP9kI/AAAAAAAAAYI/xTaP0cMTwWc/s320/Image.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523905458752976450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como surgiu a música em sua vida? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Não sei direito como surgiu a música na minha vida, mas acho que foi mais ou menos assim: Eu sou o filho mais velho de seis. Quando eu tinha por volta dos 5 anos minha mãe já tinha mais 2 filhos. Pra dar uma folguinha pra ela nas tarefas domésticas, meu pai me levava de manhã pra casa dos meus avós maternos, que era pertinho.Minha avó passava o dia inteiro ouvindo rádio. Rádio JB, que só tocava MPB, bossa nova, jazz (estávamos no começo dos anos 1960). Rádio Tupi, que tocava os já clássicos da Era do Rádio; Rádio Mayrinck Veiga, com programação idem; Rádio Nacional, com os anos finais dos programas de auditório, tipo César de Alencar, onde iam Cauby Peixoto, Ângela Maria, Emilinha Borba etc. Na casa que dava fundos para a dos meus avós morava um famoso cavaquinhista da época, tinha um grupo de choro - um "regional", como chamavam na época - chamado Regional do Arlindo. Ele fazia parte do cast da Rádio Tupi e eu morria de orgulho de ser vizinho dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:   Uma entrada no universo musical em alto estilo e diversidade não é Moby?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Pois é. Além disso, havia as meninas, adolescentes, do meu bairro, que estavam entrando na era da Jovem Guarda. Me lembro bem de três, cada uma fã de um ídolo diferente: Lila, fã do Jerri Adriani; Ceição, fã do Wanderley Cardoso; e Aninha, fã do Roberto Carlos. E tinha também o Bené, irmão da Lila, que era fã do pessoal da "pilantragem": Simonal, Herlom Chaves e assemelhados, e também dos Beatles.Ou seja: respirei música desde cedinho.Tem mais uma coisinha: meu pai, antes de sair pro trabalho, fazia a barba canarolando, principalmente músicas do Nelson Gonçalves. Me lembro bem nitidamente de uma que dizia "Maria Helena me olhou / Bem dentro dos olhos / E chorou, chorou" rs.Minha mãe gostava do Dorival Caymmi e vivia cantando músicas dele: "Vamos chamar o vento..." e assoviava, imitando o vento, como o Caymmi fazia na gravação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:    Para um menino tão novo você se deparou cedo com um leque de possibilidades e riquezas musicais que certamente despertaram esse olhar do pesquisador. Por aí? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Não tenho certeza. Posso garantir que me despertaram um certo ecletismo musical que eu cultivo até hoje. O pesquisador nasceu já na faculdade de História (minha segunda faculdade) por causa, principalmente, de um professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Recordo-me de que nos conhecemos na ocasião em que você veio a Juiz de Fora fazer uma palestra a convite do Ces ( Centro de Ensino Superior) e que fiquei encantada pela maneira como você trabalhava a música popular brasileira aliando seu processo político ao dos demais países latino americanos. Ali tomei conhecimento de seu excelente livro Sinal Fechado, que tematiza a questão da música popular em dois momentos cruciais, a ditadura Vargas e 68.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: É verdade. É uma longa história. Mas aí deixa eu voltar um pouquinho, lá pros anos 70, comentar um pouco o que conto na introdução do livro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:  Estou meio apressada (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby:    Na minha adolescência, claro, já tinha todas aquelas referências musicais. Mas, lá pelos meus 14 anos, uma moça que ajudava minha mãe nas tarefas domésticas (e que era filha de uma amiga dos meus avós) me apresentou o primeiro LP do Tim Maia. Na verdade, eu já tinha ouvido algumas músicas dele no rádio sem prestar muita atenção. Mas depois desse disco me deu vontade de aprender a tocar violão.Meu pai me deu um violão no Natal de 1971. Eu não sabia tocar absolutamente nada, nem tinha grana pra pagar um professor.Daí, saía com o violão nas costas e "colava" com alguém que soubesse tocar o instrumento até sair com um acorde novo. Me lembro que "negociava" o empréstimo do meu violão novinho por 1, 2 dias, em troca de alguns acordes rs.Quando comecei a dominar o instrumento, comecei também, por coincidência, a tomar contato com a realidade mais dura do regime militar.Tive a sorte de ter amigos politizados e preocupados com os destinos do país (coisa, aliás, que me parece cada vez mais rara hoje em dia). Essa coincidência me fez ficar mais atento às letras das canções, principalmente daqueles artistas que tentavam refletir criticamente sobre o país através das letras das músicas, apesar da censura. Me lembro dos encontros que eu e meus amigos fazíamos pra tentar entender as letras do Gonzaguinha, do Chico Buarque, do pessoal do Clube da Esquina etc. e do prazer que a gente tinha quando achava que tinha conseguido entender alguma delas. Quer dizer, a partir daí eu sempre busquei alguma associação entre a música e a realidade social: como crítica ou como crônica. Não é que eu não goste da música que não tem isso, mas, naquela época e durante um tempo longo na minha vida, era isso o que me chamava mais a atenção. Resumindo, é essa história rocambolesca que me levou a pensar o Sinal Fechado. Mas houve um intermediário muito importante: o Prof. Oswaldo Porto Rocha, que, infelizmente, faleceu em 1989, quando o meu lado pesquisador estava só começando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Interessante você relatar que faziam uma espécie de laboratório musical em que a princípio a política parecia suplantar a estética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Essa tensão entre política e estética, acho que só fui me dar conta dela quando já estava no curso de jornalismo, por causa de uma discussão que rolava no curso em torno dos formalistas russos - a questão da arte pela arte. Era já um período posterior aos "anos de chumbo" (entrei no curso no 2º semestre de 1977). Lá se discutia se a arte tinha ou não que ter comprometimento político, se arte revolucionária tinha ou não a ver com forma revolucionária e coisas assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:    Mas você desde a infância se deparou com um legado de lirismo, basta Caymmi para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Alberto Moby: Claro, eu nunca neguei o lirismo. Só acho que talvez por ter vivido a adolescência numa época, digamos, pouco lírica, acho que eu prestava mais atenção ao lirismo quando ele era "legitimado" por alguém com comprometimento político (obviamente, contra a ditadura). Por isso, as canções de amor do Chico Buarque faziam muito mais sentido pra mim do que as de Roberto Carlos... Não necessariamente porque o Roberto fosse "brega" (ou cafona, como dizíamos na época) e o Chico fosse "arte", mas porque o Chico lutava contra a ditadura e o Roberto Carlos não - ou, pelo menos, não estava interessado em que as pessoas soubessem qual era sua posição sobre o tema. Claro, isso é coisa daquela época e já não faz tanto sentido pra mim hoje. Embora eu continue preferindo o Chico rs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Numa época em que a postura política impulsionava as pessoas a se dividirem em dicotomias como Chico/ Caetano Tropicália/Jovem guarda, Música alienada/ Música de protesto. Essa postura rígida se diluiu nesse universo atual principalmente porque pesa bastante atualmente a questão comercial da canção. O que acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Bem, pra ser coerente com o que eu afirmo no livro, acho que sempre houve interesse comercial em todos os segmentos, que a indústria não é boba de dar esse mole. O problema era que música censurada (ou censurável) significava mais riscos para quem investia. Além disso, em muitas situações tenho a impressão de que os artistas que eram contra o regime militar se movimentavam - mesmo que sem planejar.. e mesmo que inconscientemente, talvez - no sentido de formar um bloco antiditadura - que eu identifico com a raiz da denominação MPB em oposição, por exemplo à Jovem Guarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: De olho na fresta, como argumenta Gilberto Vasconcellos no título de sua obra que também tematiza questões problematizadas por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Só pra concluir o raciocínio anterior. Com o fim da ditadura, essa motivação e movimentação se dilui. Tanto é assim que podemos identificar facilmente elementos de "protesto" ou "engajamento político" no rock nacional dos anos 80, mas, sem a censura, foi fácil diluir isso e absorver o produto como comercial. Isso, a meu ver, não tem muito a ver com boa ou má qualidade.O livro do Gilberto Vasconcellos foi fundamental pro meu trabalho. Devo a ele o conceito de "linguagem da fresta", que é importantíssimo pro meu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Atualmente ele só quer ouvir Villa Lobos e com excessivo purismo chama a turma de Tropicanalha e Máfia do dendê ( risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Confesso que às vezes me dá uma certa irritação. Acho que só consigo superar isso porque uso muito a internet e acabo conhecendo gente bacana, que nunca toca no rádio ou vai ao Domingão do Faustão e que ainda me dá prazer de ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Certamente, você é ávido por conhecer as produções novas que muitas vezes ficam fora do circuito comercial não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Sou. Mas é mais por falta de alternativa... Onde eu iria conhecer trabalhos como o seu se dependesse da grande mídia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Pois é e nós músicos e artistas acabamos dialogando com nossos pares e tentando vencer uma série de obstáculos. Produz-se cada vez mais qualidade num esquema alternativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Mas acho, Dani, que isso não acontece apenas na música. Acontece também na literatura, cinema etc. Todo mundo quer o prêt-à-porter, o fast food. Quem pensa muito consome pouco, é seletivo,desconfia, faz escolhas. Isso é a essência do não-capitalismo. O grande capital não está interessado nisso, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Com certeza, usei a palavra artistas para abranger os demais produtores de arte. E o que você acha do papel da internet em relação a isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Acho que a internet está num momento de indefinição que, por enquanto, está a nosso favor. Mas não sou muito otimista. Aprendi a viver num mundo em que tudo se vende e tudo se compra e em nome disso o produto vale mais que o processo de produção, o comerciante vale mais que o criador. Fico com medo de estar absurdamente mergulhado em alguma teoria da conspiração, mas não posso imaginar que o grande capital vá ficar parado esperando pra ver o que acontece com a internet. Acho que só a ocupação anárquica e "anarquista" da internet pode fazer frente a isso. Por isso compartilho tudo que posso na internet: imagens, sons, textos, ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Eu consigo divulgar meus trabalho de maneira otimizada pela internet e tenho amigos assim no myspace. Acho que o que nos assola é a angústia do excesso de informações e ofertas que faz com que as coisas se diluam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Outro grande "perigo" desses tempos pós-modernos: a ilusão de que mais quantidade informação implica necessariamente em se estar melhor informado. Conhecimento requer paciência, análise, reflexão. Acho que isso vale pra qualquer tipo de conhecimento, inclusive pra fruição da arte. Mas também acho que não dá pra voltar atrás e que, portanto, nós é que temos que ir aprendendo caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Concordo plenamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Ainda com relação a isso, acho que talvez a angústia se dê porque acabamos embalados por esse canto de sereia da quantidade. Li uma crônica sobre o show da Ivete Sangalo nos EUA (acho que em Nova York). Foi pra milhares de pessoas. Isso significa mais exposição na mídia e muitos dólares no bolso. Mas, com aquela voz tão bonita e aquela personalidade tão forte, podia cantar algo mais substancial...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Ainda tem a questão de como a mídia vende as "verdades"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Pois é. Lembro de 4 cantoras importantes do final dos anos 70 e começo dos 80 que optaram pela quantidade e "repaginaram" a carreira: Simone, Fafá de Belém, Joana e Zizi Possi. Tenho a impressão que o resultado foi desastroso para as 4. Fafá chegou a virar cantora de fado em Portugal e agora não tenho a menor ideia do que faz. Joana andou cantando sertanejo e sumiu. Simone se perdeu, tentou voltar e, depois que virou amiga da Ana Maria Braga, nem CD em homenagem a Martinho da Vila a salvou do ostracismo. Acho que a Zizi foi a única que, ao voltar, ainda encontrou alguma receptividade do antigo público e suponho que deva ter se arrependido bastante de coisas do tipo "perigo é ter você perto dos olhos / mas longe do coração..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:  Com certeza, Zizi retomou seu eixo com aquele belo disco "Sobre todas as coisas", que foi lançado na década de noventa. É muito séria a questão dos produtores, como ele podem conduzir ao céu ou ao inferno a carreira de uma artista que se sujeita a imposições.Esta semana assisti ao belo documentário sobre Nana Caymmi, o sentido absoluto do cantar, uma aula de dignidade e sabedoria musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Sobre a questão dos produtores, há um livro que me parece fundamental, que é o Noites Tropicais, do Nelson Motta, um desses produtores. Há coisas que ele conta, com a maior naturalidade, de arrepiar os cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Me recordo bem desse livro, gosto dos trabalhos que ele fez com Elis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Claro. É a tal da "grana que ergue e destrói coisas belas" de que fala o Caetano. O problema é você saber o que ergue e o que destrói. Dinheiro é muito bom, mas não se pode vender tudo pra ter dinheiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Com certeza. Entre o que tem ouvido hoje o que lhe chama atenção, talentos escondidos na periferia? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Como eu sou muito eclético, fica até difícil. Mas, vá lá: gosto da Roberta Sá, do Rodrigo Campos, da Marina de la Riva, da Tatiana Parra, da Mariana Aydar, do PC Castilho, do Max Gonzaga, da Ana Costa, da Barbara Mendes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Algo te inspira a escrever outra obra reflexiva sobre nossa música a exemplo de seu lúcido Sinal fechado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Atualmente, mesmo que eu quisesse, acho que isso seria meio difícil. Por razões muito pessoais, inclusive de sobrevivência material, estou vivendo em Angra dos Reis e trabalhando como professor primário. Nessas condições, fica bastante difícil pesquisar. Falta tempo e o acesso aos grandes centros de pesquisa é mais difícil. Talvez, me aposentando (nem falta muito...), eu pensei nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Certamente esbarramos com a questão gritante da sobrevivência, vou tocando esse espaço de discussão na base da força ,coragem e paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Moby: Pois é. "Nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som", como diria o Nelson Motta, de quem falei mal agorinha mesmo, rs."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Com certeza Moby. Adorei nossa conversa, super obrigada e o espaço aqui está livre para você divulgar seus trabalhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-401973367129753588?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/401973367129753588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=401973367129753588' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/401973367129753588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/401973367129753588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/10/entrevista-com-o-pesquisador-de-musica.html' title='Entrevista com o pesquisador de música popular e historiador Alberto Moby'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TKjdA3FkCiI/AAAAAAAAAYY/G9fhm1oGLF4/s72-c/CAPA+do+Sinal+Fechado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-7315443695505343891</id><published>2010-09-30T12:06:00.000-07:00</published><updated>2010-10-01T23:36:45.620-07:00</updated><title type='text'>Nublado em mi sustenido</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TKbS6byJrxI/AAAAAAAAAYA/i0IIENMUARM/s1600/cassi.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TKbS6byJrxI/AAAAAAAAAYA/i0IIENMUARM/s320/cassi.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523333894348844818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dois mil e dez em junho gela.&lt;br /&gt;Gotas brancas me caem sem mais  do céu,&lt;br /&gt;compassos em pétalas cinzentas do Rio &lt;br /&gt;A Copa se abre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz frio e fluvial dúvida pesa na gota de sangue que vai&lt;br /&gt;Púrpura&lt;br /&gt;dourar o signo vespertino &lt;br /&gt;Dia nublado me dói. &lt;br /&gt;Dia nublado me alcança,doce hálito vivido&lt;br /&gt; pálido prazer consentido,&lt;br /&gt; Não foi? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha alma canta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sussurra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madeleine não há, &lt;br /&gt;só bolinhos de chuva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cassiana Lima Cardoso é doutoranda em literatura comparada na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é professora de literatura e autora da peça Alice em rimas no país das maravilhas. Nasceu em Cataguases e reside no Rio de Janeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-7315443695505343891?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/7315443695505343891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=7315443695505343891' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/7315443695505343891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/7315443695505343891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/09/nublado-em-mi-sustenido.html' title='Nublado em mi sustenido'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TKbS6byJrxI/AAAAAAAAAYA/i0IIENMUARM/s72-c/cassi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-5651425063170119723</id><published>2010-09-26T05:32:00.000-07:00</published><updated>2010-09-27T03:47:53.497-07:00</updated><title type='text'>O segredo mais sincero de Leila Pinheiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJ8_t_iow7I/AAAAAAAAAX4/90669C-WcfM/s1600/leila3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 285px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJ8_t_iow7I/AAAAAAAAAX4/90669C-WcfM/s320/leila3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521201727562892210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algumas de minhas crônicas escrevi que ninguém melhor do que o compositor é capaz de interpretar suas próprias músicas, hoje venho aqui para repensar essa idéia movida pela audição de Meu segredo mais sincero, cd recém lançado da cantora Leila Pinheiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leila acertou em cheio ao escolher esse sensível título para seu cd, que traz somente canções do compositor e cantor Renato Russo. Nunca escondi dos amigos minha total incompatibilidade com a obra de Renato, que a meus olhos e ouvidos sempre foi sinônimo de pobreza harmônica e infantilidade poética. Recordo-me que na adolescência dificilmente assimilava as sequências de acordes simples que observava nas canções de Renato tocadas pelos colegas, papai dizia-me que sua voz era demasiadamente parecida com a de Jerry Adriani,  o que contribuiu mais ainda para meu distanciamento do trabalho do roqueiro que retratou um geração, conforme assegura uma das vertentes críticas da qual eu também não compactuo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto muitos colegas cantavam eufóricos os versos:  “Quero colo/Vou fugir de casa/Posso dormir aqui com vocês/ Estou com medo, tive um pesadelo/ Só vou voltar depois das três”, eu cantava: “ Te pego na escola e encho a tua bola com todo o meu amor/ Te levo pra festa e texto seu sexo com ar de professor/ Faço promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom”. Não suporto jogos dicotômicos a exemplo de Emilinha e Marlene, Chico e Caetano, Bethânia e Gal,  mas revelo que Cazuza sempre se sobrepôs a Renato em minha adolescência repleta de ilusórias convicções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O excelente trabalho de Leila inspirado na parceria Guinga e Alir Blanc sobrevive ao transcorrer do tempo e  Catavento e girassol resiste  com caráter de gravação antológica. Por admirar a competência musical de Leila combati minha resistência ao Renato e resolvi dar um tiro no escuro ao presentear-me com Meu segredo mais sincero, que para minha agradável surpresa desponta como um dos mais belos trabalhos dedicados a obra de um artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Meu segredo mais sincero Leila relê as composições de Renato introduzindo seu piano sofisticado e ao mesmo tempo minimalista, a cantora mantêm a essência dos desenhos melódicos de Renato porém retira dos recônditos um lirismo que transcende o rótulo de roqueiro. Andrea Doria é uma pérola resgatada por Leila do segundo disco do conjunto Legião Urbana, plena de poesia mostra um artista que tinha domínio sobre os segredos da composição dos versos: “As vezes parecia que de tanto acreditar em tudo que achávamos tão certo/Teríamos o mundo inteiro/E até um pouco mais/ Faríamos floresta do deserto/E diamantes de pedaços de vidro/ Mas percebo agora/Que o teu sorriso/ Vem diferente/Quase parecendo te ferir”. Leila canta com absoluta entrega apropriando-se das notas e palavras como se fossem suas, o timbre belo e a dicção perfeita não desperdiçam uma sílaba, fato que demonstra o quão madura esta a artista para preencher de delicadeza a obra do saudoso amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo perdido recebe uma segunda releitura de Leila que desponta vigorosa e emocionada, o piano e a voz da cantora alternam seu lirismo com a inserção de certas camadas de sons aleatórios que combinam com o cenário urbano da contemporaneidade. Certamente não foi tempo perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na totalidade o álbum encaminha o ouvinte para uma viagem mais introspectiva visto que Renato era afeito a mergulhos existenciais e melancólicos, mesmo em composições que trazem levadas mais swingadas a exemplo de Ainda é cedo, que foi sucesso na voz de Marina Lima, subsiste um tom de baixo astral.  A beleza poética resgatada por Leila se funde a fragmentos de amores depedaçados deixados por Renato, Meu segredo mais sincero é um encontro de amor que ultrapassa tempos e fronteiras. Parabéns Leila!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-5651425063170119723?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/5651425063170119723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=5651425063170119723' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/5651425063170119723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/5651425063170119723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/09/o-segredo-mais-sincero-de-leila.html' title='O segredo mais sincero de Leila Pinheiro'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJ8_t_iow7I/AAAAAAAAAX4/90669C-WcfM/s72-c/leila3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-3547763525917452105</id><published>2010-09-25T12:38:00.000-07:00</published><updated>2010-09-25T13:09:00.698-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJ5RleRCp0I/AAAAAAAAAXw/5RQfJfN3ZUI/s1600/dani+ter%C3%A7as+ok.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJ5RleRCp0I/AAAAAAAAAXw/5RQfJfN3ZUI/s320/dani+ter%C3%A7as+ok.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520939897424357186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-3547763525917452105?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/3547763525917452105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=3547763525917452105' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3547763525917452105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3547763525917452105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/09/blog-post.html' title=''/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJ5RleRCp0I/AAAAAAAAAXw/5RQfJfN3ZUI/s72-c/dani+ter%C3%A7as+ok.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8833083680603984350</id><published>2010-09-23T07:53:00.000-07:00</published><updated>2010-09-23T08:10:15.072-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o compositor e cantor Thiago Amud</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJttPiA2PgI/AAAAAAAAAXY/bUxUcfCkp1E/s1600/thiago-amud-web2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 224px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJttPiA2PgI/AAAAAAAAAXY/bUxUcfCkp1E/s320/thiago-amud-web2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520125881868500482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quando e como começou a música em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thiago Amud: Começou sem que eu soubesse, com meu pai tocando violão em casa junto à barriga da minha mãe. Depois eu quis aprender violão, aos 13 anos. Aprendi através dos Songbooks do saudoso Almir Chediak. Ou seja: minha primeira escola foi a grande canção brasileira já num estágio avançado de catalogação. Isso de cara abriu um hiato entre mim e meu tempo, que só fui sentir depois e que venho tematizando de um modo deliberadamente polêmico, com o deslocamento e o exagero de alguns procedimentos identificados com a “MPB tradicional”, em cuja linhagem, teoricamente, eu estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você acaba de lançar Sacradança, um belo cd que se destaca desde o&lt;br /&gt;tratamento cuidadoso do encarte, que traz uma beleza plástica preenchida por contrastes de luz e sombra. Parece-me que o seu trabalho traz justamente essa rica mistura de influências que funde ritmos e texturas, os arranjos ora exaltam um forte lirismo,ora expressam certo senso de humor, tudo com uma marca autoral muito evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thiago Amud: Obrigado, Daniela. O projeto gráfico é de Cezar Altai, que, além de poeta visual, tem canções magistrais. Quando conversei com ele sobre o que eu pensava para a capa, falei de um filme armênio impressionante chamado “A cor da romã”, falei das iluminuras medievais e do caráter meio onírico do CD. E o encarte ficou no tom certo, ele conjugou tudo isso e ainda foi além, trazendo os peixes e as lâmpadas: ele “agenciou” símbolos de um alcance impressionante. Quanto às suas demais considerações: são poucas as coisas muito confortáveis de que gosto em matéria de arte. Arte é uma coisa, almofada é outra (rs). Desde muito antes de gravar “Sacradança”, eu já pensava que meu futuro primeiro CD teria que ser um fluxo imagético e sonoro surpreendente o tempo todo, numa espécie de ciranda de sentidos e estímulos. Mas, ao mesmo tempo, nunca quis sacrificar o entendimento do ouvinte em nome de uma energia criativa totalmente incompreensível. Dessa tensão entre vontade de compartilhar e vontade de transgredir, nasce meu trabalho, escrevendo, compondo e arranjando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como você vê o cenário da música popular brasileira atual? Acha que&lt;br /&gt;caberia alguma classificação para o seu trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TA.: Se você me permitir, vou falar de aspectos delicados. Acho que o tal hiato entre a minha geração e a dos grandes autores da MPB clássica tem gerado em muitos de nós uma reverência meio excessiva pelo passado. É uma questão de saber o que fazer com a intensidade do amor que sentimos por esse legado, como transformá-lo em outra coisa. Sinto falta de um certo abuso, de uma dose de heresia, do incômodo que o novo causa, porque o que eu amo eu não quero ver embalsamado. Outra coisa (que é a mesma): percebo em muita gente talentosa uma raiva danada da vulgaridade, uma busca por um tipo de pureza que exclui mais do que inclui. Acho isso perigoso, porque uma das missões do artista é tentar purificar as coisas impuras, não é virar as costas pra elas, como se elas não fossem dignas dele. Uma geração em que o senso de pureza vai pra um lado e o horror da realidade social vai pro outro corre um sério risco de ter seu ridículo exposto na praça da feira pela intrepidez da próxima geração, como os poetas parnasianos tiveram o seu ridículo exposto pelos poetas modernistas. Hoje só acredito num tipo de pureza: a que vem depois da podridão. Alguns instrumentistas, compositores e cantores já estão notando isso aí. Graças a Deus tenho conversado muito sobre isso com alguns deles. A música nascida dessa consciência eu chamo de Música Purgatorial Brasileira; portanto, pra mim, a sigla MPB continua vigorando (rs).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quais são as suas mais fortes influências?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thiago Amud: As influências são tantas que qualquer lista seria longuíssima e incompleta. E estou me iniciando nesses “exercícios de admiração”: no momento, qualquer rol de meus mestres ainda estaria cheio de confusão entre o que é influência, o que é amor, o que é angústia, o que é inércia. Portanto, se não soar esnobe (juro que não é essa minha intenção), peço pra que meu possível ouvinte tire suas próprias conclusões sobre esse assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você é muito jovem, portanto deve ter inúmeros planos e projetos,&lt;br /&gt;enfim, com que artista você sonharia dividir o palco ou até mesmo elaborar um disco&lt;br /&gt;em parceria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thiago Amud: Veja como são as coisas: tenho um afoxé chamado “Ancestral” que fala justamente umas 5 vezes “Sou velho”. Tenho 30 anos, não me acho mais tão jovem. Tenho inúmeros planos sim: quem sabe um CD de parcerias com o Guinga, que é um dos maiores compositores que este país de compositores já teve? Mas eu sou lento letrando, ele não pode ficar brabo comigo se eu mudar uma letra inteira 15 vezes depois de dá-la por encerrada... Bem, já que falei do Guinga, respondo aqui parte da pergunta anterior: pra mim ele é toda uma escola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como tem sido o percurso de divulgação do Sacradança visto que a&lt;br /&gt;cada dia a internet tem se tornado um dos maiores veículos de propagação de trabalhos&lt;br /&gt;independentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thiago Amud: Meus amigos Rodrigo Ponichi e Cezar Altai (ele de novo) dirigiram um clipe, artesanal e bem humorado, de “Aquela ingrata”, frevo que está no meu CD. Com isso, abre-se uma possibilidade interessante: fazer vídeos de cada uma das faixas. O cinema me encanta e me influencia diretamente, o próprio Aquiles, do MPB-4, quando escreveu sobre “Sacradança”, notou que o CD parece um filme. Isso foi intencional. Essa tradução das músicas pra imagens é uma possibilidade de dar uma “sobrevida” ao período de lançamento do CD. Sei que tem um artista que já está fazendo isso com suas canções, o Dimitri BR. Cezar, Rodrigo e eu estamos estudando algo assim no momento. Quanto a shows de lançamento, tenho dois formatos: um de quinteto, em que eu, Sergio Krakowski (pandeiro), Matias Correa (baixo), Rui Alvim (clarinetes) e Alexandre Caldi (flauta e sax) somos fiéis à polifonia cerrada dos arranjos do CD; outro, em duo com o Sergio Krakowski, onde eu exploro também outras canções minhas, textos, coisas novas etc. Em suma, está tudo começando: de ponta a ponta, tudo é praia-palma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Obrigada Thiago e muito sucesso para você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8833083680603984350?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8833083680603984350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8833083680603984350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8833083680603984350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8833083680603984350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/09/entrevista-com-o-compositor-e-cantor.html' title='Entrevista com o compositor e cantor Thiago Amud'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJttPiA2PgI/AAAAAAAAAXY/bUxUcfCkp1E/s72-c/thiago-amud-web2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-3387356885245742565</id><published>2010-09-21T09:45:00.000-07:00</published><updated>2010-09-21T09:55:09.400-07:00</updated><title type='text'>Festival de Jazz de Ouro Preto</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJjiUOyx_KI/AAAAAAAAAXQ/ljSxwINsLXc/s1600/DSC01513.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJjiUOyx_KI/AAAAAAAAAXQ/ljSxwINsLXc/s320/DSC01513.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5519410180538891426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-3387356885245742565?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/3387356885245742565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=3387356885245742565' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3387356885245742565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3387356885245742565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/09/festival-de-jazz-de-ouro-preto.html' title='Festival de Jazz de Ouro Preto'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TJjiUOyx_KI/AAAAAAAAAXQ/ljSxwINsLXc/s72-c/DSC01513.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8273049230316992882</id><published>2010-09-13T11:52:00.000-07:00</published><updated>2010-09-14T05:23:26.095-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o maestro, pianista e arranjador Sylvio Gomes</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TI6An0m3VtI/AAAAAAAAAXI/9HQJL69oq3Q/s1600/quinteto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 290px; height: 218px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TI6An0m3VtI/AAAAAAAAAXI/9HQJL69oq3Q/s400/quinteto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516488015200343762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como começou a música em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: A música apareceu em minha vida quando eu tinha oito anos, na verdade antes disso, quando eu tinha quatro anos de idade minha família ia passar férias em Cambuquira e já nessa época eu gostava de cantar, juntavam pessoas ao redor para ver o menino que cantava. Sempre gostei muito de música, ficava cantando em casa as músicas da rádio.  Meu primeiro contato com um instrumento foi uma espécie de desafio, minha mãe era professora de música do Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro, ela era solista da orquestra do maestro Vitório Stefanini, eu toquei nessa orquestra quando estava com uns dez anos. Numa festa mamãe foi tocar acordeon, que era o instrumento que estava na moda na época, um dos caras pediu para tocar e ela foi lhe ensinando e eu pensei que por ser filho teria o direito de tocar também. Ela não quis me deixar tocar, naquela época criança não tinha direito nenhum (risos). Um dia minha mãe saiu para dar aula e me deixou com minha avó, então peguei o acordeon e comecei a tentar tocar. Fiquei apertando até que consegui juntar duas notas, mi- sol, falei: - opa isso aqui dá Calu, foi a primeira música que toquei. Minha primeira experiência foi essa. No meio do ano, quando eu cursava o segundo ano primário apareceu um gaitista na escola que tocava muito bem, parceiro do Edu da Gaita,  ele era um alemão  contratado pelas gaitas Hering para ir às escolas e convencer os meninos a pedirem as mães para comprarem as gaitas. Certo dia ele foi a nossa turma e falou:”_ Vou dar a vocês um livrinho e a gaitinha para vocês mostrarem a mamãe”. Mamãe comprou para mim a gaitinha, quando soprei rapidamente tirei Asa Branca e depois vi que Oh Susana era por ali também, eram as mesmas notas mas com uma inflexão diferente: - oh rapaz é por aqui, pensei. Comecei a tirar uma porção de músicas. Esse gaitista que visitou nossa escola acabou me chamando para tocar no programa dele aos domingos ao meio dia na Rádio Globo, depois fui tocar pratos na orquestra do Vitório Stefanini composta por oitenta acordeons, sendo que o maestro dividia tudo em naipes.  Nela se tocava mais música erudita como Orfeu no inferno, La Traviatta, eram só peças pesadas, eu já tinha dez anos. Era muito bom, toquei com eles no maracanazinho e no teatro Municipal que foi uma glória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você foi percorrendo os instrumentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Lá em casa tinha um piano. Minha mãe quis me dar aula mas não deu certo, ela era muito brava e bateu uma vez na minha mão, por isso não quis mais. Fui aprendendo sozinho, experimentado as teclas e tocando de ouvido.  Comecei a aprender acordeon com um acordeonista, mas eu tocava muito mal e não me convencia disso .Eu era ligado em Bossa Nova, até que fui tocar acordeon numa boite em Copacabana chamada Catacomb, na Galeria Alasca. Era um grupo formado por piano, baixo e bateria e eu tocava só com a mão direita pois achava o baixo muito careta, mas eu não tinha ainda muita experiência, queria era ser moderno. Tudo foi acontecendo num modo intuitivo, primeiro toquei, depois fui aprender. Na boite ao lado chamada Stock tocava o Sivuca e nos intervalos nos encontrávamos até que ficamos muito amigos, mas ele nunca tinha me visto tocar.  Um dia Sivuca foi me ver tocar, ficou olhando, olhando e me chamou para um café e falou: “-Você pega esse acordeon, vende e vai fazer um curso de datilografia, pois você não toca nada, é muito ruim e não tem jeito nenhum pra isso. E ainda por cima é maneta, pois não toca com a mão esquerda”. Ele me levou pela mão até o seu camarin e tocou Moon River daquela maneira maravilhosa, contracantos fabulosos, tocando Double lead, a mão direita em bloco e a mão esquerda dobrando. E ficava perguntando: “- Tá ruim?” Falei não, está maravilhoso (risos). Passados uns dias o pianista precisou dar uma saída e eu comecei a tocar um pouco em seu lugar e apareceu novamente o Sivuca, quando o vi pensei:  -agora ele me mata. Eu ainda achava que era acordeonista e disse a ele que nem adiantava vender o piano, pois o piano não era meu (risos). Sivuca ao me ver tocar piano  disse-me que eu levava jeito para esse instrumento e resolvi então seguir seu conselho. Passei para piano e comecei a carreira como pianista, mas não sabia nada de música, teoria, nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você começou a tocar nas noites do Rio acompanhando os cantores intuitivamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Eu fazia nos Democráticos, comecei a trabalhar na intuição, trabalhava na televisão, acompanhava cantores: Ângela Maria, Blecaute. Tinha a Embaixadores, uma casa na Cinelândia em cima do Amarelinho e eu tocava por lá todos os domingos com uma mini orquestrinha. Um dia o ritmista dessa bandinha me propôs tocar num baile no Tijuca Tênis Club, topei e quando cheguei tinha o palco maravilhoso e a formação de uma orquestra completa com um  piano de cauda incrível. Isso começou a não me cheirar bem, pensei, como iria tocar de bossa com aquela orquestra imensa. Quando sentei no piano o maestro veio com uma pilha de partituras, daí perguntei o que era aquilo e ele me falou que eram as partituras que eu deveria tocar. O cara era mulato e ficou branco, me fuzilou com os olhos (risos).  Nunca passei tanto aperto, pois o piano ficava ao lado das cordas e das trompas de maneira que  eu não ouvia a melodia, só ficava um bombombombom (risos). Eu não conseguia nem identificar que melodia era, e para completar a tragédia o baile era um tal baile da saudade em que só deveriam tocar músicas da década de cinquenta para trás e eu nunca tinha ouvido aquelas músicas desconhecidas. Eu ia tocando qualquer coisa tentando harmonizar os contracantos, de repente dava uma pausa e era então a minha vez de tocar, o maestro olhava para mim com aquele olhar fulminante e eu ia improvisando. O que salvou um por cento do meu trabalho foi substituir em seguida o pianista de Ângela Maria que não tinha ido acompanhá-la.  A partir daí resolvi estudar,  pois nunca mais queria passar essa vergonha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você decidiu entrar no conservatório, arrumou professor particular, como fez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Naquela época não existia professor particular, o que existia era muito ruim, muito formal e limitador, não era o que eu estava buscando. Eu dava aula no conservatório, como poderia estudar por lá? Naquela época não tinha internet, não tinha informação nenhuma. Comecei a procurar daqui e de lá, perguntando aos músicos, trocando informações.  A gente ia pegando pedaços de uma música espalhados e ia montando até conseguir tocar. Na época era comum sentarmos ao lado daqueles que tocavam bem para ficar olhando e aprendendo, mas era muito difícil, conseguíamos pegar uma coisa ou outra. Nesse tempo as pessoas que tocavam bem não tinham tempo para ensinar porque tinham muito trabalho, não davam conta da carga, tocavam, davam concerto, então aqueles que ficavam dispostos a dar aula eram de fato os que não tinham competência. Até que esse quadro foi modificando, pois foram diminuindo os trabalhos para os músicos. De trinta anos para cá é que começou o lance de dar aulas, DJs, discotecas, todas essas entradas foram tirando o lugar do músico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E você foi se encaminhando para o lado de arranjador, se tornou maestro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Comecei a ler muita coisa e fui formando uma bagagem musical. Comecei a ler livros sobre harmonia funcional que me trouxeram informações muito importantes.  Fui aprendendo fazendo, até que acabei pegando uma certa experiência e reconhecimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quais são as suas bases de formação, a bossa nova e o jazz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Na verdade um pouco de tudo. Na minha infância eu ouvi bolero, chachacha, samba e música americana, de música americana chamávamos todos os gêneros desde o jazz até o mais pop. As músicas que se tocavam em baile eram de melhor qualidade. Quando aconteceu o Rock in Rio eu estava numa mesa  no Chico’s Bar ao lado do Egberto Gismont, Aécio Flávio e dois caras de fora All Jarreau e George Benson. Nisso o Egberto falou assim: "- não sei, mas eu sinto uma falta de uma coisa que não sei explicar". O Hermeto falou: “- Você está sentindo falta é de um bailinho rapaz” Você nunca fez um bailinho, ele falou. É aquela coisa das experiências aparentemente insignificantes, eu acho que a experiência de tocar em boites foi muito boa para mim, as cantoras chegavam, davam seu tom e atacavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Trabalhou com muitas cantoras ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Sim, inclusive com você. Uma delas é a Zelinha Duncan, essa eu coloquei no mercado mesmo.  Zelinha chegou no Rio vindo de Brasília, ela ficava no Chico’s bar ouvindo cantar a Celeste e  Clarice Grova, só feras. Depois a levei para tocar no Clube 1 e dali ela alavancou.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você passou pelo Beco das garrafas também não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Ah era um lugar fantástico, mas eu já peguei o final, quando o Beco já não era mais o mesmo. Eu acompanhei a Bossa Nova como ouvinte, pois venho de uma geração seguinte. Depois conheci o Carlinhos Lyra, Tom,  o Johny Alf, mas quando eu já era um profissional. Quando a noite do Rio era a noite do Rio, maravilhosa. Agora acabou tudo, e não é só uma queixa dos cariocas não, é geral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quando você veio para Juiz de Fora? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Eu vim para cá primeiro em 89, depois voltei para o Rio para fazer o show no Scalla, só que isso não deu continuidade e então retornei a Juiz de Fora.  O Chico’s era a melhor casa de música que tinha no Rio de Janeiro, você estava tocando e de repente chegava Liza Minnelli, George Benson, All Jarreau, Bill Evans,  Bart Bacharach. Os brasileiros sobretudo iam lá para dar canja, as vezes de um lado tinha o Benito Di Paula e do outro a Beth Carvalho.  Ivon Curi cantava comigo toda noite. Eu vim para Juiz de Fora para dar um curso de harmonia funcional na escola de música Escala e nessa turma inaugural tinham  Márcio Hallack, Dudu Lima, Fábiano e Euzébio. Daí voltei para o Rio para um trabalho com a Vatuse e o Grande Othelo, esse também não vingou.  Retornei a Juiz de Fora  e quando vi a Pró Música gostei da infra estrutura: um teatro com piano de cauda . Sugeri a Maria Izabel fazermos uma orquestra e essa foi a razão precípua. Muitos músicos passaram por lá e cantores também, o objetivo primordial da fundação da orquestra de jazz foi trazer aos músicos a noção do que é tocar numa orquestra.  Tem se tornado cada vez mais remota a possibilidade de se tocar numa orquestra, pois hoje em dia são poucas que sobrevivem. Proporcionar as pessoas também uma música diferente é nosso objetivo e nessa batalha estamos completando dezoito anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Acho que todo mundo já passou por lá, é quase que um pré requisito. Você já passou pela orquestra do Sylvio? Você também foi sempre um incentivador das cantoras, me recordo de um espetáculo que você realizou na Pró Música com a reunião de todas as cantoras em voga na época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Tudo partiu de uma carona que dei para Tânia Bicalho, dali começamos a pensar em montar um show com as cantoras que estavam em voga na época. Convidei a Cristiane Visentin, Tânia Bicalho, Jacqueline Castorino, Lúdica Música e uma que ainda não cantava e estava insegura para cantar com as cantoras famosas, essa era a Ana Carolina. Abri o show com ela e foi muito bom, ela se deu muito bem. Na ocasião em que o  Ray Connif esteve  aqui  eu levei a Ana Carolina para cantar com ele também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Esse trabalho da orquestra já tem registro em cd? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Temos dois cds gravados com a participação de vários músicos como Paschoal Meirelles, Novelli, Cristóvão Bastos, Mauro Senise e Nelson Faria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Eu até participei de um dos festivais de jazz promovido por você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Tive a idéia de fazer o festival de jazz, formatamos o projeto e convidamos o pessoal do Rio, vieram Wagner Tiso, Victor Biglione, entre outros.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Isso é fundamental, você trazer esses talentos a cidade para proporcionar um diálogo, uma reciclagem dos artistas locais. Acho muito válido e enriquecedor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Minha idéia justamente era essa, aprimorar o nível de qualidade e informação dos nossos músicos. Já trouxe a Leny Andrade, João Bosco e Leila Pinheiro. Antes tinha trazido músicos, a turma do Cama de Gato, depois o Vitor Santos. Nico Assunção ficou aqui durante uma semana dando workshop, fazendo aquela convivência com os demais músicos, surpreendente.  Funcionava no seguinte esquema: aulas à tarde e apresentações a noite.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: No ano passado eu entrevistei o saxofonista Affonso Claudio no Duo Jazz de Tiradentes e falamos sobre a questão da música instrumental num mercado cada vez mais saturado e massificado. Você que vem de uma formação sofisticada que abrange a Bossa Nova e o Jazz, atualmente a saída é ir remando contra a corrente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: O Chico Buarque tem uma frase que é lapidar: “O mundo emburreceu”.  Hoje em dia é a quantidade em detrimento da qualidade. Vai do fast food, passando pela roupa e outras categorias. Se você vai fazer um jantar para poucas pessoas é claro que vai ficar muito melhor. Tudo está na base do imediatismo, da urgência e da quantidade. Os shows intimistas acabaram, então um show de baquinho e violão para cinco mil pessoas não pode ser com violão e voz. Hoje é a música barulhenta, euforia,  não tenho nada contra gêneros de música, acho que música é estado de espírito e sinto que tem que haver música para todos os estados de espírito. Não pode ser uma coisa só, tem que ter música pra motel, pro sujeito apaixonado, pra velório e por aí vai. Hoje em dia é uma coisa só, você liga a televisão e vem aquela imposição sobre você. É inevitável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: A questão do que a tecnologia favorece e o que ela implica de descaracterização no trabalho do músico. Como fica a sobrevivência do músico hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: É uma faca de dois gumes, pois se por um lado a tecnologia favoreceu na qualidade dos instrumentos, alguns músicos não tocam,  colocam md e vão fazer um show. Eu presenciei uma cena ao lado de minha mulher que é inacreditável, tinha um cara e uma moça cantando, ele tinha um teclado a sua frente e uma guitarra na mão, de vez em quando apertava o botão e ficava fazendo mímica. Os sons totalmente desencontrados, ele tirava a mão dos instrumentos e eles continuavam tocando. Muito cara de pau. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Observo que usualmente os DJs pegam grandes Standards e retiram a base original e inserem uma base totalmente esquisita. A música é mais um segmento que está sofrendo com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: É o que o Chico Buarque falou, insisto nessa idéia do emburrecimento do mundo. O cara fica sabendo muito pouco de muita coisa, a maior parte das pessoas têm um conhecimento superficial de muita coisa. Isso acontece em todas as áreas. Raríssimas são as pessoas que tem um conhecimento profundo de alguma coisa, elas têm um conhecimento superficial de tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Com essa aceleração do mundo as pessoas não têm mais paciência de ir ao teatro e ficar sentadas durante mais de uma hora para ouvir um concerto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: As pessoas estão passivas diante do computador, da televisão e por aí vai. Elas estão com preguiça de pensar. O imediatismo impera, quanto mais simples melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E como andam os projetos atuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Como diz o Hermeto, música não é profissão é devoção, continuo então com a minha devoção a orquestra. Manter uma orquestra  numa cidade grande é difícil, imagina numa cidade menor como essa. Vamos mantendo até onde der, pois os músicos são abnegados,  vão toda a semana ensaiar sem remuneração, por amor a arte. Agora montei um trio também com Pedro Crivelari na bateria e Claudimar Maia no baixo  e guitarra, eles são dois estudiosos que estão tocando um trabalho que funde o autoral e algumas composições de Cristóvão Bastos e outros. O trio se chama Triunvirato. Fomos agraciados pela Lei Murilo Mendes e vamos gravar músicas do Cristóvão, do Paschoal, do Aécio Flávio, enfim, um trabalho que estamos fazendo com prazer. Não tem muito mercado, mas agora  estou seguindo a frase lapidar do Brant: “não importando se quem pagou quis ouvir”. A gente toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Muito obrigada, foi muito boa nossa conversa e que possamos ainda desenvolver outros trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvio Gomes: Eu agradeço, estamos por aí com nosso amor pela música.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8273049230316992882?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8273049230316992882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8273049230316992882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8273049230316992882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8273049230316992882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/09/entrevista-com-o-maestro-e-pianista.html' title='Entrevista com o maestro, pianista e arranjador Sylvio Gomes'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TI6An0m3VtI/AAAAAAAAAXI/9HQJL69oq3Q/s72-c/quinteto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8294214984938293487</id><published>2010-09-07T09:30:00.000-07:00</published><updated>2010-09-08T10:08:31.179-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o percussionista Joãozinho da Percussão</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TIfC8B0KpWI/AAAAAAAAAW4/21ZD4PmUxWA/s1600/dani+entrevist.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TIfC8B0KpWI/AAAAAAAAAW4/21ZD4PmUxWA/s400/dani+entrevist.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514590605273638242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TIZ8bvTpBgI/AAAAAAAAAWw/84IaOSEz3ug/s1600/joao+do+ritmo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 254px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TIZ8bvTpBgI/AAAAAAAAAWw/84IaOSEz3ug/s400/joao+do+ritmo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514231609758909954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         "Sou realizado. Muito feliz com o que a música me trouxe e me traz" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Primeiro eu tenho que dizer que é uma honra e uma alegria muito grande estar aqui ao seu lado. Como o tempo passa, eu fui praticamente criada em sua casa, desde menina brincava com os seus bongôs que me fascinavam. Sou até hoje muito amiga de sua filha Simone, fomos colegas de sala no Colégio João XXIII. Eu me lembro de um episódio que aconteceu quando eu já estava mais adulta e nem cantava profissionalmente ainda,  você  certo dia me ligou e pediu que eu levasse o violão até sua casa,  pois queria me ouvir. Foi emocionante e fica até hoje registrada a emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Eu fico muito feliz com essas coisas, por você ter seguido seu caminho também pela música.  Amanhã por exemplo filhos e netos de amigos meus que partiram para esse lado de música vão participar de uma gravação comigo. Vamos começar a trabalhar o grupo deles, inclusive o pai de um dos músicos sempre fala: &lt;br /&gt;“-  fica com o Joãzinho que vai dar certo”. Minha mãe falava que eu sou pé quente. Esse grupo é um trio que se chama  Samba Jazz BrasilSil. O  pianista é o Júnio Vanon. Agora vamos começar a preparar uma apresentação para o dia 12 de novembro na Estação, esse espetáculo será financiado pela Funalfa. Eu com essa idade, setenta e um anos, fico muito feliz por estar ao lado desses jovens. É muito gratificante, pois a garotada toda me convida, então eu participo de grupo de rock e tudo o mais que pinta e que sinto que tem valor. Se tem valor eu dou força mesmo. Isso é muito gratificante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você está sempre com esse vigor e não parou,  a prova maior disso é que essa juventude está aí hoje participando com você, compartilhando, enquanto traz novas informações também recebe o  conhecimento que você transmite a eles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: A gente não sabe tudo na vida,  vive aprendendo e morre sem saber, mas cada apresentação, cada grupo que eu toco, cada tipo de som me traz um novo aprendizado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:  Quando começou a música em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Começou eu tinha uns cinco anos de idade mais ou menos, ali na igreja São Mateus tinha uma banda de música em que o meu tio participava, ele se chamava Aluízio, é irmão de minha mãe.  Eu ia lá para ver a banda ensaiar, meu tio Aluizio era o baterista do conjunto de baile e na banda ele tocava trompete. Um dia ensaiava a banda e no outro o conjunto de baile e alguns dos músicos da banda. Quando ele chegava em casa a tarde (ele trabalhava na Pantaleone Arcuri) começava a  montar a bateria,  ia tomar  seu banho, esperava os amigos chegarem e eu ficava na bateria brincando, assim como faz hoje o meu sobrinho Vinicius, ele brinca com tudo, quando estou em casa passando a minha experiência, ensinando alguém,  ele fica ao meu lado. Está acontecendo com ele o que aconteceu comigo. Então eu deixei de estudar, abracei essa profissão mesmo por destino, a minha pretensão não era essa, nem pensava que poderia acontecer isso que veio a se dar na minha carreira. Eu queria tocar nos bailes aqui em Juiz de Fora. Tem um fato inesquecível em minha vida, certa vez num domingo passou uma garota e me olhou, demos uma flertada rápida e fui seguindo ela, mas sou tímido e a minha timidez acaba em geral no palco, mas segui a menina. Ela desceu a Halfeld, entrou na Batista de Oliveira e quando chegou próximo ao conservatório Haydée França ela desapareceu. E quando novamente a vi,  ela estava subindo a escada e  indo em direção ao sindicato dos sapateiros. Subi atrás guiado por ela e por um som que eu ouvia, ela foi entrando no meio de um salão e quando olhei para o palco vi o meu tio, maior coincidência. A menina sumiu e meu tio me chamou, corri então para perto do palco, ali comecei a tocar uns instrumentos e dali nunca mais parei. Eu tinha uns quinze anos, dezesseis e até hoje isso fica na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Um fato marcante mesmo, como se você fosse conduzido até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Sim muito marcante, parece que foi um anjo que me levou até lá, tanto que eu não vi mais essa menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você começou a tocar nas boates?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Quando eu comecei a tocar eu não tinha muita noção, era meio intuitivo, mas como minha família era amiga da família do Miltinho baterista, as coisas foram tomando um rumo. Meu pai conversou com a mãe do Miltinho e disse que eu queria tocar bongô, daí me levaram até sua casa na Rua  Halfeld, Edifício Juiz de Fora. Ali o Miltinho começou a me ensinar e sentiu que eu estava pegando com facilidade, e como ele estava saindo de ritmista para baterista resolveu me colocar ao seu lado tocando no conjunto do Jordano, um italiano que morava no prédio e que tentou me ensinar música também. Comecei a estudar música, saxofone que era o instrumento que minha mãe sempre gostou, decorei o trecho de uma música e toquei sem ler até que o professor descobriu e não me deixou prosseguir dessa maneira. Parei, comecei a estudar piano com a filha desse professor, a Maria, mas larguei também e peguei o bongô de vez.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Mas essa passagem foi boa, passar pelo piano te trouxe outras informações musicais também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Percebi que o negócio meu era o ritmo e ela também percebeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Entre os instrumentos percussivos o bongô é o seu instrumento favorito, diríamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão:  Foi o bongô que me prendeu mais a atenção, naquela época tinham muitos filmes com rumbeiras e fui me apaixonando pelo bongô vendo Tito Puente, Perez Prado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você trabalha com a invenção, com as possibilidades rítmicas. O que o instante te traz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: O ritmo é sempre a mesma coisa: ritmo. O diferencial é que cada um põe o seu sentimento e até hoje deu tudo certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você é um entusiasta de Juiz de Fora e se tornou um ícone musical na cidade. Não há quem não conheça o Joãozinho da Percussão e mesmo com esse enraizamento você rodou o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Uma boa parte desse mundo eu conheço. Viagem ao exterior eu comecei com o Benito Di Paula:  Grupo Tempero.  Primeiro fomos para Buenos Aires e depois para a França, Cannes. Fizemos uma temporada curta numa casa que se chamava Via Brasil,  em Cannes eu dei uma canja com o Jorge Ben no final do show e daí ele me chamou e eu queria era isso mesmo, ficar morando em Juiz de Fora e permanecer fazendo shows. Eu já havia falado isso com o Benito inclusive. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você saiu do Benito e foi trabalhar com o Jorge?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Sim, saí pois era o mesmo escritório. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: O Jorge te possibilitou um ótimo trabalho, pois ele é essencialmente rítmico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Eu não tinha muita noção de como funcionava o esquema de trabalho do Jorge, pensei que iria morar em Juiz de Fora e continuar tocando por aí, mas comecei foi a viajar. Eu não queria mais permanecer em São Paulo, já estava com meus dois filhos: Sérgio e Simone.  Na segunda semana de trabalho pintou uma viagem para a França e tocamos uma temporada no Olympia de Paris, como lotou o teatro fizemos uma segunda temporada, quinze dias cada uma, tudo lotado. O interessante é que aqui em Juiz de Fora eu tive um trabalho de duo com o Fabinho, ele tocava teclado fazendo o baixo com o pé. Começamos a tocar no Shanan, uma casa noturna que tinha aqui na época dos festivais. O Carlos Imperial veio participar do festival e perguntou a alguém aonde ele poderia encontrar um músico conhecido na cidade. Alguém falou que tinha eu e tal, daí ele apareceu lá no Shanan e me convidou para participar na apresentação dele no Teatro Central. E  aconteceu até uma brincadeira que consistia em me esconder,  aquele que me achasse receberia um prêmio. Ele foi daí desenvolvendo essas coisas e acho que até ganhou primeiro lugar com essa música.    Parece-me que ficou muito grato, tanto que me convidou para ir para o Rio, mas como nunca gostei de sair daqui e eu ainda era mais criança e tal, não aconteceu. Logo depois apareceu o Tibério no Shanan e me encaminhou para tocar no conjunto do Célio Balona. Fui para Belo Horizonte a convite do Célio Balona tocar nos dias de baile, era tudo diferente de hoje. Fiquei muito feliz com isso tudo e até hoje é assim em minha vida.  Todos os países em que fui acompanhando os artistas,  ou mesmo com trabalhos nossos daqui da cidade,  como foi na Arábia, sempre aparecem novos convites. Os trabalhos vão prolongando. A penúltima viagem minha ao exterior foi para a Arábia. O baterista do grupo Chicago assistiu ao show do Jorge Ben no México e me chamou para fazer uma temporada no night club dele em Los Angeles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão:  Qual o público mais receptivo no exterior, aquele  que parece possuir uma compreensão maior da música brasileira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Paris é a maior receptividade, os franceses gostam muito de música brasileira. O mundo inteiro gosta, mas os franceses mais ainda. Na Arábia eles não conheciam muito a música brasileira e nós fomos apresentando nosso som e eles foram gostando. Eu pretendo viajar novamente, mas depende muito do grupo que tem que funcionar como uma família bem estruturada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E teve temporada com Chico Buarque também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Depois passei para o Pepeu e Baby, deles eu fui para o Chico, depois para Joyce, gravei com ela em Nova York e lá tive convite para permanecer também. Depois toquei com Carlinhos Vergueiro junto com o Lúdica Música, foi um trabalho muito bom, importante em minha carreira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você participou da formação do Lúdica não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Começou comigo e a Rosana Britto. Eu toquei muito tempo no Raffas e no Dreams, quando era ainda na Halfeld. Como gosto muito de fazer uns eventos, acabei fazendo um lançamento no Dreams:  “Joãozinho como antigamente para ouvir e dançar”. Como a receptividade foi boa, fiz uma festa maior no  Caiçaras e convidei a Rosana Britto para cantar e tocar comigo revezando com o Zuza. Não era coisa para dar continuidade a princípio, pois era muita gente e era difícil fazer um trabalho maior. Mas nesse período em que eu estava preparando o baile do Caiçaras me ligaram para viajar com o Chico Buarque para Córcega. Quando voltamos gravei o Francisco em Le Zenith, em Paris. Essas coisas que vão desenrolando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: É inesquecível aquela passagem em que o Chico fala: - “Joãozinho de Juiz de Fora”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Na época do Jorge Ben nós formamos A cor do Som também com o Mú, Gustavo,  Dadi, o Armandinho e depois veio o Ari Dias que estai aí tocando com eles. Eu tocava com o Jorge e saiu o Mú, saiu o Gustavo e eu não iria sair, o homem ia ficar louco (risos) se a banda acabasse toda. Sempre gostei do trabalho do Jorge, como gosto até hoje, ele  sempre foi importante em minha trajetória. Benito me jogou para o Jorge e o Jorge me jogou para o mundo. Hoje não é mais como antigamente, antes eu ia ao Rio para gravar uma música só, hoje tem muitos percussionistas e bons. Quando algum se lembra de mim me chama, mas essa opção minha por ficar em Juiz de Fora me prejudica um pouco. Mas a vida do músico é isso, quando ficamos conhecidos é rodar pelo mundo mesmo.  O pessoal quando me encontra no aeroporto já me oferece trabalho. E eu também tenho os meus projetos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Então vamos falar desse filme que acabou de ser lançado: "João do ritmo", um curta metragem dirigido por Adriano Medeiros. Esse filme aborda com muita propriedade e delicadeza a sua carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão:  Nossa parceria deu muito certo, nos tornamos grandes amigos. O Adriano passou um dia no Cine Palace para assistir a um filme e me viu, se aproximou, pediu licença e começou a falar da idéia que tinha de fazer um filme sobre mim. A conversa rendeu tanto que ele até perdeu três sessões. Ele pegou meu telefone, encontrou com a Rose Valverde que trabalha comigo na divulgação do meu trabalho e começou a elaborar o projeto através de conversas com ela e comigo. O filme está aí e estou feliz, pois está tendo uma receptividade muito grande. Foi exibido faz uma semana e já esgotaram as cópias, vamos ter que fazer uma segunda edição.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Atualmente só crescem e enriquecem os documentários sobre música popular brasileira, isso tem se tornado um grande filão. Fizeram o Lock, sobre Arnaldo Batista, Um morcego atrás da porta, sobre o Jards Macalé e outros mais. Estão pegando personagens da nossa música que de certa maneira remaram na contracorrente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Tem inclusive o filme O Rei do Samba,  sobre o Geraldo Pereira, feito pelo Zé Sette, neste eu participo. Eu tenho que agradecer a toda hora, costumo dizer que Deus e Nossa Senhora colocam as duas mãos em minha cabeça.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como ouvinte eu pude comprovar essa influência cubana em sua música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Sempre teve. Perto da  minha casa na Rua Barão de São Marcelino tinha um campo e lá sempre se instalavam circos, parques de diversões. Então tinha trapézio, palhaço e outras coisas no circo, enquanto no parque tinha globo da morte, essa proximidade  me proporcionou um  contato com esse meio .  As pessoas do circo ficavam lá em casa para tomar banho e tal, inclusive eu cheguei a viajar com um circo, um circo pobre, uma filha do dono do circo dançava e a outra era rumbeira. Eu acompanhava as meninas tocando também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Felliniano isso né? Os lindos temas de Nino Rota. Observei que no filme passam alguns flashes da comemoração dos seus setenta anos que aconteceu no Teatro Central. Uma verdadeira festa.  O teatro estava lotadíssimo e a multidão ovacionava vocês. É bonita a relação que você mantém com as cantoras, numa das cenas em que aparece você e elas de mãos dadas fica evidente esse carinho e cumplicidade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Chamei várias cantoras: Alzira Bianco, Marli, Isabella ladeira, Rosana Britto e a Cristiane Visentin, que veio especialmente dos Estados Unidos para o meu show. O Zuza também veio de Belo Horizonte. Eu tenho sorte por ter essa amizade com as cantoras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: O seu cd também dá ênfase às cantoras, você praticamente divide cada faixa com uma cantora: Mirinha Alvarenga, Tânia Bicalho, Cristiane Visentin, Rosana  Britto e Isabella Ladeira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão:  Eu sempre faço assim, convido as pessoas, não dá para lembrar de todo mundo. Quando a gente encontra na rua acontece, como ainda nós dois vamos fazer coisas juntos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Com certeza! Seu disco tem a sua personalidade e a identidade de cada intérprete. Você tem esse mérito de ser um percussionista que está inteirado com todos os sons. Não se restringe.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: A Mirinha falou: _ Você consegue colocar no palco pessoas que até não possuem muita conexão musical, mas que dá um ótimo resultado. Eu consigo fazer isso e é muito bom. Essa casa em que estamos agora, o Nossa Terra, é um espaço em que estou tendo a oportunidade de fazer uma direção, convidar os músicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Falando então de espaço, o que você acha dos espaços musicais existentes em Juiz de Fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Geralmente espaço é a gente que  cria, e eu dou muita sorte. A casa Rosada em que trabalhei com o Lúdica Música foi um período muito bacana em minha carreira. Toquei muitos anos com o Lúdica. Começou a aparecer fila para assistir ao trabalho da gente. Na época em que eu tocava em baile o pessoal ficava noivo, casava e frequentava os salões de baile. O pai levava o filho que levava a namorada e isso vem acontecendo ainda de certa forma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E costumam rolar participações nos trabalhos do Lúdica Música?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Fiquei muitos anos com o Lúdica, tocamos juntos na abertura do Pan, elas me convidaram para participar e foi uma satisfação muito grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E pelo que vejo você não para, é telefone que toca o tempo todo, amigos que querem te abraçar, enfim, movimento contínuo não é João? E agora com o filme então o ritmo vai ficar frenético, pois imagem é uma coisa que marca ainda mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você é realizado musicalmente não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Sim, sou realizado. Muito feliz com o que a música meu trouxe e me traz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Isso é tudo. Muito obrigada João. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joãozinho da Percussão: Eu é que agradeço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8294214984938293487?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8294214984938293487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8294214984938293487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8294214984938293487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8294214984938293487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/09/entrevista-com-o-percussionista.html' title='Entrevista com o percussionista Joãozinho da Percussão'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TIfC8B0KpWI/AAAAAAAAAW4/21ZD4PmUxWA/s72-c/dani+entrevist.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-9048930351236092801</id><published>2010-08-07T05:20:00.000-07:00</published><updated>2010-08-07T05:23:13.596-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o flautista, compositor e arranjador Kim Ribeiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TF1P_bqY6oI/AAAAAAAAAWg/c__jh2Uf8gQ/s1600/kim_ribeiro.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 361px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TF1P_bqY6oI/AAAAAAAAAWg/c__jh2Uf8gQ/s400/kim_ribeiro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5502642270892518018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quando começou a música na sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kim Ribeiro: Foi por esta flauta de madeira que está no meu colo: quando eu era criança o papai tocava na Orquestra Filarmônica, estante de segundo flautista (o primeiro flautista, o Villani tinha uma flauta de ouro). Eu achava um barato a flauta de ouro, mas a que tinha era de madeira e quando meu pai não estava tocando eu de vez em quando a pegava. Ele ficou com ciúmes e me deu um flautim de madeira, mas era uma técnica diferente que não foi muito para frente. Quando chegou a época de Bossa Nova, 63, 64, começaram a acontecer shows de Bossa Nova aqui na cidade, o Heraldo Xavier que era um jornalista muito amigo meu (mais velho do que eu) entrosado  com a Sueli Costa, o Walmiro, a turma que fazia som, me convenceu a pegar a flauta do papai.  Na realidade na minha casa tinha música, mamãe tocava, minhas irmãs eram obrigadas a tocar piano, na minha casa tinha um piano de cauda muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você então começou pela flauta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kim Ribeiro: Sim: comecei pela flauta; sempre fui só flautista, nunca toquei piano pra valer.  Quando fui estudar harmonia, composição e contraponto com Guerra Peixe, fui de certa maneira “obrigado” a encarar o piano, pois ele não admitia como aluno se não tocasse no piano pelo menos uma peça do “For Children” de Bartok: o básico tinha que saber. Eu estudei um pouco de piano,  dedilho e quando vou montar meus acordes gosto do piano. Mas conseguir tocar na rapidez de um pianista, isso não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como foi o seu percurso enquanto flautista? Você passou por conservatório ou é mais autodidata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kim Ribeiro: Eu comecei completamente autodidata, fazia esses shows todos de ouvido, ouvia o Bebeto tocar no Tamba Trio, o Danilo Caymmi, o Franklin que tocava com o Baden Powell, os americanos um pouco, Copinha, Altamiro Carrilho (ouvíamos a bandinha dele) e a referência de flauta que eu tinha era aquilo. A princípio fui pegando tudo de ouvido, mas a técnica o meu pai me passou.  Saí de juiz de Fora e fui para o Rio em 68, quando eu estava com quase 20 anos. Daí sim, fui estudar pra valer: com Guerra Peixe estudei harmonia, composição, essas coisas; com a Esther Scliar tive ditado, iniciação musical geral, e análise musical vim a estudar depois quando eu já estava sabendo melhor. Com o Homero de Magalhães tínhamos música de câmara: ele regia mais ou menos, orientava como funcionava a música de câmara. E o meu primeiro professor de flauta foi o Lenir Siqueira, que era o flautista de “Os boêmios”, grupo que tocava na Rádio MEC, e logo depois veio a Odette Ernest Dias, que é a minha grande mestra até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Pois então, fale de sua relação com a Odette: já vi vocês desenvolverem trabalhos juntos como no seu disco Jubileu. Como é que se deu e tem se dado essa proximidade, enfim esse intercâmbio afetivo e musical com a Odette?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kim Ribeiro: Ela é exatamente vinte anos mais velha do que eu, nos conhecemos em 69, ela é francesa, ganhou o primeiro prêmio de flauta em Genebra e na época já era uma grande flautista.  O Eleasar de Carvalho estava renovando a Orquestra Sinfônica Brasileira e precisava de músicos novos, foi na França e recambiou pelo menos dois: Ofereceu a ela e ao Noel Devos (do fagote) postos com um salário razoável e os dois vieram da França (sem nada) para tocar na OSB. A Odette foi corajosa, pois tinha só vinte anos na época. Depois, além desse trabalho na OSB ela começou a dar aulas, deu aula na nos Seminários de Música Pro Arte e eu fui um de seus primeiros alunos ao lado de Mauro Senise e Raul Mascarenhas. Depois Paulinho Jobim, Danilo Caymmi, todos esses foram alunos dela. Fui me formando, estudei com ela por cerca de dois a três anos, entrei para a Banda do Corpo de Bombeiros, comecei a tocar flautim (éramos obrigados a tocar e estudar demais) por isso acabei evoluindo muito rápido. Daí ela foi para Brasília e me colocou como substituto: tinha muita confiança em mim, gostava do meu trabalho. Depois fui para o Rio Grande do Sul, conheci uma gaúcha, me apaixonei, e com essa gaúcha eu dei uma pirada, largamos tudo e fomos parar lá no Amazonas. Fomos morar numa dessas casas de beira de rio (chama-se Jatapu, afluente do Uatumã) a sete dias de barco de Manaus, uma aventura. Peguei malária e resolvi voltar em 75 para Minas. Não sabíamos, mas ela já estava grávida do nosso primeiro filho, o Iuri. Fixei-me aqui em Juiz de Fora, dei aulas no Conservatório Estadual. Depois em 78 nasceu minha filha Elisa e minha mulher achava que a vida aqui era muito devagar. Seguimos então para Porto Alegre: a princípio eu não conhecia ninguém, mas me enturmei facilmente e morei lá de 80 a 85.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E a sua música sofre influência desses deslocamentos? Tem a mineiridade enquanto marca de nascença, mas em seguida o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kim Ribeiro: Sem dúvida. De qualquer modo a música não erudita foi a que me atraiu mais, embora a minha formação tenha sido erudita. Não gosto essencialmente da música erudita, eu a acho muito fechada: o músico erudito tem que tocar o que está escrito e na mão de um maestro, é uma tortura (risos). Participei de algumas orquestras no Rio: a Juvenil do Teatro Municipal e depois a da UFRJ em que eu era solista da orquestra. Lá toquei peças importantes e foi legal. Mas eu de fato não gosto, depois que você pega o repertório numa orquestra começa a repetir e não se tem muita escolha. É muito raro você ter um solo – e quando o tem, está todo escrito - enquanto o jazz permite o solo com improviso, criação. Na música popular a grande vantagem é essa: você usa o músico e ele tem a liberdade de se expressar, então a música fica com sotaque, não tem jeito. O choro que gravei com a turma lá no Rio é carioca, o calango que eu faço com a turma aqui da Floresta é completamente mineiro. No Rio Grande do Sul experimentei um negócio mais universal e completamente moderno. Eu acho isso interessante e nesse sentido sou muito camaleão. O bom da música é isso e por isso acho bom o jazz, onde a música é um pouco o resultado da soma de quem está tocando: é o grupo, acho isso muito bonito. Mas de certo modo é um trabalho difícil, como foi o lance da improvisação total na ocasião em que fizemos o Jubileu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: O CD Jubileu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kim Ribeiro: O Jubileu aconteceu nos meus 50 anos: vieram a Odette, a Andréa E. Dias, o Franklin, Mauro Senise, Don Camilo na percussão, Raimundo Nicioli, o Carlos Ernest Dias (que tocou sax, flauta e oboé), Luis F. Zamith no cello, Dudu Lima, Márcio Halack e a turma toda do Choro &amp; Companhia (daqui de Juiz de Fora). Era muita gente, passamos as músicas aqui no Seminário da Floresta, ensaios intensivos e variados, e atacamos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Ao idealizar a execução desse disco você pensou em reunir essa turma de músicos que se afinavam com você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kim Ribeiro: Com todos eles eu tinha uma certa afinidade. A idéia foi fazer completamente ao vivo e por isso essa pauleira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E os projetos atuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kim Ribeiro: Irei viajar em setembro para Valencia, Barcelona e Ibiza junto com o baterista Big Charles e a tecladista Valéria Mendonça. Tocaremos choro, samba e Bossa Nova. &lt;br /&gt;Para sobreviver todo ano tenho feito arranjos para o grupo de flautistas da Pro Arte do Rio e estou elaborando arranjos para um cd de músicas mineiras e autorais que provavelmente sairá este ano. Como o mercado está muito ruim para tocar, tenho trabalhado mais com programação como é o caso do banco de dados do novo MIS (Museu da Imagem e do Som do Rio). O plano futuro é de (ao retornar da Espanha) agitar o Mosteiro do Som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Fale sobre o Mosteiro do Som &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kim Ribeiro: É basicamente um espaço de encontro de quem produz arte e também de quem curte. Situado na Floresta, onde tenho minha casa, o Mosteiro é um espaço propício para os compositores e os artistas em geral se encontrarem. enfim. A proposta é ser um ponto de encontro de artistas. Por exemplo: criar oficinas num espaço aberto para se discutir novos recursos e possibilidades, como o lance de trabalhar com música no computador, onde será possível propiciar uma boa troca de experiências. Tenho o objetivo de organizar isso quando voltar da viagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Então você está em pura atividade. Fico feliz por saber. Obrigada pela entrevista e muito sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kim Ribeiro: Eu sou quem agradece o espaço nessa galeria de ricas crônicas que você vem produzindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-9048930351236092801?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/9048930351236092801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=9048930351236092801' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/9048930351236092801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/9048930351236092801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/08/entrevista-com-o-flautista-compositor-e.html' title='Entrevista com o flautista, compositor e arranjador Kim Ribeiro'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TF1P_bqY6oI/AAAAAAAAAWg/c__jh2Uf8gQ/s72-c/kim_ribeiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-1124456759180344333</id><published>2010-08-01T12:33:00.000-07:00</published><updated>2010-08-01T12:37:47.485-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com a pesquisadora Heloísa Tapajós</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TFXM2UMomVI/AAAAAAAAAWY/jhPRH9JkgG4/s1600/tapajos.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 282px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TFXM2UMomVI/AAAAAAAAAWY/jhPRH9JkgG4/s400/tapajos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5500527753409632594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloísa Tapajós: Estou me sentindo meio “papéis invertidos” aqui, pois quem costuma fazer entrevistas sou eu (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você vem de uma família de músicos e é pesquisadora musical. Quando começou a música em sua vida? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloísa Tapajós: A música sempre fez parte da minha vida, da vida da minha família, porque na minha casa se ouvia todo o tipo de música. Eu tenho quatro irmãos. Minha mãe é pianista, não pianista profissional, mas ela estudou no Conservatório Brasileiro de Música. E nós fomos criados ouvindo a mamãe tocar piano. Ela tocava peças eruditas mas também tinha o hábito de comprar partituras daqueles standards americanos de Gerschwin e Cole Porter, e aí eu fazia um duo com ela, piano e voz. Quando eu me cansava de ficar estudando, ela ia pro piano e a gente brincava disso. E eu tinha certa intimidade com a música erudita não só por causa das peças que minha mãe tocava mas também por causa do ballet. Eu estudei ballet clássico por 12 anos. E meu pai gostava de música popular e tinha em casa aquela coleção que nós todos escutávamos também, Maysa, por exemplo. Com relação aos meninos, sou a única mulher entre cinco filhos, o Sérgio, o Dadi, o Toca e o Mú. Cada um tinha um interesse diferente por música e, como só tinha uma vitrola em casa, todo mundo ouvia a música de todo mundo. Então, tinha a música do Sérgio, que era aquele rock do Bill Halley e Seus Cometas, tinha a música do Dadi, Rolling Stones, etc., e depois mais tarde o caçula, o Mú, com Chick Corea... Então, apesar de eu ser absolutamente apaixonada por música popular brasileira, e hoje trabalhar nessa área, eu até tenho alguma informação musical de outras vertentes por conta dos meninos, da minha mãe e do meu pai. Enfim, de tudo isso que se misturava. Na minha vida, a música brasileira falou mais forte com a Bossa Nova. Eu brinco com o Carlinhos Lyra que eu pulei diretamente de Celly Campello para “Pobre Menina Rica”, porque em menina eu gostava muito da Celly Campello, eu ouvia todos os discos dela que o meu pai comprava pra mim. Então, da Celly Campello, um dia eu fui cair no musical “Pobre Menina Rica”, que estava passando ali perto da minha casa, em Ipanema, naquele teatro que tinha na Rua Jangadeiros. E eu fui ver como se aquilo fosse um especial meio infantil, como se o título sugerisse algo assim. Saí de lá totalmente nocauteada por aquela trilha sonora de Carlinhos Lyra e Vinicius de Moraes... Saí maravilhada com aquilo e voltei várias vezes! Eu me lembro que eu voltava e voltava, e acabou se tornando meu programa de fim-de-semana. Eu sabia de cor todas as músicas e quando saiu o LP eu cantava todas. Sou apaixonada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Então “Pobre Menina Rica” foi um marco para você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloísa Tapajós: Foi impactante, nocaute, e o início desta minha paixão. E, a partir daí, passei a procurar tudo o que estava perto disso. Eu cheguei a tudo da Bossa Nova. Eu tinha tudo, ouvia Bossa Nova o tempo todo. João Gilberto sem parar, Tamba Trio, as músicas de Menescal e Bôscoli, depois Edu Lobo, Wanda Sá... Me lembro que, por conta disto, fui estudar violão na academia do Carlinhos Lyra. Não aquela primeira, já a segunda, na vila da Rua Dias da Rocha. Estudei lá com o Marco Antônio Menezes, um compositor que nem sei por onde anda, que tem uma música chamada “Manhã de liberdade” que é belíssima. Eu me fechava no meu quarto (era a única menina da casa e tinha um quarto só meu) e tocava o meu violãozinho... Eu tinha o cabelo comprido como o da Wanda Sá e costumo brincar com ela contando que, ali no meu quarto, eu jogava o cabelo pra trás, pegava o meu violão e... Eu era a Wanda Sá! “Só me lembro muito vagamente...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E esse desejo de seguir carreira enquanto cantora surgiu a partir daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: Não, nunca tive o desejo de seguir carreira de cantora. Era uma coisa apenas de curtição, aquilo era a grande fruição da minha vida. Era a Música! Eu sou apaixonada por música, não entendo a vida sem música. Eu nunca pensei em seguir carreira como cantora e nem imaginava que iria surgir algum artista dentro da minha casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E nesse percurso seus irmãos já estavam todos encaminhados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: Não, nessa época de 62,63, em que eu tinha 15 para 16 anos, meu irmão caçula, o Mú, tinha 6. Eram todos garotinhos e ouviam Bossa Nova por minha causa. Eu sou uma representante básica da minha geração, de tudo o que todas as meninas da Zona Sul, de Ipanema, ouviam. E aí quando eles começaram a crescer, eu ouvia música com o Sérgio, que é mais da minha idade. Sérgio é produtor musical, produziu vários discos do Chico Buarque. Com o Sérgio, comecei a ouvir Beatles e algumas coisas que interessavam a nós dois. Da música internacional veio principalmente Beatles, como já estava em mim tudo anterior, o legado da minha mãe e do meu pai. Sou apaixonada por Gerschwin e Cole Porter. E aí começaram a surgir os artistas em casa e eu comecei a estar nessas platéias, Os Novos Baianos, A Cor do Som... O que aconteceu é que houve uma troca muito grande entre nós. Cada um com seus gostos próprios influenciou de certa maneira a formação do outro ali, pois se ouvia de tudo na minha casa. Depois, quando os meninos começaram a tocar, quando o Sérgio começou a trabalhar na PolyGram, eu já estava formada, fui trabalhar na gravadora Odeon. Eu me formei em Sociologia nos anos 70 e, nessa época, era muito complicado trabalhar com Sociologia. Então, eu fui fazer uma pós-graduação em Demografia. Era muito difícil trabalhar como socióloga, não havia trabalho... Além do mais, a gente estava no auge da ditadura, era muito complicado até estudar Sociologia. Eu me lembro que eu encapava meus livros com papel pardo para poder pegar com segurança o ônibus Gávea-Leme, de Ipanema para a PUC, porque sabia que Marx, Engels e Rosa Luxemburgo podiam me comprometer de alguma forma... Depois, eu fiz essa pós em Demografia, pois eu precisava chegar ao mercado de trabalho. Tentei um caminho por aí mas não deu muito resultado. Aí, me apareceu uma proposta para trabalhar no Departamento Internacional da gravadora Odeon, porque eu falava inglês e sabia datilografia. Depois, fui transferida para o estúdio da gravadora, trabalhei um tempo lá também. Eu adorava! Era a época do Clube da Esquina... Depois veio um período da minha vida em que fiquei em função da minha família. Me casei, tive meus filhos Bruno e Marcelo. Vivi plenamente a minha maternidade e serei sempre grata ao Paulinho por isto. Na verdade, fui retomar minha atividade profissional já no final da década de 90, com Bruno e Marcelo já mais independentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E nesse ínterim da maternidade, você teve algum envolvimento maior com a música?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: Profissionalmente, não. Este trabalho que exerço hoje, em 2010, teve início exatamente em 1998. Em 1990, eu comecei a fazer o mestrado em Sociologia aqui na PUC mas não concluí. Fiz os créditos obrigatórios mas em seguida me desliguei do programa. Depois, em 1998, voltei à PUC. Daí conheci a Santuza Cambraia Naves, através do Eduardo Raposo, e ela me recebeu generosamente em sala de aula. Dei uma reciclada assistindo a algumas disciplinas lecionadas por ela. Santuza foi a minha grande fada madrinha. Tenho algumas pessoas que são fundamentais na minha vida profissional. A primeira delas é Santuza Cambraia Naves. Tive a sorte de ser generosamente absorvida dentro de um lindo projeto dela, “Da bossa nova à tropicália”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Interessante pois ela une a música ao conhecimento sociológico que advém da formação dela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: Pois é. Quando nos conhecemos, a primeira coisa que eu disse a ela foi o seguinte: “Nossa! Você é tudo o que eu queria ser! Você junta toda a sua formação em Sociologia e Antropologia com o grande barato da música popular brasileira e tudo o que isto significa!”. Ela me convidou para integrar a equipe desse projeto maravilhoso chamado “Da bossa nova à tropicália”. Este foi o meu primeiro trabalho profissional com ela. Depois veio o seminário na Cândido Mendes, que teve até o Caetano em uma das mesas. Em seguida, Santuza foi convidada para assumir a vertente “Da bossa nova aos dias atuais” do Dicionário Cravo Albin da MPB. Ela então montou uma equipe convidando outras três sociólogas: Juliana Jabor, Micaela Neiva Moreira e eu. A gente trabalhava sob a coordenação dela. Alguns meses depois, as meninas estavam envolvidas com as provas de admissão ao mestrado, ficou complicado pra elas. Santuza com as turmas da PUC e da Cândido Mendes, e ainda trabalhando em outros projetos, me entregou a vertente e falou: “Agora vai. Peguei esse trabalho pra você. Agora vai sozinha”. E eu fui... Com o aval carinhoso do Ricardo Cravo Albin, outra referência na minha vida profissional. Então, de 2000 pra cá, assumi a responsabilidade desta vertente “Da bossa nova aos dias atuais” e exerço este ofício, atualizando todos os verbetes e incluindo novos verbetes no ar. Neste trabalho, aconteceu meu encontro profissional com o Júlio Diniz, atuei durante sete anos sob a coordenação acadêmica dele no Dicionário. E Júlio se tornou meu padrinho querido, me levou para outros trabalhos maravilhosos, como a pesquisa para o documentário “Palavra Encantada” junto com o Fred Coelho. Então Santuza e Júlio são definitivos na minha vida profissional. Ricardo Cravo Albin também. Dessa época pra cá, fiz vários outros trabalhos, como a pesquisa de conteúdo e a revisão do texto original do livro “Música, ídolos e poder – Do vinil ao download”, do André Midani. Tenho o maior orgulho desse trabalho, acho fundamental esse livro. Durante dez meses trabalhei na pesquisa, tinha encontros quinzenais com o André na casa dele. André me emocionou várias vezes, chegou a me fazer chorar contando a história da Chavela Vargas. Ele é um grande contador de histórias, o livro é muito lindo. A pesquisa foi em 2004. Depois o André assumiu a coordenação geral do Ano do Brasil na França e, quando se liberou dessa função, escreveu o livro. Aí me mandou por e-mail para eu checar alguns dados, fiz várias notas de rodapé e a revisão do texto original. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você acha que tende a crescer, ou seja, ganhar cada vez mais lugar e respaldo a música popular brasileira no meio acadêmico? Você acha que tende a ampliar esse espaço de discussão, de respeitabilidade, de crítica? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: Com certeza. Tem o José Miguel Wisnik e o Luiz Tatit, em São Paulo, Júlio Diniz e Santuza Cambraia Naves, no Rio, e vários outros acadêmicos super talentosos se dedicando a estudos nessa área.&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Não temos ainda aqui na PUC uma cadeira chamada Música popular brasileira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: Como não tem nas escolas de ensino médio. E isso é da maior importância, esse estudo da música popular brasileira, digamos assim, a parte historiográfica, isso deveria existir desde o ensino médio. Falta muita informação. Eu me considero uma pessoa privilegiada, pois tive a informação dentro da minha casa. A formação do nosso gosto musical está em função daquilo que ouvimos. Na minha juventude, a televisão era um veículo de comunicação de massa importante, me permitiu ouvir o Caetano, o Chico Buarque, os festivais de música... Hoje essa questão é complicada, salvo algumas exceções, como aquele programa maravilhoso do Chico Pinheiro. Ele faz um trabalho bonito na TV. Hoje em dia, eu nem ouço rádio mais. Por outro lado, tem cada disco que eu recebo que eu fico encantada. E fico impressionada como aqueles discos não estão sendo ouvidos por milhões de pessoas... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Tem a Rosa Passos por exemplo que é uma cantora fantástica e quase ninguém conhece&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: Pois é, Eveline Hecker, Jackie Hecker, duas cantoras super talentosas. Marianna Leporace. Muitos trabalhos maravilhosos. Alberto Rosenblit, Dôdo Ferreira... Nem dá pra listar. Mas hoje se tornar visível não é como antigamente. Agora é tudo uma questão de mídia, de mercado, e com essa coisa da revolução digital ficou tudo diferente. Agora, que a nossa música continua linda, continua. Isto eu digo de peito cheio. Tem coisas maravilhosas sendo feitas hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Para voltarmos e encerrarmos a questão do cinema é interessante frisarmos que nenhum desses filmes sobre música foram filmes que exploraram um certo caráter folclórico ou fetichizante da música popular brasileira. São filmes que respeitam a essência do artista, a essência do Tom, do Vinicius, do Macalé. Que não é uma proposta assim, digamos, vamos atingir o mercado mostrando um Macalé porra louca estereotipado e tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: E quero que venham por aí muitos outros documentários, eu até tenho a idéia de fazer um. Na verdade, pretendo escrever um livro que poderia gerar um documentário, já tenho esta pesquisa finalizada, uma parceria com o Maurício Gouvêa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Seria interessante fazermos um documentário enfocando as compositoras brasileiras como Sueli Costa, Fátima Guedes, Ana Terra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: Pois é, tem que ter este registro. E a gente trabalha com isto, não é Dani? Temos que manter a memória viva. O mais incrível nesse país, que é um país multicultural, multimusical, é que na verdade há espaço para tudo. Se você me perguntar qual música que mais gosto, eu não sei. Vou te dizer várias. Na música, como em qualquer outra manifestação artística, o que importa é a qualidade, não o gênero. Eu estou mais ligada nessa vertente da bossa nova, do jazz, mas tem outras coisas que eu adoro. O disco da Maria Gadú, por exemplo, eu estou apaixonada. Acho essa menina um talento, ela sabe o que está fazendo, tem muita personalidade pessoal e musical. Mostra um trabalho autoral, é bonito, eu estou encantada. Enfim, tem muita coisa vindo por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E qual o trabalho atual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: Continuo com minha função de pesquisadora titular do Dicionário Cravo Albin da MPB, este é um trabalho que me toma bastante tempo, de atualização de verbetes e produção de verbetes novos. Sou também pesquisadora titular do Núcleo de Estudos em Literatura e Música (o Nelim), aqui na PUC. E em abril recomeço meu trabalho na produção artística da série “Sarau Repsol”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: E você não deixa de ser uma referência na pesquisa sobre MPB. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heloisa Tapajós: Eu não recuso trabalho (risos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Adorei Losinha. Acho que os papéis invertidos funcionaram rs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tapajós: Pois é... Também adorei! Super obrigada, Dani.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-1124456759180344333?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/1124456759180344333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=1124456759180344333' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/1124456759180344333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/1124456759180344333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/08/entrevista-com-pesquisadora-heloisa_01.html' title='Entrevista com a pesquisadora Heloísa Tapajós'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TFXM2UMomVI/AAAAAAAAAWY/jhPRH9JkgG4/s72-c/tapajos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-3483782275628233507</id><published>2010-07-31T15:54:00.000-07:00</published><updated>2010-07-31T15:57:03.175-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o pianista, compositor e arranjador Márcio Hallack</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TFSqINL2XTI/AAAAAAAAAWE/w-ECP3FbwQI/s1600/marcito.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TFSqINL2XTI/AAAAAAAAAWE/w-ECP3FbwQI/s400/marcito.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5500208102881254706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Como apareceu a música em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio Hallack: Na verdade eu nem sei dizer como surgiu a música na minha vida, eu me lembro que um dia eu sentei no piano e comecei a tocar. Tinha um piano em minha casa, eu morava na Rua Marechal Deodoro 171, até o nome é engraçado (risos), apartamento dez. Tinha um piano lá, era muito comum ter piano em casa naquela época. Quando eu tinha cinco anos de idade uma tia minha chamada Bia, que mora em São Paulo, irmã da minha mãe, me levou para assistir ao filme Suplício de uma saudade. Acho que já cheguei a comentar isso com você uma vez. E isso é verdade, porque isso é um fato da minha infância que eu lembro mesmo. Me lembro de ter sentado e tocado o piano, mas a coisa começou no filme que tem a música “Love is many explendored thing” (cantarola). Eu pedi para ver mais um pouquinho o filme, a sessão seguinte eu queria ver. Ela perguntou: “- mas porque você quer ver de novo?” Eu disse que queria ouvir a música. Cheguei em casa com o dedinho e toquei a música, eu me lembro direitinho disso, da sala onde ficava, do piano, tudo. Daí para frente  começou esse lance de estudar, estudar, não música, o colégio normal. Eu tinha uma ansiedade de tocar de qualquer maneira e ninguém me deixava estudar direito. Eu arrumava um professor aqui, ali, mas não dava certo. Aos dezoito anos resolvi assumir a música, fui atrás de professor particular para estudar música, para escrever como eram as notas, então eu comecei a estudar direto e deu um boom assim violento. Depois que nos mudamos para a rua Tiradentes eu ficava no meu quarto estudando para o vestibular e ao mesmo tempo debruçado horas no piano. Meu piano ficava dentro do meu quarto, em frente a minha cama. Eu levantava e tocava piano, antes de dormir tocava piano, parava de estudar e tocava piano. Minhas irmãs não aguentavam mais e falavam: “- Você não fica cansado sentado aí nessa cadeira com o piano..” E eu não parava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Então a partir dos dezoito anos você assumiu de fato a música, e partiu então para o conservatório?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Fui para o conservatório estadual, no estadual fiz um pouco, não cheguei até o fim. Quando eu tinha dezenove ou vinte anos fui participar de um concurso de piano em Barbacena, mas era o conservatório brasileiro e eu tinha estudado no estadual França Americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você se sentiu um traidor (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Uma espécie de traidor, mas eu vi que era um concurso. Fui lá e toquei o Noturno de Chopin, Apanhei-te cavaquinho, do jeito que era mesmo, normal, rápido demais (gesticula) e toquei uma outra que foi Dança Negra, do Guarnieri. Guarnieri é um dos meus ídolos, maravilhoso. Grande Camargo Guarnieri. Ganhei primeiro lugar, não acreditei nesse negócio. Aí voltei com o troféu todo empolgado e me lembro de um fato interessantíssimo, eu estava com um amigo na rua, agora não me recordo quem era, comecei a falar de saxofonistas, cheguei a falar do Coltraine e o cara não sabia quem era Coltraine naquela época, devia ser setenta e poucos oitenta. Aí esse colega meu não sabia quem era o Coltraine, passou um cara, um transeunte na rua e ouviu a conversa e virou para trás e falou: “- Ele não vai saber quem é, você tem que começar pelo Stan Getz”. Isso me marcou muito. Que loucura isso, aqui em Juiz de Fora na Rua Halfeld. Nessa época eu me apresentava também muito no Pró-Música como pianista solo, eu era muito louco, chegava lá e tocava. Como eu não tinha estudo formal, eu era cabeça independente, então o que vinha na minha cabeça eu tocava. Acho que tem que juntar tudo na verdade, conhecimento, técnica. Hoje eu voltei muito a esse lance de sentar e deixar a inspiração solta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E nessa época já começou a florescer o lado compositor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Demais, era o que mais tinha pois eu sentava e tocava qualquer coisa que vinha na minha cabeça. Então para mim aquilo era música que eu inventava, mas isso me deu um up grade muito grande. Quando as pessoas falavam, vamos tocar free, eu já sabia. Eu faço isso há mais de quarenta anos, já sei direitinho o que é essa história. Tivemos um grupo aqui também chamado A Pá, depois chegou o Milton Nascimento, o Milton vinha na cidade, andava com a gente para cima e para baixo de carro. Ainda nem estava no Clube da Esquina. Ele andava no meu carro, eu tinha um Fusca. Ele gostava de ficar vendo paisagens no morro, tínhamos o grupo A Pá que era formado pelo Guto, Bilinho, Xico. A Pá começou na minha casa. O Bilinho acabou até vindo depois, o Xico Teixeira era um dos primeiros integrantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E o Milton tinha um envolvimento com o grupo de vocês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Tinha demais, vinha para cá e saía direto conosco. O Marcinho Itaboray depois chegou, depois também o Ronaldinho irmão dele. Tinha o Genival que tocava flauta, o Helinho que tocava contrabaixo. Tínhamos outros grupos junto com A Pá, fazíamos som aberto na Academia, na Universidade. Todo mundo barbudo, com calça boca de sino, hippie. Hipão mesmo, com todos os credenciais dos hippies da época. Todo mundo louco demais naquela época, todos estudando, uns estudavam engenharia, outros administração, outros medicina, mas a música não acabava nunca. Eu tocava muito sozinho, mas o grupo A Pá participou de muitos festivais. Depois veio um outro chamado Lando Magog, esse grupo foi muito importante, um grupo de música experimental mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Nesses dois grupos vocês tocavam mais composições autorais ou releituras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Tinham autorais, a maioria era autoral, releitura era uma ou outra. Eu tinha muita música. Na Pá  tinha música de todos, no Lando Magog tinham mais músicas do Kim, o Kim aliás que criou essa idéia da música experimental. Era eu, Kim, Big Charles, Bilinho, não lembro mais quem estava de contrabaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E vocês têm algum registro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Alguma coisa em fita cassete, mas era fantástico. O Lando Magog rompeu fronteiras, fomos fazer show em Florianópolis no teatro mais importante, fizemos um show lindo lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você mencionou o Milton, sei que tem envolvimento musical com outros mineiros também como Nelson Ângelo, Toninho Horta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Sim. Daí foi surgindo. O Bilinho foi embora para o Rio e se profissionalizou como violonista, o Guto se voltou mais para a medicina, assim eu segui paralelamente tentando conciliar a medicina e a música. Consegui até gravar o meu primeiro LP com direção do Nelson Ângelo, que foi o Talismã. Foi importantíssima a participação do Nelsinho, fizemos shows juntos. Ficamos amigos mesmo, combinamos de nos encontrar no Rio, no extinto Luna e ele falou: - “Doutor Hallack vamos fazer o seu disco”. E acabamos fazendo o meu primeiro LP, ficou bonito, com a participação da Telma Costa. Acho que vou colocar essa música no meu cd novo que está para sair, não posso deixar de fora, ela se chama Música. Telma, Nelsinho, Fernando Leporace, Novelli, Nelson Ângelo, Robertinho, Mauro Senise. É um disco que não consegui lançar como deveria e nem transformar em cd. Fiz um remix por minha conta, tenho ele em casa em cd, mas quero ainda pegar o LP e passar para cd pois vale a pena, tem arranjos lindos do Nelson Ângelo, participação do Jacques Morelenbaum. Depois disso, estudando medicina e tendo um disco gravado com essas grandes feras, você fica meio maluco, será que eu faço isso, faço aquilo, fiquei meio maluco. As pessoas costumam me perguntar, de que você gosta mais, quem nasceu primeiro, acho uma besteira isso, uma pobreza muito grande. Se você não gosta de uma coisa você larga, você continua fazendo os dois ou porque gosta ou porque precisa. De alguma forma todos os dois me dão subsídios para alguma coisa. Ou para o sustento, ou relacionamento, ou ambos. Então eu nunca desgostei e sempre brinquei, são as duas, a música e a medicina, as duas são femininas. E nem uma das duas tem ciúmes uma da outra. Isso responde uma porção de coisas, daí eu comecei a me especializar, convivi com muita gente no Rio, com Luizinho Eça, tocava lá na noite, fugia sempre de Juiz de Fora para estar em contato com novidades. Fiz grandes amizades com todo mundo que você pode relembrar da música instrumental. Depois veio a época do Hermeto, quando o instrumental já estava pegando fogo e o Hermeto veio com aquele som novo dele. O Hermeto e o seu grupo formado pelo kakau, Jovino, ficaram uns dez dias lá em casa. Itiberê, Márcio Bahia, o Pernambuco tocando percussão. Convivemos muito, depois estendemos essa convivência para fora daqui e isso foi uma coisa maravilhosa pois começou a juntar a parte mineira, com a parte instrumental, com a parte erudita. Eu estudava clássico, enfim, tive milhões de informações que me ajudaram muito. Isso contribuiu para que eu me transformasse num arranjador hoje. São vários segmentos da música que pude ter contato profundo, música erudita me trazia uma série de informações, o jazz outras, o Bill Evans que até hoje é um dos maiores fenômenos em termos de harmonia, da maneira de tocar piano, todo o pianista que se presa adora o Bill Evans. Depois com isso aliado a chegada também do Egberto na música instrumental, e aí falo em Pixinguinha, Ernesto Nazareth e tudo isso misturado com os mineiros. Tudo isso foi fundamental para a minha formação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: O erudito, o jazz e a Bossa Nova que influenciaram uma geração inteira né? Tom Jobim e João Gilberto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Você citou uma coisa que estava passando batida aqui, uma das coisas mais marcantes. É impossível não deixar de falar do Tom, Tom sintetizou tudo, tanto do instrumental, quanto do erudito, até de Minas vamos dizer um pouco. Ele conseguiu traduzir isso tudo nas harmonias com a Bossa Nova, aí fecha o ciclo todo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Não dá para conversar sobre tudo isso sem passar por Tom e João &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: De maneira nenhuma (cantarola a canção  Boto de Tom Jobim)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Eu acho visível essa influência jobiniana em sua obra, no De manhã, certo caráter minimalista seu, a evidência de notinhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Aquela música: A praia de dentro tem areia... Como chama?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Boto, é linda né? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Você vê que a melodia é lindíssima e notas uma do lado da outra, coisas simples. O Tom conseguiu isso tudo. Considero Nelson Ângelo um dos maiores compositores dessa fase dos mineiros, de uma linha mais purista talvez, mais orquestral talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Sim, ele gosta muito de cordas. Me recordo de um arranjo de cordas lindo que ele fez naquele cd que reúne parcerias com o Cacaso, o Mar de Mineiro, acho que era a canção Quando eu vi o mar. Já fizemos ela juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Sim. Esse disco de canções que eu vou fazer agora estou animado. Gravei uma série de canções minhas apenas piano e voz, eu mesmo cantando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Lançaram pela Biscoito Fino um espetáculo que o Tom Jobim fez em Belo Horizonte somente Piano e Voz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Eu acho que independente de cantar bem ou não o importante é o registro do autor. Eu vou fazer isso ainda.  Agora chegando aos tempos atuais, comecei a fazer festivais de jazz com formação de trio: piano, baixo e bateria. Acabei ganhando alguns prêmios, ganhei como compositor e instrumentista o BDMG por duas vezes, ganhei 2002 e 2007. Antes disso eu ganhei o terceiro lugar na Rodada Brahma de Música Popular Brasileira, com arranjos do maestro Gaia, tocando um choro meu chamado Presente para o titio, o Mamão na época tocava bateria na orquestra. Um arranjo lindo com orquestra completa. Violinos, sessão de cordas e de sopros, mais o trio composto por piano, baixo e bateria, isso aconteceu no Hotel Nacional. Ganhei o prêmio também de Jovem Pianista em Barbacena. Participei de duas sessões do Free Jazz também e tudo isso morando aqui em Juiz de Fora e sendo médico, já estava casado, com filhos e tal. Uma confusão.  Minha vida sempre foi essa coisa tipo assim: vamos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Frenética&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Pois é, acho interessante que você sempre consegue traduzir as minhas coisas (risos). Frenesi, meio Hitchcock, e meio Woody Allen, dá certo, não dá certo, de repente dá no final. Comecei a fazer alguns arranjos e fiz o nosso também, que achei maravilhoso poder fazer esse trabalho com você e contar com a participação de grandes nomes como o Paulo Russo e o Affonsinho, que tocou com o Gato Barbieri na trilha do Último Tango. Depois fui arranjador de um outro compositor chamado Avelino Atála, em que você também fez uma participação, achei que os disco dele ficou lindo, os arranjos, as introduções. Digo a ele que quero roubar para mim todas as introduções que eu fiz. Ele me deu aquilo cru, simploriamente, apenas com o violão. Isso é que eu acho um trabalho de arranjo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Esse trabalho de concepção de arranjo foi o que pudemos desenvolver em nosso disco sobre a obra de Sueli Costa e Cacaso, por exemplo a música mais evidenciada é Amor Amor e a que tínhamos a maior responsabilidade, pois tinha sido gravada por Maria Bethânia. E essa foi a que levou uma releitura mais original, mais nossa, mais clean, mais minimalista. Sempre recordo de você ter dito que sonhou com suas mãos sobre as águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Eu tive realmente essa visão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você demonstrou essa sensibilidade no movimento, o ir e vir da água, meio flutuante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Eu acho assim e eu brinco muito com isso, tenho meu quartinho de estudo com meu piano em casa que você conhece muito bem, as pessoas me perguntam com quem estudei e tal. Eu sempre procurei estudar com várias pessoas, fiz algumas aulas, a pouco tempo com o Vitor Santos, trombonista. Nunca tive muito tempo para continuar as coisas até o fim. Estudei com o André Pires aqui em Juiz de Fora, então sempre fui muito elétrico até pela situação de ter que fazer outras coisas para sobreviver. Compromisso com família, compromisso pessoal, compromisso com a música. Então não consegui parar e dedicar a uma só coisa até o fim. Eu gostaria de ter feito um estudo mais acadêmico, mais sistematizado. Mas não sei se esse academicismo total poderia me prejudicar, quando faço algum arranjo mesmo escrevendo para uma sessão de cordas como fiz, sem conhecer tecnicamente as coisas sou capaz de fazer lindos arranjos. Fiz uma arranjo para Linda, um quinteto de flautas com piano e tal, mostrei para o Nivaldo e ele adorou. Eu não sei de onde vêm essas idéias, acho que elas vêm de dentro e de muita experimentação que fiz desde aquela época quando eu não tinha estudo nem nada e sai experimentando. Eu descobri atualmente um pianista americano que faz worshop justamente do que eu poderia dizer música espontânea. Aquilo de você sentar e tocar, vi ele tocando e parece que ele  fixa o olhar em um lugar e a mão vai indo espontaneamente num lance até meio espiritual. E se realmente você pensa numa música, isso é um exercício e surgem coisas maravilhosas. Eu acho que a música realmente vem da alma, vem de dentro. Você tem que ter os conhecimentos técnicos mas se você deixar fluir aquilo que tem dentro de você, rápido ou não, acho que vai ter uma beleza profunda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E você tem uma entrada no cinema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Exatamente. Eu fiz o Rei do Samba, depois fiz uma outra participação com o Zé Sette também no Janela do Caos, inspirado na vida do poeta Murilo Mendes. E recentemente participei de um curta chamado Rochedo de Minas, esse eu participei tocando e como arranjador. Esses filmes rodam por aí. Lembro que certa vez você comentou comigo que tinha conversado com o Sarraceni que fez o Crônica da casa assassinada do Lúcio Cardoso, então, fiquei satisfeito pelo comentário dele. E venho tocando, aprovei um projeto na Lei Estadual, Piano solo: choros e canções com releituras do Ernesto Nazareth, Pixinguinha, João Pernambuco e composições minhas também. Gravei junto com isso uma canção chamada Lua inquieta, com letra do Murilo Antunes. A Carla Vilar gravou, o primeiros disco dela foi só Toninho Horta. E o Toninho gravou também duas sessões comigo, Iuri Popov, foi muito legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E os trabalhos atuais então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Tem o meu disco de canções que mistura a coisa brasileira do choro mas que vem para uma linguagem bastante moderna, romântica, erudita, misturada, nem eu sei te explicar. Mas digo que mexeu comigo em termos de sentimento. Um cara que tem me incentivado muito atualmente é o Nivaldo Ornellas, um grande saxofonista que tem um sopro próprio, o Wayne Shorter é lá e o Nivaldo Ornellas aqui. Eu estive em Belo Horizonte fazendo o festival de Jazz da Savassi e tive a honra de ter a participação do Nivaldo comigo, ele tocou Canto de Recordação que é um choro canção lento, o Nivaldo tocando aquilo, soprando, mudou completamente a acentuação da música, eu arrepiava e chorava no meio da música. Um troço impressionante. Eu mostrei para ele as canções do disco que pretendo fazer agora e quero trabalhar junto com ele nesse cd. Se uma pessoa dessa admira o meu trabalho, eu que vim de tanta conturbação, ele reconheceu seriedade no meu trabalho, profissionalismo, então penso que estou no caminho certo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela:  Tem trabalhado com cantoras? Você trabalhou comigo, Fernanda Cunha, Telma Costa, Lívia Lucas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio: Sim o disco da Fernanda que também fiz os arranjos lá em Cleveland e depois a Lívia, Telma, você, a Carla Vilar. Agora quero deixar registrado aí, já convidei mas perdi o telefone dele. Ele é um dos caras que eu considero que tem uma das maiores vozes do Brasil, ele sozinho com o violão e não precisa mais nada. Se ele cantar uma ou duas músicas minhas eu vou me sentir realizado plenamente. Deixo o convite para o meu grande amigo Tadeu Franco. Fecho aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Marcinho muito obrigada, adorei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-3483782275628233507?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/3483782275628233507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=3483782275628233507' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3483782275628233507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3483782275628233507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/07/entrevista-com-o-pianista-compositor-e.html' title='Entrevista com o pianista, compositor e arranjador Márcio Hallack'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TFSqINL2XTI/AAAAAAAAAWE/w-ECP3FbwQI/s72-c/marcito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-7237763241013321906</id><published>2010-07-17T13:00:00.001-07:00</published><updated>2010-07-17T13:02:06.187-07:00</updated><title type='text'>Apresentações</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TEIMHNJSskI/AAAAAAAAAV8/hdka47ks5gY/s1600/flyer+ok.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TEIMHNJSskI/AAAAAAAAAV8/hdka47ks5gY/s400/flyer+ok.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5494967813272678978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-7237763241013321906?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/7237763241013321906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=7237763241013321906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/7237763241013321906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/7237763241013321906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/07/apresentacoes.html' title='Apresentações'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TEIMHNJSskI/AAAAAAAAAV8/hdka47ks5gY/s72-c/flyer+ok.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-3856466926566111686</id><published>2010-07-09T05:44:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T06:05:54.304-07:00</updated><title type='text'>Entrevista com o arranjador e maestro Aécio Flávio Rêgo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TDca9xOgWOI/AAAAAAAAAV0/bwZSz1Af5JA/s1600/aecio.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TDca9xOgWOI/AAAAAAAAAV0/bwZSz1Af5JA/s400/aecio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491887919090129122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março de 2010 na varanda do Vinicius Piano Bar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quando e como apareceu a música em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aécio Flávio: O meu pai era escriturário e músico amador, tocava em banda de música no interior de Minas. Quando foi para Belo Horizonte ele começou a integrar uma banda de baile e ele  vivia ensaiando dentro de casa. Ele chegava da fábrica e ficava pelos cantos da casa tocando tudo quanto é pedaçinho de música. Daí fui entender que era partitura para orquestra, ele ficava procurando uma acústica boa nos cantos das paredes. Isso me marcou bastante. Um dia fui a um aniversário em que tinha um cara tocando Baião Delicado, fiquei impressionado, achei tão bonito aquilo. Mas o marco mesmo aconteceu quando eu descia a rua para ir a escola e encontrei um mendigo chamado Raul e ele mendigava por aí tocando uma gaita de boca, fiquei fascinado olhando esse cara. Fiquei abismado como ele tirava música daquele pedaçinho de lata. Daí chegando eu casa falei com meu pai: - Não quero presente, não quero brinquedo esse ano, eu quero uma gaita. Aí ele me deu uma gaita, acredita que ele me deu uma gaita de manhã e a tarde eu já estava tocando duas músicas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Intuitivamente você já saiu tocando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aécio: Sim, eu ouvia as músicas no rádio,  uma das músicas se chamava Porteira Velha e a outra Adios Pampa Mia, eu ouvia muito isso na rádio e acabou ficando. Eu pegava a gaita até ficar tonto de tanto soprar, mas saía. Lá em casa acontecia o seguinte, o filho fazia dez anos de idade e tinha que trabalhar. Meu irmão mais velho trabalhava numa lapidação de rubis, ele arrumou para mim um trabalho numa colchoaria, num tal de seu Juca. Lá fui eu ficar enchendo travesseiro de pano. Um dia depois do almoço, eu estava recostando e encostei na parede quando esbarrei num violão que soou o som das cordas soltas. Eu fiquei fascinado por aquilo, pensei, o que é isso? Peguei aquele violão e comecei a mexer. Fiquei mexendo, mexendo, no dia seguinte eu já estava colocando um, dois dedos, daí fiz um sol maior. Pedi um vizinho nosso que me ensinasse a tocar, ele tinha um trio que imitava o trio Los Panchos. Ele me ensinou uma, duas posições, eu cheguei em casa e ensinei para o Rubinho, meu irmão mais novo. Daí depois descobri o cavaquinho, descobri que a afinação eram as quatro cordas mais agudas do violão, daí passei para o cavaquinho. O violão era o cavaquinho com mais dois baixos, o mi e o lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela:Você foi transitando pelos instrumentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aécio: Meu irmão mais velho gostava de cantar e tocar pandeiro, não demorou para que tivéssemos um conjuntinho dentro de casa. O mais novo, hoje engenheiro, quando tinha seis anos tocava Waldir Azevedo, Brasileirinho, Pedacinho do céu,  as coisas que eu passava para ele tocar no cavaquinho. Fomos com esse conjunto tocar na rádio Guarani, o programa chamava-se Gurilândia,  saíamos, pegávamos o bonde, isso nos anos cinquenta. E meu pai ficava todo orgulhoso de nos ver tocar, o conjunto era composto por gaita, violão, cavaquinho e pandeiro. E ele tinha aquele orgulho, aquela vaidade de fazer tocarmos na rádio. Meu pai insistia para que tocássemos no bonde,  nós tocávamos morrendo de vergonha do bonde. Meu irmão mais velho ficava puto de ter que tocar no bonde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E como surgiu o piano? Ele é o seu instrumento oficial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aécio: Não elegi um instrumento, meu instrumento é a partitura. Eu me especializei em fazer arranjo, sou arranjador. Por eu gostar de tudo o que é instrumento acabei descobrindo que ao fazer arranjo você pode tirar sarro de todos eles. Eu faço por exemplo partitura para piano em que eu não toco, faço partitura que não sou capaz de tocar. Sou meio autodidata no piano, passei do acordeon para o piano. Voltando a gaita, comecei a perceber que tinham certas notas que ela não tirava, os sustenidos e bemóis. Então chegavam determinadas músicas em que eu tinha que pular a nota. Aí me mostraram uma gaita de chave e comecei a tocar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: É interessante como você falou dessa sensação de que a gaita não dava conta da sonoridade que você queria, ela era de certa maneira limitada em termos de recursos. Você passou da gaita para o acordeon e do acordeon para o piano. Esse é o percurso do João Donato também né?  Essa necessidade de amplitude sonora que o piano é capaz de suprir. E você não elegeu um instrumento específico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aécio: Daí fiquei tocando acordeon e meu pai foi me levando para os bailes para tocar. A orquestra tocava e no intervalo em que o músico trocava de partitura ficava aquele branco, daí eu entrava e tocava de ouvido. Eles só tocavam escrito e eu tocava de ouvido, eu tinha um ouvido de tuberculoso, ouvia e saía tocando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você teve alguma formação básica de música, passou por conservatório?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aécio: Fui tocando tudo de ouvido. Eu ouvia um cara chamado Mário Genaro Filho, um paulista descendente de italiano. Montei então o meu grupo para fazer os bailes. Eu tocava acordeon até que um dia meu instrumento foi roubado. Depois comprei um vibrafone e comecei a tocar, pintou uma chance e ganhei um troféu em Belo Horizonte chamado O melhor da noite. Fiz depois um disco com a maioria das faixas em vibrafone. Depois cheguei ao piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Olha só, todo um percurso para chegar ao piano, quantos anos você tinha quando iniciou com o piano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aécio: Eu tinha 21 anos. Eu tirava muita coisa no violão e transpunha para o piano. Até hoje faço muita harmonia que é de violão. Um dia fui fazer o exame no Conservatório Brasileiro de Música e senti que eu tinha chegado num ponto em que não tinha mais saída, eu não estava satisfeito com o que eu fazia. Aí pensei, meu pai tem razão, preciso estudar música. Tomei pau no exame, você tinha que ler oito compassos à primeira vista, escrever um ditado em primeira audição, acompanhando o que a pessoa tocava no piano. Eu levei ferro, não passei. Daí o Helvius Vilela, que faleceu faz poucos dias, me comunicou que estava tendo concurso na Universidade mineira de arte.  Fiz o exame, me preparei e passei com dez. O pianista da boite em que eu tocava nos intervalos parava e me dava uma aulinha de teoria. O Helvis ficou lá três meses e eu fiquei cinco anos. Helvius tocava muito bem de ouvido, achou que não era preciso e parou. Lá aprendi teoria, solfejo e harmonia.Harmonia básica e superior.  Então com seis meses de teoria lá, já tínhamos um grupo com sax alto, trompete, baixo, bateria e guitarra. Eu já tirava músicas de discos para tocar no grupo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Já nascendo o arranjador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aécio: Começou assim. Eu escrevia o trompete, o saxofone e começava a dar certo. Eu aplicava esse aprendizado nos bailes já que eu tinha um conjunto na mão. Um dia no ponto dos músicos eu encontrei um nego chamado Figo Seco, foi o cara que montou uma banda chamada Alma Brasileira e que fez o maior sucesso, ficou onze anos com essa banda na Alemanha. Certa vez ele me perguntou: - “Você não usa grade para fazer arranjo” e eu perguntei o que era grade, ele me mostrou que era para escrever um compasso para cada instrumento, o que facilitaria muito na hora de copiar. Daí passei a usar a grade e procurei ler coisas a respeito, peguei com um amigo que estudava na Bercley algumas lições. Aprendi muita coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Esse início se deu em Belo Horizonte, mas você tem uma carreira construída longa no Rio de Janeiro. Como foi a mudança para o Rio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aécio: Em BH eu consegui ter meu grupo, fazer um disco pela Philips. Era um disco em que trabalhei como arranjador. Daí os caras começaram a vir para o Rio, apareceu o rock, então os caras com três quatro elementos faziam uma festa enquanto na minha banda tinham doze. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você é de Belo Horizonte e contemporâneo do pessoal do Clube da Esquina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aécio: A turma do Clube na verdade ensaiava em minha casa. Como ninguém tinha piano eles iam ensaiar lá em casa, o Helvius, o Wagner, o Nivaldo, Paulinho Braga. Mas eu nunca fui de panela, sempre fui traçando meu caminho. Um dia o Chiquito Braga, que era o guitarrista que tocava comigo, foi para o Rio e eu ainda em Belo Horizonte. Eu conheci o Toninho Horta desde quando ele tinha quatorze anos, ele ficava na sala corujando o ensaios meus com Chiquito. Um cara chamado André Carvalho que inaugurou uma gravadora chamada Bemol, me chamou para fazer uma coleção de discos infantis. Falou: - “Estou com uma história de bicho e gente, você quer trabalhar comigo?”. E ele me cobrava direto isso, até que fiz quinze músicas de uma só, num fim de semana. Pra essa gravação chamei o Toninho, foi a primeira vez que ele entrou em estúdio e gravou. Isso foi na década de sessenta. Vim para o Rio em setenta e um. E no Rio trabalhei na Globo e com várias pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: De repente entra um quarteto de pagodeiros e nossa entrevista fica impossível. Uma pena, pois Aécio ainda contou grandes historias de sua trajetória musical. O gravador não teve alcance.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-3856466926566111686?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/3856466926566111686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=3856466926566111686' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3856466926566111686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3856466926566111686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/07/entrevista-com-o-arranjador-e-maestro.html' title='Entrevista com o arranjador e maestro Aécio Flávio Rêgo'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TDca9xOgWOI/AAAAAAAAAV0/bwZSz1Af5JA/s72-c/aecio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8211449225729137473</id><published>2010-07-06T12:18:00.000-07:00</published><updated>2010-07-06T14:23:07.024-07:00</updated><title type='text'>Todo amor que houver nessa vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TDODJi0_0YI/AAAAAAAAAVs/TeblGfxxjjQ/s1600/cazuza2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 325px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TDODJi0_0YI/AAAAAAAAAVs/TeblGfxxjjQ/s400/cazuza2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490876570685919618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“ O tempo dá voltas e curvas/O tempo tem revoltas absurdas/ Ele é e não é ao mesmo tempo”, quando ouvi esta bela canção do Zé Miguel Wisnik passei um longo tempo pensando na delicadeza e profundidade contida nos versos preenchidos por uma melodia também suave e pontuada por sutis cortes, como o próprio movimento da vida. Ontem me deparei com um exemplar da revista Bravo inteiramente dedicado a Cazuza, vinte anos de sua partida.  Não resisti e trouxe-o para casa. Com a capa em preto e branco e os escritos numa tonalidade de rosa, contemplei a imagem de um Cazuza ainda muito belo e vigoroso. Fui folheando vagarosamente a revista que traz imagens e textos diversos sobre a carreira do artista e também percorre uma diversidade de pessoas e acontecimentos que marcaram substancialmente os anos oitenta, período que envolveu a criação intensa e veloz de Cazuza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo-me que era uma tarde fria de julho quando recebi por um amigo a notícia de que Cazuza havia morrido. Embora já fosse esperada a sua partida num trem para as estrelas, engoli em seco a dor. Não fiz parte propriamente da geração do Cazuza, pois no início dos anos oitenta eu começava a ensaiar meus primeiros passos no mundo. Conheci o exagerado em Bete Balanço, filme de Lael Rodrigues responsável pela projeção nacional da canção homônima. Tudo me encantou em  Bete Balanço, a voz meio rascante do intérprete, a letra e a levada repletas de sensualidade, e uma certa dose de humor escrachado que correspondia a personalidade desbundada de Cazuza: “Quem tem um sonho não dança/ Bete Balanço/Por favor/Me avise quando for embora”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bete Balanço foi um cartão de visitas que Cazuza abriu para mim. Desse momento em diante fiquei atenta as canções compostas por esse carioca que trazia no fundo de sua postura rebelde e inconformada um lirismo ora comovente, ora arrebatador. Sua alma de poeta bebeu na fonte de outros poetas transgressores como Kerouac e Guinsberg. Sua alma romântica mergulhou fundo na tradição da canção “dó de peito” de Dolores Duran e Cartola: “Um dia ainda chamo o Nelson Gonçalves para cantar uma música com o Barão. Se isso chocar algum roqueiro, é sinal que ele precisa se libertar desse trauma”.  Dialogando com o legado bossanovista Cazuza compôs Faz parte do meu show: impactante, estranhamente bela sua imagem na TV, despido da postura de roqueiro, sentado num banquinho,  rosto sereno, cabelos ralos e  voz afinada e sem excessos. Faz parte do meu show foi uma das primeiras músicas que aprendi a tocar no violão, simples e bonita em sua concepção harmônica e na carga poética registrada nos versos.  Me emociona cantar especialmente este trecho: “Vago na lua deserta das pedras do Arpoador/ Digo alô ao inimigo/Encontro um abrigo no peito do meu traidor”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras canções de Cazuza foram se incorporando ao meu repertório, é sempre com renovada emoção que canto o compositor romântico de Preciso dizer que te amo, Mais feliz e Todo amor que houver nessa vida . Mais de vinte anos se passaram desde a primeira execução pública dessas músicas e elas ainda conservam certo frescor, não se desgastaram com o tempo. Guardei entre meus derradeiros vinis um exemplar de Burguesia, o último trabalho de Cazuza. Confesso que na época não lhe dei a atenção devida, achei-o muito baixo astral, quase inaudível.  Ouvi umas três faixas e abandonei-o. Com o passar dos anos fui conhecendo o repertório de Burguesia por meio de outros intérpretes, a “poetriz” Elisa Lucinda numa performance pra lá de bem humorada cantou Manhatã: “Eu andando pela neve/ Em pleno Central Park/ Com as estrelas do cinema/ Faço cenas no metrô/ Com meu tênis All Star/ Deixando as louras loucas/ Com meu latin style/ Não sou mais Paraíba, Sou south American/ Aqui em Manhatã”. Adriana Calcanhotto estourou nas rádios com sua versão de Mulher sem razão, canção que traz estampada a assinatura Cazuza: “Caia na realidade, fada/Olha bem na minha cara/Me confessa que gostou/Do meu papo bom/ Do meu jeito são/ Do meu sarro, do meu som...”. Hoje entendo porque não fui capaz de receber e assimilar Burguesia aos quinze anos de idade – é explícita a dor que perpassa o álbum do começo ao fim. Acometido pela doença, muito frágil, pesando pouco mais de quarenta quilos, Cazuza tentava dar seu último grito abafado pelo sofrimento. Devido à extrema fragilidade gravou quase todas as faixas deitado numa cama, um fio de voz conduzia ainda com garra Quando eu estiver cantando, uma emocionante canção de despedida:  “Porque eu só canto só/E o meu canto é a minha solidão/É a minha salvação//Porque o meu canto é o que me mantém vivo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme de Sandra Wernek em homenagem a Cazuza me tocou profundamente, a excelente atuação de Daniel Oliveira emociona. Ainda tenho bem nítidas na memória as cenas que mais me comoveram, ainda me inundo da água salgada do mar que embalou o último mergulho  do menino, que no fundo era doce: “amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8211449225729137473?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8211449225729137473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8211449225729137473' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8211449225729137473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8211449225729137473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/07/todo-amor-que-houver-nessa-vida.html' title='Todo amor que houver nessa vida'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TDODJi0_0YI/AAAAAAAAAVs/TeblGfxxjjQ/s72-c/cazuza2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-1862448261940527422</id><published>2010-06-22T14:21:00.001-07:00</published><updated>2010-06-22T14:22:13.735-07:00</updated><title type='text'>Voz e violão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TCEpePOmlOI/AAAAAAAAAVk/ISp-qiu2OfM/s1600/DSC04555.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TCEpePOmlOI/AAAAAAAAAVk/ISp-qiu2OfM/s400/DSC04555.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485711420574569698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ah, essas cordas de aço&lt;br /&gt;Este minúsculo braço&lt;br /&gt;Do violão que os dedos meus acariciam&lt;br /&gt;Ah, este bojo perfeito&lt;br /&gt;Que trago junto ao meu peito&lt;br /&gt;Só você violão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-1862448261940527422?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/1862448261940527422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=1862448261940527422' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/1862448261940527422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/1862448261940527422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/06/voz-e-violao.html' title='Voz e violão'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TCEpePOmlOI/AAAAAAAAAVk/ISp-qiu2OfM/s72-c/DSC04555.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8131960210151727900</id><published>2010-06-22T13:11:00.000-07:00</published><updated>2010-06-22T13:12:20.464-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TCEZDNQ65GI/AAAAAAAAAVM/bw6oCqzDd9o/s1600/MARIAMARIA+RIGHT.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TCEZDNQ65GI/AAAAAAAAAVM/bw6oCqzDd9o/s400/MARIAMARIA+RIGHT.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485693364004906082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8131960210151727900?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8131960210151727900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8131960210151727900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8131960210151727900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8131960210151727900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/06/blog-post.html' title=''/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/TCEZDNQ65GI/AAAAAAAAAVM/bw6oCqzDd9o/s72-c/MARIAMARIA+RIGHT.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-4042220765570973135</id><published>2010-04-29T08:25:00.000-07:00</published><updated>2010-04-29T08:41:14.470-07:00</updated><title type='text'>O olhar indiscreto de Humberto Nicoline</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S9moi2i9jEI/AAAAAAAAAVE/RYsFBuITM6A/s1600/capa.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 379px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S9moi2i9jEI/AAAAAAAAAVE/RYsFBuITM6A/s400/capa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465584939501980738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S9mmhbx_16I/AAAAAAAAAU0/ZN-v-fAc12A/s1600/PIETRO_E_CRIS_85_002.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 275px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S9mmhbx_16I/AAAAAAAAAU0/ZN-v-fAc12A/s400/PIETRO_E_CRIS_85_002.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465582716114163618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S9mmbHMX2tI/AAAAAAAAAUs/UVGmk5ZG-jQ/s1600/punks.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 196px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S9mmbHMX2tI/AAAAAAAAAUs/UVGmk5ZG-jQ/s400/punks.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465582607508429522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Mas há milhões desses seres/Que se disfarçam tão bem/Que ninguém pergunta/De onde essa gente vem/ São jardineiros/Guardas-noturnos, casais.../Tem uns que viram Jesus/Muito sanfoneiro/Cego tocando blues/Uns têm saudade/E dançam maracatus/Uns atiram pedra/Outros passeiam nus...”. Vou folheando o belo livro de fotografias de Humberto Nicoline Juiz de Fora anos 80, que registra com despudorada força expressiva  momentos impactantes, singelos, alegres, comoventes, reveladores e dolorosos da história de nossa Manchester mineira. O Brejo da cruz de Chico Buarque me conduz como trilha sonora, enquanto vou me deparando no decorrer das páginas com uma série de rostos anônimos, que me inspiram mais do que a presença das faces embrutecidas dos políticos atuantes nessa década que comportava os derradeiros resquícios do regime opressivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acervo de fotos reunido por Nicoline em Juiz de Fora anos 80 compõe o trabalho realizado por ele no ofício de fotógrafo para o jornal Tribuna de Minas. Inteiramente em preto e branco, o álbum explicita o olhar aguçado e perspicaz de Nicoline, voyeur-participante que esteve sempre “de olho na fresta,” como intitulou com maestria o sociólogo Gilberto Vasconcellos na ótima análise que elaborou sobre o contexto político-musical dos anos de chumbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trezentas páginas percorrem espaços, acontecimentos e personagens anônimos e célebres que demonstraram coragem e ousadia para botar a cara na rua em prol de crenças pessoais e ideais coletivos. Sem medo de ir à luta estudantes, donas de casa, intelectuais, boêmios, loucos – figuras amadas, odiadas, ou simplesmente desconhecidas alimentaram sonhos de liberdade numa década que trazia como marca a transformação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reivindicar é o lema que comanda uma diversidade de imagens. Muita gente foi às ruas brigar pelo direito a educação de qualidade, a manutenção de monumentos históricos, o estabelecimento de preços justos e a aplicação da democracia. Close nos artistas protestando na porta da galeria de arte do colégio Stella Mattutina em 1986, luta perdida. No Parque Halfeld uma senhora com a face desgastada e os óculos de aros grossos ergue um cartaz em protesto ao consumo de carne. Em frente ao Teatro Central jovens fazem uma performance em defesa de sua preservação, platéia cheia, luta vencida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rostos e mais rostos que fizeram a história de Juiz de Fora nas artes plásticas, música, cinema, jornalismo, literatura e teatro.  Renato Stheling com a longa barba grisalha dá um trago no cigarro, Rui Merheb com o sorriso límpido mira o horizonte, Arlindo Daibert incisivo, Carlos Bracher em momento de argumentação, Dnar Rocha meio gauche sentado num banco. Punks fazem poses caricaturais enquanto desponta suave uma menina de rosto angelical e gestos suaves, Cristiane Visentin é a única cantora que ilustra o livro. Com sua voz e violão ela já punha a cara nas provas de fogo dos festivais, resultado: melhor intérprete. Antológico registro do pianista e arranjador Márcio Hallack ao lado do multisonoro Hermeto Paschoal, como dois garotos travessos eles são flagrados pulando as cercas de aço da Avenida Rio Branco. Serjão Evangelista e Márcio Itaboray erguem o troféu em comemoração ao segundo lugar no Festival de Música Funalfa Som 82, pura emoção.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dizem que sou louco por pensar assim”, sob olhares curiosos o artista plástico Markus Kamil desfila pela Avenida Rio Branco em 1983 trajando apenas um micro short, que por pouco poderia ser confundido com a tanga de crochê do Gabeira. Crucifixo no pescoço e o braço esquerdo semi erguido em gesto de luta, Kamil seguiu seu caminho por linhas e tintas tortuosas. Inteiramente nu Toninho Buda movimenta o palco do Pró-Música, enquanto o folclórico Ângela Maria se esbalda fantasiado de baiana no carnaval de 1986. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar delicado de Nicoline revela a poesia extraída do cotidiano dos marginalizados: um pequeno jornaleiro contempla a imagem do desenho animado exibida na televisão da loja de eletrodomésticos, um morador de rua dorme encolhido em meio a um amontoado de papéis na porta do cinema São Luiz, em frente à igreja São Mateus outro morador contempla o vazio. Sob o foco de Nicoline Juiz de Fora resplandece enriquecida em sua faceta multicultural. A grande história não passa no fundo de uma profusão de utopias que verdadeiramente se solidificam com a contribuição daqueles seres corajosos, alucinados, e destemidos. Nicoline sabe das coisas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-4042220765570973135?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/4042220765570973135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=4042220765570973135' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/4042220765570973135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/4042220765570973135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/04/o-olhar-indiscreto-de-humberto-nicoline.html' title='O olhar indiscreto de Humberto Nicoline'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S9moi2i9jEI/AAAAAAAAAVE/RYsFBuITM6A/s72-c/capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8630171099933617314</id><published>2010-03-21T14:38:00.001-07:00</published><updated>2010-03-21T14:39:53.631-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S6aSBQ6owFI/AAAAAAAAAT0/xglVwIPCQRw/s1600-h/DANI+FLYER+CHIC+NOS+URTIMO.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S6aSBQ6owFI/AAAAAAAAAT0/xglVwIPCQRw/s400/DANI+FLYER+CHIC+NOS+URTIMO.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451204949396996178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8630171099933617314?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8630171099933617314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8630171099933617314' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8630171099933617314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8630171099933617314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/03/blog-post_21.html' title=''/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S6aSBQ6owFI/AAAAAAAAAT0/xglVwIPCQRw/s72-c/DANI+FLYER+CHIC+NOS+URTIMO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-1851284278736154043</id><published>2010-03-02T15:21:00.000-08:00</published><updated>2010-03-02T15:28:44.131-08:00</updated><title type='text'>Trio: Daniela Aragão, Paulinho da Matta e Lula Ricardo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S42fIPdu4yI/AAAAAAAAASo/PEoSqQmcfaU/s1600-h/eu+lula+e+paulinho.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S42fIPdu4yI/AAAAAAAAASo/PEoSqQmcfaU/s400/eu+lula+e+paulinho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5444182488499807010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S42eETwtxvI/AAAAAAAAASg/ieLsYkcIJM4/s1600-h/dani+show+paulinho.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S42eETwtxvI/AAAAAAAAASg/ieLsYkcIJM4/s400/dani+show+paulinho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5444181321422063346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foi um sucesso nossa estréia no Restaurante Maria Maria&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-1851284278736154043?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/1851284278736154043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=1851284278736154043' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/1851284278736154043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/1851284278736154043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/03/trio-daniela-aragao-paulinho-da-matta-e.html' title='Trio: Daniela Aragão, Paulinho da Matta e Lula Ricardo'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S42fIPdu4yI/AAAAAAAAASo/PEoSqQmcfaU/s72-c/eu+lula+e+paulinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-4966463403891222107</id><published>2010-02-26T14:40:00.000-08:00</published><updated>2010-02-26T14:50:42.245-08:00</updated><title type='text'>Beatriz Azevedo abraça o sol</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S4hQNzQX_lI/AAAAAAAAASQ/hzeN_-Q-OR8/s1600-h/beatriz+certp.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 375px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S4hQNzQX_lI/AAAAAAAAASQ/hzeN_-Q-OR8/s400/beatriz+certp.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442688347704655442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S4hP05E_xUI/AAAAAAAAASI/c2UkCiHqwnk/s1600-h/beatriz+azevedo+linda.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S4hP05E_xUI/AAAAAAAAASI/c2UkCiHqwnk/s400/beatriz+azevedo+linda.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442687919770813762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Muito cedo me encantei pelos meandros poéticos e sonoros, numa de minhas crônicas mais recentes, dedicada ao cd PartimpimII, de Adriana Calcanhotto, tirei do baú o antológico livro de poemas de Cecília Meirelles Ou isto ou aquilo, uma ode ao esplendor lírico extraído das miudezas do mundo infantil. A musicalidade ecoa intensa de poemas que utilizam uma linguagem permeada de referências a elementos da natureza - o vai e vem que conduz o ritmo das águas dos rios, como A Correnteza de Tom, as aquarelas luminosas e multicromáticas que seduzem as crianças no prosseguimento de um percurso infindo: “Olha a chuva molha a luva/cada gota de água/como um bago de uva”. Estou no processo de escrita de minha tese de doutorado sobre Calcanhotto, e continuamente me pego desenrolando novas idéias sobre essa artista, até mesmo no circuito alternativo, não acadêmico. Escritos de “fã fanática”, devem pensar alguns, contudo esclareço que o que mais me atrai no seu trabalho transcende a limitação do enquadramento mercadológico, o ponto diferencial que me toca é o apuro estético e a relação densa que ela estabelece com o universo poético. Quando se analisa a totalidade da obra de um cantor e compositor, deve-se abrir o leque de abordagens, visto que a criação não envolve somente o aspecto da composição, mas também do desempenho performático que implica na concepção e modulação do canto, assim como da expressão corporal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra elevada as suas múltiplas possibilidades poéticas é alvo de um minucioso trabalho desenvolvido não exclusivamente por Calcanhotto, mas também por outros de sua geração como Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro e Beatriz Azevedo. Certamente poucos ouvintes tiveram acesso ao trabalho de Beatriz, pois ele não é veiculado pela grande mídia. Tomei conhecimento da existência de Beatriz Azevedo por acaso, quando me deparei numa livraria  com o seu ótimo cd Bum bum do poeta..  Confesso que fui seduzida de imediato pelo atrativo da capa, que em fundo inteiramente vermelho mostrava sobreposta em destaque a foto da artista em pose a là Marlene Dietrich em O anjo azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantora, compositora, poeta e performer, Beatriz Azevedo é uma artista que celebra a “tradição da invenção” ao seguir a linha evolutiva do riso e da alegria transgressora e erótica de Gregório de Mattos, Oswald de Andrade e Zé Celso. A palavra que sob a mira dessa artista é alvo de depurada lapidação, desponta ácida, irônica ou eroticamente insinuante, como em Querelle, canção composta por ela, inspirada no filme do excêntrico cineasta alemão Rainer Fassbinder, que adaptou para o cinema a obra homônima de Jean Genet: “Querelle eu quero sua pele/Quero querer Querelle/Em mim sua boca mais que a de Marilyn seu corpo forte/Quero gemer como James Dean/Numa noite triste tudo que existe tem um fim/Tem um filme”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alegria, disco primoroso lançado pela gravadora Biscoito Fino, dá prosseguimento a pesquisa estética e literária evidenciada em Bum bum do poeta, mas com o acréscimo de um evidente amadurecimento revelado no desempenho sofisticado e preciso da direção musical e dos arranjos do pianista Cristóvão Bastos. Gravado entre São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York, Alegria traz a marca da diversidade correspondente ao conceito proposto por Beatriz Azevedo, que em sua verve cosmopolita jamais perde os laços estreitos com as raízes nacionais. Apropriando-se do impulso deglutidor do antropófago Oswald de Andrade, Beatriz nomeia no encarte todas as devorações realizadas nas músicas. Põe música em Coco de Pagu, poema do modernista Raul Bopp, dedicado a musa do movimento antropofágico Patrícia Galvão, a Pagu: “Devoração de Coco e Embolada com Patrícia Galvão. Devoração de Raul Bopp, poeta da Amazônia. Devoração de Augusto de Campos que nos deu este poema de Bopp no seu Pagu vida-obra.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alegria, faixa inaugural que dá título apropriado ao cd, é uma parceria entre Beatriz Azevedo e Vinícius Cantuária, músico brasileiro radicado nos Estados Unidos há mais de vinte anos. Alegria traduz o estado de espírito verde amarelo através da devoração miscigenada de Cesária Évora, Ernesto Nazareth, Beethoven e Shiller: Segundo a cantora:  “O mote da alegria tem a ver com os ritmos brasileiros, ela é uma característica não só minha, mas da história do Brasil”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Speak Low, antológica canção de Kurt Weill e Lotte Lenya, recebe uma interpretação magistral, em ritmo de maracatu a música ganha o toque afro-brasileiro do berimbau enriquecido por um naipe de sopros e alfaias bem graves. Esta canção explicita a habilidade com que Beatriz Azevedo devora, desconstrói e reconstrói a cultura alemã que engloba Nietzche, Brecht, Peter Stein, Pina Bausch, Sacha Waltz e Fassbinder. Envolvendo sensualidade e fragmentos de sonhos cinematográficos Bertollucianos-Fellinianos-Kusturicanos, a atmosfera sonora criada por Beatriz Azevedo nos envolve tão sedutoramente que às vezes parece que retrocedemos a um cabaret parisiense. O diálogo com a cultura francesa é enternecedor em Savoir par coeur, um delicado souvenir poético: “Si je sais par coeur/Le rythme de ton coeur/Tu sais pourquoi/La musique de mon coeur”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beatriz Azevedo em Alegria presenteia os ouvintes com poesia, bom gosto e criatividade. É uma alegria saber que em meio a tantas banalidades existe uma artista como Beatriz. À massa que ainda comerá de seus biscoitos finos ela entoa: “Mas eu vou fazer tudo que eu quero, bem do meu jeito. E deixa prá lá essa gente com despeito.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-4966463403891222107?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/4966463403891222107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=4966463403891222107' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/4966463403891222107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/4966463403891222107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/02/beatriz-azevedo-abraca-o-sol.html' title='Beatriz Azevedo abraça o sol'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S4hQNzQX_lI/AAAAAAAAASQ/hzeN_-Q-OR8/s72-c/beatriz+certp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8398294634779293680</id><published>2010-02-11T18:25:00.000-08:00</published><updated>2010-02-13T15:01:39.848-08:00</updated><title type='text'>O vôo intenso de Cristiane Visentin</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S3cvMMBVaqI/AAAAAAAAAR4/8YL6Feg27tw/s1600-h/ATgAAABR3WRN--R_L4VNxhPGulDBaM8B2MU9Ndd-wa67Qogy5kXNCrG7ZfjaLHGCq5BU_mau8606vXgzG0X5wAkv5O9aAJtU9VBn5KF72YnTXsbw8IEqtDQR0h4UXA.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 308px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S3cvMMBVaqI/AAAAAAAAAR4/8YL6Feg27tw/s400/ATgAAABR3WRN--R_L4VNxhPGulDBaM8B2MU9Ndd-wa67Qogy5kXNCrG7ZfjaLHGCq5BU_mau8606vXgzG0X5wAkv5O9aAJtU9VBn5KF72YnTXsbw8IEqtDQR0h4UXA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5437866961504922274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo Mendes em A idade do serrote disse que Juiz de Fora era um trecho de terra cercado de pianos por todos os lados. Muitos anos se passaram desde a manifestação do poeta, e nossa cidade ainda permanece com uma intensa vocação musical. Se os pianos não reinam mais absolutos e onipresentes por todos os cantos, eles dividem agora o espaço com flautas, violões, contrabaixos, baterias e vozes.  Percorrer a história da música popular de Juiz de Fora é deparar com talentosos músicos, compositores e sobretudo cantores. Nossa cidade ultimamente anda ficando popular no cenário nacional pela quantidade de cantoras que tem lançado no mercado. Não se trata de novidade afirmar que as vozes femininas cada vez mais suplantam as masculinas no universo da MPB, os cantores em sua maioria são compositores que cantam, enquanto as cantoras prevalecem como intérpretes e em número consideravelmente maior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adolescente em meados de noventa, eu começava a dedilhar os primeiros acordes e arriscar a interpretação de algumas canções na solidão do meu quarto, enquanto borbulhavam pela cidade as cantoras Raquel Silvestre, Miriam Alvarenga, Tânia Bicalho, Cristiane Visentin, Rosana Britto, Marcela Lobbo e Isabella Ladeira. Essas vozes singulares dividiam o cenário local e não faltava espaço para o bom gosto, ousadia e originalidade. Não conferi o trabalho de todas na época, mas não deixava de ler as matérias divulgadas nos jornais e na televisão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de uma década se passou, e ao ouvir nesse instante “Bird in Blue” resgato a emoção indescritível que me tomou quando vi e ouvi Cristiane Visentin pela primeira vez: “Tudo que estava em minhas mãos voou e o pássaro do amor também não quis ficar/não quis”. Numa tarde de domingo, na Praça Jarbas de Lery Santos, uma multidão aguardava a chegada da cantora Cristiane Visentin acompanhada pelo guitarrista Salim.  Um círculo médio delineado com pedras portuguesas no chão delimitava o palco improvisado, em que adentra inquieta uma moça muito bela de longos cabelos louros e cara de “anjo sapeca”. “Eu já estou com o pé nessa estrada/qualquer dia a gente se vê”, Cristiane canta visceralmente a canção de Milton Nascimento, que anunciava sua sede de cantar movendo o dom pelas estradas da vida. Impossível ficar indiferente diante de uma performance marcadamente  intensa, que na voz trazia uma mistura rara de contrastes acentuados pela fusão aparentemente dicotômica e absolutamente harmônica entre suavidade e acidez, inocência e densa carga emocional-existencial.  Cristiane Visentin cantava com tamanha entrega como se aquela fosse sua última tarde, a movimentação do corpo pleno de sonoridades, pulsava na recepção de cada nota entoada pela guitarra de Salim. A falta de acomodação e o calor excessivo não impediu que idosos se misturassem a jovens e crianças e permanecessem atentos até o final da última música. Minhas impressões hoje soam difusas mediante o transcorrer de longo tempo, mas não se apaga o quadro composto pela imagem dos raios luminosos incidindo sobre os cabelos de Cristiane, enquanto ela exasperava como uma cantora negra aos moldes de Bessie Smith: “Desde os meus onze anos que escuto Etta James, Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A força interpretativa é uma das características mais evidentes no canto de Cristiane Visentin. A voz poderosa, acentuada pelo vigor de um timbre único, revela uma articulação perfeita que não dispensa uma sílaba, uma nota. Compositora, instrumentista e arranjadora, essa artista tem o dom de transformar simples canções em verdadeiras pérolas. Que habilidade tem essa cantora para transitar entre uma variedade de gêneros sem jamais perder o alento de sua identidade. Dia desses ouvi-a cantando uma canção de Michael Jackson tão lindamente que chegou a superar a interpretação do próprio. Essa é a Visentin, frase que ela mesma afirma entre gargalhadas escancaradas que acompanham o constante inclinar da cabeça para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como intérprete e compositora, Cristiane Visentin percorreu uma imensa variedade de festivais no Brasil, obtendo inúmeros primeiros lugares. Realizou espetáculos inesquecíveis dedicados a obra de Sueli Costa e Fátima Guedes: "Meu trabalho se enriqueceu muito com a atenção de Cristiane Visentin",  além de cantar acompanhada por músicos de peso como o guitarrista Victor Biglione e o baterista Téo Lima . A vivência por dez anos nos Estados Unidos se efetuou como uma espécie de continuidade e amadurecimento do percurso construído no Brasil, em que a artista pode assimilar com propriedade a influência da música composta pelos negros jazzistas americanos: “Cantei com os velhos do jazz, cantei nas esquinas de New Orleans em momento do show de Norah Jones... aquelas coisas de quem não perderia nenhuma oportunidade.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvir Cristiane Visentin é ficar diante de uma artista completa, “beleza bonita de ver”, já dizia Fernando Brant. Retomo mais uma audição de “Bird in Blue”, o indecifrável e inquieto pássaro do amor. Essa é a Visentin, diria ela entre cargalhadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8398294634779293680?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8398294634779293680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8398294634779293680' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8398294634779293680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8398294634779293680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/02/o-voo-intenso-de-cristiane-visentin.html' title='O vôo intenso de Cristiane Visentin'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S3cvMMBVaqI/AAAAAAAAAR4/8YL6Feg27tw/s72-c/ATgAAABR3WRN--R_L4VNxhPGulDBaM8B2MU9Ndd-wa67Qogy5kXNCrG7ZfjaLHGCq5BU_mau8606vXgzG0X5wAkv5O9aAJtU9VBn5KF72YnTXsbw8IEqtDQR0h4UXA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-6454271935618367201</id><published>2010-01-30T14:40:00.001-08:00</published><updated>2010-02-20T09:30:31.688-08:00</updated><title type='text'>AGENDA DE SHOWS DE DANIELA ARAGÃO</title><content type='html'>27 DE FEVEREIRO - RESTAURANTE MARIA MARIA - JUIZ DE FORA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27 DE MARÇO - GILBERTINHO - JUIZ DE FORA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-6454271935618367201?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/6454271935618367201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=6454271935618367201' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6454271935618367201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6454271935618367201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/01/agenda-de-shows.html' title='AGENDA DE SHOWS DE DANIELA ARAGÃO'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-6214311615795608664</id><published>2010-01-27T14:29:00.000-08:00</published><updated>2010-01-27T14:31:12.827-08:00</updated><title type='text'>Nova parceria</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S2C-pJML2NI/AAAAAAAAARo/8Z4vhifJGPQ/s1600-h/paulinho+e+dani.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S2C-pJML2NI/AAAAAAAAARo/8Z4vhifJGPQ/s320/paulinho+e+dani.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431550764659759314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Este é o meu novo parceiro musical, o violonista e guitarrista Paulinho da Matta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-6214311615795608664?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/6214311615795608664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=6214311615795608664' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6214311615795608664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6214311615795608664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/01/nova-parceria.html' title='Nova parceria'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S2C-pJML2NI/AAAAAAAAARo/8Z4vhifJGPQ/s72-c/paulinho+e+dani.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8035024273813701840</id><published>2010-01-14T14:11:00.000-08:00</published><updated>2010-01-14T14:13:51.915-08:00</updated><title type='text'>Bonequinha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S0-XFpGe7WI/AAAAAAAAARY/A5jiYidb_HI/s1600-h/14604804.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S0-XFpGe7WI/AAAAAAAAARY/A5jiYidb_HI/s320/14604804.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426722199192923490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cris Visentin montou essa bonequinha "inspirada" em mim. Não resisti aos oclinhos e resolvi postar aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8035024273813701840?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8035024273813701840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8035024273813701840' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8035024273813701840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8035024273813701840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2010/01/bonequinha.html' title='Bonequinha'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/S0-XFpGe7WI/AAAAAAAAARY/A5jiYidb_HI/s72-c/14604804.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-6239824209848222516</id><published>2009-12-29T10:17:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T09:34:24.337-08:00</updated><title type='text'>Entrevista com a cantora e compositora Cristiane Visentin</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SzpduNBSNCI/AAAAAAAAARQ/PrvMzRZpZSs/s1600-h/cris+gata.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 311px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SzpduNBSNCI/AAAAAAAAARQ/PrvMzRZpZSs/s320/cris+gata.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420748149844227106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SzpdFvQDHVI/AAAAAAAAARI/Uy4oYbp6-x8/s1600-h/cris.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 218px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SzpdFvQDHVI/AAAAAAAAARI/Uy4oYbp6-x8/s320/cris.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420747454658321746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre falei que queria ser artista. Falava isso para família quando era bem pequenininha.  A música surgiu em minha vida e daí em diante eu nunca mais parei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de passar quase uma década nos Estados Unidos cantando o repertório da música popular brasileira e composições próprias, a cantora, compositora e violonista Cristiane Visentin retorna ao Brasil com uma bagagem enriquecida pelo contato com grandes músicos do cenário nacional e internacional. Tivemos uma conversa super agradável em que Cristiane relembra os primórdios da carreira em Juiz de Fora, os festivais, as parcerias e os projetos atuais. Confiram abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quando a música apareceu em sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane Visentin: Falar sobre isso é falar como todo mundo fala, desde que eu me entendo por gente. Fica até engraçado falar isso (risadas), eu não gosto muito de usar frases muito comuns, é isso aí, essa é a minha verdade. Eu tenho uma influência muito grande por parte da minha mãe, ela também cantava, foi cantora de rádio, não rádio em nível nacional, mas cantava na rádio da cidadezinha dela. Foi podada pelo pai, que era músico também. Depois ela resolveu casar com meu pai e assumir a família, e não mais se dedicar a música.  Mas meu avô Zé, por parte de mãe, grande avô, grande violonista e meus tios irmãos dele me influenciaram. Inclusive meu avô era autodidata, era muita musicalidade,  um tocava cavaquinho, outro violão de doze, outro violão de sete, e eram reuniões e mais reuniões em família e eu pequenininha assistindo tudo. E ao invés de ficar brincando com as crianças na festinha, eu ficava sentada assistindo. Eu gostava muito, me arrepiava. E as minhas brincadeiras de infância eram um pouco diferentes, ao invés de brincar de boneca, eu não queria saber de boneca, a minha maior satisfação era subir em cima de uma mesa, pegar um cabo de vassoura imitando um microfone, e ficar fazendo o meu programa de auditório. Como se eu estivesse cantando diante de um público e tal. E a música foi surgindo assim na minha vida, lembro-me que aos cinco anos eu pedi uma boneca de natal e minha irmã pediu um violão, e aquele violão ficou parado bastante tempo em cima do guarda roupa. Nem eu brincava com a boneca e nem ela com o violão, mas eu continuava subindo em cima da mesa cantando com o cabo de vassoura, eu não sabia que eu era instrumentista, que tinha essa vocação e tal. Daí ganhei um acordeon, que tocava direitinho, tinha todas as notas. Eu saí tocando de ouvido, um dia olhei para o violão lá em cima do armário, minha boneca ainda permanecia intacta. Fiz a proposta para minha irmã : - eu te empresto a minha boneca, mas você me empresta seu violão? E eu saí tocando o violão, fiz todos os acordes possíveis, assim primários e tocando todas as músicas que sabia na época, aquelas típicas de criança como Atirei o pau no gato, Fui no tororó beber aguá não achei, Parabéns pra você e musiquinhas que eu aprendia no colégio. Eu sempre falei que queria ser artista. Falava isso para família quando era pequenininha. Assim então que surgiu a música em minha vida, e daí em diante eu nunca mais parei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Elis Regina certa vez falou que tinha ficado muito emocionada ao tomar consciência da beleza de sua voz. Você tem um timbre belíssimo, como veio essa consciência do cantar para você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Eu não acreditava que seria cantora, eu queria ser instrumentista. Eu pensava que iria ser somente instrumentista, eu cantava quando era criança, subia na mesa e tal, mas quando descobri o instrumento  já passei a esquecer que era uma cantora. Eu queria mais o instrumento do que tudo na minha vida, até o dia em que o pianista Euzébio Monfardini me encontrou e falou: “- Você tem uma voz muito linda”. Eu falei: - não. Eu sou boa violonista, e eu não era nada (risos). Eu tinha treze anos de idade na época. Daí ele me convidou para cantar num restaurante onde ele trabalhava aqui em Juiz de Fora e meus pais passaram a me levar toda semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Nesse restaurante você parou momentaneamente de se acompanhar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: O Euzébio me perguntou: - o que você canta? Respondi: - Eu canto o que eu toco. Daí falei João Bosco, Elis Regina e os antigos clássicos da MPB como Lupicínio Rodrigues, Cartola, Noel Rosa, Dolores Duran e muitos outros...Então logo comecei a cantar no Dom Fellipo toda semana, ganhando um dinheirinho simbólico, eu não tinha nem carteira da ordem dos músicos, não tinha nada. E daí eu fui me ouvindo e percebendo que realmente eu tinha uma afinação, que tinha talento para isso, o canto.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Os músicos que entrevistei falaram muito da influência que sofreram de músicos como João Gilberto e Tom Jobim, e percebo em você nitidamente a influência do jazz, do soul. Como vem isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Desde os meus onze anos que escuto Etta James, Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald. Gosto muito também da Janis Joplin, que também se encaixa bem nessa linha jazz, soul. Não sei porque sofri essa influência, nunca tive mito brasileiro, não sei porque. Eu gosto da música brasileira, adoro e sou influenciada por ela, mas não sei porque eu tive uma queda muito grande pela música negra americana. É claro que sou muito influenciada pelas belas composições de Sueli Costa e Fátima Guedes por exemplo, cheguei até a fazer shows dedicados a essas duas compositoras. Contundo não sei nem porque o destino me levou para isso, tanto que fui acabar parando nos Estados Unidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E no período inicial de sua carreira você passou um longo tempo em Juiz de Fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Fiquei bastante tempo em Juiz de Fora, aí eu fui para o Vitrô Musical Bar, que mais tarde se transformou em Jazz Club Bar, onde ali de fato eu assumia a cantora Cristiane Visentin, que eu começava a construir. Confesso que esses espaços foram acontecimentos sui generis na história da música de Juiz de Fora. Não devo deixar de mencionar a importância do Prova Oral, pelo fato de que  ali eu também pude conhecer e trabalhar com músicos de projeção nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela:  Grandes músicos deram canja ali como o Toninho Horta, Nivaldo Ornellas e Arthur Maia. Percebo que o Jazz Club foi um marco na carreira não somente sua, mas também de outros artistas como o contrabaixista Dudu Lima, que hoje é tido pelo guitarrista Stanley Jordan, como um dos melhores baixistas do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane:Ah o Dudu, eu trabalhei com ele juntamente com o Trio BelaFonte, do qual na época ele fazia parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Quantos músicos eu conheci ali dentro e sendo ainda uma menina, eu tinha quatorze anos de idade na época. E aí me chamavam para dar canja, e eu ia no Djavan, que já estava em evidência, ia na Janis com Summertime, ia em todas as canções. Eu cantava tudo de jazz, principalmente os Standards. Eu consumia diariamente o jazz. Penso que de certa maneira isso devia impressionar os ouvintes mais experientes, pois eu era uma menininha cantando diante daqueles grandes lá ao meu lado, alguns que hoje em dia nem atuam mais na música né? Isso foi de uma importância muito grande para mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você vivenciou todos esses locais que hoje já não existem mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Eu me considero pioneira em música ao vivo em Juiz de Fora como cantora. Antes de mim, como cantora considero que só existia a Raquel Silvestre, não tinha cantora em Juiz de Fora que atuasse na noite exceto Raquel e Cristiane Visentin.  E a Raquel era aquela escola, uma escola, uma grande cantora. E ela já tinha uma certa vivência, então eu me considero uma pioneira nesse sentido. Porque eram só homens que atuavam na noite de Juiz de Fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Interessante é o fato de que você pegou uma fase de florescimento das cantoras. Eu nem peguei isso enquanto cantora, pois sou mais nova um pouco.  Tinha você, a Rosana Brito, a Mirinha Alvarenga, Isabella Ladeira, Marcela Lobo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Não posso deixar de falar que durante esse momento despontava a Rosana Britto, eram então Raquel, Cristiane e Rosana Britto em evidência na cidade. Foi uma fase muito legal, e a música era cultural, uma música boa que a gente fazia. Não quero pichar, pois tratando-se de cultura, importa muito na verdade é aquele que está produzindo, quem faz. Há ouvidos para ouvir o que for, e qualquer segmento de música é manifestação cultural de um povo. O funk é cultura, forró é cultura, sertanejo é cultura, agora a minha cultura é diferente. O que eu absorvi foram músicas que têm qualidade de letra e qualidade de música. Hoje em dia você pode muito bem fazer uma música e uma letra sem qualidade, e no entanto ela mesmo assim pode valer a pena para ouvidos de outros. Isso é cultura pra mim.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Sempre quando pensava em Cristiane Visentin me vinha de imediato também o guitarrista Salim Lamha. Como vocês desenvolveram uma dupla bonita não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Pura sintonia e química musical, o Salim é um grande músico, muito sensível. Com a gente até hoje não ocorrem ensaios, nos guiamos por pura sensibilidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você não tocou até agora no seu lado de compositora. Você ficou conhecida como uma das grandes vencedoras dos festivais, como intérprete e até mesmo como compositora. Seu lado compositora foi desenvolvido mais tarde ou emergiu junto com o canto e o desempenho do violão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Eu com onze anos já tinha a minha primeira música, que era uma música totalmente infantil, mas que despertou o meu lado de compositora. Esta canção se chamava O passarinho azul. Eu levava pra escola um caderninho e ali eu compunha minhas canções inocentes, apropriadas para idade. Depois chegava em casa e quando pegava o violão elas saiam como água de um cano inspirador. Saiam assim mesmo sem precisar ter o instrumento em mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: O Bird in blue seria uma canção que se desdobrou da singela Passarinho Azul? O Bird é mais rascante né? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Não, olha que loucura, vou chegar lá. Não, era somente o Passarinho Azul,  que dizia assim: fugiu da minha gaiolinha um passarinho azul/ que eu peguei na florestinha verde/ e eu vi bem lá no horizonte voando em plena imensidão tão triste/ pássaro azul/ pássaro is blue/ pássaro azul. Tem mais um restinho da letra, aí depois é que veio o Bird in Blue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Elas não teriam uma relação então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane:  Talvez até tenha, pode estar oculta essa ligação. O Bird in blue é um blues, mas o título não significa que eu queira dizer que a música seja um blues, mas é um blues, porque na verdade se eu quisesse falar que o Bird in Blue seria um blues, eu teria colocado Bird in Blues, mas não é, é Bird in Blue, ou seja, um pássaro no azul.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E essa canção ganhou muito festivais ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: E eu comecei a compor, a fazer, e a coisa mais difícil para mim nesse processo de composição era ter parceiros, porque eu sou muito minha. Me enfio no meu quarto, no meu mundinho e crio minhas músicas, as minhas músicas saem assim. Faço a letra e a música, a maioria delas eu faço letra e música juntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E parcerias, já fez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Tenho alguns parceiros como Nilton Bustamante, que é um super parceiro, Claudio Massenas, de Belo Horizonte, Telma Tavares, do Rio, muito boa cantora e compositora, o Naninho que está em Nova York,o musicalíssimo maestro e arranjador Aécio Flávio,  Dani Machado... Tenho muitas composições, mas a maioria na verdade são somente minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você ficou quase uma década fora não é? Como foi essa experiência nos Estados Unidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Foi uma experiência fascinante para mim. Foi muito bom, primeiro porque eu saí aqui do Brasil contratada, não sai aleatoriamente, não aconteceu assim de : - vou fazer minhas malas e ir embora. Mesmo porque eu não pensava em sair do país, nunca pensei em sair do país, meu ideal era ficar aqui no Brasil e fazer minha carreira aqui no Brasil. Não falo nem de sucesso, pois nessas alturas do campeonato não sei mais o que é fazer sucesso, pois sucesso para mim é você estar se realizando como pessoa, como profissional. Minha visão de sucesso hoje é totalmente diferente. Se eu vou ali e canto para um pequeno público composto de cinco ou seis pessoas e eles prestam atenção no meu trabalho, isso para mim já é sucesso. O fato de ter ido embora contratada foi muito bom, pois eu já cheguei com infra estrutura. Eu tinha onde morar, onde cantar e tal. A princípio fui para ficar dois meses, não fui para morar e dali fui ficando, pois foi surgindo convite aqui, convite ali, e fui ficando, ficando, e acabei ficando todo esse tempo .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E levando o repertório do Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Só Brasil, só cantava música brasileira. Depois é que passei a cantar certos hits internacionais, pois passei a fazer festas para americanos. O contratante me pedia: “Canta alguma coisa em inglês só para quebrar o clima.” E eu dizia, mas estou aqui para cantar música popular brasileira, é esse meu trabalho e tal. E ele falava que eu deveria cantar canções americanas para eles se sentirem mais em casa. Aí comecei a incluir os jazz que eu sabia cantar, hits de Elton John, George Michael, Madonna, tudo que eu sabia, que meu ouvido captava. Até coisas que eu não tinha o domínio, daí eu fui crescendo. Mas o meu trabalho nos EUA foi para divulgar a música popular brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela:  Me recordo da época quando te enviei o meu cd, e você muito gentilmente divulgou ele por lá na rádio em que trabalhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Sim, eu tive um programa na  Rádio Brasil FM em Miami, que era uma rádio super incrível, muito legal, os diretores maravilhosos que me deram toda a liberdade do mundo para divulgar a música popular brasileira em todos os setores. Eu tocava de tudo, mas tinha à parte um programa em que eu lançava os músicos que eram independentes, que não tinham selo, gravadora, aqueles músicos que pegavam o próprio dinheirinho e investiam mandando ver no que queriam e acreditavam. Esse era o meu intuito, foi o que eu falei para a diretora Tânia Azevedo, que era a diretora da rádio. Sentei na sala com ela e falei: - Tânia, você me dá a liberdade de divulgar as pessoas do Brasil, mesmo as que estão aqui fazendo música independente? Ela falou: -of course. Então no meio do meu programa eu tinha uma hora em que dedicava as pessoas, e intitulei o programa de Os independentes do Brasil. Eu achei um barato esse título, pois me lembrava algo dessa independência do Brasil, emancipação da nossa música...E eu lancei muita gente, Paulinho Shoflenn, Douglas Souza, você Daniela Aragão, Lúdica Música, Marcela Lobbo, dentre tantos outros que agora não me vem a memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E a recepção era boa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Calorosa, essa rádio era uma rádio popular, ouvida mais por brasileiros, mas por muitos americanos também. Era uma rádio afiliada a uma outra chamada Love Nine four . Rádio puramente americana, smooth jazz, só toca Ivan Lins e o resto do mundo que faz smooth jazz. O jazz melódico. E fiquei um ano e meio nessa rádio até que fui participar do Primeiro Festival de Música Brasileira dos Estados Unidos. Eu fiquei em segundo lugar regional na Flórida e segundo lugar nacional, sendo eu a única mulher compositora neste festival. Ganhei com uma música minha, PESCADOR DE ESTRELAS, cantando em português. Um festival que tinha no corpo de jurados o Jayme Monjardim, que embora seja famoso como diretor de novelas, mostrou um olhar crítico e sensível para a música. O Bob do Valle, que é um cara muito fera também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você dividiu o palco com Menescal e Hélio Delmiro também ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Sim, daí começaram a surgir convites e mais convites, até convites para sair da Flórida e partir para Nova York. Ah pensei, vou sair da Flórida, desse sol, toda bronzeada. Olha o que eu pensava (risadas), que valor que eu dava para a minha música. Daí falei, ah não vou sair desse sol, vou ficar por aqui.  Aí fiquei mais um tempo na rádio, cobri programações na rádio, também trabalhei como repórter de rua. Entrevistei muita gente, eu era repórter de rua, eu ia para os bastidores, eu era uma espécie de mil e uma utilidades nos meios da comunicação (risadas). Além do meu lado de cantora, desenvolvi o meu lado de comunicadora que eu amo. E acabei recebendo uma série de convites que me fizeram tomar uma atitude súbita, peguei meu carro com a carteira de motorista vencida, despenquei com ele da Flórida  para Nova York, em plena Highway e fui embora,  meti o pé na estrada e cheguei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: On the Road&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Quando cheguei lá já tinham vários trabalhos me esperando. Comecei a cantar em New Jersey, cantava em universidades, fazia festas fechadas em hotéis e cantava nos bares. Alguns brasileiros e muitos bares americanos.  Cantava em muitos pubs americanos, fui cantar com os velhinhos do jazz, e lá foi a minha escola maior. Até quando eu recebi um convite para cantar numa das melhores casas que existe no Village,  que se chama Café Wha?, que é uma casa americana, mas que dá o maior valor para a música brasileira. Cantei com uma super banda brasuca, com doze músicos no palco, todos eles  muito bem situados aqui no Brasil. Um tocou com Gal, outro com Menescal, outro com Carlinhos Brown.  Todos eles tem uma escola profissional, doze músicos em cima do palco. E foi uma experiência maravilhosa, casa cheia, e muitos americanos nos assistindo, uma noite brasileira. O repertório era Jorge Benjor, Sandra de Sá, Djavan, João Bosco, Chico Buarque, Caetano Veloso, e os americanos ficavam enlouquecidos. Cantei no Zinc Bar também, no Village. Zinc Bar é uma referência em Nova York. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Entrevistei o Bernard Fines, que é um cantor francês radicado no Brasil, e ele falou bastante sobre a influência da Bossa Nova em seu canto e suas opções sonoras. Nesse seu tempo nos EUA aconteceram também muitas solicitações de repertórios da Bossa Nova?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Com certeza, a música brasileira é muito bem quista no mundo inteiro. Meu sobrinho acabou de voltar da China e estava falando sobre o tanto que os chineses amam a música brasileira. E não foi só na China que ele disse que viu a música brasileira ser tão adorada. Nos últimos tempos eu venho observando uma coisa muito engraçada, a invasão do forró e do sertanejo, e os americanos gostando muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Não é o sertanejo Tonico e Tinoco, Xavantinho e Pena Branca, mas o sertanejo massificado, não é? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Pois é, justamente o sertanejo massificado. E que para mim nem é sertanejo, alguém deu esse rótulo para essa categoria errado. Foi algum crítico musical que não deve nem ter estudado música para falar que essa  categoria de música é sertanejo, isso é um romântico sem sentido. Eu não posso falar que é o brega, sabe por que? Pois tem uma música do Bruno e Marrone que eu canto chamada Choram as rosas, ela é linda, mas não é do Bruno e Marrone, mas de um autor que eles gravaram, mas quem conhece a dupla quando me ouvir não vai saber que estou cantando a mesma música. Quando chega no estribilho aí é que as pessoas reconhecem. Eu não posso taxar de brega, pois se estou cantando, então estou cantando brega. Eu me considero uma cantora popular ao mesmo tempo, uma cantora de povo. Eu fiz o Brazilian Day em New Jersey para um milhão de pessoas. Elaborei um repertório para todo mundo cantar junto, a la Jota Quest (risadas). Cantei Tim Maia, Gostava tanto de você diante daquela multidão, um milhão de pessoas cantando junto comigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela:  O importante é a releitura, o que você consegue extrair de qualitativo de uma canção aparentemente banal. Revelar alguma beleza para os ouvidos viciados na falta dela né?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Por isso é que eu falo, fui convidada para cantar numa casa  em Brasília, que creio que esteja até fechada hoje. Uma promoter das boas me perguntou se eu poderia fazer um show exclusivamente de Bossa Nova, eu disse que sim, que era a minha praia, que adoraria etc e tal. No meio do trabalho, lá pelas tantas, com aquele burburinho de conversas, sem ninguém prestar atenção, a promoter me chega com um bilhetinho dizendo: “- O povo está pedindo sertanejo”. Daí eu comecei a transformar todos os "sertanejos" que eu conhecia em jazz, blues, pop rock e fui inventando. Não deixei a essência se perder é claro, eles não entenderam muito bem, mas fui aplaudidíssima, apesar de algumas reclamações de pessoas insistindo para que eu fizesse um cover das gravações dos discos, arranjos chapados e tal. E daí quando peguei o sertanejo de raíz ( que o meu avô muitas vezes fazia) eles não conheciam nada  a não ser Cio da Terra, Rancho Fundo e Luar do Sertão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E com relação as premiações, pode falar um pouquinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: O que considero importante nos Estados Unidos foi o fato de eu ter participado de alguns prêmios que são importantíssimos para a comunidade brasileira nos EUA, que é o Press Award, grande prêmio que ocorre em várias categorias. Na verdade nunca participei concorrendo, mas sempre convidada para fazer os shows do evento. Participei de dois, um em homenagem ao Menescal, em que dividi até o palco com ele, e outro em homenagem a Alcione. Isso foi muito enriquecedor, pois fiquei conhecida como uma pessoa atuante no meio cultural, produzindo coisas, sempre em evidência na ativa divulgando a MPB. E o meu lado de comunicadora também foi reconhecido  nessa ocasião, inclusive até recebi um prêmio como Celebridade do Sul da Flórida, por minha atuação cultural na comunidade brasileira. Não devo esquecer das minhas premiações no Brasil, é claro. Aqui obtive 47 prêmios de melhor intérprete com participações em 68 festivais da canção. Participei com composições de minha autoria e também de outros vários compositores, como Sueli Costa e Fátima Guedes.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Quais são seus projetos atuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Estou ensaiando o musical "RELICÁRIO DE RITA CRISTAL", protagonizado anteriormente por Vera Fajardo.Fui convidadada para reviver esse musical pois Aécio Flávio e José Antonio de Souza, que são os autores, acharam que eu era a verdadeira "RITA CRISTAL". Mas tenho dúvidas (risos). Possivelmente me chamaram por eu ter trabalhos como atriz também. Sinto que mesmo sendo cantora, posso desenvolver esse lado de atriz. Tem me dado muita satisfação a parceria que estabeleci recentemente com o maestro Aécio Flávio, embora ele já me conhecesse dos velhos tempos de menina, só agora esse encontro se deu.Tudo acontece no tempo certo, eu agora uma mulher, já de fato amadurecida na música, com uma considerável trajetória percorrida, e ele  um músico já amadurecido na vida. Pura satisfação!Tive também a honra de regravar a composição dele em parceria com Luiz Fernando Gonçalvez, chamada DE CORPO INTEIRO. Ela foi um sucesso nos anos oitenta na voz da cantora Jane Duboc e está para acontecer numa nova leitura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Te desejo puro sucesso, obrigada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiane: Eu que agradeço, adorei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-6239824209848222516?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/6239824209848222516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=6239824209848222516' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6239824209848222516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/6239824209848222516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2009/12/entrevista-com-cantora-e-compositora.html' title='Entrevista com a cantora e compositora Cristiane Visentin'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SzpduNBSNCI/AAAAAAAAARQ/PrvMzRZpZSs/s72-c/cris+gata.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-2000833081768677199</id><published>2009-12-20T16:44:00.000-08:00</published><updated>2009-12-20T17:03:49.250-08:00</updated><title type='text'>Talento</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/Sy7G2kTsAzI/AAAAAAAAARA/z6xppzq6Vsw/s1600-h/eu+e+cris.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 297px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/Sy7G2kTsAzI/AAAAAAAAARA/z6xppzq6Vsw/s320/eu+e+cris.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417486042534773554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A cantora Cristiane Visentin retornou dos EUA em junho deste ano.Depois de 10 anos de experiência no exterior, ela nos presenteia com sua voz belíssima e com seu violão cheio de swing, que traz a força do legado jazzista. Suas interpretações exploram a emoção, aliada a sabedoria apurada dos meandros sonoros. Ouvir e cantar com Cristiane Visentin me emociona, sempre!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-2000833081768677199?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/2000833081768677199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=2000833081768677199' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2000833081768677199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2000833081768677199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2009/12/talento.html' title='Talento'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/Sy7G2kTsAzI/AAAAAAAAARA/z6xppzq6Vsw/s72-c/eu+e+cris.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-4115746396598589367</id><published>2009-12-13T05:05:00.000-08:00</published><updated>2009-12-13T05:08:52.066-08:00</updated><title type='text'>Pode  misturar</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SyTnWLonjqI/AAAAAAAAAQ4/Eomwh4ibjJk/s1600-h/Adriana_Calcanhotto_Partimpim_2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 288px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SyTnWLonjqI/AAAAAAAAAQ4/Eomwh4ibjJk/s320/Adriana_Calcanhotto_Partimpim_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414707020272471714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Ah! Menina tonta/toda suja de tinta/mal o sol desponta!/Sentou-se na ponte, muito desatenta/E agora se espanta: quem é que a ponte pinta com tanta tinta...”. Ao me deparar com a super colorida capa do encarte de Partimpim2, de Adriana Calcanhotto, voltam-me a memória os versos do poema Tanta Tinta, de Cecília Meireles, que eu adorava falar bem alto e todo de cor, assim como os famosos versos de Bailarina : “não conhece nem dó nem ré/mas sabe ficar na ponta do pé./Não conhece nem mi nem fá/mas inclina o corpo para cá e para lá”. Guardo ainda em bom estado de conservação meu exemplar de Ou isto ou aquilo, que me acompanhou durante anos nos tempos de escola. Em formato A4 e com belas ilustrações de Eleonora Affonso, vou folheando o livro que traz poemas bem humorados e plenos de musicalidade. O violão e o vilão pareceu-me desde a leitura de menina pronto para ser cantado - o violão, Olivia, a viola e a vida se alternam num jogo sonoro rico em experimentações: “Não vive Olívia na vila,/ na vila nem na viola./o violão levou-lhe a vida,/levando o violão dela”. A profusão de cores e sons que jorravam dos poemas de Cecília inundou de lirismo uma parte de minha infância, assim como as canções da Arca de Noé, de Vinicius de Moraes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dando continuidade a poética Viniciana, começo a falar sobre Partimpim2 seguindo a ordem inversa das faixas do cd. As borboletas, poema de Vinicius de Moraes, musicado por Cid Campos, é a canção que fecha o disco em clima de pura contemplação do instante poético. Por ser encantada por borboletas, passaria um longo tempo aqui a tecer impressões sobre elas. Carrego em minhas retinas (ainda não fatigadas) a delicadeza de Walter Lima Júnior em Inocência, ao capturar com sentido de amplitude expressiva e plástica uma borboleta. Marisa Monte suave entoando a Borboleta do folclore nordestino: “Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira/ando no meio das flores procurando quem me queira.”A Grande Borboleta de Caetano Veloso: “A grande borboleta/Leva numa asa a lua/E o sol na outra/E entre as duas a seta”. Gravada na casa da Partimpim, na floresta, As borboletas reproduz o som de insetos in natura. A voz puríssima da cantora, acompanhada por seu próprio violão e pelo baixo de Dé Palmeira, destaca a seiva dos versos cromáticos de Vinicius: “Brancas/Azuis/Amarelas/E pretas/Brincam/Na luz /As belas/Borboletas/Borboletas brancas/são alegres e francas/borboletas azuis/gostam muito de luz”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bim Bom estabelece uma homenagem vigorosa a João Gilberto, ícone da Música Popular Brasileira. Depois de um longo período guardada no baú, a canção é regravada simultaneamente por duas cantoras da mesma geração: Calcanhotto e Bebel Gilberto. Ambas herdeiras da mesma tradição que incorpora Tom Jobim, João Donato, Chico Buarque e Dorival Caymmi. O diálogo entre Calcanhotto e Bebel frutifica faz tempo, em Maritmo Calcanhotto imprimiu sua marca ao gravar Mais Feliz, de Bebel Gilberto, Dé Palmeira e Cazuza. Bim Bom é bonita tanto com a Partimpim, quanto com Bebel: duas leituras singulares. A interpretação de Partimpim funde João Gilberto ao Olodum, em que a memória da marcação das batidas do violão de João se mantém na mistura com o samba-olodum-baião, afirmado no canto: “É só isso o meu baião/E não tem mais nada não/ O meu coração pediu assim, só”.  Bebel já opta pela superposição de vozes ao dividir os vocais com Daniel Jobim, de tão jobiniana sua interpretação, o arranjo elaborado para a   introdução rende homenagem ao maestro soberano, autor de Fascinating Rhytm. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impecável a gravação de O homem deu nome a todos os animais, versão realizada por Zé Ramalho para a canção Man gave name to all the animals, de Bob Dylan. A levada cheia de swing do baixo de Dé Palmeira conduzindo a introdução, remete a famosa música da Pantera Cor de Rosa, super convite para a criançada. Introduzindo o afinado coro de crianças regido por Mariana de Moraes, Partimpim não perde o apuro técnico que seduz o público adulto e infantil. Partimpim2 é um cd mais amadurecido em relação a experiência inaugural do outro Partimpim, no atual a compositora/intérprete ousa mais nas experimentações sonoras, utiliza mais a informação da música eletrônica e dos apetrechos que compõem o universo de barulhos do mundo infantil: latas, tralhas, brinquedos. Calcanhotto fala sobre a Partimpim: “A Partimpim carrega objetos, ela gosta de acúmulo, guarda coisas. Ela guardou todos os bilhetes e brinquedos que ganhou das crianças, é o oposto da Calcanhotto. Ela leva tudo para o estúdio, convive com aquelas coisas, e as pessoas que estão trabalhando no projeto acabam contaminadas com isso. Quando me dou conta os músicos estão lá, cheios de ursinhos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na massa, de Davi Moraes e Arnaldo Antunes é a música que melhor sintetiza a liberdade - make yourself, preconizada pela Partimpim. A letra de Arnaldo contempla a criatividade das crianças que “com a mão na massa” transam seus próprios figurinos, criando moda. Além dos detalhes da letra, vale atentar para as nuances experimentais sonoras, um pianinho que soa ali, um carrinho que arranha acolá, um assovio, um barulho não identificado: “pode ser de farda ou fralda/arrastando o véu da cauda/jóia de bijuteria/ lantejoula e purpurina/manto de garrafa Pet/tatuagem de chiclete/de coroa ou de cocar/pode misturar”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emociona na voz da Partimpim o registro de O trenzinho do caipira, composição de Villa Lobos com letra do poeta Ferreira Gullar. Ela se apropria da canção como se dela fosse, sua interpretação traz a segurança e leveza de quem já percorreu muitos trilhos. Os ruídos do trenzinho me trazem uma certa nostalgia da poesia e da delicadeza que pouco se vê/ouve hoje em dia, mas que se revive em Parimpim2.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-4115746396598589367?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/4115746396598589367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=4115746396598589367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/4115746396598589367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/4115746396598589367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2009/12/pode-misturar.html' title='Pode  misturar'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SyTnWLonjqI/AAAAAAAAAQ4/Eomwh4ibjJk/s72-c/Adriana_Calcanhotto_Partimpim_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-3961757342270512774</id><published>2009-12-12T09:34:00.000-08:00</published><updated>2009-12-12T09:58:32.268-08:00</updated><title type='text'>Bernard Fines é luxo só</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SyPZhHPwDKI/AAAAAAAAAQw/3yhp9bo_bCQ/s1600-h/BERNARD+FINES+-+p%26b.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 289px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SyPZhHPwDKI/AAAAAAAAAQw/3yhp9bo_bCQ/s320/BERNARD+FINES+-+p%26b.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414410339933490338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bernard Fines é um músico francês que já se tornou brasileiro. Belíssimo timbre, bom gosto e sensibilidade são as marcas de Bernard. Batemos um longo papo sobre música brasileira, jazz e música francesa. Segue aí: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você é cantor e músico também? Qual é sua formação? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard Fines: Eu sou músico. Minha primeira formação foi piano clássico, estudei na França. Estudei 5anos, piano, solfejo, teoria musical, aí depois fui desenvolvendo a música como autodidata. Depois estudei contrabaixo, voltei ao piano, enfim, pelo piano e pelo teclado montei uma banda de jazz na faculdade. A gente se apresentava em botecos de jazz no norte da frança. E aí vim para o Brasil, eu sou engenheiro. Estudei engenharia acústica e vim ao Brasil para fazer um estágio de mestrado, quando cheguei no Brasil fui trabalhar numa região isolada, que não tinha eletricidade e tal. A casa era de madeira, de pescador, de caiçara, não tinha como ter piano, teclado, e comprei um violão, fazia tempo que queria tocar violão, já arranhava e tal. Comprei um violão e fui aprendendo com os brasileiros, nas festas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Não falava nada de português?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Muito pouco, era um português de Portugal, fiz aula de português, mas não entendia nada do que as pessoas falavam. Aí fui pegando pela necessidade assim. Comecei a aprender violão assim, comprei as revistas Coro de Cordas e os amigos brasileiros ajudando. Na França a gente tem uma inibição muito grande em relação a arte, enquanto a coisa não está super pronta, a gente não apresenta. Aqui simplesmente o pessoal botava o violão na minha mão e dizia: - canta. Aí eu falava, não sou cantor, não sou violonista, não sei nenhuma música, e acabava cantando. Em francês primeiro e em português depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você já conhecia a música popular brasileira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Sim, a Bossa Nova, João Gilberto, disco do João Gilberto principalmente. Daí, quando eu cheguei no Brasil, descobri o Caetano, que me chamou atenção pela letra. Descobri Caetano, Elis Regina, que na frança eu não conhecia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Estranho Elis não chegar lá, ela fez até o 13º Festival de Montreux. A maior cantora brasileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Chega lá Elis, mas para um público mais específico. Mas realmente é a Bossa Nova que todo mundo conhece na França, Caetano, Elis, o Chico, já é um público mais específico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Interessante o Caetano ter te chamado atenção, pois é um compositor sofisticado e que escreve em português. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Muito interessante na letra do Caetano é que por exemplo “Esse papo já tá qualquer coisa” (cantarola), eu pedia para os meus amigos brasileiros explicarem a letra e eles não conseguiam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Ah isso que faz parte do próprio feeling do brasileiro, são expressões que dizem respeito a nossa língua. Como tem coisas que são muito próprias dos Franceses, expressões da língua, que não tem tradução. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: É. Então isso foi fundamental para mim. E aí comecei a tocar nos bares MPB, principalmente Chico, Caetano e Gilberto Gil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Aí você cantou em português? Tem Joana Francesa do Chico, que é tão bonita e mistura o francês e o português&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Em português. Em 2005 eu apresentei Joana Francesa com uma banda em Curitiba no Teatro do Paiol. E hoje eu canto ela direto, no meu último cd gravei com participação do Leo Gandelman, bem bacana, uma delícia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você tem disco solo gravado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: O último disco que gravei, lancei pela Delira Música, que é um selo do Rio. Eu convidei um trio de jazz para me acompanhar, a gente está junto faz quatro anos. Eu não trouxe eles aqui porque é um festival de duo, mas sempre tocamos juntos. É um casamento, na verdade um trio instrumental brasileiro, que toca jazz com um cantor francês, esse é o espírito. O resultado é uma banda, um quarteto em que eu sou cantor, sou vocalista, mas cada um tem o seu espaço, tão grande quanto o meu, para improviso e tal. Por exemplo na hora do solo do contrabaixo o baixista vai para frente e é a vez dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Pela condução do seu canto, deu para perceber que você traz toda uma concepção jazzística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Toda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Eu amo Speak low e nunca tinha ouvido em francês, com você agora achei o máximo. Já cantei muito essa canção numa orquestra de jazz e tal, mas em francês para mim é inédito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Na verdade eu sempre gostei de jazz, mas nunca morei na Inglaterra, nos Estados Unidos, não domino a língua inglesa. Tem o Claude Nougaro, que é um cantor-poeta que fazia versões, melhor, adaptações de Standards de jazz para a língua francesa. Ele morreu em 2004 e foi consagrado só depois que morreu. Editaram um cd que  le gravou pela Blue Note, nos EUA, até aí ele era conhecido só na frança. Daí resolvi dar mais um espaço no trabalho dele através do meu. Então hoje eu apresentei bastante versões minhas, que é a uma forma de se apropriar da música, fazer como se ela fosse um pouco minha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você se acompanha ao violão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Acompanho sim. Violão e voz, o que no jazz fica um pouco difícil, pois eu não tenho um nível técnico para tocar um violão com uma levada de jazz. Agora já toquei bastante em bar, em Curitiba primeiro, depois na região de Rezende, onde eu moro.Moro em Penedo, do lado Rezende&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você continua com a profissão de engenheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Não, só músico. Eu comecei em 2003 violão e voz nos bares e aos poucos fui procurando o meu caminho, trabalhei com percussionista, mais um pianista. Depois eu encontrei um trio de Jazz que é o João Bittencourt trio, formação de guitarra, baixo e bateria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você já participou de outros festivais de jazz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Em Ibitipoca, Penedo, Savassi em BH, alguns festivais de cultura francesa, o C’est si bon em São Paulo e no Rio, agora não lembro muito. No Rio está rolando também quarta feira, vou fazer no espaço cultural, sempre tem shows. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Achei um barato a maneira como você assimilou a cultura brasileira e como funde com a sua. Traz um resultado muito interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Eu amo muito música brasileira, pois estudei música brasileira no conservatório de Curitiba, a partir daí comecei a apresentar minha primeira banda. A gente se apresentava em festas e o repertório era Luiz Gonzaga, Chico e tantos. Esse repertório ficou na minha história. As vezes as pessoas que acabam de me conhecer perguntam: - Você conhece Trem azul?. Digo que já cantei e tal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: São quantos anos de Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: 17 anos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você fala muito bem português, traz sua marca nos erres é claro, mas é sua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Sim, é minha identidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E entre os franceses: Jacques Brel, Piaf. O que você traz para o seu repertório?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: O último cd que gravei são só os clássicos da música francesa, jazz pelo trio brasileiro. Então é uma mistura bem interessante. O repertório é Ne me quitte pas, do Jacques Brel, La vie em Rose, de Piaf, quatro músicas de Charles Aznavour, C’est si bon, Yves Montand. Só os clássicos. Porque aí a gente faz uma outra leitura dessas músicas por dois motivos, primeiro porque eu pesquisei bastante para ver o que tinha sido feito, eu não vou fazer, por exemplo, La vie em rose em Bossa Nova, porque já tem três gravações assim pelo mundo. Então vamos fazer outra história, e mais, eu chamei o trio de jazz, a gente fez os arranjos juntos, foi uma coisa de criação mesmo. Eu mostrei violão e voz, uma coisa bem básica, e eles foram rearmonizando. Com todo o talento que os brasileiros tem. Graças justamente a eu ter conseguido deixar rolar solta a criatividade dos músicos brasileiros que estavam trabalhando comigo. Isso é que é o mais importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E um próximo trabalho? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernard: Sim, agora vai ser um disco de parcerias. Estou trabalhando em cima de música do Nelson Faria, Gilson Peranzzetta, Márvio Ciribeli. Vamos lançar esse cd no ano que vem, muito brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-3961757342270512774?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/3961757342270512774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=3961757342270512774' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3961757342270512774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/3961757342270512774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2009/12/bernard-fines-e-luxo-so.html' title='Bernard Fines é luxo só'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SyPZhHPwDKI/AAAAAAAAAQw/3yhp9bo_bCQ/s72-c/BERNARD+FINES+-+p%26b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-2414433447939686877</id><published>2009-12-10T05:42:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T15:36:04.869-08:00</updated><title type='text'>Entrevista com Alexandre Magno e Affonso Cláudio</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SyGF0xUrDwI/AAAAAAAAAQo/Xt6l-wmHcQs/s1600-h/MagnoAlexandre_c.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SyGF0xUrDwI/AAAAAAAAAQo/Xt6l-wmHcQs/s320/MagnoAlexandre_c.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413755368715783938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bate papo agradável, na hora do almoço, que rendeu muitos guaranás e assunto para prosseguir no próximo festival. O guitarrista Alexandre Magno e o saxofonista Affonso Cláudio me deram a honra do maravilhoso som e da simpatia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Affonso Cláudio: Sou AC, saxofonista do Rio de Janeiro, minha formação musical é muito americana, me formei em saxofone pelo Berkley College of Music in Boston, fiz o mestrado em jazz na Califórnia Institute of the arts e mais recentemente, cerca de sete anos atrás, eu terminei meu doutorado em música pela UNIRIO. Meus principais professores de instrumento foram Joe Viola, Any Wats e Jordy Garzone. Estudei no Brasil também um tempo com Mauro Senise e tive outras influências tipo Paul Novus, Charlie Haden. Eu tive muito sorte, excelentes professores e pude estudar, música pra mim não é uma coisa fácil, é uma coisa extremamente difícil e tenho que me dedicar muito para alcançar um resultado que eu ache pelo menos satisfatório. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Existe esse mito da idéia da inspiração, a música que brota, que surge assim do nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AC: Para mim a música nunca foi fácil, sempre foi fruto de muito estudo. Eu hoje em dia, além da minha atividade musical, dou aula na parte de tecnologia da Faculdade Estácio de Sá, dou aula de produção fonográfica no curso de cinema e de produção audiovisual. Isso deu início nos Estados Unidos, em que fiz uma especialização na área de concentração em  music e technology, e desde então isso acaba sendo parte de meus interesses, das coisas que gosto de fazer. Aprendo muito com pessoas que eu toco, o tempo que eu deixo para a música é dedicado aos projetos que eu quero fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magno Alexandre: Ao contrário do Afonso, não tenho formação acadêmica nenhuma. Estudei teoria de música só, numa escola muito boa em Belo Horizonte chamada Fundação de Educação Artística e fui autodidata como instrumentista. Comecei a tocar aos 15 anos, já estou com 38 e continuo aprendendo. O lance que tenho em comum com o Afonso é o lance de aprender tocando com as pessoas, aprendi muito assim. Tirei muita música de ouvido, no estilo mais jazzístico mesmo. Até hoje vou conhecendo as pessoas. Dois anos atrás peguei pra acompanhar a Maria Schneider, maestrina americana, sob a regência de um grupo de músicos brasileiros. Aprendi com um baterista muito importante, o Nenê, importante para música mundial. Trabalhava com Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal. O Nenê é muito bom compositor e músico. Eu e o Enéas Xavier (contrabaixista) aprendemos muito com ele. Tocamos com ele uns 10 anos, e através dele a gente foi conhecendo os melhores músicos, do Brasil e do mundo. E sempre trabalhando com esse tipo de música instrumental, eu sempre trabalhei com isso. Eu tenho um cd que resume isso, de música brasileira só que com muita improvisação, o que é uma característica do jazz. Esse cd que eu fiz em 2004, com os músicos de São Paulo e alguns de Minas, deu um resultado bom, ganhei um prêmio como melhor cd de música instrumental. Tem participações do Toninho Horta, um quarteto gravado ao vivo, e daí eu fui colocando coisas por cima. Eu, Benjamin Talk, o Nenê e o Célio de Barros. Aí teve o André Mehmari, que conheci na época depois de gravar. Alguns músicos estrangeiros, uma celista da Suécia, uns arranjos de cordas. O Toninho Ferraguti, e com esse cd eu pude viajar para a Europa desde 2005. Eu viajo todos os anos para a Europa tocando as músicas desse cd, ele gostam. O estrangeiro gosta dessa música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: São temporadas longas lá fora? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magno: Um mês, dois meses no máximo. Mas dá pra tocar em muito lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E como é que vocês lidam com o mercado para a música instrumental?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magno: Que mercado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Acho que esses festivais são uma oportunidade para vocês tocarem. Fora isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magno: Mas não é nem em todos os festivais que entramos. Às vezes eu toco num, no outro não toco. Em Belo Horizonte estão tendo muitos festivais, com o apoio da Lei de incentivo. Esses projetos desse tipo. E no mais, eu toquei muitos anos em lugares fixos que ultimamente não está tendo mais espaço. Em Belo Horizonte, por exemplo, toquei 5 anos no Café com Letras, em outros lugares, toca um tempo, 2 anos toda quinta, aí acaba o lugar. As vezes não pode ter música num ambiente que não tem alvará. Tocar em lugares ao ar livre, era muito legal, enchia, era o point da cidade. Aí depois de um tempo chega a prefeitura e acaba com isso porque não pode. E aí, agora não tem muitas casas desse gênero em Belo Horizonte, mas a gente ainda trabalha, 2 a 3 vezes por semana. E no mais temporadas viajando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E com cantores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magno: Já toquei com Luiz Melodia, Milton Nascimento, participações breves com alguns cantores. Nada de trabalhar com cantor mesmo, Belo Horizonte não tem muito esse tipo de coisa. Cantores que estão no mercado atuando, como o Flávio Venturini que está lá em Belo Horizonte. Beto Guedes, a turma do Clube da Esquina ainda faz uns shows. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Eu fiz essa pergunta porque não vejo você como um músico centrado exclusivamente em Belo Horizonte. Você e o AC são músicos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magno: O melhor dessa profissão acho que é isso, você poder tocar com várias pessoas em qualquer lugar do planeta. Hoje, por exemplo, foi a primeira vez que a gente tocou, eu e AC. E tocamos com um cara que nunca tínhamos tocado antes também, o Miltinho, baterista do Jô. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AC: Isso se permite, uma vez que você tenha um ponto de convergência de linguagens, essa interação é possível. Acho que essa questão do mercado, ou seja, todo o mercado de música está mudando, está sendo reformulado. Não está sendo reformulado porque eles querem reformular, está sendo reformulado pela própria realidade. Eu acho que no caso do que seria música instrumental, jazz. Acho que não existe uma subvenção oficial, como você tem da orquestra sinfônica. A orquestra sinfônica é uma subvenção oficial para a música clássica, como nas universidades se tem uma subvenção para a música clássica. A música instrumental, jazzística, não tem essa subvenção oficial, então ela fica meio que tentando pegar assim uma coisa marginal do mercado principal. Alguma coisa de Lei de incentivo, algumas iniciativas. Porque você não tem uma estrutura profissional que funcione, ou seja, uma pessoa que trabalhe, um agente, um produtor que trabalhe fazendo o book do Magno. Que ajude ele a fazer uma carreira, mandar projetos e tal. As pessoas que conseguem mais coisas, são pessoas que perdem mais tempo se dedicando a esse lado profissional, que é você ficar correndo atrás. O cara tem que se mesclar dessa função, já que não tem um business suficiente para atrair um produtor. Quem faz é que tem que fazer, daí vai depender da habilidade do cara e da capacidade dele empresarial, da capacidade dele de fazer conexões com outros produtores, outros festivais, é uma coisa ainda pré-simbiótica. Eu vejo coisas pontuais assim, nesses festivais as participações se restringem aos contatos pessoais. Não tem uma estrutura que suporte outras formas, tem pessoas que por contingências pessoais e de personalidade, são boas em fazer isso. Pessoas que passam um bom tempo de seu dia trabalhando esse lado empresarial, que é de mandar projeto, se inscrever em edital, mandar material. Tem uma hora do dia que a pessoa pega pra ficar ligando, enfim. Aí quando você vê a pessoa aparecendo em vários lugares diferentes, pode ter certeza que ela ou alguém ficou assim, na função. Aí batalha e a coisa vai, mas não acho que exista um mercado. Pra você considerar um mercado, teria que poder quantificar ele. Em 2000, quando eles dividiram o mercado musical em tendências, nem apareceu música instrumental. Nem sequer foi computado, o número do ponto de vista econômico era tão irrisório, que não chegou nem a fazer cócega. Entrou na categoria outros, que era três por cento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-2414433447939686877?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/2414433447939686877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=2414433447939686877' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2414433447939686877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2414433447939686877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2009/12/entrevista-com-alexandre-magno-e.html' title='Entrevista com Alexandre Magno e Affonso Cláudio'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SyGF0xUrDwI/AAAAAAAAAQo/Xt6l-wmHcQs/s72-c/MagnoAlexandre_c.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-1550883302117216832</id><published>2009-11-27T08:13:00.000-08:00</published><updated>2009-11-27T08:20:39.764-08:00</updated><title type='text'>Entrevista com o contrabaixista Dudu Lima</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/Sw_8QMoS93I/AAAAAAAAAQg/PvjjBL1gs1I/s1600/DSC01178.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/Sw_8QMoS93I/AAAAAAAAAQg/PvjjBL1gs1I/s320/DSC01178.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408819032693602162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não pode parar nunca, a música não te espera, ela é uma mulher ciumenta e te exige o máximo. É muito bom poder tocar" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quando você começou a tocar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Lima: Comecei com 11 anos e profissionalmente com 14. Caramba, as vezes você se lembra de você mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Você está com quantos anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Lima: Estou com 37, faço 38 em janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Começou com contrabaixo mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Lima: Sim, comecei com contrabaixo elétrico. Eu fui passar umas férias com uns primos que eram músicos e comecei a ouvir muito o som do contrabaixo e fui perguntando sem forçar a barra – que som que faz isso? E pedi um contrabaixo de natal, quando eu tinha 11 anos. Aí começou essa história, eles me ensinaram as primeiras músicas, fui tocando as coisas que tinham possibilidade, em que eu decorava o lugar do dedo. E isso é fundamental para você começar a entender o instrumento, que é um desconhecido total. A gente estuda o instrumento a vida inteira e ele continua um desconhecido, pois é infinito.  Foi muito legal eu ter tido o suporte deles no começo, e depois em Juiz de Fora comecei a estudar na Pró Música com o Amaury, que era o baixista do Soma, uma banda de baile de Juiz de Fora. Ele tinha um ouvido muito bom, e estudei também com o César Tabet teoria musical. César foi um grande mestre para mim, me ensinou a ler música, eu era um analfabeto completo musical. Ele é uma pessoa maravilhosa pela qual tenho um carinho enorme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você passou pelo conservatório?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Lima: Não. Eu perguntei ao César: - eu quero saber quando o acorde é aqui, o que ele fala. Daí ele falou que eu tinha que estudar harmonia, então fui. O Sylvio Gomes, maestro da Orquestra de Jazz da Pró Música, iria dar um curso em Juiz de Fora em 1988, foi a primeira ida dele para Juiz de Fora. Só que ele deu três aulas nesse curso e teve que parar por um motivo profissional, daí fui para o Rio estudar com o Ian Guest. Fiz escola de harmonia, tive aulas com vários professores, entre eles o Estevão Teixeira, estudei com o Adriano Gifoni, aprendi com ele sobre ritmos brasileiros, ele é um especialista. E em Juiz de Fora tive a oportunidade de tocar com músicos da pesada que considero os mais importantes como o Big Charles, Toninho Oliveira, Goianá. Então eu novo tocando com eles, e eles tinham muita paciência comigo. O Big me ensinou muito, o Fofinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: O Big é meio pai de todo mundo né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Lima: É, pai de todo mundo. Juiz de Fora me deu essas oportunidades e principalmente o Jazz Club, eu devo a minha vida musical ao Jazz Club e falei com o Big que deveria ser feito um documentário sobre o Jazz Club. Nós tínhamos 15, 16 anos e eles deram abertura para a gente tocar lá. Eu tinha uma data toda semana lá. Eu tocava com o Fabiano, e o Fofinho era o baterista. O Fofinho é outro cara fundamental na minha vida, montou lá em casa as tumbadoras. O Fofinho tinha muita experiência musical, um dia levou uma pilha de vinis para gente ouvir, montou a tumbadora e começou a explicar tudo, “ _ a onda samba é aqui, você tem que ouvir isso, o swing é aqui e tal”... Eu tive então essa sorte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: O Fofinho é um intuitivo né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Lima: Claro, mas com uma cultura musical enorme. Falava:- “agora vamos ouvir a faixa três do lado dois, ali tem um solo”. Fofinho tem uma cultura musical impressionante. Então essa coisa fomentou e lá no Jazz Club tínhamos contato com o Nico Assunção, Arthur Maia, a Joyce, a Joyce dando canja com o Toninho Horta, depois do show no Teatro Solar, nunca mais esqueci. Ali que aconteceu mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Eu estava nesse show da Joyce, eu tinha 14 anos na época. Me lembro que o show demorou pracaramba para começar, se me recordo eles tiveram um problema com o acerto do som e tal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Nessa época você já estava com o baixo acústico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Lima: Eu comecei a tocar o contrabaixo acústico em 91, por influência do Mauro Continentino. O Mauro mudou para Juiz de Fora e nós começamos a tocar de duo. Um dia ele levou um baixo acústico e falou: “-Nós temos agora um show de duo daqui a uma semana, você de baixo acústico e eu de piano”. E falei então tá bom, muito obrigado (risos). Eu tinha estudado um pouco de baixo acústico, mas não tocava. Tinha os princípios técnicos, mas a gente sabe que tem que viver com o instrumento o dia inteiro. Mas foi legal pois ele me deu uma agulhada, entrei de cabeça, fiz o show e me envolvi com o baixo acústico num amor assim pleno... é um instrumento fundamental na minha vida musical hoje. Me lembro bem que o Fofinho ficava no case do meu baixo elétrico, ele gostava de tomar uma cachacinha, com a feijoada, imitando no meu case o baixo acústico e dizendo: “- Você tem que tocar isso aqui, baixo acústico”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E o acústico te dá uma possibilidade muito maior de inserção no jazz né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Lima: Ah claro. O elétrico também tem, mas no acústico estão as raízes, a madeira, a coisa orgânica, a origem realmente. Eu adoro o elétrico também, mas o acústico tem essas possibilidades todas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você fez direito né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu Lima: Pois é, me formei em direito, sou bacharel em direito. Minha mãe, que foi uma figura muito inspiradora na minha vida, tinha o sonho de entrar na igreja comigo. E ela estava adoentada, realizei isso para ela.  E foi legal porque ainda toquei no baile da minha formatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E você conseguiu compatibilizar bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Consegui compatibilizar na medida em que o direito me serve às vezes para contratos e tal. E vou te falar, o direito como ciência é muito bacana. Foi um estudo interessante, mas na prática ele é todo distorcido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Sueli Costa também fez direito e largou no último período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Sim, eu convivi muito com o Afrânio, irmão dela.  Toquei muitos anos com o Afrânio, eles são uma família musical pracaramba. A mãe deles, Dona Maria, nem se fala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Pois é, Telma, Lisieux, dona Maria Aparecida, grande família. Em geral o contrabaixo vem como um instrumento que acompanha, compõe a banda. Seu contrabaixo mostra uma autonomia, como se ultrapassasse os limites do som do próprio contrabaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Uma coisa interessante, O Paulo César Barros, que é um baixista da pesada que tocou com Renato e Seus blue Caps, me deu uma fita de vídeo do Jaco Pastorius e falou: “-Vê isso aí garoto”. Eu ficava vendo aquilo, não entendia nada do que estava acontecendo, mas sabe que aquilo ali foi talvez a coisa mais determinante na minha vida. Eu pensava, queria entender isso um dia, só entender, tocar nem pensava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você explora muitas sonoridades, às vezes seu contrabaixo é uma guitarra, um violão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: O Pastorius me inspirou para trilhar esse caminho, ouvindo aquilo ali eu tive a audácia de pensar que eu também poderia adentrar nesse universo. E entrei de corpo e alma. Foquei meu trabalho autoral nesse desenvolvimento do contrabaixo, pensando nesse lado, como para expressar as idéias né? E fico muito feliz de fazer disso que era um obstáculo na minha cabeça, tornar-se uma coisa concreta. Uma sonoridade que busca uma outra coisa que a gente não sabe nem qual é. E não pode parar nunca, a música não te espera, ela é uma mulher ciumenta (com todo respeito ao sexo feminino, risadas) e te exige o máximo. É muito bom poder tocar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você é um músico que transita muito pelo instrumental e que ao mesmo tempo interage com o público. Isso é lindo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Sempre pensei que o jazz não precisa de ser essa coisa hermética. Isso eu aprendi muito no meu trabalho com o Stanley Jordan. Foi fundamental isso, eu sempre percebi essa necessidade de interação. Ele tem muito isso, já tocou nas ruas. Desde o nosso primeiro contato, em 2001, fazemos agora a décima tourné  juntos. Eu aprendi muito com ele, essa energia, esse respeito ao público não para conquistar e fazer merchandizing, mas um respeito genuíno pelo público. Como você está tão feliz tocando, vamos deixar todo mundo feliz, não vamos guardar isso. A gente tem um presente e tem que distribuir. Ele tem um carisma e sou admirador disso, percebi que esse carisma parte da verdade, tem que ser uma coisa verdadeira. Tem que ser você ali. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Como está a recepção do jazz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Quando você está num Festival de Jazz como este aqui, teoricamente  você já parte de um campo favorável. Você tem esse público e tal, mas de qualquer forma eu cheguei na verdade a conclusão de que é tudo igual.  Uma vez tínhamos uma tourné patrocinada pela Companhia Força e Luz que começava em Manhuaçu, fizemos aquele circuito com o Fabrício Conde, que é de viola. Naquelas cidades pequenas: Leopoldina, Cataguases, Muriaé.  Eu sei que a viola no interior mineiro tem um apelo total e saímos tranquilos com ele. Ali o trabalho era o trio servindo de base para a viola, fizemos um disco com ele, a direção musical era minha.  Ali era bacana, o trio servindo de base para a viola, depois surgiu o convite para fazermos um circuito nosso, só o trio. Daí chegando em Manhaçu (eu tenho o retrato), quando passamos o som de tarde, entraram quatro criancinhas do interior, pé sujo, shortinho. Numa certa altura acabou a música e elas disseram: - Moço a gente pode dançar? Estavam eu, Leandro Schio e Dudu Viana. Falei: - claro, pode sim. Aí mandamos mais um som, era Miles Davis, e um deles falou: - de noite eu posso trazer minha turma aqui? O Márcio Bahia, batera me falou uma vez uma coisa: “- Quando a criança gosta da música é porque ela é verdadeira, se as crianças ficarem tristes quando você começar a tocar, tem que mudar alguma coisa”.  Isso é teoria Hermetiana, deles lá. Daí eu me lembrei disso, e nessa noite dos meninos estava lotado. Foi uma lição para mim. A emoção é universal do ser humano, então esse mito do jazz tem que ser quebrado. E o Stanley falava isso : “Pô bicho, quando eu tocava nas ruas de Nova York eu tinha que agradar a todos, agradar o cara que morava na rua, o executivo que estava indo trabalhar, a senhora que estava passeando com a criança, enfim, a todos os que passam por uma rua”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Quais são suas maiores influências? Tem alguma coisa que atualmente está te perturbando, afetando digamos de maneira positiva os ouvidos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Eu ouvi muito jazz, como te disse o Jaco Pastorius foi uma de minhas maiores influências, o trio do Bill Evans, Ron Carter, a música do Hermeto me influenciou bastante - tive o privilégio de tocar com o Jovino, que é pianista dele. Acho a cultura Hermetiana o maior berço, sem qualquer patriotismo exagerado. Jobim, choros, Villa Lobos, Waldir Azevedo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Eu ouvi você tocar lindamente o Trenzinho do Caipira, o seu contrabaixo reproduzindo o som da locomotiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: É uma influência grande do erudito, Bach. Apesar de eu não ser um músico erudito, sempre estudei muito o erudito, acho o erudito o maior estudo técnico que existe. Claro que você vai estudar outros estudos técnicos como Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Hermeto Paschoal, Charlie Parker. Todos esses mestres me encantaram. E tenho ouvido muito uma baixista que se chama Esperanza Spaldi, uma baixista americana de 22 anos que toca muito, canta muito também, faz um trabalho de voz junto com o instrumento. É uma baixista fantástica e tenho ouvido muito o som dela, é uma das boas surpresas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Tenho visto grandes músicos acompanharem cantoras, como é o caso do Grupo Pau Brasil, que acompanha Mônica Salmaso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: É da pesada, Mônica tem um trabalho incrível. Nelson Ayres, Rodolfo Stroeter, Paulo Bellinati.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: O contrabaixo do Rodolfo também imprime muita personalidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Pois é, e ele toca com a Joyce também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E você roda o mundo e ainda tem o ponto fixo em Juiz de Fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Tenho e faço questão disso. Hoje eu tenho filho, mulher que moram em Juiz de Fora, e a vida tranquila de lá, a proximidade dos grandes centros, a facilidade de locomoção, tudo isso me atrai. Juiz de Fora te oferece uma qualidade de vida muito grande, em uma hora e meia pego o vôo. Vou, mas a minha casa ta lá em Juiz de Fora. Eu gosto de ter aquele porto seguro ali que me deixa em contato com as raízes. As raízes é que me fazem não esquecer do que me levou a querer fazer isso.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Além do seu talento, você me chama a atenção por ser um músico que toca tanto em Montreux como no Bar do Salim. Parece que você não faz distinção, tipo, agora que já toquei na Europa não vou mais tocar nos bares de antigamente. Acho que você se preocupa é com a qualidade do que vai fazer no momento né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Isso. O Mauro Continentino sempre falava, tocávamos de segunda a segunda. As vezes a gente tocava num lugar que tinham duas pessoas e ele dizia: “- duas ou cem é a mesma coisa”. Não importa o lugar, importa o que você está tocando. O barato está em mim, não no lugar. Ele tinha um sonho: “- vamos comprar um caminhão e sair viajando, atacando pelos cantos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Meio Caravana Roliday (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Com o trio consolidamos essa filosofia, moramos juntos, tocando, tocando, tocando. Aquele exemplo hermetiano de tocar 12 horas por dia com um calor de quarenta graus. Moramos juntos durante oito anos fazendo isso. É uma irmandade musical, o grande lance é o grupo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Agora para terminar fale do disco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudu: Esse disco se chama Ouro de Minas em homenagem ao Milton Nascimento e João Bosco. O Milton gravou Cafuné na cabeça malandro eu quero até de macaco, parceria dele com a Leila Diniz, que ele escolheu. João Bosco fez o Ronco da Cuíca e nós gravamos além dessas Corsário, Bala com Bala, do Milton Cravo e Canela, Fé Cega faca amolada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-1550883302117216832?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/1550883302117216832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=1550883302117216832' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/1550883302117216832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/1550883302117216832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2009/11/entrevista-com-o-contrabaixista-dudu.html' title='Entrevista com o contrabaixista Dudu Lima'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/Sw_8QMoS93I/AAAAAAAAAQg/PvjjBL1gs1I/s72-c/DSC01178.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-8841000353011736593</id><published>2009-11-21T04:49:00.000-08:00</published><updated>2009-11-21T04:58:38.478-08:00</updated><title type='text'>Entrevista com o compositor e violonista Guinga</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/Swfj64me5oI/AAAAAAAAAQY/eMdZ6G4bJMU/s1600/guinga.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/Swfj64me5oI/AAAAAAAAAQY/eMdZ6G4bJMU/s320/guinga.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406540478447281794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"caridade, justiça e  humildade. Ninguém cresce se não preservar esses valores". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Agenda apertadíssima não? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guinga: Esse ano eu fiquei fora do Brasil praticamente o ano todo, foram oito viagens ao exterior. As vezes ficava 50 dias fora.  Tenho vindo pouco aqui, estou desatualizado das coisas novas, mas vou tomar pé das coisas. Ainda tem duas viagens para fazer esse ano, mas depois eu vou dar uma meia trava, porque eu acho que isto que está acontecendo comigo é meio um excesso de viagem. Passando muitas horas dentro do avião, direto. Mas há a necessidade de ganhar a vida, expandir a música. Tudo tem um preço, enfim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Eu conheci o seu trabalho na sua parceria com o Aldir Blanc, o cd Catavento e Girassol, gravado pela Leila Pinheiro, somente com canções de vocês. E ainda continuam essa parceria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guinga: Sim, sempre, nós somos amigos. Isso vai ter a vida toda, enquanto a gente existir essa parceria é preservada, ecológicamente preservada (risos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Algum trabalho novo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guinga: Eu tenho uma série de músicas inéditas, inclusive duas em parceria com José Miguel Wisnik, que é um gênio. Estamos estreando uma parceria que vai aparecer num novo disco que pretendo fazer pela Biscoito Fino, que é a minha gravadora. Tenho disco para fazer também na Itália, pois pertenço a uma gravadora italiana. Quero fazer um disco com uma cantora italiana famosa lá e que tem um público imenso. Ela vai verter minhas músicas para o italiano, com arranjo, orquestra e eu participando do disco.  Ela vai gravar um disco com músicas minhas, todas em italiano.  Ela se chama Tosca, é uma grande cantora que mora em Roma, famosíssima na Itália. Isso para mim, um cara que nasceu em Madureira de uma família pobre, lutando pelo mundo aí, para mim é uma vitória. Como tocar aqui é difícil viu, é mais difícil do que tocar no auditório de Roma. Eu já toquei na sala Disney Hall Concert com a filarmônica de Los Angeles, a sala cheia com cinco mil pessoas e não fiquei mais nervoso do que hoje. Isso é experiência para um artista, aqui Deus me ajudou a crescer. Cantar com jogo ganho é fácil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: O seu trabalho com Wisnik é um disco inteiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guinga: Não, é uma parceria que estamos fazendo. Já temos duas músicas prontas, e com a graça de Deus essa parceria vai vingar. Nós somos muito amigos, eu sou admirador dele muito grande, e depois de ter feito com Chico Buarque, pensei, agora quero fazer com Wisnik que é meu ídolo também. Estou feliz por estar compondo com ele. Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Chico Buarque, José Miguel Wisnik e os jovens todos que eu tenho lançado, tenho feito parcerias com eles. Você vê como a vida não depende de nome e nem de fama, a música mais aplaudida hoje aqui é de um parceiro meu que ninguém conhece, que nunca gravou um disco, um menino de 25 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Uma questão que sempre me despertou uma certa curiosidade, ou seja, com cada parceiro vai implicar numa construção musical absolutamente diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guinga: Isso, é como um homem que se separa ou uma mulher que se separa e casa de novo. É lógico que um casamento nunca vai ser igual ao outro, se não a gente não repetia. Até porque a gente aprende e tenta não repetir os erros. Na vida, minha filha, eu acredito em três coisas, três valores no qual eu tento fundamentar a minha vida, e é difícil: a caridade, a justiça e a humildade. Ninguém cresce se não preservar esses valores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: São quantos anos na estrada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guinga: 43 anos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Continua dentista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guinga: Não, pois é. Sou dentista porque sou formado e exerci a profissão por quase 30 anos. Faz oito anos que não exerço mais, pois viajo e fico longe durante muito tempo. Esse ano fui sete vezes a Europa e uma vez aos Estados Unidos, em São Francisco. A última vez eu fiquei sessenta dias fora do Brasil, a última foi agora que cheguei na segunda feira com essa paralisia. Eu acho que foi excesso de ar condicionado, imunidade baixa, daí o vírus aproveitou e me pegou. Mas hoje eu já comi aqui duzentos quilos de torresmo, feijão pracaramba, couve, esse vírus vai ficar assustado comigo e vai embora (risadas). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Essa pergunta não tem cara de pergunta de encerramento, mas vamos lá, pois eu perguntei para todos os músicos.  Quais são as suas maiores influências? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guinga: Eu adoro Tom Jobim, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, Garoto, Badem Powell, Francis Hime, Edu Lobo, Milton Nascimento, Chico Buarque, Radamés Gnatalli, Ravel, Debussy, Stravinsky, Leonardo Berstein, Villa Lobos, Richard Strauss, Shoemberg, Bah, Vivaldi, Mozart, Bethoven, Wagner, Puccini, Noel Rosa. Tudo o que é bom eu gosto, eu procuro ouvir os bons pra tentar melhorar um pouco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-8841000353011736593?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/8841000353011736593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=8841000353011736593' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8841000353011736593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/8841000353011736593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2009/11/entrevista-com-o-compositor-e.html' title='Entrevista com o compositor e violonista Guinga'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/Swfj64me5oI/AAAAAAAAAQY/eMdZ6G4bJMU/s72-c/guinga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-2893423945325707782</id><published>2009-11-19T17:54:00.000-08:00</published><updated>2009-11-19T18:11:50.274-08:00</updated><title type='text'>João Carlos Assis Brasil: "O que eu mais gosto é criar"</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwX62GQ6H8I/AAAAAAAAAQQ/Q9yZ6d_w7wg/s1600/GeraMidia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwX62GQ6H8I/AAAAAAAAAQQ/Q9yZ6d_w7wg/s320/GeraMidia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406002735029559234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entrevista com o pianista João Carlos Assis Brasil na Fundação Oscar Araripe, em Tiradentes. Uma manhã de sábado do dia 14 de novembro de 2009. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Quando você começou a tocar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Comecei com 3 anos, eu ganhei um pianinho de brinquedo que me despertou. Aí com quatro anos comecei a estudar. Eu tinha uma única tia que tinha um piano de verdade e fui lá e comecei a tocar, compor, a improvisar e pronto.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Já saiu sozinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: É, desde criança que eu componho. É dom mesmo, nasci com isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Sua formação é clássica né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Totalmente clássica. Fui para Paris, Londes, Viena, fiquei muitos anos na academia de Viena. Estudei pra valer, ganhei prêmio internacional Bethoven. Da década de oitenta para cá que resolvi expandir para o popular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: É interessante um pianista clássico do seu porte abrir espaço também para acompanhar cantores como Olivia Bygton e Ney Matogrosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Eu gosto, é para criar. O que eu mais gosto é criar. Por exemplo, no show de hoje eu faço isso, peço sempre ao público que me dê duas ou três notas e com essas notinhas eu faço uma composição na hora. Faço sempre isso. Então na Europa eles caem o queixo, pois eles não tem isso.  E isso é o que eu mais curto fazer, criar mesmo. Esse concerto inteiro vai ser nessa base, menos as músicas de Villa Lobos que são originais. Do Villa Lobos vou tocar Prelúdio das Bachianas n 4, Alma brasileira e Impressões Seresteiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você está vivendo aqui no Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Estou, mas recebi um convite da Espanha, já toquei lá em Salamanca. Daí me convidaram para ser professor da universidade de lá. Ano que vem pretendo ir para lá e abrir uma Cátedra Villa Lobos, ou seja, para ensinar música brasileira, clássica e popular e tudo o que tenho direito. Não é uma coisa totalmente formalizada, mas vai rolar.  Pelo que entendi vou ser uma espécie embaixador brasileiro na Espanha para ensinar a nossa música para eles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: O mercado para a música clássica continua bastante complicado no Brasil, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Continua muito complicado, não somente a música clássica, mas a popular também. Os valores que a gente estava acostumado acabaram. Hoje em dia vale o que vende, o que faz sucesso. E a gente que faz uma coisa mais elaborada, mais sofisticada, é como dar murro em ponta de faca. Difícil. Essa é uma das razões também porque eu estou querendo ir embora. Claro que vou voltar sempre para tocar, não vou abandonar nunca o meu público, minha família, mas pretendo ir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Manter um nível de qualidade para um público que não está habituado é complicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Sim, eles estão acostumados a ouvir o trasch,. Quer dizer, para fazer um nível de trabalho mais elaborado, mais sofisticado, não é de cara que esse público vai receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Não tem educação musical nas escolas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Pois é, não tem, tem que ser uma coisa muito bem elaborada, feita com a cabeça, não pode ser imediato. Tem que ser uma coisa muito bem planejada, mas ninguém está nem aí, só querem ganhar dinheiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E você já tocou aqui nas universidades de música do Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Já, em quase todas. Eu dou aulas na Escola Villa Lobos, no Rio. Na Academia Lourenço Fernandes. Já dirigi música na faculdade Estácio de Sá, quando tinha música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Acho que todo mundo acaba tocando nesse ponto, é inevitável.. Você e seu irmão gêmeo, o saxofonista Vitor Assis Brasil . Vocês dois são músicos talentosíssimos e com caminhos próprios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Eu vou fazer junto com um saxofonista um concerto todo voltado para as composições do Vitor, terça e quarta no SESC. Eu sempre estou tocando as músicas dele,  meu outro irmão Paulo que tem uma produtora sempre faz homenagem a ele, todo ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Tem ainda coisas inéditas do Vitor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Tem muita coisa inédita. Agora mesmo eu doei o legado dele para a escola, o xeróx. Formaram um quinteto de saxofone . Quanto mais gente conhecer isso melhor, nada melhor do que você doar isso para escolas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Ele deixou arranjos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Deixou, quer dizer tudo não, pois no jazz algumas coisas você caminha. Essa é a magia da música popular. Agora a música clássica é dificílima no sentido de que você tem que acompanhar tudo aquilo que está ali e ao mesmo tempo colocar a sua personalidade em cima, e isso tudo com uma sutileza muito grande. Agora no jazz e na música popular a dificuldade não se encontra no que está escrito, é você criar. Porque no popular você tem que criar, você tem que ser um criador. Vai improvisar como, o que é improvisação se não criação. No popular o difícil é isso, a pessoa tem que ter esse dom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você traz também. Tom recebeu muita influência de Villa Lobos né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Tom era um homem culto, ele ouvia tudo, claro que foi influenciado. Villa Lobos que dizia, quando ele sentia uma influência ele se sacudia inteiro, tal a personalidade forte que ele tinha que queria ser ele mesmo, original. Ele era um cara incrível, fiz um concerto semana passada, só Villa Lobos. E eu sempre converso com o público, uma espécie de enterteinement, que é o que gosto de fazer. Então eu pincei umas frases de Villa Lobos que são extraordinárias, uma delas diz assim: “A minha música são como cartas que eu escrevi para a posteridade, sem esperar resposta nenhuma”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Essa fala do Villa bate com a conversa que eu estava tendo ontem a noite com o contrabaixista Dudu Lima, que é um músico de vertente jazzística. Ele estava falando desse lance de deselitizar a linguagem do jazz, trazer essa “música difícil”para o público. Então ele comunica, tenta tirar essa aura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Pois é, tem uma coisa de dificuldade e sofisticação que torna difícil das pessoas compreenderem. Então é importante que você decodifique um pouco, abra outros códigos para o público. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Isso é muito importante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Com certeza. É uma função didática.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Mês passado a PUC-Rio realizou um evento de uma semana inteiramente dedicado a reflexão sobre a MPB. Com a parceria da gravadora Biscoito Fino estiveram por lá Francis Hime, Paulo César Pinheiro, José Miguel Wisnik, Maria Bethânia e outros. Tem se tentado abrir espaços para a  música brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: A Biscoito Fino tem desenvolvido um trabalho fantástico, eu fui um dos primeiros a gravar lá. Tenho uns dois ou três discos lá.  Hoje em dia eles são a gravadora mais importante, todo mundo está lá. Olivia é uma pessoa extremamente artista, uma mulher extremamente culta, sofisticada, ela não põe nada que não seja de alto nível. Juntou ela e a kati, pronto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: eu indiretamente acabei sendo uma divulgadora da gravadora ao escrever textos sobre os cds deles para jornais aqui de Minas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E agora o que você está fazendo? Compondo? Gravando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Faz tempo que não gravo, eu estou com um projeto, mas ainda não pintou a oportunidade. Uma coisa que eu gostaria muito de fazer é gravar só canções brasileiras e americanas. Ainda não aconteceu, mas chega tudo na hora certa. Esse é um projeto que eu tenho muita vontade de fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E só com piano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Só piano, uma coisa para você botar e viajar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E algum disco específico sobre o Vitor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Pretendo sim, ainda não tenho nada pautado, mas pretendo. Tem muita coisa que ainda tem que ser gravada. Eu tenho várias missões a cumprir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Agenda cheia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Tem ido bastante bem, dadas as circunstâncias. Agora eu agradeço muito ao Sérgio Costa e Silva, que é o diretor da Música no Museu, pois foi através dele que fui para a Europa, Portugal, Espanha, o maior sucesso. Tenho tocado sempre, desde que ele abriu a série Música no Museu. Então essa coisa do convite para a Espanha aconteceu através dele e possivelmente eu vá para a Índia e o Egito para fazer concertos lá, e tudo pela Música no Museu. Ele está fazendo um trabalho fantástico no Brasil todo e agora implantando no exterior. Se não me engano ele fez no ano passado 590 concertos. Ele tem dado enorme oportunidade a tudo o que é pianista jovem, músico jovem que não tem espaço. É um rapaz do maior valor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E algum trabalho com cantor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Fiz com Bethânia agora dois, músicas do novo disco dela, o “Tua”. A primeira e a última faixa, eu abro e fecho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: O trabalho da Bethânia está muito bonito e o que ela tem de sabedoria da palavra, da poesia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: É, ela é uma grande atriz além de cantora. Ela sabe lidar com a palavra e passa isso na música. Eu acho que ela e o Ney Matogrosso são hoje em dia os que tem mais veracidade e competência de todos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Acho que a gente tem que batalhar é por esse tipo de trabalho, é difícil, mas vale. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Sim, é um desafio e as vezes a coisa difícil te dá mais prazer do que a coisa fácil. Você tem que lutar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: E quais você considera suas maiores influências?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Carlos: Todo o repertório da música clássica e todo o repertório maravilhoso da música brasileira e americana. A americana eu digo dos anos 30 até os anos 60, que é um manancial maravilhoso. Alto nível! Então tudo isso conviveu comigo desde que eu sou pequeno. Ninguém cresce se não preservar esse valores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-2893423945325707782?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/2893423945325707782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=2893423945325707782' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2893423945325707782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/2893423945325707782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2009/11/joao-carlos-assis-brasil-o-que-eu-mais.html' title='João Carlos Assis Brasil: &quot;O que eu mais gosto é criar&quot;'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwX62GQ6H8I/AAAAAAAAAQQ/Q9yZ6d_w7wg/s72-c/GeraMidia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-7831554252823829898</id><published>2009-11-19T17:19:00.000-08:00</published><updated>2009-11-19T17:35:41.101-08:00</updated><title type='text'>Victor Biglione: o número 1</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwXyUY0UBNI/AAAAAAAAAQI/uaWa2J_YB10/s1600/gerdal.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 226px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwXyUY0UBNI/AAAAAAAAAQI/uaWa2J_YB10/s320/gerdal.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405993359801320658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Do dia 13 ao 16 estive em Tiradentes a convite de Vicente Martins, diretor do Duo Jazz Festival. Foi um enorme prazer conversar com os músicos:   Victor Biglione, João Carlos Assis Brasil, Rai Medrado, Dudu Lima, Tony Oliveira e Guinga. Segue abaixo o bate papo descontraído e alto astral com o talentosíssimo guitarrista número 1. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entrevista com Victor Biglione no Restaurante da Vovó, em Tiradentes numa noite quente de sábado do dia 14 de novembro de 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela Aragão: Já que estamos com o livro aqui na mesa, nada melhor do que começarmos por ele que abrange toda a sua carreira. Como é que surgiu essa idéia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biglione: Eu estava andando na rua e um jornalista, acho que foi o Luiz Pimentel, do Jornal do Brasil, falou assim : “O Victor, presta atenção no que eu vou te falar, eu tenho a impressão que dos músicos que não nasceram no Brasil, você é o cara que mais trabalhou com a música brasileira, você já se tocou disso?” Eu falei  uai (bem mineiro) não. A partir disso procurei o Instituto Cravo Albim e a Heloísa Tapajós me recomendou (a Losinha maravilhosa, irmã do Mú, do Dadi, que eu toquei na Cor do som) e apresentou o Ricardo Cravo Albim, que eu já conhecia, é lógico. Me indicaram esse menino, o Euclides Amaral, esse pesquisador (mostra o livro). Foram seis meses de pesquisa, um trabalho sensacional e eu sempre cuidei das minhas coisas, guardei o material fotográfico todo, tem mais de 70 fotos com artistas da MPB. Aí foi um presente, meus 50 anos, essa moda né, o cara que fez mais gol no brasileiro....Arrumei meu recordezinho, meu recordezinho de leve, eu fiquei felicíssimo  pois para um cara que não nasceu aqui ser tão bem recebido de braços abertos pela MPB. Foi um negócio maravilhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Eu vou tentando retomar na memória uma série de discos em que eu vejo sempre o seu nome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biglione: Exato. Tem um capítulo que se chama Victor Biglione de A a Z, são mais de 250 nomes da MPB. Eu ainda peguei o finzinho da fase de ouro da MPB assim, trabalhei com música brasileira mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você tocou com a Elis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biglione: Toquei. Não tem ninguém que eu não toquei. Quer saber o que eu gravei com a Elis? Para Lennon e MC Cartney, no Luz para as estrelas, limparam a voz dela e chamaram arranjadores que nunca tinham trabalhado com ela. O Wagner Tiso me chamou, o Gilson Peranzzetta. Fiz parte desse rearranjo.  Com ela viva eu só fiz o especial do Daniel Filho, o Grandes Nomes, que ela faz com a Gal. Eu vi ela viva, tocamos juntos Vivendo e aprendendo a jogar, do Guilherme Arantes. Aí fizeram essa idéia maravilhosa da Som Livre, tem dois artistas que eu trabalhei depois deles já terem falecido, a Elis e o Tim Maia. Eu gravei um disco com o Tim Maia quando ele já estava falecido chamado Sou Tim, eu gravei o Lindo lago do amor, do Gonzaguinha e gravei Saigon, essa música é linda né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela:  A que você atribui esse fato de tocar com todo mundo? A sua versatilidade que te faz ser esse número um...E você tem uma personalidade muito própria, tem uma identidade o seu tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biglione: Eu gosto da música toda: samba, jazz, bossa nova, blues baião,  o que for. Eu trabalho com cinema também, fazendo trilha, eu tenho dois kikitos. Assinando trilha sonora mesmo, eu ganhei o Festival do Rio, o festival de conservatória. Adoro cinema, e vão entrar nesse ano dois filmes que estou assinando, o Elvis e Madonna e o Caçador de sonhos. E eu gosto de tudo, não vou me prender a uma coisa só, eu gosto da música no todo dela.  Eu penso igual ao Vicente (idealizador e diretor do Festival) “programa tudo”, gosto disso que está tocando, só não gosto de coisa ruim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vicente: Ano que vem podemos programar um duo com suas trilhas de cinema. As imagens seriam exibidas ao fundo. Uma sugestão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biglione: Pô, legal, ótimo. E o fato de eu ter sido criado em Copacabana ajudou muito, é uma mistura muito grande e você recebe tudo o quanto é tipo de informação. Minha mãe estava me apresentando o Reginaldo Bessa, toda a turma da Bossa Nova, eu estava escutando Led Zeppelin, aí acordei Baile, com Zé Kéti. Tudo muito presente, muito verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Você começou a tocar quando? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biglione: Com 12 anos eu comecei a tocar, e como minha mãe era metida a moderninha já concordou que eu fosse músico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Desde pequeno você já sentiu que música era a sua praia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biglione: Não, eu queria ser jogador de futebol. Mas eu fiz teste para o Flamengo e fui reprovado, aí fui lá pra Marechal Hermes e fui aprovado. Aí meu pai falou, você foi aprovado, mas ele gostou de você para zagueiro. Falei  - ah não, zagueiro não, nenhum garoto quer ser zagueiro. Foi um cara amigo da minha mãe, um hippie, que apareceu com o violão, me apaixonei por violão e nunca mais parei. E vi que tinha mais jeito pra tocar do que pra futebol, você percebe isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: Lembro de você no Cultural e também tocando na Pró Música com o Wagner Tiso. O que me impressionou foi essa sua capacidade de transitar entre os gêneros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biglione: Lá no Cultural eu estava tocando rock, eu adoro. Eu gosto de tudo o quanto é música e a MPB foi me levando a variedade de artistas, um recomendando para o outro da MPB, acabei gravando com quase todo mundo. Não tem ninguém que eu não gravei, toquei ou participei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: O que você mais ouviu que te influenciou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biglione: O que eu mais ouvi e estudei sempre foi o jazz, a minha escola é jazzística. Eu estudei mesmo foi o jazz, as escalas, os acordes, a harmonia, a Bossa Nova, aquela coisa toda de acompanhar. Mas de ouvir eu ouço todo mundo. Não coisa ruim, é claro. Aqui no Brasil depois da gente ter Glauber Rocha, Edson Machado, Zé Kéti, Cartola, Sérgio Mendes, Chico Buarque, Egberto Gismont, Hermeto. É triste tanta coisa ruim hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela: O que você está gravando agora? Algum disco autoral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biglione: Esse ano eu fiz coisa pracaramba. Eu lancei um disco de guitarra, essas guitarras de jazz, só tocando Tom Jobim, chama Uma guitarra no Tom. Super cool, só tocando Tom Jobim. Depois lancei Tributo a Ella Fitzgerald, só Ella abrasileirado, arranjos brasileiros. Ainda lancei esse livro. Foi lançado dia 5 de novembro. E vou falar, morar no Brasil para mim é um sonho, é um país que eu adoro. Tem um monte de amigo meu que me pergunta: “você torce para quem, Brasil ou Argentina?”. Eu falo que torço para a Argentina, é lógico, mas não frequento a Argentina, esses amigos meus por qualquer dez merréis já vão para a Argentina, gastar lá. Eu falo, eu torço para a seleção Argentina mas gasto meu dinheiro todo, centavo por centavo no Brasil. O que que adianta, torce pro Brasil êêêêê e amanhã já está embarcando para Buenos Aires. Lindo é o Brasil, é o meu Rio de Janeiro. Buenos Aires tô fora. Já viajei muito, mas o maior país do mundo para mim é o Brasil. Você pode viajar, voltar com o dinheiro forte, euro, dóllar, agora morar eu sempre tive certeza que o lugar é o Brasil. Já recebi inúmeras propostas, mas morar eu moro no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-7831554252823829898?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/7831554252823829898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=7831554252823829898' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/7831554252823829898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/7831554252823829898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2009/11/victor-biglione-o-numero-1.html' title='Victor Biglione: o número 1'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwXyUY0UBNI/AAAAAAAAAQI/uaWa2J_YB10/s72-c/gerdal.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1780528001534292855.post-4046349685578034978</id><published>2009-11-18T07:08:00.000-08:00</published><updated>2009-11-18T07:20:20.208-08:00</updated><title type='text'>Duo Jazz em Tiradentes</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwQQcClc8pI/AAAAAAAAAQA/d2EVdj74J7E/s1600/DSC01188.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwQQcClc8pI/AAAAAAAAAQA/d2EVdj74J7E/s320/DSC01188.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405463526667776658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwQPZ9oi25I/AAAAAAAAAP4/-3726BuojEE/s1600/L1020630%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwQPZ9oi25I/AAAAAAAAAP4/-3726BuojEE/s320/L1020630%5B1%5D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405462391467203474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sempre adorei bastidores de shows, fossem os meus ou os de amigos. Neles é que rolam as melhores conversas, piadas, sugestões e conflitos. Dizem que Elis Regina durante toda a carreira nunca deixou de demonstrar certa ansiedade nos minutos antes de entrar em cena, na ocasião de sua participação no XIII Festival de Jazz de Montreux, a adrenalina era tão grande que a Pimentinha demorou a arredar os pés da coxia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste último final de semana, Tiradentes foi agraciada pelo que de melhor se pode ouvir dentro do cenário do jazz produzido por artistas como Victor Biglione, Guinga, Dudu Lima, Enéas Xavier, Rai Medrado, A C, Big Charles, Tony Oliveira, Magno Alexandre e outros. A convite do idealizador e diretor Vicente Martins, passei cinco agradabilíssimos dias nesta cidade por conta de entrevistar essa rapaziada que entende tudo de música boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre sol, chuva e a presença do meu fiel gravador, aproveitava sempre a brecha do momento em que algum músico passava um som ou almoçava, para abrir espaço para uma boa conversa.  Com o pianista Tony Oliveira, meu primeiro entrevistado, levei um longo bate papo que começou lá no tempo em que ele se apresentava na rádio Tupi, de São Paulo. Tony contou-me dos primórdios de sua carreira, no final da década de cinquenta, época do surgimento da Bossa Nova, quando tocava com o contrabaixista Manuel Gusmão e o baterista João Palma. Entusiasmado, revelou que foi o primeiro pianista que gravou com Jorge Ben no seu disco Mais que nada.  O sorriso estampado nos lábios, não ocultava a satisfação pela experiência adquirida em espetáculos históricos como Pobre menina rica (Vinícius de Moraes e Carlos Lyra), no Maison de France.  O contrabaixista Dudu Lima, após a realização de um show altíssimo astral ao lado do pianista kakinho Itaboray, abriu caminho para uma conversa agradável em que pudemos compartilhar alguns amigos e lugares em comum, visto que nós dois passamos a adolescência em Juiz de Fora e ainda transitamos por lá. Do contrabaixo acústico ao elétrico, Dudu falou com total despudor das limitações e amplitudes que envolvem o universo inesgotável da música: “A gente estuda o instrumento a vida inteira e ele continua um desconhecido, pois é infinito”. Victor Biglione, o argentino mais brasileiro de todos os músicos: “Lindo é o Brasil, é o meu Rio de Janeiro. Buenos Aires tô fora. Já viajei muito, mas o maior país do mundo para mim é o Brasil.” Com Biglione a conversa rolou solta, o humor cativante desse talentosíssimo guitarrista me fez dar altas risadas. Transitando entre o jazz, a música popular brasileira, o blues e outros gêneros, Biglione presenteou-me com seu recém lançado livro, escrito por Euclides Amaral. Inúmeras fotos ilustram a trajetória desse artista, que é considerado o músico estrangeiro que mais gravou com músicos brasileiros, o número um, brincou ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guinga deu uma demonstração única de qualidade humana. Afetado por uma paralisia que tomou metade do corpo, inclusive a face, não descumpriu o compromisso com o festival. Ovacionado por uma platéia embevecida, Guinga tocou e cantou composições suas ao lado de outros parceiros. Embora cansado, expandiu-se em delicadeza e generosidade ao trocar algumas palavras comigo, falou da alegria que lhe traz a parceria estabelecida com José Miguel Wisnik e das parcerias estabelecidas com Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro e Chico Buarque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Música, música, música, música. Foi o que mais respirei durante esses dias. Vou contando o restante aos poucos, para não perder o fôlego.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1780528001534292855-4046349685578034978?l=ocantodadaniela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/feeds/4046349685578034978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1780528001534292855&amp;postID=4046349685578034978' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/4046349685578034978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1780528001534292855/posts/default/4046349685578034978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocantodadaniela.blogspot.com/2009/11/duo-jazz-em-tiradentes_18.html' title='Duo Jazz em Tiradentes'/><author><name>daniela aragão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11154958382469881736</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/STfNS8B8nXI/AAAAAAAAAAM/YerpbyUYTj8/S220/dani+viol%C3%A3o.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_MZnMcHiPIBc/SwQQcClc8pI/AAAAAAAAAQA/d2EVdj74J7E/s
